aqui
2007-10-25
Políticos
aqui
2007-10-23
Everything Zen
Raindogs howl for the century
A million dollars a stake
As you search for your demi-god
And you fake with a saint
2007-10-16
25 anos
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
Coração que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará
2007-10-04
2007-09-19
Isto
Talvez eu sofra de um mal tão ou mais corrosivo do que o cansaço, que é este olhar que me sobra cada vez mais cínico e desencanto sobre as coisas e, muito especialmente, como se fazem as coisas. Mas a verdade é que todos temos um espectro limitado que, a partir de certo ponto, já não estica mais. Ai começamos a repetir-nos. Podemos não nos importar com isso e, como tantos, limitar-nos a usar a fórmula já testada para dizer sempre o mesmo de maneira diferente. Mas eu nunca consegui arranjar uma fórmula e deixar-me prender por ela…
E talvez tenha errado na frequência com que aqui venho, até na frequência com que vos leio. "Isto" provoca-nos erosão quando publicamos diariamente. Há alturas em que é relativamente fácil, porque há muita agitação por todo o lado à conta de um qualquer acontecimento (o Mundial, as eleições, a IVG...). Mas depois há os outros dias todos e, nesses, pode não haver uma qualquer muleta, como a crítica política (muitas vezes já quase factual, ainda que debitada como se fosse obra prima) ou o futebol. No extremo oposto, os textos sensíveis e poéticos, quantas vezes apenas forma, exercícios de saltar à cueca e, também eles, já espartilhados numa fórmula gasta. Talvez fosse fácil se me tivesse decidido por uma qualquer fórmula (que obviamente até tentei os modelos acima) e tivesse ficado com ela. Mas a verdade é que fiz disto um diário e a nossa vida, por mais padronizada, não se rege por fórmulas estanques.
E eu até preciso normalmente escrever, quase como algumas pessoas precisam pensar alto. Sempre foi assim que me organizei. Mas também é verdade que sou uma pessoa muito banal, muito igual a toda a gente: aquilo que conheço e que me interessa é limitado; tenho vida fora daqui; trabalho e tenho contas para pagar; não sou interessante o suficiente para não me esgotar como tema, ainda que o tema não seja exactamente eu e sim as coisas que me interessam o que, se formos a ver bem, até deve ser quase a mesma coisa.
Quanto ao registo, há sempre outras opções. Este meio acabará gasto também. Não seria o primeiro, nem o último. Talvez se gaste a tempo de o conseguirmos levar atrás para os arquivos do que há de vir, como se parte da nossa memória.
(e isto tudo disse eu ao Zé, há uns tempos atrás, enquanto todos pareciam partir para qualquer lado; isto sou eu ainda, muitas semanas depois, a dizer que talvez… pois!)
2007-09-17
Impassibilidade
2007-09-16
1971
A lie, at that time it was just a way to put us by the same side,
we were more then 17. At that time a lie means a
sacrifice,
everybody knows why,
but we were only... Again out of time, I know why we
will say good bye, everybody knows why and we were almost 21, and then,
still you wait for a lonely time, just to say to a
normal guy??? normal guy???
My bed is empty... Why at that time
it was just a way to put us by the same side, cause we
were more then 17
and then, still you wait till the end, to say like a
normal guy. goodbye... A lie, at that time it was just a way to put us by the
same side,
cause we were almost 21, and then, still you wait
till the end,
to say like a normal guy.
goodbye... and why, why, why, why...
2007-09-14
Rotina

Dusanka Badovinac - Dispair
2007-09-13
Schomoozada

Numa iniciativa de Mike, do Ordinary Folk, vejo-me nomeada pela Maria Árvore e envolvida nesta já bem longa corrente de gente que mantém blogs que são adeptos dos relacionamentos inter-blogs fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo.
- Chez Maria (que lá porque já foi nomeada não podia faltar nesta listinha)
2007-09-12
Deixa ver se eu percebo…

aqui
Paulo Portas
Mas está tudo doido?
2007-09-11
2007-09-10
2007-09-08
Estou de volta
Almourol
E senti-me muitas vezes uma princesa, lá no meio das pedras onde um dia viveram reis e nobres e plebe e escravos e frades e caminhantes e até gigantes. Lá, por entre as pedras, tão longe do bulício da cidade, tão distante do barulho, para além do chilreio dos pássaros ou do murmurejar de águas correntes e árvores ainda vivas e até daquele pequeno sopro de som, tão leve que quase nem o notámos, dos campos despidos do estio.
Uma princesa… Misaguarda...
E quase tive vontade de atirar tudo para trás das costas, largar a cidade já demasiado grande e partir para uma vida nova, lá onde ainda as águas se abrem em piscinas no meio do rio ou onde um engarrafamento se mede pelos dois carros que resolveram sair à rua à mesma hora que nós e circulam agora à nossa frente nuns agonizantes cinquenta quilómetros à hora. Lá, onde as pessoas ainda vivem em casas e têm quintais e roseiras a colorir a ombreira da porta. Lá, de onde toda a gente fugiu e onde eu jurei que saberia ser feliz, houvesse investimento e emprego e mais do que a paisagem que quase me fez sentir uma princesa para me dar mais do que o sonho de um dia partir lá para o meio da lonjura e ter uma casa branca, com roseiras por baixo das janelas e com ombreiras das portas coloridas e um jardim com uma macieira perfumada e um banco debaixo de um caramanchão florido e onde à noite ainda se vêem estrelas e o barulho é feito apenas de cigarras e grilos e pássaros e árvores onde bate o vendo e algum riacho mais caudaloso.
Mas até as princesas precisam arranjar o que comer e não há sonhos que nos encham a barriga nestes pedaços do País cada vez mais despidos de gente, onde já quase só sobram os velhos e não há esperança na raia fronteiriça do esquecimento.
2007-08-24
2007-08-17
XIV.
V. e F. sonharam um com o outro e, como Narcisos, apaixonaram-se pelo reflexo paralelo.
V. e F. criaram o acidente, o ponto de ruptura, a ponte.
V. e F. continuam em rota para o infinito, mas inventaram um imaginário diferente, povoado de ideias velhas pensadas de forma nova.
V. e F. quebraram a rotina ao sonharem a alternativa. E ergueram-se mutuamente aos pedestais onde antes haviam colocado os deuses, condenados a pés de barro e a serem apeados um dia.
V. e F. encontraram a curva do espaço-tempo e todas as possibilidades. Mas mascaram ainda a descoberta mútua de utopia.
Agora já podem dizer "bom dia" em sonhos e já sabem esperar o local onde a Voz e a Fuga passam a seguir o mesmo caminho.
Os outros posts desta série:
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
2007-08-16
XIII.

aqui
V. e F. sonharam que havia mais do que só caminho. Sonharam o além da linearidade.
V. e F. não podiam sonhar o impossível, mas souberam sonhar o improvável, o que não há no seu mundo limitado de existências com rumo definido.
V. e F. sonharam o que nunca aconteceu e, porque o sonharam, a ideia tomou forma, passou a existir, encontrou um corpo de matéria e uma energia de luz.
V. e F. iluminaram as possibilidades para além das rotas deterministas e inventaram um acidente.
Se o soubessem dizer, se houvesse alguém para ouvir, expressariam a sua iluminação, luz brilhante, intensa, divina.
2007-08-14
XII.

aqui
Onde está o ponto de partida? Existirá ponto de chegada? Como ficou assim ordenado em permanência o caos brilhante de estrelas? Onde se encerram as partículas da matéria e onde explode a energia?
Como se faz um Big Bang?
E onde se curva o espaço-tempo de cada vida breve, estilhaçando a linearidade paralela que a aprisiona no desconhecimento?
Inocência
John Atkinson Grimshaw - A moonlit road
Herberto Helder
2007-08-13
XI.

aqui
Onde guardamos o que sabemos não sabendo e que, num qualquer acaso, intuímos como verdade?
Porque necessitamos de deuses, de ordenar o caos? De explicar o inexplicável? Onde escondemos as circunstâncias que não sabemos acolher? Que parte delas enforma o tanto de desconhecido que carregamos em nós?
Seremos fortes o suficiente para inverter os rumos paralelos de vidas que não se encontram, acasos que não chegam a ser?
2007-08-12
Caramba!
José Quintas
Todos a bater palmas...

Spencer Tunick
100 anos

aqui
Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
Miguel Torga – Comunicado
2007-08-10
X.

aqui
Terá de haver um acidente. Uma catástrofe, uma catarse. Terá de se provar errado o caminho ladeado de nada, feito de coisa nenhuma, que ainda assim é destino. Terá de ser quebrado o fado de dois nadas paralelos como as paralelas que os guiam.
Terá de se inventar um acidente. Um acidente que mude o mundo ao contrário, que glorifique o caos. Terá de se inventar um acidente que quebre as amarras do vazio paralelo.
2007-08-09
IX.

aqui
Linhas paralelas que se anulam mutuamente. E, no entanto, continuam lá. Existem fora da esfera da vontade, fora da zona de compromissos e dos contornos com que se amofina a rotina.
Linhas em espelho cego brilhante, sempre iguais. Rotas comprometidas com o desconhecimento, sem atritos, sem fricções. Sem sombras, sem fazerem qualquer sombra. Completamente incapazes de sombrearem a presença na ladeira comum.
Flores minhas...
aqui
2007-08-08
VIII.

aqui
Terá de haver um acidente, um erro, um quebrar de protocolos, de dogmas, de impossibilidades.
Terá de haver um dia um acidente e, após o desastre, já nada será linear.
Excepto talvez V. e F., ainda seguindo lado a lado, sem saberem que percorrem o mesmo caminho e sem imaginarem a intersecção.
Cansam-me cada vez mais estas paralelas sem encontro marcado com a curva onde a verdade se pode quebrar.
2007-08-07
VII.

aqui
Cansa-me a cegueira; a incapacidade ou impossibilidade de verdade de um mundo perfeitamente ordenado no meio do seu paralelismo.
Cansa-me a mesma música, tocada da mesma forma, uma oitava abaixo ou acima e sempre com a mesma dissonância.
Cansa-me...
Só dez?

Magnolia, Paul Thomas Anderson, 1999
Edward Scissorhands, Tim Burton, 1990

City Lights, Charles Chaplin, 1931

Notorious, Afred Htchcock, 1946

All About Eve, Joseph L. Mankiewicz, 1950

Before Sunrise, Richard Linklater, 1995
Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998

Pleasantville, Gary Ross, 1998

The Constant Gardner, Fernando Meirelles, 2006

What's Eating Gilbert Grape, Lasse Hallström, 1993
2007-08-06
Espremendo...

aqui
VI.

aqui
E também não é preciso. V. e F. desconhecem-se mutuamente. Não precisam inventar um lugar no seu real para o parelelismo desconhecido.
No entanto, V. e F. têm a mesma história. São as alternativas de um feitas rota no outro. Ou ao contrário. Porque V. e F. são dois destinos em tudo iguais. Nem bons, nem maus. Apenas dois destinos paralelos, incapazes de dizerem "bom dia" ao vizinho.
Será que só queremos conhecer o que julgamos existir?
2007-08-05
2007-08-04
Olha o balão!
2007-08-03
Can a man ever be too wet?

(ficas muito chateada se aproveitar este para te dar os parabéns que ontem esqueci?)
V.

aqui
Mas as paralelas não deixam de ser paralelas só porque o espaço que as desune se condensa em distâncias infinitesimais. O fosso continua lá, fundo, intransponível. E o fosso é também cortina de fumo e reposteiro de veludo escuro.
O mundo encolhe e, ainda assim, a partilha não desata os laços feitos pontes. É que não há pontes entre paralelas. Só nada feito espaço.
V. e F. são a improbabilidade, a impossibilidade matemática, o dogma intocável e irreversível feito palavra paralela.
2007-08-02
Meritocracia

aqui
Em Portugal, o mérito continua a esbarrar sempre no tamanho da cunha do gajo da frente. E o País é pequenino, até para as cunhas.
IV.

aqui
O velho não aprende com o novo. O novo não aprende com o velho. São caminhos paralelos distantes, que nem abeirando-se da balaustrada do destino conseguem surripiar uma miragem do outro.
V. e F. não se conhecem, nem conhecem sequer a possibilidade de se conhecerem.
V. e F. têm um caminho igual a trilhar, experiências feitas e sem sentido.
Que adianta saber o que se não pode partilhar?
2007-08-01
III.

aqui
F. era trilho, sem muralhas nem prisões. Era o rio tumultuoso, em choque contra os pedaços do caminho.
F. era desígnio assolapado, conjuro de forças ancestrais. Era Astarte, era Ísis, a Lua, a Mãe Terra em combustão.
F. era fogo quente e velho, já borralho, sabedor. Era enciclopédia de oportunidades perdidas, dicionário de rotas novas.
F. era receptáculo, destino desprendido de acasos.
F. era fado já, cantando ainda um caminho.












