2018-08-25
Anónimos
2018-08-24
Ponto da situação
Um dia cheguei a casa e criei um blogue. Ou melhor, comecei a criar um blogue...
Foi em 2004 e hoje faz anos. Ou melhor, hoje ainda não morreu.
2018-08-18
Recordando Barcelona
2018-08-10
Sombras
2018-07-12
Autodeterminação de Identidade de género
2018-05-31
Eutanásia
2018-04-25
2018-04-24
Poemarma
que seja máquina espectáculo cinema.
Que diga à estátua: sai do caminho que atravancas.
Que seja um autocarro em forma de poema.
que se levante e faça o pino em cada praça
que diga quem eu sou e quem tu és
que não seja só mais um que passa.
e seja apenas um teorema com dois braços.
Que o poema invente um novo estratagema
para escapar a quem lhe segue os passos.
que seja pulga e faça cócegas ao burguês
que o poema se vista subversivo de ganga azul
e vá explicar numa parede alguns porquês.
que seja seta sinalização radar
que o poema cante em todas as idades
(que lindo!) no presente e no futuro o verbo amar.
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
Que participe. Comunique. E destrua
para sempre a distância entre a arte e a vida.
Que salte do papel para a página da rua.
que tenha ideias sim mas também pernas.
E até se partir uma não faz mal:
que chegue ao banco e grite: abaixo a pança!
Que faça ginástica militar aplicada
e não vá como vão todos para França.
a não criar barriga a não usar chinelos.
Que o poema seja um novo Infante Henrique
voltado para dentro. E sem castelos.
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo, o desejo de achar.
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
Ah que o poema chegue ao pé de ti
e te diga ao ouvido o que é preciso.
nem que por vezes seja só o poeta em movimento.
Ah que o poema para ser original
e seja mais que rosa flor de cacto.
Que o poema saiba ver dentro das coisas
a mão do homem feita poema em acto.
e me transforme na sua própria acção.
Nem quero outra glória nem quero outra festa:
morrer como Guevara na Bolívia da canção.
poderás dar-me a glória ou recusar-ma.
Aí vai o meu poema a minha taça do rei de tule
aí vai para ser arma!"
2018-02-23
2018-02-04
Espanha
2017-12-31
2017-12-21
"Do They Know It’s Christmas"
Aqueles eram os anos que supostamente tinham enterrado as utopias floridas da década de 70, os anos do individualismo, do consumismo. Mas a fome em África, em forma de teledisco, fez filas nas ruas de gente que ia comprar um pequeno vinil para ajudar. Mesmo que a fome não tenha acabado e que a maioria soubesse que acabar com a fome nunca seria assim tão simples.
Eu olho agora para este Mundo de hoje e vejo-o seco, encrespado. Continua a ser Dezembro. Continua a fazer frio. E continua a não ser Natal para todos e a consoada universal é a miragem com que já ninguém se ilude.
Lembro-me de que chorei a primeira vez que vi o teledisco do "Do They Know It’s Christmas". Lembro-me que foi como que um soco no estômago. Estive a ver um vídeos de como foi criada essa primeira versão de um tema que se repete. Tantos anos depois, não há forma de ficar desactualizado.
Hoje em dia já não é só a fome na Etiópia e as mesmíssimas imagens de fome e dor e morte continuam sem pátria nem fim. De tal forma que quando se fala agora de fome de uma criança a que a guerra tirou tudo alguém logo vem lembrar que temos gente a morrer nas nossas ruas. Como se fossem mutuamente exclusivas. Como se fome não fosse fome, sem cor, sem nome, sem geografia. Como se não houvesse lugar dentro de nós para lamentar todos.
Por toda a simbologia desta simples canção pop, do tanto que à data conseguiu e o tanto que nunca fomos capazes de conseguir, continua a ser um dos hinos do meu natal. Com tudo de bom e mau que isso possa acarretar, afinal nunca deixei de ser uma fedelha que cresceu nos anos 80.
Boas Festas!
2017-11-02
Catalunha - parte dois
Continuo sem saber muito bem os que vos dizer, Catalunha. Tirando a observação óbvia que Mariano Rajoy é um idiota, que o governo que o sustenta tem demasiados tiques autoritários e que vão acabar na História como incompetentes. Ou que visto daqui havia uma óbvia falta de vontade de diálogo construtivo da parte da Generalitat, que bateu o pé e foi incapaz de encontrar outro rumo, não tendo também demonstrado grande inteligência ao deixar-se encostar à parede.
Mas há algo de profundamente errado quando, em 2017, numa suposta democracia, se derruba um governo democraticamente eleito e se enfia os seus membros na prisão com acusações de sediçao.
E não entendo: um governos central intervém porque não gosta do resultado dos votos num referendo, mas depois quer eleições? E se não gostar do resultado dessas eleições? Vai manipular o resultado ou meter todos os independentistas catalães na prisão?
Nunca estive convencida de que a independência fosse a melhor solução, quer para a Catalunha, quer para Espanha. Mas também não pensei que se chegasse ao extremo de ver presos políticos numa democracia moderna...
É! Continuo sem saber o que vos dizer.
2017-09-23
Catalunha
2017-09-04
Irresponsáveis!
Em 1992, quando a China e a França ratificaram finalmente oTratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, parecia que, por fim, o terror nuclear ia para os livros da história da minha adolescência. As guerras seguintes, por mais pérfidas e mortíferas (ex-Jugoslávia, Ruanda, Kosovo...) eram "à moda antiga", ou rápidas e clínicas como a primeira guerra do Golfo. O terrorismo endémico da Europa ia-se esvaindo e sobrava o terrorismo pirotécnico para consumo massificado da Al-Qaeda ou do Daesh. Não pensei ter de voltar a ter medo de uma bomba H durante a minha vida. Não pensei que o mundo andasse assim ao para trás, com uma cambada de irresponsáveis a brincar com coisas demasiado sérias. Como se o que andamos a fazer ao clima não fosse suficientemente grave para a saúde do Planeta. :-(
2017-08-24
Moribundo, mas não morto!
Um dia cheguei a casa e criei um blogue. Ou melhor, comecei a criar um blogue...
Foi em 2004 e hoje faz anos :-)
2017-06-28
Apre!
Hoje fui apanhada à socapa por três mormons. Não sei bem como, que costumo fareja-los à distância, mas parece que abriram um templo que eu ainda não tinha reparado que existia. Bom-dia para cá, bom-dia para lá (sim, respondo, que ensinaram-me a ser bem educada) e começa a lenga-lenga da praxe. E o cigarro estava no início, por isso fui pedindo delicadamente que não falassem comigo nem de religião nem de deus, com as criaturas a insistirem até que uma se sai com um "tenho a certeza que deus está à sua espera". Passei-me! (o café ainda não devia ter feito efeito) e olhei a criatura nos olhos e perguntei: "como sabe? Ele mandou-lhe um telegrama? É que se enganou na porta porque não estou interessada em nenhum planeta e já apalavrei um vulcaozinho no inferno". E pronto! As criaturas desapareceram à velocidade da luz.




