2007-10-31

Pronto, admito!


aqui


Sou teimosa! Muito, mas mesmo muito teimosa. Tão torrona, mas tão torrona, que chego a ser tinhosa na minha teimosia. E lá enfiei a música, porra!



(Só não sei como a calar, tirando o botãozinho óbvio. Mas isso agora também não interessa nada...)

2007-10-29

Que arrepio!


Found at bee mp3 search engine

On bended knee is no way to be free
lifting up an empty cup I ask silently
that all my destinations will accept the one that's me
so I can breath

Circles they grow and they swallow people whole
half their lives they say goodnight to wive's they'll never know
got a mind full of questions and a teacher in my soul
so it goes...

Don't come closer or I'll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...

Everyone I come across in cages they bought
they think of me and my wandering
but I'm never what they thought
got my indignation but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...

Wind in my hair, I feel part of everywhere
underneath my being is a road that disappeared
late at night I hear the trees they're singing with the dead
overhead...

Leave it to me as I find a way to be
consider me a satelite for ever orbiting
I knew all the rules but the rules did not know me
guaranteed...

Eddie Vedder - Guaranteed (Into the Wild)



(Há muito que não ouvia qualquer coisa que "batesse" tanto!...)


Não consigo identificar-me com a figura de Christopher McCandless. Acho que sou demasiado prevenida, demasiado cuidadosa, ou tão só muito cobarde.

E há aquela coisa de não poder correr riscos porque não estou (sou) – realmente – uma pessoa sem ligações, sem grilhetas de qualquer natureza, sem gente a quem dar explicações e a quem não posso pedir que aguente – ainda mais – todas as minhas loucuras e a derradeira desfaçatez de me sentir acima de tudo, acima da necessidade de preservar a própria vida e, assim, preservar também todos quantos me querem e a quem quero bem.

Mas o Eddie Vedder escreveu uma série de versos que são profundamente – agonizantemente – cobiçáveis. Como se houvesse um lugar onde já não sei ir; como isto de saber que se me apertam demais eu fujo; como a noção de que não é de joelhos, a carregar o peso de um mundo que não consigo reconhecer, que alguma vez serei livre, enquanto ganho consciência de que, como todos os outros, estou enjaulada em gaiolas que comprei ou de uma outra forma qualquer tomei posse ou tomaram posse de mim.

Ou simplesmente esta impressão de que – mesmo conhecendo todas as normas – saberia ser bem mais feliz se as normas não me (re)conhecessem a mim.

Será que, para além de todas as dúvidas, dentro da minha alma ainda há um mestre livre que me guie para longe, para pelo menos ainda saber sonhar com o lá longe, mesmo sem coragem para partir?

Tempos de Resposta


aqui

Será que desta vez o Governo Federal, no seu Comandante em Chefe, vai voltar a culpar Deus, como fez aquando do Katrina, ou já provou ter mais medo do Exterminador Implacável e dos ricos eleitores da Califórnia do que teve dos pobres deserdados do Golfo do México?

2007-10-25

Políticos


aqui

Será que aquela pilinha ali à frente do Putin tem nome ou será antes uma representação demasiado fiel do gajo que se anda a passear agora por este cantinho à beira mar plantado? Acho que aposto na segunda... Sempre achei que gajos com demasiada vontade de poder (e falta de escrúpulos para o conseguir a qualquer custo) devem mesmo ter uma minhoca paralítica entre pernas. E deve ser também por isso que me apetece sempre mandá-los para o caralhinho que os foda. A todos!

Alguém tem engenheiros na família?


aqui


Então esta é leitura recomendada :)))

2007-10-23

Everything Zen



Raindogs howl for the century
A million dollars a stake
As you search for your demi-god
And you fake with a saint

Baixinho, baixinho… nem estou cá. Nem sei o que me trouxe. Nem sei se quero. Nem sei se há. Costumava bastar pousar os dedos nas teclas… Costumava ser suficiente ler alguém. E agora o espaço em branco é apenas o que me sobra. E dentro de mim há demasiado branco também. Ou à minha volta. E eu sempre achei o branco mais opressivo do que o negro em todo o seu excesso. Às tantas porque almejo sempre ao que me falta e nunca ao que sobra, como todos. Ou porque algures, nos últimos tempos, se tenha instalado uma rotina de excessos que me restringe e enerva, ou porque já não me basta o contentamento e talvez eu precise estar ou faustosamente feliz ou dantescamente deprimida para que esprema e saia qualquer coisa. Ou até profundamente irritada e nem isso me tem chegado. Sinto-me dormente. Nem feliz, nem triste, nem alegre, nem descontente, nem raivosa, nem em paz. Só dormente, a ver os dias a passarem rápidos e demasiado parecidos, numa quase beatitude sem significado, como uma qualquer basílica nova pintada a cimento demasiado branco, blocos demasiado brancos para doutrinas demasiado brancas e desenhos a tinta da china branca de pseudo-teorias brancas e milagres brancos, brandos, e guerras brancas como se o sangue fosse alvo e o derrame sem mácula, ou como se de branco se pintasse toda a notícia e ela fosse só sobre os mesmos brancos do costume e as suas contabilidades brancas também, perfilhadas alvamente e com perdões. E eu que apeei os deuses só vejo branco, um excesso de branco. Sempre o mesmo branco. Um excesso de branco, um inferno branco……….

2007-10-16

25 anos



Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai

Coração que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará

2007-09-19

Isto




Sei que pode parecer mal o que vou escrever, mas já não há a vontade do início de calcorrear a blogosfera a conhecer gente nova como se já não estivesse aqui há três anos, a ler coisas que já li, escritas às vezes até de forma parecida e acabando por, aqui na Voz, entrar em autofagia, porque também já não sei que mais há de novo para dizer.

Talvez eu sofra de um mal tão ou mais corrosivo do que o cansaço, que é este olhar que me sobra cada vez mais cínico e desencanto sobre as coisas e, muito especialmente, como se fazem as coisas. Mas a verdade é que todos temos um espectro limitado que, a partir de certo ponto, já não estica mais. Ai começamos a repetir-nos. Podemos não nos importar com isso e, como tantos, limitar-nos a usar a fórmula já testada para dizer sempre o mesmo de maneira diferente. Mas eu nunca consegui arranjar uma fórmula e deixar-me prender por ela…

E talvez tenha errado na frequência com que aqui venho, até na frequência com que vos leio. "Isto" provoca-nos erosão quando publicamos diariamente. Há alturas em que é relativamente fácil, porque há muita agitação por todo o lado à conta de um qualquer acontecimento (o Mundial, as eleições, a IVG...). Mas depois há os outros dias todos e, nesses, pode não haver uma qualquer muleta, como a crítica política (muitas vezes já quase factual, ainda que debitada como se fosse obra prima) ou o futebol. No extremo oposto, os textos sensíveis e poéticos, quantas vezes apenas forma, exercícios de saltar à cueca e, também eles, já espartilhados numa fórmula gasta. Talvez fosse fácil se me tivesse decidido por uma qualquer fórmula (que obviamente até tentei os modelos acima) e tivesse ficado com ela. Mas a verdade é que fiz disto um diário e a nossa vida, por mais padronizada, não se rege por fórmulas estanques.

E eu até preciso normalmente escrever, quase como algumas pessoas precisam pensar alto. Sempre foi assim que me organizei. Mas também é verdade que sou uma pessoa muito banal, muito igual a toda a gente: aquilo que conheço e que me interessa é limitado; tenho vida fora daqui; trabalho e tenho contas para pagar; não sou interessante o suficiente para não me esgotar como tema, ainda que o tema não seja exactamente eu e sim as coisas que me interessam o que, se formos a ver bem, até deve ser quase a mesma coisa.

Quanto ao registo, há sempre outras opções. Este meio acabará gasto também. Não seria o primeiro, nem o último. Talvez se gaste a tempo de o conseguirmos levar atrás para os arquivos do que há de vir, como se parte da nossa memória.





(e isto tudo disse eu ao , há uns tempos atrás, enquanto todos pareciam partir para qualquer lado; isto sou eu ainda, muitas semanas depois, a dizer que talvez… pois!)

2007-09-17

Impassibilidade


aqui



Par espaces immobiles, lointain.
Ames lumineuses sont transportées
Avec rythme cadence
A la dernière demeure,
par espaces immobiles, lointains............



ataraxia

do Gr. a, priv. + taraxé, emoção

s. f.,

serenidade de alma;
calma de espírito.

A bolha


aqui

Sustentar o crescimento económico na especulação imobiliária nunca pode dar bons resultados. Em Inglaterra já rebentou; Espanha está aqui ao lado e, mais tarde ou mais cedo, rebentará também. Acho que nem quero imaginar…

2007-09-16

1971



A lie, at that time it was just a way to put us by the same side,
we were more then 17. At that time a lie means a
sacrifice,
everybody knows why,
but we were only... Again out of time, I know why we
will say good bye, everybody knows why and we were almost 21, and then,
still you wait for a lonely time, just to say to a
normal guy??? normal guy???
My bed is empty... Why at that time
it was just a way to put us by the same side, cause we
were more then 17
and then, still you wait till the end, to say like a
normal guy. goodbye... A lie, at that time it was just a way to put us by the
same side,
cause we were almost 21, and then, still you wait
till the end,
to say like a normal guy.
goodbye... and why, why, why, why...

A PDI foi provando que o corpo já resiste mal ao relento e ao tempo em que se senta o rabo na relva húmida; mas a alma é outra coisa: engana o tempo, enganando-nos de quanto tempo passou e somos ainda jovens e talvez já não com 21 anos, talvez já muito longe dos 17 e, por isso mesmo, com tanto gosto a apreciar os pequenos prazeres gratuitos da vida…

2007-09-14

Rotina


Dusanka Badovinac - Dispair


Desdenho este pouco tempo que me sobra, como se fosse farto em horas o dia que mal reconheço; como se não houvesse excesso e a sobra fosse miséria engalanada, assim quase como eu, a correr atrás do tempo e a tentar fazer de conta que o tempo e os quebrados chegam para tudo; como se bastasse aparafusar a cara gaiteira, a caminho de mais um par de rugas e as cãs que não desistem de avançar nesta amazónia de cabelos que me pesam hoje na cabeça que me pesa, quase a sentir-se vazia por entre a enxurrada de informações que não pedi, que nunca peço e o zelo com que as debitam para o meu ar incrédulo, um ouvido ali, outro na conversa da mesa do lado e os olhos que apenas espreitam e já não fixam o que se vai passando do outro lado da rua. Suplico por um pouco de silêncio e não há sequer ruído e fico para ali porque não me apetece apenas a minha companhia silenciosa. E ouço falar de traições e de dor e de desespero e penso apenas como o final do mês ainda está longe e o dinheiro está curto e hoje é 6ª feira e que a vida afinal vai encarreirar na lufa-lufa ordenada, esquizofrénica, sempre à espera do fim-de-semana e do fim do mês, enquanto um ouvido diz que sim se um olho diz que não e me falam de traições e de desespero e eu quero é o silêncio e no silêncio estou apenas eu e já nem sei desesperar enquanto olho lá para longe e me pergunto como estará a lua, como estarão as estrelas e se ainda sobra vontade de ir para a rua mondar os sonhos a ver se há espaço para ser semente de algum sentimento neste espaço vazio, pesado, ocupado apenas de rotina.

2007-09-13

Schomoozada





Numa iniciativa de Mike, do Ordinary Folk, vejo-me nomeada pela Maria Árvore e envolvida nesta já bem longa corrente de gente que mantém blogs que são adeptos dos relacionamentos inter-blogs fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo.


Gosto da ideia. Sempre achei que a valia, pelo menos deste Voz em Fuga, está nas caixas comentários e em quem as frenquenta. E é por isso que, ao abrigo desta ingrata regra que me limita a cinco, nomeio os seguintes blogues:



2007-09-12

Deixa ver se eu percebo…


aqui


Quando eu chamo lavoura à agricultura, digo-o porque a terra é lavrada e não se agricula.


Paulo Portas


Paulo Portas critica as visitas governamentais a escolas no arranque do ano escolar, porque "não são sítios para fazer política" e fá-lo durante uma visita a… uma escola?

Mas está tudo doido?

Como?


aqui

Viste o filme ontem? Eu também não...

2007-09-11

9/11


aqui

Tristeza talvez pelo Chile, no dia que a América açambarcou e por muitos americanos também; ou talvez por todos os outros que, constantemente, se calam e se esquecem…

2007-09-08

Estou de volta


Almourol


Senti-me muitas vezes uma princesa estas férias enquanto escalava ruínas e media o horizonte bordejando rios e ribeiras. O tempo – quase sempre demasiado ventoso e até com chuva em alguns dias – fez-me esquecer que havia praia e levou-me até aos verdes e amarelos e ocres da paisagem cada vez mais despida de pessoas do Portugal esquecido pelas gentes e pelo investimento que prende o povo às terras. Lamento as pernas ainda excessivamente brancas para mostrar no vestido de cocktail demasiado curto que comprei para o casamento a que vou no início de Outubro. Mas não lamento a paz que me veste e me despiu dos cansaços dos tantos meses de labuta sempre à espera deste pequeno momento de paraíso a que chamo férias.

E senti-me muitas vezes uma princesa, lá no meio das pedras onde um dia viveram reis e nobres e plebe e escravos e frades e caminhantes e até gigantes. Lá, por entre as pedras, tão longe do bulício da cidade, tão distante do barulho, para além do chilreio dos pássaros ou do murmurejar de águas correntes e árvores ainda vivas e até daquele pequeno sopro de som, tão leve que quase nem o notámos, dos campos despidos do estio.

Uma princesa… Misaguarda...

E quase tive vontade de atirar tudo para trás das costas, largar a cidade já demasiado grande e partir para uma vida nova, lá onde ainda as águas se abrem em piscinas no meio do rio ou onde um engarrafamento se mede pelos dois carros que resolveram sair à rua à mesma hora que nós e circulam agora à nossa frente nuns agonizantes cinquenta quilómetros à hora. Lá, onde as pessoas ainda vivem em casas e têm quintais e roseiras a colorir a ombreira da porta. Lá, de onde toda a gente fugiu e onde eu jurei que saberia ser feliz, houvesse investimento e emprego e mais do que a paisagem que quase me fez sentir uma princesa para me dar mais do que o sonho de um dia partir lá para o meio da lonjura e ter uma casa branca, com roseiras por baixo das janelas e com ombreiras das portas coloridas e um jardim com uma macieira perfumada e um banco debaixo de um caramanchão florido e onde à noite ainda se vêem estrelas e o barulho é feito apenas de cigarras e grilos e pássaros e árvores onde bate o vendo e algum riacho mais caudaloso.

Mas até as princesas precisam arranjar o que comer e não há sonhos que nos encham a barriga nestes pedaços do País cada vez mais despidos de gente, onde já quase só sobram os velhos e não há esperança na raia fronteiriça do esquecimento.