2007-10-25

Políticos


aqui

Será que aquela pilinha ali à frente do Putin tem nome ou será antes uma representação demasiado fiel do gajo que se anda a passear agora por este cantinho à beira mar plantado? Acho que aposto na segunda... Sempre achei que gajos com demasiada vontade de poder (e falta de escrúpulos para o conseguir a qualquer custo) devem mesmo ter uma minhoca paralítica entre pernas. E deve ser também por isso que me apetece sempre mandá-los para o caralhinho que os foda. A todos!

Alguém tem engenheiros na família?


aqui


Então esta é leitura recomendada :)))

2007-10-23

Everything Zen



Raindogs howl for the century
A million dollars a stake
As you search for your demi-god
And you fake with a saint

Baixinho, baixinho… nem estou cá. Nem sei o que me trouxe. Nem sei se quero. Nem sei se há. Costumava bastar pousar os dedos nas teclas… Costumava ser suficiente ler alguém. E agora o espaço em branco é apenas o que me sobra. E dentro de mim há demasiado branco também. Ou à minha volta. E eu sempre achei o branco mais opressivo do que o negro em todo o seu excesso. Às tantas porque almejo sempre ao que me falta e nunca ao que sobra, como todos. Ou porque algures, nos últimos tempos, se tenha instalado uma rotina de excessos que me restringe e enerva, ou porque já não me basta o contentamento e talvez eu precise estar ou faustosamente feliz ou dantescamente deprimida para que esprema e saia qualquer coisa. Ou até profundamente irritada e nem isso me tem chegado. Sinto-me dormente. Nem feliz, nem triste, nem alegre, nem descontente, nem raivosa, nem em paz. Só dormente, a ver os dias a passarem rápidos e demasiado parecidos, numa quase beatitude sem significado, como uma qualquer basílica nova pintada a cimento demasiado branco, blocos demasiado brancos para doutrinas demasiado brancas e desenhos a tinta da china branca de pseudo-teorias brancas e milagres brancos, brandos, e guerras brancas como se o sangue fosse alvo e o derrame sem mácula, ou como se de branco se pintasse toda a notícia e ela fosse só sobre os mesmos brancos do costume e as suas contabilidades brancas também, perfilhadas alvamente e com perdões. E eu que apeei os deuses só vejo branco, um excesso de branco. Sempre o mesmo branco. Um excesso de branco, um inferno branco……….

2007-10-16

25 anos



Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai

Coração que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará

2007-09-19

Isto




Sei que pode parecer mal o que vou escrever, mas já não há a vontade do início de calcorrear a blogosfera a conhecer gente nova como se já não estivesse aqui há três anos, a ler coisas que já li, escritas às vezes até de forma parecida e acabando por, aqui na Voz, entrar em autofagia, porque também já não sei que mais há de novo para dizer.

Talvez eu sofra de um mal tão ou mais corrosivo do que o cansaço, que é este olhar que me sobra cada vez mais cínico e desencanto sobre as coisas e, muito especialmente, como se fazem as coisas. Mas a verdade é que todos temos um espectro limitado que, a partir de certo ponto, já não estica mais. Ai começamos a repetir-nos. Podemos não nos importar com isso e, como tantos, limitar-nos a usar a fórmula já testada para dizer sempre o mesmo de maneira diferente. Mas eu nunca consegui arranjar uma fórmula e deixar-me prender por ela…

E talvez tenha errado na frequência com que aqui venho, até na frequência com que vos leio. "Isto" provoca-nos erosão quando publicamos diariamente. Há alturas em que é relativamente fácil, porque há muita agitação por todo o lado à conta de um qualquer acontecimento (o Mundial, as eleições, a IVG...). Mas depois há os outros dias todos e, nesses, pode não haver uma qualquer muleta, como a crítica política (muitas vezes já quase factual, ainda que debitada como se fosse obra prima) ou o futebol. No extremo oposto, os textos sensíveis e poéticos, quantas vezes apenas forma, exercícios de saltar à cueca e, também eles, já espartilhados numa fórmula gasta. Talvez fosse fácil se me tivesse decidido por uma qualquer fórmula (que obviamente até tentei os modelos acima) e tivesse ficado com ela. Mas a verdade é que fiz disto um diário e a nossa vida, por mais padronizada, não se rege por fórmulas estanques.

E eu até preciso normalmente escrever, quase como algumas pessoas precisam pensar alto. Sempre foi assim que me organizei. Mas também é verdade que sou uma pessoa muito banal, muito igual a toda a gente: aquilo que conheço e que me interessa é limitado; tenho vida fora daqui; trabalho e tenho contas para pagar; não sou interessante o suficiente para não me esgotar como tema, ainda que o tema não seja exactamente eu e sim as coisas que me interessam o que, se formos a ver bem, até deve ser quase a mesma coisa.

Quanto ao registo, há sempre outras opções. Este meio acabará gasto também. Não seria o primeiro, nem o último. Talvez se gaste a tempo de o conseguirmos levar atrás para os arquivos do que há de vir, como se parte da nossa memória.





(e isto tudo disse eu ao , há uns tempos atrás, enquanto todos pareciam partir para qualquer lado; isto sou eu ainda, muitas semanas depois, a dizer que talvez… pois!)

2007-09-17

Impassibilidade


aqui



Par espaces immobiles, lointain.
Ames lumineuses sont transportées
Avec rythme cadence
A la dernière demeure,
par espaces immobiles, lointains............



ataraxia

do Gr. a, priv. + taraxé, emoção

s. f.,

serenidade de alma;
calma de espírito.

A bolha


aqui

Sustentar o crescimento económico na especulação imobiliária nunca pode dar bons resultados. Em Inglaterra já rebentou; Espanha está aqui ao lado e, mais tarde ou mais cedo, rebentará também. Acho que nem quero imaginar…

2007-09-16

1971



A lie, at that time it was just a way to put us by the same side,
we were more then 17. At that time a lie means a
sacrifice,
everybody knows why,
but we were only... Again out of time, I know why we
will say good bye, everybody knows why and we were almost 21, and then,
still you wait for a lonely time, just to say to a
normal guy??? normal guy???
My bed is empty... Why at that time
it was just a way to put us by the same side, cause we
were more then 17
and then, still you wait till the end, to say like a
normal guy. goodbye... A lie, at that time it was just a way to put us by the
same side,
cause we were almost 21, and then, still you wait
till the end,
to say like a normal guy.
goodbye... and why, why, why, why...

A PDI foi provando que o corpo já resiste mal ao relento e ao tempo em que se senta o rabo na relva húmida; mas a alma é outra coisa: engana o tempo, enganando-nos de quanto tempo passou e somos ainda jovens e talvez já não com 21 anos, talvez já muito longe dos 17 e, por isso mesmo, com tanto gosto a apreciar os pequenos prazeres gratuitos da vida…

2007-09-14

Rotina


Dusanka Badovinac - Dispair


Desdenho este pouco tempo que me sobra, como se fosse farto em horas o dia que mal reconheço; como se não houvesse excesso e a sobra fosse miséria engalanada, assim quase como eu, a correr atrás do tempo e a tentar fazer de conta que o tempo e os quebrados chegam para tudo; como se bastasse aparafusar a cara gaiteira, a caminho de mais um par de rugas e as cãs que não desistem de avançar nesta amazónia de cabelos que me pesam hoje na cabeça que me pesa, quase a sentir-se vazia por entre a enxurrada de informações que não pedi, que nunca peço e o zelo com que as debitam para o meu ar incrédulo, um ouvido ali, outro na conversa da mesa do lado e os olhos que apenas espreitam e já não fixam o que se vai passando do outro lado da rua. Suplico por um pouco de silêncio e não há sequer ruído e fico para ali porque não me apetece apenas a minha companhia silenciosa. E ouço falar de traições e de dor e de desespero e penso apenas como o final do mês ainda está longe e o dinheiro está curto e hoje é 6ª feira e que a vida afinal vai encarreirar na lufa-lufa ordenada, esquizofrénica, sempre à espera do fim-de-semana e do fim do mês, enquanto um ouvido diz que sim se um olho diz que não e me falam de traições e de desespero e eu quero é o silêncio e no silêncio estou apenas eu e já nem sei desesperar enquanto olho lá para longe e me pergunto como estará a lua, como estarão as estrelas e se ainda sobra vontade de ir para a rua mondar os sonhos a ver se há espaço para ser semente de algum sentimento neste espaço vazio, pesado, ocupado apenas de rotina.

2007-09-13

Schomoozada





Numa iniciativa de Mike, do Ordinary Folk, vejo-me nomeada pela Maria Árvore e envolvida nesta já bem longa corrente de gente que mantém blogs que são adeptos dos relacionamentos inter-blogs fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo.


Gosto da ideia. Sempre achei que a valia, pelo menos deste Voz em Fuga, está nas caixas comentários e em quem as frenquenta. E é por isso que, ao abrigo desta ingrata regra que me limita a cinco, nomeio os seguintes blogues:



2007-09-12

Deixa ver se eu percebo…


aqui


Quando eu chamo lavoura à agricultura, digo-o porque a terra é lavrada e não se agricula.


Paulo Portas


Paulo Portas critica as visitas governamentais a escolas no arranque do ano escolar, porque "não são sítios para fazer política" e fá-lo durante uma visita a… uma escola?

Mas está tudo doido?

Como?


aqui

Viste o filme ontem? Eu também não...

2007-09-11

9/11


aqui

Tristeza talvez pelo Chile, no dia que a América açambarcou e por muitos americanos também; ou talvez por todos os outros que, constantemente, se calam e se esquecem…

2007-09-08

Estou de volta


Almourol


Senti-me muitas vezes uma princesa estas férias enquanto escalava ruínas e media o horizonte bordejando rios e ribeiras. O tempo – quase sempre demasiado ventoso e até com chuva em alguns dias – fez-me esquecer que havia praia e levou-me até aos verdes e amarelos e ocres da paisagem cada vez mais despida de pessoas do Portugal esquecido pelas gentes e pelo investimento que prende o povo às terras. Lamento as pernas ainda excessivamente brancas para mostrar no vestido de cocktail demasiado curto que comprei para o casamento a que vou no início de Outubro. Mas não lamento a paz que me veste e me despiu dos cansaços dos tantos meses de labuta sempre à espera deste pequeno momento de paraíso a que chamo férias.

E senti-me muitas vezes uma princesa, lá no meio das pedras onde um dia viveram reis e nobres e plebe e escravos e frades e caminhantes e até gigantes. Lá, por entre as pedras, tão longe do bulício da cidade, tão distante do barulho, para além do chilreio dos pássaros ou do murmurejar de águas correntes e árvores ainda vivas e até daquele pequeno sopro de som, tão leve que quase nem o notámos, dos campos despidos do estio.

Uma princesa… Misaguarda...

E quase tive vontade de atirar tudo para trás das costas, largar a cidade já demasiado grande e partir para uma vida nova, lá onde ainda as águas se abrem em piscinas no meio do rio ou onde um engarrafamento se mede pelos dois carros que resolveram sair à rua à mesma hora que nós e circulam agora à nossa frente nuns agonizantes cinquenta quilómetros à hora. Lá, onde as pessoas ainda vivem em casas e têm quintais e roseiras a colorir a ombreira da porta. Lá, de onde toda a gente fugiu e onde eu jurei que saberia ser feliz, houvesse investimento e emprego e mais do que a paisagem que quase me fez sentir uma princesa para me dar mais do que o sonho de um dia partir lá para o meio da lonjura e ter uma casa branca, com roseiras por baixo das janelas e com ombreiras das portas coloridas e um jardim com uma macieira perfumada e um banco debaixo de um caramanchão florido e onde à noite ainda se vêem estrelas e o barulho é feito apenas de cigarras e grilos e pássaros e árvores onde bate o vendo e algum riacho mais caudaloso.

Mas até as princesas precisam arranjar o que comer e não há sonhos que nos encham a barriga nestes pedaços do País cada vez mais despidos de gente, onde já quase só sobram os velhos e não há esperança na raia fronteiriça do esquecimento.

2007-08-17




... fui!

XIV.

aqui


V. e F. sonharam não estar sós. Sonharam no mesmo dia, à mesma hora, o caminho que um e outro estavam a trilhar nesse momento.

V. e F. sonharam um com o outro e, como Narcisos, apaixonaram-se pelo reflexo paralelo.

V. e F. criaram o acidente, o ponto de ruptura, a ponte.

V. e F. continuam em rota para o infinito, mas inventaram um imaginário diferente, povoado de ideias velhas pensadas de forma nova.

V. e F. quebraram a rotina ao sonharem a alternativa. E ergueram-se mutuamente aos pedestais onde antes haviam colocado os deuses, condenados a pés de barro e a serem apeados um dia.

V. e F. encontraram a curva do espaço-tempo e todas as possibilidades. Mas mascaram ainda a descoberta mútua de utopia.

Agora já podem dizer "bom dia" em sonhos e já sabem esperar o local onde a Voz e a Fuga passam a seguir o mesmo caminho.



Os outros posts desta série:

I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII

2007-08-16

Antecipando...


aqui


Hoje o dia tem gosto de segunda-feira; amanhã o dia terá gosto de interminável...

XIII.


aqui

V. e F. sonharam que existiam. Sonharam que tinham história, ganharam consciência de ser. Cada um à sua maneira, mas o mesmo sonho. Um sonho feito feitiço, questão intemporal.

V. e F. sonharam que havia mais do que só caminho. Sonharam o além da linearidade.

V. e F. não podiam sonhar o impossível, mas souberam sonhar o improvável, o que não há no seu mundo limitado de existências com rumo definido.

V. e F. sonharam o que nunca aconteceu e, porque o sonharam, a ideia tomou forma, passou a existir, encontrou um corpo de matéria e uma energia de luz.

V. e F. iluminaram as possibilidades para além das rotas deterministas e inventaram um acidente.

Se o soubessem dizer, se houvesse alguém para ouvir, expressariam a sua iluminação, luz brilhante, intensa, divina.

2007-08-14

XII.


aqui

No céu nocturno, uma galáxia baila, na sua forma espiralada, rematada em braços tentaculares. Um mesmo corpo, no entanto. Uma mesma gravidade. Uma mesma força centrífuga albergando mil sóis, mil hipóteses, mil destinos, paralelamente inconscientes do destino de cada um e do destino comum que os familiariza.

Onde está o ponto de partida? Existirá ponto de chegada? Como ficou assim ordenado em permanência o caos brilhante de estrelas? Onde se encerram as partículas da matéria e onde explode a energia?

Como se faz um Big Bang?

E onde se curva o espaço-tempo de cada vida breve, estilhaçando a linearidade paralela que a aprisiona no desconhecimento?

Inocência


John Atkinson Grimshaw - A moonlit road

(...)será inocente a nossa inocência? A inocência é um estado clandestino na ditadura do mundo;


Herberto Helder



Há uma inocência plácida e imberbe que me foge; há uma vontade enorme de não a perder completamente. E revolto-me...

2007-08-13

XI.


aqui

Existirá em nós uma memória ancestral, que carregamos connosco, inconscientes da sua presença? Existirá em nós um saber mais velho do que a vida, este pequeno fogacho de vida, que é cada um de nós? Existirá uma memória profunda, feita de ADN de estrelas, ou das regras da ciência, ou da alma das ilusões?

Onde guardamos o que sabemos não sabendo e que, num qualquer acaso, intuímos como verdade?

Porque necessitamos de deuses, de ordenar o caos? De explicar o inexplicável? Onde escondemos as circunstâncias que não sabemos acolher? Que parte delas enforma o tanto de desconhecido que carregamos em nós?

Seremos fortes o suficiente para inverter os rumos paralelos de vidas que não se encontram, acasos que não chegam a ser?

2007-08-12

Caramba!

.
...é de evitar a aplicação de macros à memória; quando o livre arbítrio escasseia do lado de fora, não há como não deixar que a memória se organize com a autonomia de voo de uma mosca, i.e., perfeitamente à toa; só assim é possível garantir alguma autenticidade na transcrição do passado de cada um.

José Quintas


Se mesmo um pouco zangado comigo me dás uma resposta assim à corrente que te passei, que acontecia se não te tivesse feito zangar?

Todos a bater palmas...


Spencer Tunick

...para dar os parabéns por quatro aninhos de muita coisa já contada a abrir o apetite para o que ainda há-de ser contado Chez Elle.

100 anos


aqui

Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.


Miguel Torga – Comunicado


Não fizessem ainda tanto sentido algumas das palavras que gostaríamos de ver esquecidas e enterradas como passado, talvez escolhesse outro poema. E, apesar de o meu favorito ser aquele em que a liberdade que está em nós é alcantilada à força de uma prece, deixo este comunicado que ainda não perdeu – infelizmente – actualidade.

2007-08-10

X.


aqui

Terá de ser inventado um acidente. Mas quem poderá inventar um acidente em caminhos avessos a choques, a confrontos? Quem poderá causar o descarrilamento do paralelismo paralisador, sempre a avançar em direcção ao que não está lá e é destino, meta construída de miragens, sem expectativas?

Terá de haver um acidente. Uma catástrofe, uma catarse. Terá de se provar errado o caminho ladeado de nada, feito de coisa nenhuma, que ainda assim é destino. Terá de ser quebrado o fado de dois nadas paralelos como as paralelas que os guiam.

Terá de se inventar um acidente. Um acidente que mude o mundo ao contrário, que glorifique o caos. Terá de se inventar um acidente que quebre as amarras do vazio paralelo.

2007-08-09

Delivery

Parabéns, Nadine :)

IX.


aqui


Não há ponto de partida. Não há ponto de chegada. Só um infinito virado oito, deitado, dorminhoco, preguiçando para além de qualquer verbo, desembaraçado de todo o apocalipse.

Linhas paralelas que se anulam mutuamente. E, no entanto, continuam lá. Existem fora da esfera da vontade, fora da zona de compromissos e dos contornos com que se amofina a rotina.

Linhas em espelho cego brilhante, sempre iguais. Rotas comprometidas com o desconhecimento, sem atritos, sem fricções. Sem sombras, sem fazerem qualquer sombra. Completamente incapazes de sombrearem a presença na ladeira comum.

Flores minhas...


aqui


As flores de estufa parecem-me sempre imperfeitas na sua beleza inteira.

Acho que gosto mesmo é das flores da beira da estrada, ou das que crescem selvagens pelos quintais, ou coladas aos muros e às paredes das casas. Flores onde a natureza se reproduz. Flores coloridas e perfumadas. Flores plenas.

2007-08-08

VIII.


aqui

Terá de existir um dia um acidente. Um acidente que reconheça que nada se faz com duas linhas paralelas, excepto continuar vê-las trilhar o seu rumo com destino a sítio nenhum.

Terá de haver um acidente, um erro, um quebrar de protocolos, de dogmas, de impossibilidades.

Terá de haver um dia um acidente e, após o desastre, já nada será linear.

Excepto talvez V. e F., ainda seguindo lado a lado, sem saberem que percorrem o mesmo caminho e sem imaginarem a intersecção.

Cansam-me cada vez mais estas paralelas sem encontro marcado com a curva onde a verdade se pode quebrar.

Joe Cocker - Summer in the City

É!

2007-08-07

VII.


aqui


Cansam-me os destinos paralelos. Cansam-me profundamente. Cansam-me de tão monolíticos, avessos a alternativas. Cansam-me na forma como se assumem "um", como o "um" passa a "único", como lhe colam um rápido "ismo" em contramão.

Cansa-me a cegueira; a incapacidade ou impossibilidade de verdade de um mundo perfeitamente ordenado no meio do seu paralelismo.

Cansa-me a mesma música, tocada da mesma forma, uma oitava abaixo ou acima e sempre com a mesma dissonância.

Cansa-me...

Só dez?


Magnolia, Paul Thomas Anderson, 1999



Edward Scissorhands, Tim Burton, 1990



City Lights, Charles Chaplin, 1931



Notorious, Afred Htchcock, 1946



All About Eve, Joseph L. Mankiewicz, 1950



Before Sunrise, Richard Linklater, 1995



Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998



Pleasantville, Gary Ross, 1998



The Constant Gardner, Fernando Meirelles, 2006



What's Eating Gilbert Grape, Lasse Hallström, 1993



Fui apanhada numa corrente que me pede Dez Filmes, Dez Cineastas. E cá vão eles (os primeiros que me lembrei, por isso devem estar bem) e amanhã logo vejo a quem passo isto :)


Passo a corrente à I., à Tuxa, à Fábula, ao Cap, à JP, ao Jorge, ao José, ao , ao Miguel e à Luna.

Enola Gay



Enola Gay, you should have stayed at home yesterday

2007-08-06

Can a man ever be too wet?


Ewan Macgregor

Se estava ali em baixo a cantar, porque não aqui mais acima a encantar?

Espremendo...


aqui

A Voz tem até ao momento 1176 entradas. Desafiada aqui há tempos pelo Gaivina (onde andará o passaroco?...) para escolher os que gosto realmente e aos quais dou (algum) valor, descubro que são pouco mais de 90. É uma percentagem assustadora!

VI.


aqui

V. e F. são comboios sem rota de colisão. São mapas indecifráveis feitos de hieróglifos sem Pedra de Roseta. Não há tradução da história de V. para a língua de F.; não há tradução da história de F. para a língua de V.

E também não é preciso. V. e F. desconhecem-se mutuamente. Não precisam inventar um lugar no seu real para o parelelismo desconhecido.

No entanto, V. e F. têm a mesma história. São as alternativas de um feitas rota no outro. Ou ao contrário. Porque V. e F. são dois destinos em tudo iguais. Nem bons, nem maus. Apenas dois destinos paralelos, incapazes de dizerem "bom dia" ao vizinho.

Será que só queremos conhecer o que julgamos existir?

2007-08-04

2007-08-03

Can a man ever be too wet?



Acho que está na hora de animar o blogue. Ou pelo menos animar--me a mim, nesta contagem decrescente das férias que nunca mais chegam.


Estava a pensar num por dia. Escolho um loiro para começar. Hmm...





(
ficas muito chateada se aproveitar este para te dar os parabéns que ontem esqueci?)

V.


aqui


V. e F. não sabem ainda, mas o seu mundo está a encolher. Não a encolher o bastante para que possam, desta forma, conhecer-se. Mas a encolher, ainda assim.

Mas as paralelas não deixam de ser paralelas só porque o espaço que as desune se condensa em distâncias infinitesimais. O fosso continua lá, fundo, intransponível. E o fosso é também cortina de fumo e reposteiro de veludo escuro.

O mundo encolhe e, ainda assim, a partilha não desata os laços feitos pontes. É que não há pontes entre paralelas. Só nada feito espaço.

V. e F. são a improbabilidade, a impossibilidade matemática, o dogma intocável e irreversível feito palavra paralela.

2007-08-02

Meritocracia


aqui


Em Portugal, o mérito continua a esbarrar sempre no tamanho da cunha do gajo da frente. E o País é pequenino, até para as cunhas.

IV.


aqui


V. e F. são caminhos paralelos em momentos diferentes do espaço e do tempo. Não se encontram, não se medem, não concebem sequer o confronto improvável na simetria.

O velho não aprende com o novo. O novo não aprende com o velho. São caminhos paralelos distantes, que nem abeirando-se da balaustrada do destino conseguem surripiar uma miragem do outro.

V. e F. não se conhecem, nem conhecem sequer a possibilidade de se conhecerem.

V. e F. têm um caminho igual a trilhar, experiências feitas e sem sentido.

Que adianta saber o que se não pode partilhar?

2007-08-01

Plágio ou algo assim

Woven Hand - Sparrow Falls




Fiquei tão contente de ver o regresso!

III.


aqui


F. era destino cobiçado, capricho, onda de choque. Era rota vespertina imaginada pela manhã.

F. era trilho, sem muralhas nem prisões. Era o rio tumultuoso, em choque contra os pedaços do caminho.

F. era desígnio assolapado, conjuro de forças ancestrais. Era Astarte, era Ísis, a Lua, a Mãe Terra em combustão.

F. era fogo quente e velho, já borralho, sabedor. Era enciclopédia de oportunidades perdidas, dicionário de rotas novas.

F. era receptáculo, destino desprendido de acasos.

F. era fado já, cantando ainda um caminho.