2026-05-21
Tudo começa com café
2026-05-20
Quinta-feira
O vento não desarruma: revela.
O que estava escondido sob a ilusão de controlo — o caos domesticado por hábito e hidracaracóis, a entropia adiada por cortesia social — deixa de existir quando se toma uma decisão puramente adulta: parar de fingir.
Há mais de cinco anos que o meu cabelo faz o que quer. Cresceu para onde quis, embranqueceu sem pedir licença, ondulou sem propósito declarado. Deixei-o andar. Não por sabedoria budista nem por manifesto feminista. Por cansaço, principalmente. E porque a tinta mente. O tempo, apesar de tudo, não.
O resultado está à vista.
Alguém, algures, chama a isto "empoderamento". Eu chamo-lhe quinta-feira.
2026-05-18
Remates
2026-05-17
Perfumes
2026-05-16
Palavras amputadas
2026-05-14
O grande trollanço
A institucionalização do bairrismo
2026-05-09
Meio meio
2026-05-08
Poema das mulheres constipadas
Nariz entupido, corpo em guerra,
Dores nos ossos, cabeça na terra,
Chá de limão, mel, gengibre e sal,
Aspirinas, xarope e mais um comprimido afinal.
Ninguém me mede a febre nem vê a goela,
Ninguém fecha a porta nem cala a janela,
Ninguém me traz a colcha nem aquece o pé,
Porque sou mulher e isso não se faz, pois é.
Aqui estou eu, a pingar sozinha,
A fazer a canja e a dobrar a roupa fininha,
A responder a mensagens com um assoar ao meio,
Ai que vou morrer — mas faço o jantar sem receio.