Se a Última Ceia fosse em solo luso, o drama bíblico teria sido abafado pelo som dos talheres e pelo inevitável: "Ó Judas, passa aí o prato dos rissóis!".
Nesta Sexta-Feira Santa, a imagem não mente. Entre azulejos e conversas cruzadas, o sacrifício passa a ser puramente digestivo. O mundo medita sobre o jejum — nós resolvemos a transcendência com um leitão assado e três tipos de sobremesa. Porquê dividir apenas pão e vinho quando a mesa pode desafiar as leis da física e da cardiologia?
É a nossa forma de devoção: se é para haver despedida, que seja com o estômago feliz e a alma cheia.
Pecado: deixar a travessa vazia.
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