2021-02-02

Tempos de pandemia

Como passar o humor em simples palavras quando não se sabe das palavras o bastante para que, ao brincar com elas, saiam ideias com uma comicidade natural? Talvez seja por a minha ideia de alegria só fazer realmente sentido quando partilhada (e um écran nunca se ri connosco e esta janelinha coscuvilheira nem para lá caminha) e o pudor me levar a esconder na solidão as tristezas. Ou, simplesmente, sou demasiado impaciente para alegrias diferidas.

2020-11-12

US Election: A CNN pundit's emotional reaction to Joe Biden's presidenti...

É muito fácil tentar a empatia. E tento! Mas, branca que sou num país maioritariamente caucasiano que faz de conta que não é racista, nunca vou saber o que é isto, esta emoção em direto de quem sofre na pele discriminação e tem de a explicar aos filhos.

2020-10-14

(...)

Os gajos são uma espécie estranha! Quanto mais velhos e podres, mais potente o carro que compram. E é vê-los nos Lexus, Jaguares e Porshes... a trinta à hora. Como se, num óbvio reflexo de potências pretendidas, não sobrasse mais do que um mal empregado equipamento.

2020-08-14

Kamala Harris


«And I could cry power

Power has been cried by those stronger than me

Straight into the face that tells you to rattle your chains

If you love bein' free»

2020-05-20

(des)Ventura


Houve sempre no "comentarismo profissional" português um reflexo perfeito do que se passa para lá do espaço de opinião: há as cliques, os ódios, os interesses, as modas, as votações inconsequentes, as micro e macro causas, os fogachos de qualquer outra coisa rapidamente esquecida e muita, demasiada gente, que encontrou ali um púlpito onde tentaram fazer-se maiores ou melhores do que os outros. Que importa quando o Rei vai nu se diz os disparates que se quer ouvir ou se defende as cores do clube de futebol favorito? Até o Esteves estava certo em alguns dias!  

É verdade que uns provam-se interessantes. Mas já eram interessantes antes: Marcelo Rebelo de Sousa foi sempre um senhor, mesmo quando só dizia "nim". A maioria, no entanto, tende a transformar-se em "sound bites" ou pixéis supérfluos, quando, ao terem mais olhos do que barriga, acabam a dar com os burrinhos na água. Podem até cair de pé, mas só porque agarrados como junkies à visibilidade da celeuma criada e ao facilitismo da promessa básica, vácua e populista. 

Ouve e vê quem quer, como é óbvio. Acredita o predisposto. No fim, cada um tem o comentarista que merece e mais não se pode esperar.