2007-05-31

Greve? Qual greve?


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Tirando as professoras primárias da escola ali de baixo que disseram de véspera aos fedelhos que no dia seguinte havia greve e, por isso mesmo, puderam estar a dar à língua toda a santa tarde no café, não dei por nada.

E cheira-me que, da mesma forma que essas professoras comprometem assim qualquer razão que eventualmente lhes assistisse, também esta greve geral pífia só vai ser mais um tiro no pé.

2007-05-29

Fedor


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A política há muito que passou de ser praticada (não digo feita, apesar de tudo...) por um punhado de gentalha cheia de técnica e manhas. Já não é vocação; é um trabalho bem pago, com muitos trabalhinhos por fora. Talvez devido à alternância, isso é especialmente evidente entre os actuais tecnocratas prontos para o poleiro dos dois maiores partidos. Mas para os lados nada me parece muito melhor. E irrita-me profundamente o cheiro a putas velhas que tudo lança, das madamas escondidas nas sombras a contar as notas e a puxar os cordelinhos. Ou o cheiro que vem do caldeirão decrépito e enfezado, onde uns fósseis com gravata (se mais à direita) ou sem gravata (se mais à esquerda) dizem que zelam pelos interesses dos trabalhadores, quando não sabem o que é picar o ponto há décadas. Ou o excesso de zelo em fazer o jeito ao patrãozinho dos fabricadores de notícia (não lhes chamo jornalistas, claro, porque duvido que a maioria tenha competência para tanto e também ali já quase não há vocação). Como nauseia o bedum que se desprende da manhosice de uma certa oligarquia do pilim ou do tijolo, de bolsos fartos para promover campanhas e mão aberta para cobrar favores. Ou a pestilência organizada de jogos semi-secretos, em opus daqui e dali e todas as outras tramas emaranhas com origem num trono onde ultimamente se senta um calhau, contra (quando interessa) os interesses dos que um dia se disseram livres para esculpir a pedra bruta. Como depois há os caciquismos vários, com a dimensão e cheiro equivalente ao tamanho do bolso que os comanda, metendo o dedo onde podem arrancar tostão, cobrando bem caro qualquer assinatura que desate os laços que enlaçam o povinho. Ou as negociatas regadas a álcool, drogas e sexo. E alombam sempre em cima do povinho e o povinho paga. São uma praga imunda, que alastra. Rodam votos, rodam cabeças, fica sempre o mesmo fedor. E não há maneira do País (e do povinho acossado e espoliado) conseguir livrar-se dos chulos, até porque chulos há muitos e, como sempre, há os que se ficam pelas ruas bem visíveis e os que se escondem nos gabinetes. Em alguns desses gabinetes, não se trabalha sequer: contam-se piadas e mete-se o IRS, enquanto no gabinete ao lado se bufam as últimas novas do serviço. Ou se fazem listas de quem tem opinião política e não respeita a máxima velha que retorna agora engalanada do "manda quem pode, obedece quem deve". E a verdade é que isto tresanda. Tudo tresanda. E não é fado nem resignação. É poeira, cortina de fumo. O que importa jamais será revelado: queimaria como incêndio de verão, sem poupar nada que lhe aparecesse pela frente. E por isso mesmo não arde: são todos bombeiros em casa alheia, sempre que lhes cheira que podem ficar sem parte da ração.

Enjoy the silence





... à espera do computador novo.

2007-05-26

E se uma mulher lhe oferecer flores?


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É para dar os parabéns, claro :)))

Beijo, loiro!

(e agora vou ali continuar a festejar os 87 anos da minha avó)

2007-05-25

‘Tou c'a neura!


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Na semana em que – finalmente – me decidi a fazer cópias de segurança de tudo o que tenho no portátil, o bichinho tem um achaque e eu passo a ver tudo negro… literalmente! É a única coisa que acontecesse quando ligo a maquineta: um écran negro com um ponto branco a piscar.

Raios!



(até domingo, talvez...)

2007-05-24

Um prémio sumarento



Considero um Blog com Tomates aquele que luta pelos direitos fundamentais do ser humano.
Brit Com


A Marta acha que a Voz em Fuga é um blogue com tomates. Ora ai está uma nomeação com que não contava, até porque só meia Voz tem de facto um par dos ditos.

Confesso que achei piada. É que nunca levei demasiado a sério esta coisa de ter um blogue, ainda que leve muito a sério esta vontade, quase necessidade, de ter opinião sobre tudo e mais alguma coisa, um lugar onde mandar bitaites e – recompensa imerecida – até leitores que gostam.

Mas os que me lêem – incluindo a
Marta, portanto – sabem bem que isto é assim a modos para o lado em que está o vento: não tenho nem tempo nem vontade para mais e, se há dias em que me atraco a um qualquer tema que acho importante e onde se deve dizer sem medos o que se pensa (como foi a questão da despenalização da IVG), também há muitos mais dias em que não há cá opinião nenhuma, nem causa nenhuma, nem luta nenhuma. E nem é necessário, porque não precisamos andar todos os dias a correr atrás de batalhas, nem a fazer guerras, muito menos a ser chatos até dizer chega com meia dúzia de conceitos que se dobram e desdobram em não sei quantas opiniões.

Depois, vem a parte do “passa a corrente”. Sendo assim – e vendo-me na obrigação de escolher cinco blogues com tomates – penso que só me apetece escolher blogues que não se escusam a ter voz e opinião sobre tudo e mais um bocadinho, além da coragem para o fazer sem parecer que estão a subir nas hierarquias de qualquer coisa, pensando todos os imponderáveis, todos os prós e contras, antes de correr o risco de apenas dizer.

Já agora, vão só mulheres. Parecem-me sempre tê-los bem mais onde é preciso, mesmo não os tendo (felizmente!) por uma imensa e gratificante abébia do destino.

Crónicas das Horas Perdidas - Luna
O Doutor dá Licença? - I
Chez Maria - Maria Árvore
Pópulo - Emiéle
Divas & Contrabaixos - Rosarinho


(ver as regras aqui)

Ciclo


Gustav Klimt


A minha avó faz 87 anos no próximo dia 26. Ontem foi operada às cataratas. Antes de sair de casa, estava tão pequenina, tão cheia de medo, que me apeteceu dar-lhe colo. Ao olhar para ela assim, que sempre foi uma mulher tão forte e destemida, senti que um ciclo estava próximo de fechar-se e não gostei nem um bocadinho…

2007-05-23

These Are The Days Of Our Lives



You can't turn back the clock you can't turn back the tide
Ain't that a shame
I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
No use in sitting and thinkin' on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately - I just don't know
Better sit back and go with the flow



Parabéns, Cap!

2007-05-22

Curiosidade


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Muito gostava eu saber o que o outro disse para ser suspenso…

underneath the covers



people try and hide the night underneath the covers.
people try and hide the light underneath the covers.
come on hide your lovers underneath the covers.

Sonhando...

2007-05-21

Como?


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Porque é que gosto do Surfista? Bem, descobri-o na mesma altura em que descobri o medo por uma qualquer explosão atómica que pusesse fim à nossa linda Terra. Descobri-o quando descobri que o mundo tem demasiados loucos e muito poucos gestos altruístas. Descobri-o quando se começava a ouvir falar em SIDA e em ecologia. Descobri-o como o herói impossível que nos permite ainda ter fé, o herói abnegado que não nos deixa cair na total descrença. Descobri-o nos primórdios da década de 80, mesmo que tenha nascido bem antes, em meados dos anos 60 (1966, para ser mais precisa). Já não me apetecia ler Tios Patinhas e a Marvel oferecia-me o contraponto: ainda BD, mas histórias mais suculentas; histórias que me distraiam e me punham a pensar, histórias que falavam de medos antigos, mas também de valores inquebrantáveis. E de heróis que, sem nada temerem, eram capazes de arriscar a vida para salvar outra vida, mas nunca esqueciam que há princípios que não se questionam, por maior que seja a tentação.


Agora... mas quem raios é este
Doug Jones?

2007-05-20

Não há pachorra!


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Mal não faz, em condições normais de salubridade nunca chega realmente a ser nocivo, nunca conseguirá corpo para dimensão de varejeira, mas atazana os ouvidos quando faz voos rasantes. E a isso se resume o Paulo Portas no cenário da política portuguesa. Só ele é que ainda não sabe que não é mais que um mosquito com manias das grandezas. Mas os jornalistas continuam a mostrar-lhe um espelho daqueles de feira popular com lente de aumento e é assim que o mosquito continua a achar que afinal é mosca.

2007-05-19

18 de Maio


Markus Raetz (folhas de eucalipto sobre papel) MMK- Frankfurt


Já passa da meia-noite, ontem foi o Dia Mundial dos Museus.

Para muitos que passam distraidos, os Museus não passam de lugares onde nos passeamos em dias de desfastio. É sempre agradável ir a Serralves...o pavilhão, o jardim e, pelo meio, entramos no museu: "se não me beijares tanto, talvez eu consiga olhar para esta cena! Está quieta mulher!"

Mas as obras de arte estão lá."Pára lá um bocadinho que eu quero entender a instalação...Não me beijes, carago! Deixa-me apreciar!"

Existe um "exército" de mediadores culturais a trabalhar, todos os dias, para fazer chegar a Arte mais próximo das pessoas. Mediando o discurso, lançando perguntas, fazendo-nos crescer:
-Já agora, qual é a diferença entre Olhar e Ver?

..."Olha! Olha tantas crianças... Estão cá com uma atenção... O que é que o gajo lhes está a dizer?... Vamos Ouvir?"

Pois é... É difícil distinguir uma coisa da outra; mas todos já ouviram dizer: "Passaste por mim no Bulhão, olhaste...mas não me viste."

Pois para entender a Arte, só pelo lado de dentro: importa ver com muita atenção! Relacionar a nossa vida com o que estamos a observar...

"Olha uma anémona, suspensa, aqui em Matosinhos!... Uma escultura? Escultora estrangeira?
Dizes o quê, miúda? Ah...por estar próxima do mar? ainda por cima move-se. Até parece que está viva... Ainda te lembras do cheiro da fábrica de peixe?"

Quem passar pela vida distraido, não reconhece o par que lhe está destinado, nem tão pouco um objecto de Arte ali apresentado...

Todos os dias, estes mediadores culturais, fazem perguntas e acordam as cabeças dormentes que nos habitam. A arte contemporânea pregunta-nos as respostas. E, essas respostas, são sempre pessoais, num universo de silêncio entendido no mais profundo do nós próprios...

"Não sejas, "bimba". Não vês que o homem está a falar da nossa sociedade de consumo? das relações?! ... Andas mesmo com a paranoia..."

Ófaxavor!...


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Apetecia-me apanhar uma bebedeira solene. Sim, que se toda a gente pode abusar das adjectivações estapafúrdias, eu posso pedir uma bebedeira solene aqui para a mesa do canto. Era assim uma bebedeira formal, engomada e de vestido longo, discretamente preto obviamente. E talvez o copo viesse de libré e o tinto estivesse de smoking para, solenemente, acompanhar uma boa cigarrada. Mas não havia de ser uma bebedeira armada em puta fina a dar-me dores de cabeça. Era uma bebedeira realmente encorpada. Solene, portanto.

(desconfio é que é melhor não juntar mais nada ao cocktail de pastilhinhas para a gripe, mas isso agora também não interessa nada…)

2007-05-18

Como diz?


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Quem anda a propor para Lisboa uma gestão "tipo" Rui Rio, já não deve vir ao Porto há muitos anos. Se é que alguma vez veio...

2007-05-17

Seis graus


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I read somewhere that everybody on this planet is separated by only six other people. Six degrees of separation between us and everyone else on this planet. The President of the United States, a gondolier in Venice, just fill in the names. I find it extremely comforting that we're so close. I also find it like Chinese water torture, that we're so close because you have to find the right six people to make the right connection... I am bound, you are bound, to everyone on this planet by a trail of six people.

John Guare – Six Degrees of Separation

Quando estava a estudar, um professor falou-me pela primeira vez da teoria do número Erdös dos matemáticos e no "small world problem", de Stanley Milgram. Depois apareceu a peça de John Guare e os tais seis graus que nos separam de toda a gente no Mundo e depois ainda o filme de Hollywood com Will Smith…

E confesso que, desde o início, achei o tema profundamente interessante: não importa o tamanho do nosso ego, nem as assunções snobes de quantas pessoas "conhecidas" com quem afirmamos ter tido contacto, ou sequer o poucochinho que por vezes nos vemos no meio da selva social, estamos todos a seis graus de distância de qualquer pessoa no Mundo e esse Mundo, cada vez mais populoso, está na prática a encolher face às possibilidades comunicacionais que nos transformam a todos num número médio de uma rede.

Cada vez que aparece um post em rede nos blogues é disso que me lembro. Cada vez que nomeiam a Voz e eu nomeio mais não sei quantos, dou por mim a seguir os links, não necessariamente aqueles que já conheço, antes aqueles de que nunca ouvi falar. E percebo que, afinal, estamos todos demasiado perto, assustadoramente perto, tão perto que pode ser claustrofóbico. John Guare tem razão: se há dias em que esta uniformidade e proximidade pode chegar a ser reconfortante, noutras alturas é tortura chinesa da mais requintada.

Madeleine irmã de outras Madalenas















Reencontrei esta ilustração publicada no Jornal do Centro.

Madeleine Beth McCann não me sai da cabeça. Revejo-a todos os dias noutras Madalenas raptadas de si próprias, por estranhas vontades dos próprios pais e outros familiares.
Eu sei que o caso não é o mesmo. Mas as emoções são rastilhos que acordam a...VOZ.

Cuidado com o cão...


... ou o Mourinho ainda morde!