2006-03-31

Aviso: férias!

Spring-heeled Jim slurs the words:
"There is no need to be so knowing
Take life at five times the
average speed, like I do"
Until Jim feels the chill
"Oh, were did all the time go?"
Once always in for the kill
Now it´s too cold
And he feel to
old
too old
mm... old


Morrissey - Spring-Heeled Jim


Esta blogger está oficialmente em férias que, cada vez que toca nas teclas, saem merdas sem sentido, inconcebivelmente deprimentes e a precisarem de arejar.

Solicito a colaboração do outro dono do blogue, no sentido de manter esta porra actualizada.

Em alternativa, podem os meus queridos leitores colaborar como quiserem, que eu já estou na fase do "já nem posso ver esta merda".

Ora deixa cá ver... será que se arranja uma imagem da Primavera? Parece que o ano passado escrevi qualquer coisa sobre a gaja... Ou será demasiado simplex, esta rapidex com que se desencantex um post qualquer?...

2006-03-30

Gilda


aqui



A porta abre-se e entra uma fabulosa mulher de vestido longo, azul noite, luvas até ao cotovelo que escondem os alvos braços e cabelo comprido cor de cobre. Bate com força a porta da casa asséptica caiada de branco, com vontade de, dessa vez, construir um castelo.

Começa a encher o espaço de almofadas de penas. Espalha velas perfumadas, pinta no tecto estrelas. Escolhe um pau de incenso perfumado, talvez maçãs verdes, ou qualquer fruto. Semeia confeitos doces e coloridos, ou então pétalas de flores. Faz uma cama no chão. Põe a tocar uma música com guitarras e cítaras.

Depois pára de repente... A câmara pára com ela.

Eles vão para a cama com a Gilda, mas acordam comigo.

E então, depois de ter o cenário completo, a figura feminina começa a destrui-lo com o mesmo afinco com que o inventou.

Nada faz sentido!

O cabelo ruivo voa em todas as direcções, as luvas perdem-se por trás das almofadas, uma delas cai sobre uma das velas, chamuscando-se ligeiramente...

Tanta gente presa ao sonho projectado num écran branco, esquecendo-se que, por trás do sonho, está uma pessoa de carne e osso.

A câmara recomeça o percurso, aproximando-se mansamente do rosto agora em repouso, a fabulosa cabeleira a beijar-lhe as faces.

Há dias em que os minutos são horas e sinto a alma parada no tempo à espera não sei de que milagre para pedir licença para voltar a nascer.

E o plano começa a abrir-se, lentamente…

Há dias em que queria ser caracol, tartaruga, búzio, levar a casa às costas e poder fugir para um qualquer ventre e deixar o tempo passar. Esquecer a Gilda. Ser apenas eu.


The End




Cá está o que se arranja: pouco tempo e falta de inspiração :(

O Escritor Famoso merecia melhor, bem sei... mas para a semana não estou cá e queria deixar-te aqui o post que pediste.

2006-03-29

Revolver















Revolve-me
onda
antes de te espraiares
porque eu já não sinto
deixo-me levar

Vive em mim
uma memória
de água
que deixei passar
restando a espuma
alva
e duradoura
no cume dos lábios
que não sei calar

Todas as marés
me lavam
da cabeça aos pés
mas o molhado
guardado
entre pernas
sabe bem
quem tu és

Sopra agora
o vento
vindo de sul
e nova onda
encapapelada
se desfaz
que novas me traz?
que novas me traz?

Desmaia
nova vaga
sobre a areia da praia
julgo ver
ao longe
o voltear de uma saia

Maresia?
ou era o cheiro
que te despia
ali
junto à rebentação do Mar?

E agora que te digo, J.P.?


aqui

Nunca gostei de flores de estufa, fabricadas em laboratório. Gosto das flores vivas, imperfeitas, a pintalgar os campos de cor nos inícios da Primavera: livres, breves, perfeitas nas suas imperfeições naturais. E os campos da tua terra por estas alturas do ano são um dos meus paraísos favoritos, onde tudo é possível, tudo volta a ser novo, tudo renasce. Até a esperança.

Obrigada!

Pronto, para mim é um cardume...

Your True Love Is a Pisces
Why you'll love a Pisces:

Selfless and intuitive, you are perfect for a Pisces that lives to love you.
You're sensitive enough to appreciate and explore the deep emotions of a Pisces.

Why a Pisces will love you:

You're generous and totally giving in relationships, something Pisces demands.
You are also dreamy enough to get lost in fantasy with Pisces, but realistic enough to stay grounded.

Está tudo explicado!

Your True Love Is a Capricorn

Why you'll love a Capricorn:

Hard working and driven, a Capricorn will work overtime to win your heart.
Be prepared to get wined and dined, even once you're convince that your Capricorn is the one!

Why a Capricorn will love you:

You don't rush things. You know it will take a while for a Capricorn to trust you, and you can wait.
Social and outgoing, you can introduce normally shy Capricorn to a great circle of friends.


Só conheço um capricórnio e, oh caraças, é gaja!

E eu que sempre gostei deles perigosos...


(visto
aqui)

2006-03-28

As palavras não morrem!



aqui


As palavras bailam sempre. Dançam uma melodia inventada em acordes dissonantes. Vivem. Escoam-se na afinação, redefinem-se na própria música. Bailam palavras, são nosso útero. Ou cordão umbilical tecnológico onde prendemos umas quantas de horas que se transformam em romaria. Uma romaria de festa e de palavras. Palavras amestradas ou agrestes, doces ou iradas. Palavras bailarinas, dançando em frente a um écran. São também armas de arremesso ou de defesa e ironias de pacotilha, estilhaçadas, sem desígnios novos ou resignadas. Palavras ainda. Palavras e mais palavras. À espera. Palavras suspensas, humanismo circense engalanado. São cordas, lianas, grilhetas. São cones de vulcão ou simples lagos. São mar, onda, deserto, fogo. São caminho. Destino às vezes. Pontes suspensas prenhes de simbolismo. São vertigem, fundo negro, luz além. Palavras em confessionário asséptico e vazio, teia ressequida de desencontros. Palavras-ponte. Palavras nossas. Vivas. A precisarem de rumo.

Segurem-lhe as palavras!

Parabéns, mana!


Stuart Townsend Posted by Picasa

Achei que as cores quentes de um morenaço iam bem com um aniversário que te desejo radioso :)

2006-03-27

Post a um desconhecido


aqui


Tenho um contador a que espartilhei as possibilidades, impedindo-o, nomeadamente, de identificar as minhas vindas ao blogue como visitas e não considerar os "reloads" para o mesmo. Ainda assim, não o acho particularmente fiável. No entanto, ele está ali em baixo a dizer-me que hoje, por volta das 5 da matina, um madrugador desconhecido do Porto (que usa a Oni), resolveu ser o visitante n.º 25 000. Seria muita maçada o desconhecido acusar-se? É que eu gostava muito de saber...

2006-03-26

Mal-entendidos

.


O mal de se comentar o que não carece de grandes explicações, porque se baseia num hábito velho de convivência, onde meias palavras chegam, é que se pode dar um valente tiro no pé. Nunca há crise, claro. Excepto de quisermos fazer disso uma grande crise. A tal ponto que chega a ser preciso um ano para que fique bem claro que o pedido de desculpas que era solicitado referia-se ao paternalismo com que a dona do blogue – que me conhece há anos e bem demais – me tinha tratado, sabendo bem, ainda por cima, que ao comentador trapalhão aqui a desbocada não tinha dado nem metade da resposta que, noutras circunstâncias e não me merecessem os dois mais consideração, tinha saído pela certa.

E eu leio bem mais do que os links que aparecem ali ao lado. Mesmo quando digo que não, durante qualquer ataque de mau feitio, que é sabido que tenho e nunca escondi de ninguém. E
agradeço os parabéns, mesmo que o blogue só faça anos em Agosto e seja a autora quem sopra, desta vez, as velas :)

Destino

I Am

Which tarot card are you?


Spiritual enlightenment, inner illumination, hidden power. Link between seen and unseen. Balance of positive and negative forces. Receptivity. Unseen guidance. A young woman sits on a throne holding a scroll labeled "Tora" meaning "law." On her breast is the sign of the meeting of heaven and earth, the Maltese cross. Her crown is the full orb supported by horns, the crown of the Mother Goddess Isis, who rules all things changeable, shown by the moon at her feet. Her power, upon which her throne rests, derives from the creative principle of duality, shown by the two pillars of light and darkness. To those who know and love her she dispenses the sweet fruit of the world itself, symbolized by the pomegranites.

Podia ser pior...

(Visto aqui)

2006-03-25

Obrigada!




Uma pessoa imagina que a amizade é um serviço. O amigo, assim como o namorado, não espera recompensa pelos seus sentimentos. Não quer contrapartidas, não considera a pessoa que escolheu para ser seu amigo como uma criatura irreal, conhece os seus defeitos e assim o aceita, com todas as suas consequências. Isso seria o ideal. E na verdade, vale a pena viver, ser homem, sem esse ideal?

Sándor Márai - As Velas Ardem Até ao Fim


Sei que há dias em que me apanham de bom humor e, nesses, até entendo que resolvam voltar. Mas há outros em que me sinto mesmo agradecida por vos ter por aqui. Na verdade, olhando para alguns dos meus textos e pondo-me no lugar do visitante ocasional, este não seria nunca o blogue que elegeria para tantas visitas. Mas, mesmo assim, vejo-vos voltar e sinto que, de alguma maneira, ando a fazer as coisas certas.

Não chego sequer a entender porque mereço tamanho carinho. Mas hoje, depois das tantas de palavras que me deixaram, de todo o mimo, de todos os gestos de partilha de um tiquinho de tempo para com uma pessoa que, na maioria dos casos, é mais um nick desconhecido entre tantos que se resolveram a abrir um blogue, só posso mesmo dizer que nem quero entender. Quero é aproveitar!

Há cerca de cinco anos que ando pela net nestas partilhas, primeiro em fóruns, depois nos blogues. Já fiz muita merda por aqui. Também devo ter feito coisas certas. Cinco anos pode ser uma eternidade em tempo virtual. Dezanove meses em tempos de blogues pode ser o suficiente para muitos encontros e desencontros. Ter uma caixa cheia de mimos no meu dia de anos é, sem falsas modéstias que não sou gaja para isso, motivo para me sentir muito feliz hoje.

Foi uma festa e tanto. Obrigada a todos por fazerem de mim hoje uma blogger muito, mas mesmo muito feliz.


Nunca a fortuna põe um homem em tal altura que não precise de um amigo.
Séneca

2006-03-24

...




Está sim? Era só para dizer que é hoje o dia certo. Vá! Podem começar a mandar os mimos... já sabem que eu gosto :))

2006-03-23

Parabéns, Lyra


aqui

Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.

Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.

Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

António Gedeão - Fala do Homem Nascido


Eu disse que não esquecia, não disse?

Pois espero que esteja a ser um alegre início do trigésimo segundo!

Ópera do malandro

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Chico Buarque - Pedaço de Mim

Há músicas de que raras vezes nos lembramos mas, depois de as ouvir, ficam a martelar-nos cá dentro. No caso desta, bem mais do que a música ou sequer a voz do Chico Buarque, de que não gosto particularmente, é o raio da letra. Oh saudadezinha bem descrita!



(não chorei o dinheiro do bilhete e o Fernando Eiras, como Geni, mereceu todas as palmas)

2006-03-22

Promessas


aqui


Há dias em que mesmo promessas não cumpridas nos deixam um sorriso nos lábios. Porque sabemos que, em breve, a desforra trará consigo um doce sabor de mel, ou outras coisas plenas de meiguices...

2006-03-21

Caça

Um bando de aves de arribação cruza os céus do Alentejo...
-"Então, amigo, não dispara a caçadeira? O bando de patos está quase aqui por cima..."
- "preciso amigo... Fique manso... Vocemecê vem lá de Lisboa e na percebe nada da coisa..."
Os patos bravos passam por cima dos dois homens batendo vigorosamente as asas...
-"Observe bêm quedo e mantenha-se." Disse o velho Alentejano, ajeitando o capote.
Nisto, uma das aves larga o grupo, perdendo a força das asas, percepitando-se no o solo.
-"Na disse?... Agora, vai cair ali adiante..." Falou, chasquinhando, o velho. "Olhe, lá vêm caindo outra ali ao pé das sobrêras..."
E, virando-se para o cão, ordenou:
-"Vai buscar, Fiel!" Olhou, trocista, o Alfacinha e sentenciou: "Isto é canito que caça sózinho...
A bicharada, agora, também vem tombando dos céus sem fazermos nada...é da gripe!
Anda muito facilitada esta tarefa da caça.... Na acha amigo?"

Dia de lua negra


aqui


Os dias miseráveis deviam vir com nota prévia!

2006-03-20

Vaidade


aqui


Cabelo às três pancadas, roupa vestida sem pensar, correr porta fora à espera de alcançar o dia antes que o dia se abata sobre mim. Sapato raso, cara lavada, a revolta do costume contra a Segunda-feira e a falta do café que esqueci comprar. Nada de jóias nem simulacros, o perfume fez-se dos restos da amostra perdida no carro. Nada de vaidades, nem cigarros, nem comida. E o trânsito e os putos postos à porta das escolas em intermináveis segundas, terceiras filas e a vontade da buzina e dos insultos e esta porra de estar sem café e sem cigarros e ainda por cima ser Segunda-feira. E é então que o passo de corrida é interrompido por um "bom dia, menina". E a menina esquece o fio, os fios, que o tempo nevou sobre os cabelos, o pasto para arado do tempo em que a cara ameaça transformar-se, a gravidade que pesa por entre as pregas da roupa desengonçada, mal amanhada, escolhida sem vontade e a cara lavada e a falta de café e os cigarros que não existem e o sapato raso e a vaidade que ficou perdida, talvez na noite de Sexta, ou no Domingo de manhã...

Hem?!


aqui


Pá, prontos, pá... parece que a informação era mentira e coisa e tal e a gente nem desconfiou nem nada e foi por isso que fomos ali fazer uma guerrinha depois de brindar com uns copinhos de água a dizer que era outra coisa mas o meu amigo arbusto tem um pequeno problema com a bebida e assim e a guerra afinal agora está maior do que parecia e já nem está a dar tanto petróleo e as armas não chegam para os cobres que estávamos à espera. Desculpem qualquer coisinha...