Rubens
A nossa sociedade da abundância deixou de saber comer. Isso parece-me evidente. E temos em oposição padrões de beleza escanzelados, quando a norma é o excesso de peso, da mesma maneira que há uns séculos atrás, quando a norma eram os esfaimados, os pintores retratavam madonnas roliças. A gordura não é formosura. E é demasiado perigosa para não ser levada a sério. Mas, no extremo oposto, ver modelos a morrerem esfaimadas porque a moda lhes diz que assim é que são bonitas também não me parece saudável. É todo um mundo de excessos: vai de um lado ao outro da escala e parecem-me ser as duas faces de uma mesma moeda de desordens alimentares e desequilíbrios profundos que só fazem sentido numa sociedade que tem demais.
aqui
Tens razão, Hipatia.
ResponderEliminarMas eu não tenho grande consideração por alguém que se prejudique deliberadamente (porque sabem quais as consequências) para ganhar dinheiro.
É apenas mais uma forma de prustituição.
;-)
Era prostituição (mas a grafia não conta se apagarem a luz).
ResponderEliminar;-)
Resolvemos a grafia se lhe chamarmos antes putedo? Talvez não... não é bem a mesma coisa e, para o caso, prostituição é bem pior.
ResponderEliminarMais Vozes
ResponderEliminarNão queiras ser uma modelo escanzelada como essas que temos por aí que até metem impressão, e além do mais, nem bonitas são !!
Continua assim ...roliça, "roliça" no bom sentido, claro
Estás tão farta de estar fechada em casa ???
Não seja por isso, vou-te já buscar...Vrummmmm...
Finurias | Homepage | 01.15.08 - 10:42 pm | #
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Quer-me parecer que o ideal de beleza de cada época é sempre o mais afastado do padrão corporal da maioria, por oposição ao que é vulgar.
As "escanzeladas" são o espelho do nosso esquecimento do que é ter fome. E o reflexo de uma mentalidade de só olhar ao espelho para ver o umbigo sem ver os outros, como os escanzelados pela fome por imposição.
Quando não há memória o que se constrói é como aquelas vivendas com muitas variedades de azulejos.
maria árvore | Homepage | 01.15.08 - 11:19 pm | #
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Menino, não tenho dessas pancas. Não mais. Obviamente que fico escandalizada por, na maioria dos casos, as lojas só terem números onde cabem anorécticas sem mamas. Mas com o meu corpo, ainda que não com as compras, estou de bem. A questão é o mundo de excessos em que caímos facilmente. Nenhum deles saudável. Um dia destes, também vais ver legislação sobre fast-food e afins. Não deve demorar muito, da mesma forma que é cada vez mais rápido o ritmo com que tascas e cafés são encerrados pela ASAE. E o paternalismo do Estado continuará a estender as unhas. Tenho cá para mim que tal só acontece porque deixamos: os excessos com a comida, a bebida, as drogas, até o desporto, são um sinónimo evidente de uma mentalidade desregrada. E essa é facilmente sujeita a legislação imposta por quem se acha no direito de nos proteger de nós mesmos, já que nós há muito que desistimos de o fazer.
(não posso sair; cai na asneira de ir trabalhar ontem e acabei a injecções. Snif!)
Hipatia | Homepage | 01.15.08 - 11:51 pm | #
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O problema quando estamos a lidar com doenças como a anorexia e a bulimia é que elas só até certo ponto estão relacionadas com a beleza. A compulsão vai muito além disso, mesmo que tenha começado por um desagrado com o corpo por comparação imposta, aprendida ou bebida de qualquer forma dos padrões da sociedade. Aquela gente prefere morrer a comer; chegam a um ponto em que até sabem que estão a morrer, que estão demasiado magras, mas há ali um nojo da comida e delas próprias que as impedem de ter força para ultrapassar a doença.
Depois há o lado oposto, de gente tão gorda, mas tão gorda, que nem de banda gástrica lá vai. Gente que sabe que está gorda, demasiado gorda e, ainda assim, continua a comer, a não fazer exercício. E continuam a comer muitas vezes porque é na comida – especialmente nos açúcares – que encontram o estímulo que as leva, o refúgio que lhes apazigua a alma quando chegam a já nem se poder mexer e a auto-estima há muito que partiu de abalada. E, mais uma vez, entramos em casos patológicos.
No meio-termo, vivem todos os outros. E, se é certo que em terra de gordos, quem for magro é rei, também é certo que há um bombardear constante de mensagens e de imagens que nos tentam enfiar num qualquer rebanho. Hoje em dia, o rebanho dos magros por lipoaspiração ou redesenhados nos spas da moda.
Sabermo-nos diferentes e especiais dentro da nossa normalidade, sem necessidade de nos mascararmos ou escondermos atrás dos objectos que a publicidade sempre presente nos quer impor como ideal de vida, torna-nos subversivos: o rebanho é sempre bem mais fácil de conter dentro do redil.
Hipatia | Homepage | 01.16.08 - 12:07 am | #