2012-07-15

Finalmente!


Cada vez com mais frequência, chego a casa a uma sexta-feira e apenas penso que posso finalmente tirar os sapatos e vestir o pijama, enrolar-me no sofá com um livro ou com um bom filme e roncar ao fim de cinco minutos. 

E ainda penso que já houve tempo em que aguentava duas ou três noitadas sem que me doessem os ossos, os olhos, a cabeça, o que, infelizmente, cada vez é menos por culpa do álcool que também vai sendo cada vez menos, que uma gaja agora anda é a água e às tantas é por isso que as partes vão descaindo e a pele acaba afogada de baça e os pés até se lembram de fazer retenção de líquidos, mesmo quando a cerveja continua a ter ligação directa da boca à… pois! 

E penso que cada vez mais os gajos que nos tentam engatar vão mais que nós ao cabeleireiro e devem ter um horror de cremes para todas as horas e partes do corpo, bem como uns quaisquer instrumentos estranhíssimos para aparar pêlos que, ainda assim, teimam a nascer nos sítios mais visíveis e que nos tentam convencer a ir jantar com a desculpa que compraram outro BMW topo de gama e que, nesse dia, afinal a guarda paternal fica com uma das ex-mulheres. 

E penso que já houve tempo em que conseguia correr 500 metros em cima de uns tacões agulha atrás do autocarro, mas que agora nem de bicicleta me apanham a fazer cem metros, a não ser que diga a mim mesma que é ginástica e, portanto, não conta. 

E penso ainda que já houve tempo em me sentava em frente a uma página branca e brotavam resmas de palavras e de frases e de pontos de exclamação e que, hoje em dia, até as palavras preferem enroscar-se sem sapatos em cima do sofá e roncarem ao fim de cinco minutos. 

E estou cansada. Muito cansada. E, finalmente!, vou de férias para me esticar na areia, não pensar em nada e roncar ao fim de cinco minutos.

2012-06-14

Stasi à portuguesa, com certeza


O que me irrita é ver que, com tantos anos de democracia em cima, afinal o país não mudou quase nada. E que afinal ainda existe um afinco "stasista" na recolha de informações a serem usadas como der mais jeito, agora já nem sequer para segurar o velho à cadeira, antes porque se pode e dá lucro nas negociatas. E continuamos a ter destes vampiros gordos, endinheirados, poucochinhos, a escaparem por entre os pingos de uma justiça que parece que nunca vem. E vai-se um e há de certeza outro para lhe ocupar o lugar, que esta gente fica e fica e fica. Até fica o Relvas, carago!, quando por só fazer uns corninhos na AR nem há tanto tempo assim caiu um. Mas às tantas esse não tinha fichas de informações recolhidas sabe-se lá em que bufedo para poder pôr a pata em cima de quem se atrevesse a dizer ai. E deve ser por isso que só o povinho vai gemendo.

2012-05-17

Amigos



Uma das coisas mais preciosas nas amizades é a forma como podem ser tranquilas, explícitas e implícitas a um tempo, quentes e aconchegantes. É um privilégio ter amigos. Não os herdamos nem ganhamos. Não se compram nem se deixam comprar. Existem sempre para além da Crise e das crises. Até para além do tempo que demoramos a voltar a pegar no telefone e a pôr a conversa em dia. É que não sou particularmente brilhante, nem sequer disciplinada, muito menos tenho organização suficiente para reforços diários de laços, ou joguinhos de manipulação de afectos. Na maioria dos dias, estou tão cansada quando chego a casa que preciso estar em silêncio e sozinha um par de horas, para escapar à gregaridade imposta com que lido quotidianamente. E os meus amigos perdoam-me sempre todas as ausências! É por isso que às vezes me parece apenas sorte ter conquistado o direito a tê-los. E sobra a necessidade de os preservar. Porque os meus amigos são perfeitos. Maravilhosos. Talvez porque não são assim tão perfeitos nem tão maravilhosos e porque me aceitam sem eu ser perfeita nem maravilhosa. Talvez por isso os preserve por entre os pingos das ausências, das tantas de vezes que nos perdemos por uns tempos uns dos outros, da merda toda que já nos podia ter separado e nunca separou.

2012-05-13

17 anos




Como se as saudades ainda se fizessem de ais. Como se hoje estivesses aqui de plantão, meu anjo. Como se não tivesses partido nunca.

2012-05-08

França


E talvez agora a austeridade acéfala tenha ficado finalmente manca. Não podemos voltar aos bons velhos tempos de desperdício; mas a esquerda nunca esquece que a economia, antes de se fazer de números, faz-se de gente.

Grécia



De manhã, na rádio (e sem bem dar conta, já foi na manhã de ontem), um comentador político português estava muito indignado por os gregos terem exercido o seu direito de voto. É! Há assim uns merdas que se acham muito importantes só porque lhes põem um micro à frente e nem sabem medir o tamanho do disparate que dizem. A não ser que quisessem mesmo dizer que se devia suspender a democracia só para fazer o jeito às bojardas que pensam... e dizem, quando têm um micro.