Recebi hoje a atualização compulsiva para a versão 5.5. Após auditoria rigorosa às juntas, à paciência e ao reflexo no espelho, informo que o sistema continua operacional — embora com uma ironia mais afiada do que a visão ao perto.
Dois cincos. Simétricos. Teimosos. Quase elegantes. Declaro oficialmente aberto o ciclo da Soberania do Desencaixe.
A “Economia de Subsistência” foi substituída pela Gestão Estratégica de Desprezo. Já não invisto energia em reuniões de condomínio existenciais nem em coreografias sociais para agradar à boçalidade alheia. O silêncio tornou-se um luxo. As palavras, um bisturi.
As rugas não são falhas: são nervuras douradas por onde a escrita escorre. Uma guerra entre a gravidade e o adjetivo — e, por agora, o adjetivo ainda ganha.
O sentido de humor mantém-se ativo. Continua a ser o canário na mina. Enquanto ele gozar com São Pedro e com os meus próprios nós de croché, está tudo sob controlo.
Aos 55, o desencaixe deixou de ser erro. É título. Já não se pede licença para não ser “normal”.
Não celebro a passagem do tempo — celebro o aumento da minha perigosidade intelectual.
55 anos a acumular material para sátiras futuras. Investimento de risco. Mas claramente com retorno.
Se houver bolo, que não dispare o alarme de incêndio.
— Sofia, versão 5.5
2 comentários:
Muitos parabéns, e agradecimentos por inaugurares os 55. Trata-os bem, que não tarda também me apanham, e não os quero mal dispostos.
Oh, o desencaixe. Já tive mais filtro, já; mas a maturidade tem a vantagem de me aconselhar o silêncio como resposta de eleição.
Mais uma vez, parabéns, e feliz 55, que seja um ano épico :)
Serve o presente para confirmar que todas as felicitações foram devidamente registadas e arquivadas na pasta “Afeto de Alta Qualidade”, onde ficarão guardadas para consulta em dias de menor autoestima.
Estes 50 + IVA são dose. Mas cá te espero! Não hei de subir este Evarest sozinha 😁
Enviar um comentário