2012-08-26
2012-08-24
8 anos
O blogue faz oito anos. Tem andado silencioso, a ganhar pó, mas não o encerro. Por teimosia, talvez. Tem dias em que acho que é só teimosia mesmo. Mas há uns tempos uma infestação de spam levou-me aos arquivos e perdi-me na história e no rasto de mim que por cá fui deixando. Já nem me lembrava do tanto que revelei. É que tenho alguns textos no blogue que pari das entranhas. São extraordinariamente pessoais, doloridos e meus. Como tenho textos feitos com memórias indeléveis, cheiros que eu senti, o que toquei, a música que estava a ouvir, os espaços que habitei. Meus. Ou textos breves, de alegria transbordante. Esses sorrisos e gargalhadas também me pertencem ainda. Ou os gritos indignados e os amuos e as irritações. Ou as lágrimas. Meus. No meu blogue. Tudo o resto que também por cá publiquei é acessório para encher a página, letra esparramada à pressa e logo esquecida, uma espécie de facebook quando ainda não havia FB, com tretas breves e inócuas para os dias assim-assim. Os textos que ainda sinto destes tantos anos de voz em fuga são (só) os mais pessoais, os mais íntimos. Para esses não há espaço no FB. E, no entanto, ultimamente ando demasiado perdida de mim. Talvez por isso quase já nem escreva; talvez por isso tenha um blogue a ganhar pó.
2012-08-12
2012-08-06
Marte nuclear?
Alimentada por gerador nuclear? Já não basta todo o lixo que já mandamos para a estratosfera e agora ainda mandamos plutónio e coisas que tais para Marte?
É que... bem, eu gostaria que o cosmos estivesse cheio de vida; eu gostaria que em Marte
houvesse vida. Mas não sei se gostaria de ver o que o Homem ia conseguir
fazer a essa vida. Afinal, a humanidade tem tratado de dar cabo da Terra e da sua biosfera. Nisso tem grande prática e não deve mudar de hábitos só porque mudou de planeta, certo?
Esperemos, por isso, que os ETsinhos sejam bem mais inteligentes do
que nós e se mantenham convenientemente à distância.
2012-07-15
Finalmente!
Cada vez com mais frequência, chego a casa a uma sexta-feira e apenas penso que posso finalmente tirar os sapatos e vestir o pijama, enrolar-me no sofá com um livro ou com um bom filme e roncar ao fim de cinco minutos.
E ainda penso que já houve tempo em que aguentava duas ou três noitadas sem que me doessem os ossos, os olhos, a cabeça, o que, infelizmente, cada vez é menos por culpa do álcool que também vai sendo cada vez menos, que uma gaja agora anda é a água e às tantas é por isso que as partes vão descaindo e a pele acaba afogada de baça e os pés até se lembram de fazer retenção de líquidos, mesmo quando a cerveja continua a ter ligação directa da boca à… pois!
E penso que cada vez mais os gajos que nos tentam engatar vão mais que nós ao cabeleireiro e devem ter um horror de cremes para todas as horas e partes do corpo, bem como uns quaisquer instrumentos estranhíssimos para aparar pêlos que, ainda assim, teimam a nascer nos sítios mais visíveis e que nos tentam convencer a ir jantar com a desculpa que compraram outro BMW topo de gama e que, nesse dia, afinal a guarda paternal fica com uma das ex-mulheres.
E penso que já houve tempo em que conseguia correr 500 metros em cima de uns tacões agulha atrás do autocarro, mas que agora nem de bicicleta me apanham a fazer cem metros, a não ser que diga a mim mesma que é ginástica e, portanto, não conta.
E penso ainda que já houve tempo em me sentava em frente a uma página branca e brotavam resmas de palavras e de frases e de pontos de exclamação e que, hoje em dia, até as palavras preferem enroscar-se sem sapatos em cima do sofá e roncarem ao fim de cinco minutos.
E estou cansada. Muito cansada. E, finalmente!, vou de férias para me esticar na areia, não pensar em nada e roncar ao fim de cinco minutos.
2012-07-08
2012-07-06
2012-07-03
2012-06-28
2012-06-22
2012-06-18
2012-06-14
Stasi à portuguesa, com certeza
O que me irrita é ver que, com tantos anos de democracia em cima, afinal o país não mudou quase nada. E que afinal ainda existe um afinco "stasista" na recolha de informações a serem usadas como der mais jeito, agora já nem sequer para segurar o velho à cadeira, antes porque se pode e dá lucro nas negociatas. E continuamos a ter destes vampiros gordos, endinheirados, poucochinhos, a escaparem por entre os pingos de uma justiça que parece que nunca vem. E vai-se um e há de certeza outro para lhe ocupar o lugar, que esta gente fica e fica e fica. Até fica o Relvas, carago!, quando por só fazer uns corninhos na AR nem há tanto tempo assim caiu um. Mas às tantas esse não tinha fichas de informações recolhidas sabe-se lá em que bufedo para poder pôr a pata em cima de quem se atrevesse a dizer ai. E deve ser por isso que só o povinho vai gemendo.
2012-06-13
2012-06-10
2012-05-29
2012-05-24
2012-05-20
2012-05-17
Amigos
Uma das coisas mais preciosas nas amizades é a forma como podem ser tranquilas, explícitas e implícitas a um tempo, quentes e aconchegantes. É um privilégio ter amigos. Não os herdamos nem ganhamos. Não se compram nem se deixam comprar. Existem sempre para além da Crise e das crises. Até para além do tempo que demoramos a voltar a pegar no telefone e a pôr a conversa em dia. É que não sou particularmente brilhante, nem sequer disciplinada, muito menos tenho organização suficiente para reforços diários de laços, ou joguinhos de manipulação de afectos. Na maioria dos dias, estou tão cansada quando chego a casa que preciso estar em silêncio e sozinha um par de horas, para escapar à gregaridade imposta com que lido quotidianamente. E os meus amigos perdoam-me sempre todas as ausências! É por isso que às vezes me parece apenas sorte ter conquistado o direito a tê-los. E sobra a necessidade de os preservar. Porque os meus amigos são perfeitos. Maravilhosos. Talvez porque não são assim tão perfeitos nem tão maravilhosos e porque me aceitam sem eu ser perfeita nem maravilhosa. Talvez por isso os preserve por entre os pingos das ausências, das tantas de vezes que nos perdemos por uns tempos uns dos outros, da merda toda que já nos podia ter separado e nunca separou.
2012-05-13
17 anos
Como se as saudades ainda se fizessem de ais. Como se hoje estivesses aqui de plantão, meu anjo. Como se não tivesses partido nunca.
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