2005-12-16

Anime um Amigo


aqui


Pronto, Gaivina :)

É que não é uma questão de competição. É só mesmo de animação. Ora diz lá que não ficas animado com o que te deixo...

Norte

Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba


Mário de Sá Carneiro – Dispersão

Sou mulher do Norte, de olhos e tez clara. Corre-me nas veias o sangue dos Suevos e dos Visigodos, a par do sangue da latinização, ou dos judeus, ou dos árabes, que a linhagem não é pura, nem eu a queria tal.

E neste Norte - que é o meu - , a tradição passa-se ao borralho, de mãe para filha, no meio de tias e avós. Neste Norte onde se cantam músicas alegres e se faz guerrilha até hoje, preservando uma identidade, com uma vontade tão férrea que ronda o fanatismo. Este Norte que não é triste, nem quando os dias são frios e cinzentos. Neste Norte que sabe que o Fado não é a canção nacional, porque não há Fado que ganhe ao Vira. Neste Norte onde se tocam gaitas de foles e os pauliteiros ainda dançam em saias-kilt, onde os cabeçudos saem às ruas para espantar os maus espíritos e se procura o visgo dos Druidas nos caminhos do Gerês, enquanto nas penedias as capelas à Virgem substituem as grutas sagradas consagradas a Astarte, ou a La Morrighan, a grande Deusa, a força fertilizadora do caos, a Mãe – Mater – que dá origem à criação.

Talvez seja por tudo isto que não entendo como a sociedade do Norte pode ser tão poucochinha, tão fanática e canastrona, tão machista e patriarcal. Talvez as mães só saibam passar as tradições ao borralho para as filhas; no leite delas vai a tacanhice directamente para o cérebro masculino.

2005-12-15

Anime uma Amiga


(recebida por mail - clicar na imagem para ver melhor)


Como não tenho tempo para "blogar" e como fui alvo de uma "mão amiga" que resolveu animar-me o dia, decidi não ser egoísta e animar muitas amigas de uma vez.


(Como eu percebo o moço! Com o frio que está, temos de tentar manter as mãos quentes de qualquer maneira... E, verdade seja dita, não me importava nada de experimentar aquele forninho...)

Corrida Anual



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Alguém estranha se eu disser que a comida estava fria e era uma merda? Que os colegas que não vi - felizmente - durante um ano, estavam ainda mais insuportáveis do que o costume? Alguém se espanta por me terem calhado umas peúgas no sorteio das "lembranças"? E ainda por cima com pais natal e renas?

A gripe está pior e amanhã há mais outro jantar-"convívio". Porra para o convívio! Pelo menos o tinto do de hoje ainda escapava... Mas amanhã... Numa churrascaria? Uma churrascaria? Estão a brincar comigo, só pode! Eu vi logo que não podia ser coisa boa quando os chefes se ofereceram para pagar... Promete ser (ainda) pior, portanto. Foda-se! Suponho que receberei qualquer merdice das lojas dos chineses, tão má, mas tão má mesmo, que nem terei coragem de guardar para distribuir no ano que vem...

2005-12-14

Até me faltam palavras!


cartas baralhadas


Estou profundamente baralhada, profundamente enternecida, profundamente saudosa. Estou felicíssima. Radiante. Sem palavras para a tanta da surpresa, do presente magnífico que me deixou no correio de voz do telemóvel.

Dizer-lhe do tanto de falta que me faz lê-lo, rir consigo, brincar um bocadinho, não chega para calar esta raiva por não ter ouvido o telemóvel. Dizer que o tenho procurado por esta net fora, ver em outros traços que me lembram de si. Dizer que gosto de si, porra! E que não lhe perdoo se não vier ver-me antes desse Feliz Natal que me deseja.

2005-12-13

Classificados



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Eu queria uma história...

Ofereço ruiva para troca.

Não matarás!


Sadly one Sunday, I waited and waited
With flowers in my arms, for the grief I'd created
I waited 'til dreams like my heart were all broken
The flowers were all dead and the words were unspoken
The grief that I knew was beyond all consoling
The beat of my heart was a bell that was tolling
Saddest of Sundays

Then came the Sunday when you came to find me
They brought me to church and I left you behind me
My eyes would not see what I wanted to love me
The earth and the flowers of the lover above me
The bell tolled for me and the wind whispered 'never'
But you I have loved and I bless you forever
Last of all Sundays

Diamanda Galas - Gloomy Sunday





Se há coisa que não consigo imaginar é como viveria com a minha consciência se fizesse parte de um daqueles júris americanos, tão pródigos em condenarem pessoas à morte. Porque, se há crimes demasiado hediondos, uma condenação à morte é também um crime de morte. E haveria sangue nas minhas mãos...

Todas as vidas são demasiado breves. Todas são demasiado preciosas. Matou. Não tinha esse direito. Mas vinte e cinco anos depois - ou em qualquer outro dia - a quem cabe o direito de matar a coberto da capa da justiça, sempre cega?

E a cega justiça matou hoje. Pela mão do homem.

Cumpriu-se a lei. Morreu um homem nomeado para o Nobel da Paz. Mas será que se fez justiça? E quem lava o sangue das mãos dos que condenaram, ordenaram e não pararam a máquina cega da justiça assim vilipendiada no mais sagrado dos mandamentos: não matarás! Mesmo que seja para punir um crime de morte.

Nunca se fará certo um erro repetindo-o, ainda que a coberto da lei.

Não matarás!

Mas as mãos continuam sujas...

E Stanley "Tookie" Williams foi executado...

2005-12-11

Corpo


Gaivina



Sem ti, meu astrolábio de desdita, minha caravela de esperança, mais perdida fico, mais perdida estou.


Os desenhos são mais uma vez, como podem notar, do Gaivina. As palavras são minhas, antigas, e podem ou não deixar que vos influenciem.


Mas já sabem o que queremos, não é? Contem-nos uma história...
:)


Nota: cliquem na imagem para ver melhor.




As histórias:




  • Cruzeiro do Sul - Maria Árvore


  • Em carne viva - Hipatia


  • Sem título - J.P


  • Perdida - Rosmaninho


  • Abandonia - Ivar


  • Novelo Marinho - Palavras em Linha


  • Auto-Defesa - Uxka


  • Penteia-me - Maria


  • Nas Lonas - Fausta Paixão


  • Mens Agit Molem - Nuno


  • Esperando por ti - Zu


  • Espera - Jacky


  • Corpo Sonhado a Carvão - Ivo Jeremias
  • Pronto, Pai Natal



    Já lá tenho o sapatinho...

    2005-12-09

    Em carne viva

    Da tua voz
    o corpo
    o tempo já vencido

    os dedos que me
    vogam
    nos cabelos

    e os lábios que me
    roçam pela boca
    nesta mansa tontura
    em nunca tê-los...

    Meu amor
    que quartos na memória
    não ocupamos nós
    se não partimos...

    Mas porque assim te invento
    e já te troco as horas
    vou passando dos teus braços
    que não sei
    para o vácuo em que me deixas
    se demoras
    nesta mansa certeza que não vens.


    Maria Teresa Horta - A Voz
    aqui


    Não vou olhar-te agora. Sei que chegaste. Ouvi a porta. Mas estás atrasado, amor. Tive de começar sem ti, nesta posição fetal, recolhida sobre a minha nudez. Talvez para que os teus olhos, ao chegarem, me encontrem apenas as costas nuas. Ou talvez para sentir-me mais inteira, mais perto do útero onde queria chegar.

    Não, não vou olhar-te agora.

    Estou de olhos fechados, perdida em mim. Muito dentro de mim para haver espaço para mais alguém. Estou para aqui sozinha e não estou, perdida em mim e em ti também, mesmo que só tenhas chegado agora.

    Não, não vou olhar. Estou virada para dentro. Estou dentro de mim. Alargo-me, alago-me. Chegaste tarde. Quase demasiado tarde. Quase só me vias as costas hoje, nesta posição curvada sobre mim, para dentro de mim, só eu.

    Não ficaste na porta, amor. Sinto-te ai, em frente a mim. Mas ainda estou de olhos fechados. Zangada com o tarde que chegas nesta tarde em que cedo me perdi nos meus sonhos de ti.

    Que vês tu, amor? Vês-me a mergulhar em mim, abandonada dos teus dedos, preenchida de mim? Já sentes o meu cheiro, amor? Sinto o teu, enquanto resisto ainda a abrir os olhos para te ver.

    Ah! Mas isso é quase uma traição, amor! Como posso manter os olhos fechados se sopras assim um bafo morno sobre os meus mamilos, sobre os meus dedos, sobre o meu sexo?

    Já te vejo, amor. Ai sentado em frente a mim, a tentar devorar-me cada gesto. E é por isso que me ergo, amor. Assim, do largo, num lago, perdida em mim, para que possa perder-me agora em ti. Soergo-me amor. Já te vejo. Já me vês. Um pouco mais, agora. Mede-me! Em polegadas, por favor...

    E peço-te para vires embarcar comigo nesta tarde. Vem navegar, amor. Deixa-me fazer do teu corpo o meu mar. Deixa-me dar-te este lago, largo, que desenhei a pensar em ti, enfunando as minhas velas no teu mastro.

    Sem ti, meu astrolábio de desdita, minha caravela de esperança, mais perdida fico, mais perdida estou.

    Vem ser a minha âncora de carne em carne viva, rubra, afogada na rebentação das ondas em que vogo agora.



    (A minha história já cá está...)

    Não há fumo sem fogo


    Lima de Freitas - O Amante de Fogo


    André terminara aquele namoro de forma repentina. Vai se lá saber porquê...

    Tão pouco, Lídia entendera, por mais que pensasse no assunto, a cada fim de tarde passado em frente às couves que cresciam no quintal.

    Depois, deixou de fazer perguntas a si própria, sobrando só um calor, que lhe subia vindo do profundo da Alma, sem que o soubesse definir.

    Com o tempo, aquilo que sentia dentro dela foi ganhando uma temperatura elevada, só acalmada a cada copo de limonada bebido na escadaria fronteira à estrada. Os carros passavam e a temperatura aumentava...

    A mãe bem notava a filha afogueada, entendendo-a com os olhos de quem já vivera, pelo lado de dentro, toda aquela canícula do coração em época de despedida.

    Uma manhã, Lídia acordou sobressaltada com uma mancha gravada no linho limpo da fronha da sua almofada: Estava ali o recorte do seu perfil, desenhado a queimado sobre o tecido.

    Chamou logo pela mãe que não encontrou uma explicação imediata para aquele fenómeno. Mesmo assim, largou uma pergunta:

    - Com que sonhaste esta noite, filha?

    Lídia ruborizou respondendo baixinho:

    - Com o André...

    As duas mulheres entenderam logo o mal que se avisava...

    De qualquer forma, o Verão foi seguindo no seu ritmo pausado, de figo amadurecendo na figueira.

    Até que um dia, a mãe, que estava de volta do almoço da família, sentiu um leve cheiro a queimado, vindo dos fundos da casa. Chamou logo pela filha:

    - Ó Lídia! Lídia, onde estás?

    - Ai! Ai !Ai!
    Ouviu-se a voz da filha.

    Acudiu logo a mãe à sala, onde Lídia estava envolta em chamas, vindas de lugar nenhum. Foi só o tempo de pegar num jarro de água que servia às flores e atirá-lo sobre o corpo da sua menina.

    - Estava a pensar no André e ....peguei fogo.... Disse a filha de olhos abertos de espanto e regada de cima a baixo.

    - Ó filha da minha Alma, estás doente!

    E aquela "doença" passou a ser familiar lá em casa. Cada vez que alguém riscava um fósforo ou acendia um cigarro, todos os olhares se viravam para Lídia como que a confirmar se ela permanecia apagada.

    Até um amigo bombeiro lhe dissera, meio a brincar, meio a sério, que ou ela se curava ou estaria condenada a andar sempre com um extintor atrás. Pelo sim ou pelo não, passou a estar sempre disponível, uma garrafa de litro e meio de água, pronta para as emergências, em todas as divisões da casa. Em certos dias, o melhor lugar para Lídia estar, era mesmo debaixo do chuveiro...

    Mas como o bom tempo, aqui pela Beira, convida sempre às caminhadas, a mãe começou a desafiar a filha para uns belos passeios pelos quintais e carreiros da aldeia. Assim sempre ela ia distraindo o espírito, esquecendo-se do seu amante e mantendo-se convenientemente apagada. Os passos sobre a terra, conversa amena de mulheres, pequenos grandes nadas, enfim, aqueles momentos eram de grande alívio para a bela rapariga. E o hábito instalou-se, trazendo uma calma aparente aquele lar.

    Um dia, faltando-lhe a companhia da sua mãe para a costumeira caminhada, viu-se Lídia forçada a ir passear sozinha. Resolveu, então, ir para os lados do Mondego, a um local muito especial para ela. Desceu a encosta da Felgueira vencendo o caminho pedregoso e evitando o cão maldisposto do vizinho, até chegar ao remanso das águas. Era o seu sítio favorito.

    Sentou-se a descansar à sombra de um velho sobreiro, encostando a cabeça à grande árvore. Os seus pensamentos começaram a divagar soltos. E os beijos cálidos de André, queimando os lábios voltaram da memória. Brasas doces e demoradas, invadindo a sua boca, ali naquele mesmo local...

    Antes que desse por isso, já as ramas da árvore ardiam, e o mato todo em redor pegara fogo junto com ela. Só teve tempo para mergulhar apressadamente nas águas do rio apagando as suas chamas. Quando, encharcada, olhou em volta, toda a encosta ardia numa pressa desmesurada.


    Penso que assim fica explicada a origem do grande fogo da Felgueira, no Outono mais seco que conheci.

    Pois como diz o poeta: "o Amor é fogo...".

    Embora não se saiba muito bem como se faz o rescaldo dos incêndios do coração.


    Gaivina

    2005-12-07

    Pá! Porra, pá!


    aqui


    Eu nem gosto dos lampiões. Mas se jogarem o mesmo na segunda parte...

    E que grande golaço aquele!

    2005-12-06

    Sem papas na língua


    (recebida por mail)


    Há dias em que só nos aparecem daqueles que nem fodem nem saem de cima.

    Há dias em que eu tinha tanto mais para fazer, em lugar de estar a aturar cromos repetidos.

    Saiam-me da frente hoje! Por aqui já troveja desde as 09:00h e o tempo está com tendência a piorar. Que me tentem foder ainda vá. Mas pelo menos que o façam com jeitinho...

    2005-12-05

    Por uma vida


    aqui


    Às vezes, pequenos acontecimentos que já nada têm a ver connosco, fazem-nos pensar que cumprimos de alguma forma o nosso papel.

    Hoje celebro aqui uma vida que vai nascer. Não me pertence, não é minha. Mas também a vida pertencerá realmente a alguém?

    Sinto, no entanto, que talvez tenha ajudado alguém a ser pai, a querer sê-lo, a estar hoje disponível para pensar numa outra vida, para além da sua, dos seus medos. E não consigo deixar de pensar que, a termos algum pedacinho de uma vida que nunca nos pertencerá, talvez seja direito meu reclamar um pequeno quinhão.

    Um quinhão de esperança, talvez...


    2005-11-30

    BSO


    aqui


    (às vezes é preciso sair da toca...)


    Bom fim de semana!

    Mais comPILAções


    aqui


    Almoçar com a prima...

    Almoçar com a prima era sempre uma grande chatice. Mas ela sempre fora uma madrinha empenhada na união deles os dois, além disso pagava o repasto. Aparecia com o primo, apêndice silencioso naquele casal, e escolhia, como de costume, um restaurante despersonalizado da baixa.

    Sendo assim, cederam ao novo convite, preparados de antemão, para o "filme" que se seguiria.

    À hora certa, lá estava a prima, com o seu leal servidor, esperando numa mesa de canto e acenando com um guardanapo, como que a dizer – "Estamos aqui"...

    Sentaram-se os dois amantes frente aos desusados parentes. A mesa, de longa toalha estendida roçando o chão, talheres compostos cumprindo a etiqueta e o sorriso intrusivo da prima na sua frente.

    -Estou tão contente por tu e o André terem vindo almoçar connosco – Rematou a prima – Não achas Arnaldo? O primo Arnaldo acedeu com a cabeça, pois tinha a boca ocupada com as entradas.

    Ajeitaram-se os protegidos nas cadeiras, pegando os guardanapos e consultando o menu. Mal tiveram tempo de passar os olhos pelo cardápio já a prima Ester vinha afirmando:

    -Eu cá tratei de pedir o cozido à portuguesa para mim e para o teu primo Arnaldo. Ele é muito lento a tomar a tomar decisões
    - e continuou a prima - Acho que vocês deveriam fazer o mesmo....este cozido é tão famoso!...

    - Lá vou comer, outra vez, cozido com estes dois – Pensou André com os seus botões.

    Enquanto a travessa do cozido não chegava, a prima Ester falava e Arnaldo concordava meneando a cabeça e deglutindo pedacinhos de broa com manteiga.

    Lena, cumprindo o seu papel de protegida, ia mantendo uma conversa conveniente, nos espaços que lhe sobravam, pois a prima falava "pelos cotovelos". Arnaldo mantinha-se silencioso, ostentando uma expressão enigmaticamente gulosa.

    Por fim a travessa fumegante chegou à mesa. Sem esperar pelos outros, o primo Arnaldo, atacou o chispe e a farinheira, enchendo prodigamente o prato com couve.

    A prima Ester serviu-se, no meio de um discurso ininterrupto, de uns quantos pedacinhos de carne e uma "migalhinha de arroz", e, sem perder o fio à meada, continuou:

    -Sabes Lena, isto de sair faz-me muito bem. Mas tenho que puxar pelo Arnaldo, senão ele fica-me lá em casa de volta dos selos, com os gatos à volta dele a miar.

    André serviu-se, escolhendo só o que queria do grande prato. Comeu um pouco e, depois, pôs-se a observar a conversa da sua amante com a prima. Achou-a bela naquele papel familiar: A fealdade da prima contrastava claramente com a alvura da pele de Lena. Sobretudo gostou da conversa "politicamente correcta", que ela mantinha com aquela prima mirrada. E Lena ficava bela com aquela sua saia.

    -Sabes, fui no outro dia ao "shopping" e achei aquilo uma maravilha! Tem de tudo. É lindo.... – Continuava a prima – O Arnaldo lá veio comigo...

    André, que não tinha mais apetite, reparou na perna de Lena, assomada nas dobras da toalha de mesa, e procurou-a. Poisou de mansinho a mão sobre um pedaço de pele exposto, sentindo o seu calor.

    Lena continuou atenta à conversa da prima que desfiava sem parar. André manteve o copo de vinho na sua mão esquerda, enquanto a direita... Discretamente, o jovem procurou a suavidade da a coxa, percorrendo a pele com a polpa dos dedos.

    Continuava a prima:
    -Comprei uma mala lá no "Shopping", maravilhosa, havias de ver...E aquelas montras, minha querida, dão vontade de comprar!

    E a vontade de André percorrendo lentamente o caminho até sentir o tecido das cuecas...naquele segredo ocultado pela grande toalha de mesa.

    O primo Arnaldo lambuzando-se de pingo de gordura colado ao queixo, respondendo afirmativamente com a cabeça a cada pergunta feita pela esposa.

    E André de sorriso seráfico no rosto, muito concordante, concentrado na mão que explorava os segredos da sua amante.

    Lena mantinha a compostura sem dar parte fraca no meio do monólogo da prima.

    -O "Shopping" até tem um super mercado!

    E André vencendo o tecido , sentindo com os dedos a floresta de pelos de Lena . E os dedos mergulhando por debaixo do pano rumo a um calor mais húmido.

    - Tens que ir lá! Tudo na moda, tudo dentro da moda!

    Os dedos de André, lá dentro, molhados pela água de Lena que se sentia toda a ruborizar, num calor vindo do lado de dentro...

    E a prima:
    -Sabes que mais Lena? Desde que namoras o André até andas com outras cores!

    Estas palavras, já ela as ouviu muito distantes...


    ____

    Contributo do Gaivina

    2005-11-29

    O meu olho


    Ivo Jeremias


    Aqui atrasado, postei sobre a vontade que tinha de pôr na Voz uma foto linda que a Susana me tinha mandado. Na altura acabei por não o fazer, por um qualquer prurido relacionado com uma certa privacidade.

    No entanto, quando li sobre o pedido do Ivo Jeremias, mandei-lhe um olho, pronto para ser trabalhado e apresentado no Olho Bem Aberto. É essa composição do Ivo que trago hoje para a Voz, babadíssima de orgulho e toda contente de me ver tão bonita e numas cores tão bem escolhidas para mim.

    Sou mulher para vestir muito o preto. Quem já me conhece, sabe que é verdade. Mas também sabem que não deixo os vermelhos esquecidos. São as duas cores com que me sinto mais confortável, em mais sintonia. Sem me conhecer, foram as cores que o Ivo escolheu como dominantes.

    E há aquele Gama centrado sobre a íris, a primeira letra do grego Hipátia. E não consigo deixar de achar que o Ivo acertou em cheio, mesmo que já tenha discordado por lá quanto aos grandes projectos e às ideias fixas: são apenas sonhos e teimosia, com um toque quente para temperar provocações e uma memória que quero perpetuada em todas as palavras que deixo - que todos me deixam - aqui por este Voz em Fuga, sempre a caminho do éter virtual de todas as convergências.

    Obrigada, Ivo. Fizeste de mim uma estrela. Está lindo!

    és um biscoito


    Clicar na Imagem


    Só para homens.


    (Ou, dizendo melhor, só para hipnotizar os homens, que às vezes também é preciso dar-lhes um biscoito, uma cenoura, um... )


    ____
    imagem original aqui

    2005-11-28

    Tortura


    aqui


    É um gosto requintado. Um prazer que servimos a nós mesmas bem frio, como qualquer vingança que se quer provar com tempo e deleite. Uma questão de ego. A maior parte das vezes não passa mesmo de ego. O nosso. O tal que de alguma forma foi ferido.

    É o sabermo-nos melhores e mais saborosas do que nunca, com o tempero do tempo, do conhecimento e da auto-estima. É termos a roupa certa, o cabelo bem no sítio e as outras partes ainda mais no sítio do que o costume. Pôr as costas direitas, deixar que o decote mostre o bastante, balançar o passo em cima dos tacões pouco habituais. É deixar o rasto do perfume mais quente e sedutor. É um bater de pestana e um suspiro sempre preso nos lábios entreabertos. É um olhar de cama e uma pele com aspecto saciado. É todo o ar de uma mulher bem fodida, melhor amada.

    É tudo isso que sabe lindamente passear nas trombas do gajo que já não é nada, que nos deixou escapar, ou não nos soube ter.

    E nem precisamos mudar-nos para o prédio em frente e aprender dança do ventre, tipo Shakira. Todas já usamos as nossas armas algum dia, de alguma forma. É uma espécie de demarcação de território, mas um território todo ele feito de uma psicologia bem feminina: não me tens, não te quero, mas nunca esqueças o que andas a perder.