
aqui
E, sim, tens razão: falo de intimidade. Ou talvez seja que, mais tarde ou mais cedo, tudo o que me dá tesão acabe transformado em palavras. Depois há o blogue onde é tão fácil colocá-las, nesta ilusão de que ninguém vê, ou que ninguém percebe. E as palavras vão dizendo o que sinto e o que quero, ou tão só o que gostaria. Acabo a misturar desejo com desejos, vontade com vontades, sonho e realidade. Acabo fragmentada pela excitação encerrada na palavra e quase fica tudo dito, não fizesse a realidade também parte da equação. E, aí, vão-me faltando as palavras, como se olhos nos olhos não tivessem nem arrumo, nem valor. E digo-as aqui, talvez porque saiba que não vens ler, que só cá chegas quando te enganas no caminho. Mas é libertador saber-te, saborear-te, longe das palavras que invento. Afinal, a voz continua a fugir-me. Largo-a para longe, lanço-a ao espaço. Olhos nos olhos, espero antes que me leias, enquanto permaneço muda. Ou falo demais, para nada dizer. Mas é que, contigo ao leme, limito-me a pedir bis. Várias vezes. Depois… bem, depois logo se vê para onde me fogem as palavras.
As tuas palavras só podem fugir para os seus ouvidos... sussurradas.
ResponderEliminarIsso das palavras fugirem é tramado. Por vezes enrolam-se com discursos na rua e depois regressam a casa prenhas de ideias. Mas também deixá-las trancadas na marquise do pensamento parece demasiado cruel.
ResponderEliminarQue fujam para onde quiserem
ResponderEliminarE que sejam ouvidas :)
Beijoca
Eu tento que fujam, Maria Árvore. Mas também gosto de ser lida, sem palavras algumas, como só nos lê quem nos conhece bem.
ResponderEliminarE as tuas palavras? Fogem para onde agora? E onde as vou ler?
'Tou triste!
:((
Palavras prenhas? Enroladas com os discursos? Antes assim do que fechadas em qualquer marquise, PN. Mas desde que sejam só as palavras ;)
ResponderEliminarAs palavras costumam fugir-me sempre para onde querem, Sofia. Preciso delas fujonas para que as ideias se arrumem. Umas vezes, podem ser apenas lidas; outras apenas ouvidas; outras vezes, apenas existem à espera de quem as saiba adivinhar :))
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