2026-02-25

Notificação Formal de Abuso Hídrico e Publicidade Enganosa


Para: São Pedro, S.A.
De: A População Terrestre (Secção "Saturados de Humidade")
Data: 25 de fevereiro de 2026 (e já com bolor no calendário)

​Exmo. Senhor São Pedro,

​Vimos por este meio expressar o nosso mais profundo e húmido descontentamento com a gestão das suas torneiras atmosféricas, bem como com a vossa aparente interpretação do conceito de "inverno" como sendo uma imitação barata do Dilúvio Universal.

​Com os devidos cumprimentos (que neste momento são mais pingos de chuva que outra coisa), referimos o seguinte:

​Nos passados dias, fomos brindados com uma visão que apenas podemos classificar como publicidade enganosa. A aparição de um corpo celeste luminoso no céu foi tão breve e irreal que nos fez questionar a nossa sanidade mental. Tal como um fast food que promete "sabor caseiro", o vosso "sol" foi uma farsa. Não se brinca com a esperança das pessoas, São Pedro. Principalmente quando os ossos já rangem de tanta humidade.

​Acreditamos que o sistema "On/Off" esteja avariado, já que parece que o vosso comando remoto da chuva tem um botão de "pausa" que não quer funcionar. O que foi aquela "miragem de sol"? Uma avaria no sistema? Ou um teste para ver quão rápido conseguimos guardar a roupa no estendal antes que a tempestade se reforme? Não estamos a brincar aos espiões climáticos. Queremos estabilidade. Ou sol, ou chuva. Não esta montanha-russa emocional que nos faz gastar fortunas em detergente e desumidificadores.

Isto é ​abuso de Poder Divino. Compreendemos que detenha o controlo sobre o clima, mas não o autoriza a transformar a nossa existência num musical aquático deprimente. Estamos a ficar com brânquias, São Pedro. As sapatilhas de corrida já viraram barretes de mergulho. O que se segue? Teremos de desenvolver escamas?

Pretendemos ​reembolso e compensação. Exigimos, no mínimo, um reembolso de todos os custos incorridos com guarda-chuvas estraçalhados, desumidificadores com burnout e, claro, as sessões de fisioterapia para o reumatismo precoce que esta vossa gestão nos causou. Alternativamente, aceitamos um cheque de "Sol Garantido" para os próximos seis meses.

​Em suma: Se não é para ter um final de fevereiro decente, então liberte-nos. Ou chove a potes de uma vez por todas para acabarmos com isto e reencarnarmos em patos, ou então desligue a torneira de vez. A nossa paciência, tal como a nossa roupa lavada, está a secar (metaforicamente, claro).

​Aguardamos, com os pés molhados e a dignidade estilhaçada, uma resolução para esta calamidade.

​Com os mais húmidos cumprimentos,

​Todos os que já não sabem onde pôr a roupa a secar.

2026-02-24

Inverno 2026


Pronto. Cá estou eu outra vez, estendida na horizontal existencial, qual boneco de neve pós-época alta, espetada por tudo o que é faca terapêutica que existe na gaveta lá de casa.

“Ah e tal, reforça a imunidade.” Reforcei.
“Bebe chá com limão.” Já nado em citrinos.
“Descansa.” Estou a um espirro de pedir baixa por tempo indeterminado até março.

Este inverno decidiu que eu sou o seu projeto pessoal. Não me larga. Não me supera. Não me esquece. Somos tóxicos, claramente. Ele manda frio, eu mando ranhoca. Ele sopra vento, eu respondo com tosse cavernosa às três da manhã. Ele chove, eu espirro em dissonância. 

Se me virem por aí, não se assustem. Não é dramatização. É só mais uma edição limitada: Eu — Inverno 2026, versão constipada remix.

Aceitam-se mantas, Netflix e uma cura milagrosa. Ou um exorcismo meteorológico. Tanto faz.

De sangue e borralho


​Sou mulher do Norte, de olhos e tez clara. Corre-me nas veias o sangue dos Suevos e dos Visigodos, temperado pela latinização, pelos judeus e pelos árabes; a linhagem não é pura, nem eu a quereria tal.

​Neste Norte — que é o meu — a tradição passa-se ao borralho, de mãe para filha, entre o murmúrio de tias e avós. É um Norte onde se cantam modas alegres e se faz guerrilha até hoje para preservar a identidade, com uma vontade tão férrea que roça o fanatismo. Um Norte que nunca é triste, nem sob o cinzento dos dias frios. Um Norte que sabe que o Fado não é a canção nacional, porque não há fado que vença o Vira.

​Aqui, onde ainda rugem gaitas de foles e os pauliteiros dançam de saia, os cabeçudos saem à rua para espantar os maus espíritos. Procuramos o visgo dos druidas nos trilhos do Gerês, enquanto, nas penedias, as capelas à Virgem ocupam o lugar das grutas sagradas de Astarte ou de Morrighan — a Grande Deusa, a força fertilizadora do caos, a Mater original.

​Talvez seja por tudo isto que não entendo como esta mesma sociedade pode ser tão poucochinha, tão canastrona, tão machista e patriarcal. Talvez as mães só saibam passar as tradições ao borralho para as filhas, enquanto, no seu leite, destilam a tacanhice diretamente para o cérebro dos varões.

2026-02-23

Dia Z

José Afonso - qualquer dia

Raiva


Que a minha raiva me devore inteira!
Que rasgue a pele e faça do meu grito punho,
que o horror do mundo entre pelos meus olhos e me sujeite ao chão.

Não quero aplausos. Não quero consolo.
Quero ver o silêncio cúmplice a sangrar na minha língua,
quero que cada mentira, cada porta fechada, cada criança roubada
me bata no peito como ferro quente.

Aí vai o meu poema — lâmina, fúria, fogo —
vai rasgar o ar, vai cortar a mentira,
vai escorrer pelo corpo de quem se fez cego e surdo.

Não é arte. Não é jogo.
É punho, é vómito, é o grito que ninguém quis ouvir.

E se não ouvirem?
Que se fodam.
Que eu grite até que o chão trema.

2026-02-22

A estética da miséria alheia


Confesso que dispenso os manuais de positividade tóxica. Quando a alma me pede um 'upgrade', mergulho de cabeça num bom melodrama. Nada como ver uma vida em estilhaços no ecrã para me lembrar que, afinal, o meu caos doméstico é quase um spa. 

Na verdade, os meus rituais de bem-estar são pouco ortodoxos. Enquanto uns meditam, eu prefiro um filme onde a desgraça seja farta e o lenço de papel insuficiente. É puro pragmatismo: ver o próximo a patinar na lama existencial dá à minha vidinha um tom pastel muito mais suportável. 

Há uma certa cor estética na miséria dos outros que faz milagres pela minha paleta de cores emocional.

2026-02-20

Shikata Ga Nai

Olhamos para o ecrã como quem olha para um desastre na autoestrada: sabemos que não devíamos, mas o pescoço vira-se sozinho. É o vício de medir a nossa existência pelo barulho dos outros. Queremos ser relevantes, queremos ter opinião, queremos que o algoritmo nos valide com uma palmadinha nas costas em forma de coração encarnado.

Mas a verdade é que as redes sociais são o museu do "parecer". E o Shikata Ga Nai é o martelo que parte o vidro dessa vitrine.

Não há nada a fazer contra a avalanche de lixo que te entra pelos olhos às oito da manhã. Não vais ganhar a discussão com o tipo que tem uma foto de perfil de um carro, nem vais ficar mais feliz por saber que a tua ex-colega de escola está a comer uma tosta de abacate em Bali enquanto tu esperas pelo metro debaixo de chuva.

O desapego aqui não é zen. É cansaço. É aquele encolher de ombros de quem percebeu que o sistema está viciado.

Shikata Ga Nai é o mantra de quem apaga a aplicação não porque "encontrou a paz interior", mas porque se fartou de ser o combustível da máquina. É aceitar que o mundo vai continuar a girar, as pessoas vão continuar a mentir com filtros de beleza e a indignação da semana vai ser substituída por outra mais ruidosa daqui a dez minutos. E tu? Tu não tens de estar lá para ver.

Há uma liberdade quase violenta em admitir que não tens de ter uma voz em todos os palcos. Que o teu silêncio não é uma falha de comunicação, é uma preservação de recursos.

O asfalto está molhado, o sinal está vermelho e o teu telemóvel está a vibrar com notificações de gente que nem conheces. Encolhe os ombros. Mete o aparelho no bolso. Aceita o inevitável: a rede vai continuar a arder, com ou sem o teu comentário.

No fundo, o verdadeiro luxo urbano é ser irrelevante para o algoritmo. É o descanso de quem sabe que, contra a estupidez programada, a única resposta digna é o desinteresse absoluto.

"Se o palco é de plástico e a plateia é de vidro, o melhor lugar é mesmo cá fora, a ver a chuva cair."

2026-02-19

Wabi - O algoritmo da solidão


Entramos nestas aplicações como quem vai ao supermercado às onze da noite: com fome a mais e critérios a menos. O ecrã é um catálogo de vidas retocadas, uma sucessão de rostos que parecem todos saídos da mesma linha de montagem de felicidade genérica. É a feira da vaidade em formato de bolso, onde a humanidade é reduzida a um par de frases feitas e a três fotos estrategicamente escolhidas para esconder as olheiras de quem já não dorme bem desde 2019.

Aqui, o conceito de Wabi — a tal beleza do que é simples, gasto e imperfeito — foi atropelado por um camião de filtros.

Ninguém quer o "Wabi" numa app de encontros. Ninguém quer a tua vulnerabilidade real, a tua casa desarrumada ou o facto de que, às vezes, ficas a olhar para o teto a questionar o sentido disto tudo. Queremos o brilho, o ângulo certo, a luz que apaga as marcas do tempo. Queremos peças de porcelana sem uma única ranhura, prontas a serem usadas e, inevitavelmente, descartadas.

O cinismo das dating apps é o triunfo da quantidade sobre o impacto. É o Kintsugi ao contrário: em vez de colarmos o que se partiu, simplesmente passamos para o perfil seguinte. Há sempre mais barro na prateleira. Há sempre outra pessoa disposta a vender uma versão higienizada de si própria por um par de horas de validação barata num bar qualquer.

É uma economia de desperdício emocional. Andamos a colecionar "Matches" como quem coleciona cupões de desconto que nunca vai usar. É o desapego forçado de quem já sabe que aquela conversa vai morrer algures entre o "Olá, tudo bem?" e o primeiro silêncio desconfortável no mundo real.

No fim do dia, o verdadeiro Wabi urbano é o encontro que não foi planeado por um algoritmo. É a beleza de uma conversa de café que não tem um botão de "Unmatch". É aceitar que a outra pessoa é um conjunto de falhas, traumas e tiques irritantes — e perceber que isso é infinitamente mais interessante do que qualquer perfil de 5 estrelas.

Mas pronto, o sinal ficou verde e o telemóvel voltou a vibrar. Shikata Ga Nai. Encolhe os ombros, faz o swipe e finge que ainda acreditas que a próxima notificação vai ser a que te salva deste vazio.

Afinal, na cidade, o amor é só mais um produto com prazo de validade curto e uma embalagem bonita.

2026-02-18

A Memória é uma Pátria Desatenta


Portugal é um corpo feito de adeus. Durante séculos, as nossas raízes não se enterraram na terra, mas no mar e no asfalto das estradas que levavam para longe. Fomos o povo da partida, a nação que se fragmentou em Paris, que se reinventou em Genebra, que suou o pão no asfalto de Newark ou nas minas de Joanesburgo. Nas décadas de 60 e 70, o país sangrou gente: mais de um milhão de destinos embrulhados em esperança e medo. Não há árvore genealógica por cá que não tenha um ramo estendido para o estrangeiro.

​Esses portugueses — os nossos — foram a prova viva de que a fronteira pode ser uma ponte. Entre a neblina da saudade e o peso do preconceito, encontraram mãos que os ajudaram a erguer casas e a sustentar o amanhã de quem ficou. Foram acolhidos no abraço imperfeito de quem sabe que ninguém deixa a sua terra por capricho, mas por necessidade.

Mas hoje, o espelho está baço.

​Numa ironia que dói como uma ferida aberta, Portugal, o eterno emigrante, olha com desconfiança para quem agora nos escolhe como porto. O neto daquele que foi "o português" na carência de França é hoje o primeiro a erguer muros contra o brasileiro, o indiano ou o bangladeshi. Esquecemos, com uma pressa cruel, que o "outro" que hoje chega é apenas o reflexo do que fomos ontem.

​É um paradoxo triste: enquanto as nossas malas continuam a fechar-se todos os anos rumo ao norte, fechamos a porta a quem traz o sol e o esforço para dentro de casa. Criamos um discurso de exclusão que ignora a nossa própria biografia.

​A memória coletiva tem o fôlego curto. Se lhe negarmos o exercício da empatia, o que nos resta? Recordar o que fomos não é apenas um ato de história; é um dever de humanidade. Porque, no fundo, todos somos feitos da mesma matéria: o direito de procurar um lugar onde a vida não doa tanto.

Kintsugi - Ouro na Engrenagem


Temos esta obsessão doentia com a performance. É o culto da máquina que nunca encrava, do "mindset" inquebrável, dessa cerâmica branca e fria que é o currículo perfeito. Querem-nos sem fissuras. Querem que a gente produza como se não tivesse sistema nervoso, como se o cansaço fosse uma falha de caráter e a estafa um erro de programação.

E depois, claro, o sistema cospe-nos. O burnout não é um acidente; é o som do prato a bater no azulejo. É o momento em que a estrutura cede porque tentaste carregar o mundo com braços de gesso.

Onde é que entra o Kintsugi nesta palhaçada?

Entra quando percebes que a tua "recuperação" não vai ser um regresso àquela brancura imaculada. Esquece lá o reset. Não voltas a ser a mesma peça de porcelana útil e silenciosa. O Kintsugi da produtividade é aceitar que as tuas ranhuras — aquela depressão, aquele colapso às três da manhã, aquela demissão por motivos de sanidade — agora fazem parte do teu valor de mercado pessoal.

Damos-lhe nomes bonitos: "resiliência", "lições aprendidas", "agilidade emocional". Pintamos as nossas falhas com o ouro do autoconhecimento só para podermos voltar à prateleira. É o cinismo supremo: transformar o nosso próprio esgotamento num ativo, numa medalha de guerra que diz: "Eu quebrei, mas olhem como brilho agora que me colei com resina cara".

Mas a verdade é mais crua. O ouro nas tuas fendas não é para os outros verem; é para te lembrar onde é que o limite estava. É o aviso de que o material tem memória. Podes estar colado, podes estar funcional, podes até estar mais "bonito" para os gurus do LinkedIn, mas continuas a ser um objeto que conhece o sabor do chão.

Se calhar, a única produtividade que interessa é a de saber quando é que o impacto é inevitável. E, quando acontecer, ter a decência de não tentar esconder a cola. Porque um trabalhador sem cicatrizes é só alguém que ainda não foi suficientemente testado pela máquina.

O resto? O resto é marketing de sobrevivência. Bebe o café, aceita o remendo e tenta não te partir outra vez no mesmo sítio.

2026-02-17

Os caretos não pedem desculpa

Há qualquer coisa de profundamente honesto num homem que decide vestir-se de demónio colorido e sair à rua a assustar raparigas. Não estou a ser irónica. Estou a falar dos Caretos de Podence, essa manifestação de sanidade colectiva disfarçada de loucura pagã.

Porque, convenhamos, vivemos o ano inteiro a fingir. A sorrir quando não apetece, a engolir opiniões, a domesticar impulsos. Somos adultos civilizados, portanto sabemos estar quietos. E então chega o Carnaval em Podence e de repente há licença para ser barulhento, invasivo, selvagem. Para saltar como se a gravidade fosse uma sugestão, não uma lei.

Os Caretos vestem franjas de lã que parecem saídas de um pesadelo technicolor — vermelho, amarelo, verde, como se alguém tivesse explodido uma caixa de lápis de cera sobre corpos humanos. Põem máscaras de latão com sorrisos satânicos, amarram chocalhos à cintura e transformam-se. Deixam de ser o Zé da mercearia ou o António da oficina. Tornam-se entidades — criaturas que existem naquele limbo entre o homem e o mito.
E correm. Meu Deus, como correm. Perseguem as raparigas pelas ruas de Podence numa dança que é simultaneamente ameaça e cortejo, medo e riso. É tudo muito ambíguo, muito pré-cristão, muito "não tentes explicar isto com PowerPoint".

O que me fascina é que esta tradição sobreviveu. Resistiu à Igreja (que deve ter achado aquilo tudo muito suspeito), resistiu à modernidade (que quer tudo asséptico e instagramável), resistiu até à UNESCO (que em 2019 a declarou Património Imaterial da Humanidade, como quem diz: "está bem, podem continuar com a vossa loucura organizada").

Porque no fundo, os Caretos são a negociação que fizemos com o caos. Durante 363 dias do ano, comportamo-nos. Pagamos impostos, respondemos a emails, fingimos que a vida faz sentido. Mas em Podence, durante uns dias abençoados de Carnaval, há homens vestidos de impossível a saltar pelas ruas, e ninguém lhes pede explicações.

São a prova de que, por muito civilizados que sejamos, há qualquer coisa em nós que recusa domesticação total. Que ainda sabe fazer barulho. Que ainda sabe saltar.

Caminhos


Dizem que sou casmurra quando acho que tenho razão. Talvez tenham razão na palavra, mas enganam-se na intenção. A verdade é que baseio a minha forma de estar no mundo numa série de verdades que, para mim, são sagradas e invioláveis. Sou como uma "bota velha" — daquelas de elástico, que não se deforma com as modas — no que toca a valores e princípios.

​A minha verdade não aceita eufemismos. Para mim, o erro não tem meio-termo. Roubo é roubo. Seja o plágio de um texto, a invasão de um computador ou o ato de tirar o que não nos pertence. Posso até compreender as circunstâncias, mas recuso-me a compactuar com a mentira. Há quem chame a isto rigidez; eu chamo-lhe clareza.

​Tenho um instinto que me faz cheirar o esturro muito antes de o incêndio começar. E sim, ponho muita gente "na borda do prato" simplesmente porque o cheiro não me agrada. Posso correr o risco de me enganar, mas a vida tem-me provado que esse radar raramente falha.

​Da mesma forma que o meu "não" é absoluto, o meu "sim" é pleno. Recebo na minha vida e no meu coração quem me chega com verdade, sem precisar de laços de sangue. Acredito na família que se escolhe, naqueles que se tornam "meus" por direito de afinidade e lealdade.

​Recentemente, deram-me um "título" técnico para este meu modo de ser. Mas esse diagnóstico não é uma sentença, nem um pedido de correção. É apenas um nome para algo que já escrevi e vivi há décadas.

​E não há sequer arrependimentos ou necessidade de correção. Não sou disfuncional. Sou o que sou. No final do dia, a minha paz vem de saber que não transijo no que é essencial.