2010-02-27
2010-02-25
2010-02-24
2010-02-23
Erros de cálculo
aqui
2010-02-22
E la nave va
2010-02-21
Diz-me com quem andas…
Fotografia © Miguel A. Lopes - Lusa
Só me pergunto se aquela gente toda está confortável com o facto de, a partir de agora, ser confundida com os fascistas e neo-nazis que assentaram praça na mesma manifestação. Se realmente não se importam com isso. É que não acredito que todos sejam fanáticos, tirando o facto de terem visões fanáticas sobre quem tem ou não direito a casar-se.
Faz de conta...
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Parabéns, Miquinhas :)
2010-02-19
Durante o telejornal
aqui
Comentário da minha avó (90 maravilhosos e lúcidos anos!) acerca de um certo político queixinhas cá da praça: "Homem pequenino, ou sacana ou bailarino".
Até me engasguei!
Dos gatos
GeekCats (clicar para ver melhor)
Chegou-me uma visita ali em baixo a uma caixa de comentários. Curiosa que sempre fui (devo ter costela de gato e um dia destes…), segui o link e fui dar ao GeekCats. Adorei! Aconselho a visitinha. A imagem acima está lá na primeira página e espero que vos sirva de bom aperitivo :)
2010-02-18
Basicamente
2010-02-17
Ah!
.
«Fernando Nobre, o presidente da Amnistia Internacional, é candidato à Presidência da República.»
E agora isto?
.
«Assessores, chefes de gabinete, membros do Governo usaram o seu tempo, pago pelo erário público, instalações do Estado, meios informáticos públicos e informação privilegiada para fins de combate político.»
Eduardo Dâmaso
2010-02-15
Luta de galos
Roylynn Evans
Uns eram pela liberdade, agora estes são pela democracia. E eu olho e torno a olhar, que há pela certa um poleiro dourado em jogo, sendo que o galispo ainda não perdeu as penas e continua a cantar de galo na capoeira do povoléu do costume, já cansado de tanta luta. E, sim, o povinho do magalhães, dos rendimentos de inserção, das novas oportunidades e dos abonos ainda é a maioria e as novelas da TVI ainda devem ganhar a qualquer noticiário, jornal ou programinha de opinião política. Está difícil convencer o povinho, mesmo a gritar bem alto e repetidamente, não é? E nem há sol ameno para desculpa e já basta o mau tempo para estragar este alegre carnaval.
2010-02-13
Anónima não. Com nick sempre
De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.
José Carlos Ary dos Santos – Epígrafe
E também é por isso que não tenho um perfil público completo no blogue, nem um nome para além do nome Hipatia. Porque, por mais que digam, a Hipatia é já um nome, o meu nome por aqui, aquele que escolhi usar já há um belo conjunto de anos. Manter o nome que escolhi usar no blogue (mesmo que isso, tantas vezes, já não sirva para nada) é o que ainda posso fazer para me preservar. Para que não tenha novamente de voltar a procurar um espaço onde me sinta livre para escrever, em que não há quem me cobre o tanto que já dei de mim e o que ainda poderia ter vontade de dar. Tudo o mais são opções. E, se respeito as dos outros, que não me cobrem as minhas. A todos cabe a sua razão e a cada um cabe defender os seus motivos. Se eu andasse por aqui atrás de prebendas, talvez já tivesse feito a vontade a alguns e espelhado on-line o nome do BI. Como esse nunca foi o meu motivo, aceitem que quem assina com nick também tem direito a opinião. E argumentem em relação a essa mesma opinião em lugar de desatarem a disparar contra o mensageiro. Essa sempre foi a opção dos fracos, porque mais fácil. E nunca serviu para debater ideias.
2010-02-11
20 anos
aqui
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Foi uma bandeira da minha adolescência. Como tantas outras. Quando ainda sabia ter bandeiras.
hmm...
in Correio da Manhã, 07/02/2010
Cem em nove mil? E depois espantam-se por o mundo real ser tão diferente das petições on-line e das ideias defendidas em uns quantos blogues e programas com opinadores profissionais.
2010-02-10
2010-02-08
Apre!
«O Sporting de Braga tenta hoje encurtar a distância para o líder, Benfica (...) Os "arsenalistas", com dois jogos a menos, encontram-se no segundo lugar, a quatro pontos dos "encarnados"»
in, TSF
Ídolos
(gosto do Filipe; gosto do puto e do vozeirão do puto)
(e nem sequer segui o programa, ou votei, mas isso agora não interessa nada)
(e até gosto quando ele corrige delicadamente quem teima em chamar-lhe "Felipe")
Repost
Presto atenção ao silêncio e a tua voz diz-me que te falto. Galgo a distância. A tua voz leva-me. Não sei se é só saudade, se esta febre teimosa que não me deixa. Ouço-te. Como se estivesses bem ao meu lado. Quase sinto os teus dedos frios sobre a testa. Quase respiro o teu ar. Sôfrega de ti, como já não ficava há muito tempo. É da febre. É delírio. És tu. Ou apenas a tua voz a percorrer-me os sonhos. Que saudades tenho, às vezes! Assim, de mansinho, quando estou mais frágil e, dos confins da memória, chega-me a tua voz. Baixinho. Bem baixinho. Como se as saudades só se fizessem de sussurros. Como se hoje estivesses aqui de plantão, meu anjo. Como se não tivesses partido nunca. É delírio, por certo. E estas saudades de ouvir a tua voz a dizer-me como te falto... como me faltas.
Sussurros
2010-02-07
Conta poupança-futuro
.
«Os bebés portugueses vão poder começar a emprestar dinheiro ao Estado para financiar a dívida pública assim que nascerem.»
in, Jornal de Negócios
2010-02-05
Enfim
hmm...
Will I see you tonight on a downtown train
Where every night, every night it's just the same, oh baby
Will I see you tonight on a downtown train
All of my dreams they fall like rain, oh baby on a downtown train
2010-02-04
Haja paciência!
.
«"Parece-nos razoável que, sendo nós um imenso condomínio de 10 milhões, cada um de nós saiba a permilagem de cada um dos outros para sabermos se há um efectivo contributo que corresponda àquilo que é o bocado que temos neste imenso latifúndio" defendeu Strecht Ribeiro, que entregará hoje a proposta à direcção da bancada parlamentar do PS.»
in DN
O Portugalinho – tão diferente em asfalto, em marinas, em hotéis, Allgarves e campos de golfe – mudou aparentemente muito sem, no entanto, mudar verdadeiramente. Continua a ser um país de cidadania amordaçada e de invejas pequeninas e na mão de meia dúzia que põe e dispõe conforme der mais jeito. Quando as coisas não correm de feição, a culpa é sempre do outro, o que lhe passou cheques carecas, o que lhe prometeu umas férias cinco estrelas pagas a prestações, os duzentos euros dos putos onde não podem mexer, que maçada!, o dos favorzinhos trocados por robalos, ou malas cheias de notas pequenas, ou lista de votantes que já moram a sete palmos abaixo, ou os sobrinhos da Suíça, ou os acordos selados a putas café com leite, ou as nomeações para assessores, ou as renomeações dos assessores, ou as reformas cardona e celestemente volumosas, ou os jeitinhos à lei para dar jeitinho aos filhos da lei do costume.
Seja como olhe e para onde olhe, os vampiros ainda aí estão. E os bufos sempre foram as suas armas, as melhores armas, porque toupeiras silenciosas, mesquinhas, fazendo da convivência e da proximidade a porta para os segredos a revelar. E a fomentar a inveja, que ninguém está livre de, um dia destes, alguém resolver acusá-lo de tudo e mais um biscate e, neste País de treta, cada vez é mais necessário provar-se a inocência do que a culpa, especialmente depois de insinuações entre aspas num qualquer pasquim.
E depois ainda vem um cromo falar de condomínios e propor que a inveja alastre entre vizinhos, que se comprou um carro novo é porque andou a roubar ou a dar o cu sem declarar às finanças, que publicar os devedores não bastou. Não, isto não é um condomínio, que já nem há quem lhe faça seguro. É um bairro de lata de alucinados, com propostas mirabolantes e ideias estapafúrdias, onde até querem promover a bufaria, o voyeurismo e a inveja a letra de lei. Depois, os que puderem dizem que é difamação ou que é censura. Todos os outros apanham com um big brother pelo cu acima, a ver se ficam caladinhos, enquanto comem uma espinha de sardinha.
Haja pachorra! E, foda-se!, porque é que não deixam que o gajo se demita? Não há por ai tanta prova provadinha de incompetência derramada por jornais, televisões, blogues e afins? Então qual é o mal? Se tantos se apressavam a demiti-lo se pudessem, porque têm agora tanto medo de se mandarem para os cornos do touro e tentarem (e eu já só pedia isso) fazer melhor?
2010-02-03
Meio-meio
aqui
2010-02-02
2010-02-01
Aqui d'El Rei!
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo
Aqui d'El Rei.
Zeca Afonso - Epígrafe para a arte de Furtar
2010-01-31
31 de Janeiro
aqui
(oh manhã distante e breve, de que já quase nada sobra da ousadia!)
2010-01-30
2010-01-29
2010-01-28
Põe-te em guarda
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Grande parte da investigação criminal faz-se para a comunicação social, com o intuito óbvio de criar artificialmente o alarme social necessário à aplicação de medidas de coacção mais severas e de condenações mais duras.
As violações cirúrgicas do segredo de justiça traduzem-se quase sempre em vantagens processuais para a acusação e em prejuízos para a defesa.
Em muitos casos os arguidos já chegam condenados à audiência de julgamento, sendo eles que têm de provar a sua inocência e não a acusação que tem de provar a sua culpabilidade.
A culpa necessária à condenação já fora previamente demonstrada na comunicação social, e de tal maneira, que ao julgador não resta outra alternativa que não condenar os arguidos, senão acaba ele mesmo condenado a preceito por certos órgãos de informação, através da já consagrada fórmula tabelar - «polícia prende, juiz solta».
António Marinho e Pinto
Bastonário da Ordem dos Advogados
2010-01-27
Il fumo saliva lento...
Son morto con altri cento, son morto ch' ero bambino,
passato per il camino e adesso sono nel vento e adesso sono nel vento....
Ad Auschwitz c'era la neve, il fumo saliva lento
nel freddo giorno d' inverno e adesso sono nel vento, adesso sono nel vento...
Ad Auschwitz tante persone, ma un solo grande silenzio:
è strano non riesco ancora a sorridere qui nel vento, a sorridere qui nel vento...
Vozes e outras vozes

O haloscan vai finar-se em Fevereiro e, por isso, finei com o halscan no blogue. Tentei salvar todos os comentários para a área de comentários do blogger e, com mais erro ou menos erro, mais duplicação ou menos duplicação, penso que consegui guardar tudo. Também fiz um "comment backup" para o caso de ter falhado alguma coisa, mas aquilo vem tudo desorganizado e não tenho tempo para andar a calcorrear cerca de 4500 comentários um a um.
Por qualquer lapso, ficam desde já as minhas desculpas. É que afinal o melhor deste blogue sempre aconteceu nas caixas de comentários e não queria mesmo perder nada do que por lá se passou nestes anos todos de partilha.
Quanto aos amigos que estavam habituados à caixinha pequenina e ágil, terão que habituar-se à janela chata e complicada, que não vos perdoo se, à conta disso, prescindirem de deixar rasto aqui no tasco. É que, a partir de hoje, só há vozes, que as outras vozes já se puseram na alheta.
2010-01-26
Dizem
dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
Al Berto - "Dizem que a paixão o conheceu"
2010-01-25
Avatar
aqui
2010-01-24
Que faríamos então?

(repost; mas só do texto)
2010-01-22
Carta de Marear
(Midnight Choir)
Love me just like tomorrow relentlessly long to exist
Love me with a touch of the sorrow
That burst open to disappear with the mist
2010-01-21
WTF!
2010-01-20
PDI
2010-01-18
Só isto
aqui
Não me interessa que me digam que o meu dinheiro vai ser desviado para os bolsos dos corruptos, ou que há mais militares do que médicos no terreno se a ajuda continuar a aparecer. Nem me importa sequer que me agridam violentamente com cada história com que se fabricam notícias e cada imagem a escorrer sangue. Ou que o que dei sirva para muito pouco. Ou que eu não seja mais do que uma gota. Mas sempre ouvi dizer que as gotas fazem um mar. E, quando damos, é também por nós que o fazemos. Quando estendemos a mão a quem sofre, é o nosso sofrimento que mitigamos, o desconforto de nos sabermos a salvo, da arbitrariedade que nos anula no sofrimento absurdo de outro humano tão parecido connosco, tão diferente na sorte. Por todo o cinismo que os anos colaram em mim, é também por isso que dou ainda. Para sentir que preservo a minha humanidade, que afinal o calejada que estou não impede que chore por gente que nunca vi, crianças que nunca abracei, velhos de quem não sei o nome. Se não estiver por eles hoje, quem estará um dia por mim?
Para lambareiros saudosistas
aqui
«A Imperial comprou a Regina, que entrou em falência em 1996, e relançou a marca na Páscoa de 2002.
O relançamento da Regina "foi um sucesso que ultrapassou todas as nossas expectativas", salienta a administradora da Imperial. "A Regina marcou muitas gerações. É uma das mais emblemáticas marcas de Portugal. Mesmo ausente do mercado seis anos, a Regina ficou sempre no imaginário dops portugueses".»
in, Expresso, 20/03/2009
Às vezes
Sometimes, Found at bee mp3 search engine
2010-01-17
Parabéns, Miguel!
2010-01-16
2010-01-15
2010-01-14
Exclusividade
aqui
2010-01-13
Haiti
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Se a imensidão do drama e o aumento exponencial de vítimas torna a hecatombe tão grande que não a conseguimos sequer imaginar, que se imagine então a dor calada nos silêncios defuntos e moribundos. Choremos com eles e por eles, mas que amanhã se faça alguma coisa para ajudar: que o preço de um pão, de um cigarro, de um café, encontre outro destino.
Simples
2010-01-12
Shhh...
Julia Thorne
2010-01-11
Votos

Aqui há tempos, espetei ali ao lado com uma coisa para os leitores que passam pelo Voz em Fuga dizerem se gostam ou não do blogue. Na verdade, a geringonça era suposto estar associada a cada post, para aferir como cada um dos textos era avaliado, mas dava-me cabo da estética da página e acabou por ir ficando só na lateral. Confesso que nunca lhe prestei grande atenção e, de vez em quando, lá dava conta que tinha tido mais um voto. Mas o estranho mesmo é que nunca me tinha apercebido que, se passasse com o rato ao lado das estrelinhas, aparecia um botãozito com a indicação dos posts mais votados. E espantoso mesmo é ver quais são os escolhidos, até porque sempre pensei que de alguma forma reflectissem as buscas que trazem até aqui incautos e, afinal, não têm nada a ver com a "best sex scene" ou com os "smiles eróticos".
Obrigada, gente! Eu também gosto daqueles dois textos.
(e descontem um voto, que era eu a ver se aquilo ainda funcionava)
1, 2, 3, diga lá outra vez
«Bento XVI enviou uma mensagem por videoconferência, apelando à defesa e promoção da família "baseada no casamento entre um homem e uma mulher".»
in, DN
O homem não fode nem sai de cima (tirando quando lhe saltam em cima umas malucas vestidas de vermelhinho para lhe combinar com os sapatos) e quer que os seus ministros façam o mesmo (excepto quando eles fogem com miúdas de 18 anos ou quando alguns explicam a PP que a pederastia afinal está em qualquer lado) e sai-se com coisas destas e espera que o pessoal não se ria da (das?) figura?
Pés gelados
aqui
Comprei umas palmilhas de cortiça, confiando no belo do produto nacional e, vai-se a ver, nem com palmilhas, nem com dois pares de meias, me safo: todo o santo dia os pés gelados e, senhores!, se os pés não aquecem, não há nada quente no corpito aqui da menina. As palmilhas, afinal, não sei se me convencem. Será que as meias para ski cabem nas botas? Duvido que consiga convencer alguém das vantagens de trabalhar de pantufas e botijinha de água quente. É que com o resto posso bem, mas o raio dos pés gelados…
(Oh Manel, tens alguma sugestão?)
2010-01-10
Filmes da década?
aqui
Que raio de listas são estas? É que mesmo expurgando o pedantismo mais do que evidente de algumas escolhas, ainda sobram muitas mais que não se entendem, especialmente pelas ausências. Na caixa de comentários, já alguém deu pela falta da trilogia de "O Senhor dos Anéis" (goste-se ou não, marcaram a década) e tantos mais que foram postos na borda do prato que, sinceramente, não chego a perceber o que será um filme digno de representar uma década. Resumindo-me aos que tiveram direito a ir aos Oscares (que já deixaram muita coisa boa de fora), onde estão por exemplo: Os Outros, Traffic - Ninguém sai ileso, O Pianista, Gangs de Nova Iorque, Mystic River, Sideways, Crash, Before Sunset, Good Night and Good Luck, Haverá Sangue, As Invasões Bárbaras, Infância Roubada, Monster’s Ball, Y tu mamá también, Hotel Rwanda, Corpse Bride ou O Fiel Jardineiro? E, sim, mesmo concordando com algumas escolhas e por isso não os referindo aqui, até a minha listinha é manhosa e incompleta. Mas eu não sou crítica de cinema.
Tempos pornográficos
aqui
Da mesma forma que, num repetente, todos viraram defensores das virtudes de crianças pré-adolescentes serem confrontadas com a origem do mundo segundo um pintor oitocentista ou se gritou censura porque num corso carnavalesco alguém não quis ver mulheres nuas, também se criticam fotografias de orgasmos em exposição. Não, nunca será por puritanismo. Isso não! Só não consigo perceber muito bem porquê. Será por o modelo não lhes cair no goto? Ou se for lá um polícia fechar a exposição e uma delegada do MP mandar retirar as fotos já vão todos correr a defender a "obra de arte"?
2010-01-09
2010-01-08
Tico, acorda o Teco!
.
«A deputada do PSD Teresa Morais defendeu hoje que a união civil registada entre homossexuais seria uma solução “equilibrada e tolerante”, e que o instituto casamento deve manter a identidade enquanto união entre homem e mulher.»
in, Público
(*)voltar ao tema não tem nada a ver com o facto de ser tão teimosa como uma mula quando se trata de defender coisas em que acredito, obviamente.
2010-01-07
Do casamento
.
«Que eu saiba, o casamento vive dias difíceis de atractividade ao comum dos mortais - a mim, por exemplo - apenas por culpa de quem desde sempre teve o seu exclusivo. Que tal dar oportunidade a outros? Pode ser que o salvem.»
Bernardo Pires de Lima
2010-01-06
Da tolerância
aqui
Todos os modelos de organização contêm dimensões de exclusão. E, em certa medida, atrevo-me a dizer que o grau evolutivo de determinada sociedade se mede também pelo seu grau de tolerância ao diferente, ainda que a tolerância implique implicitamente uma relação de desigualdade, havendo um agente activo que tolera e um agente passivo a quem cabe ser tolerado. No limite, se houvesse igualdade real de direitos e deveres entre partes, a tolerância passaria a ser um conceito vão. E, ainda assim, não será bem mais frutífero aceitar (e tolerar) uma qualquer forma de discriminação positiva que concede, mesmo que a contragosto, direitos iguais para quem é (ainda) visto como diferente da norma-padrão? E porque será que um conceito – o casamento, para o caso – se transforma numa forma de exclusão simplificada, quando se aceita que se reúna – desde que sob outro nome – toda uma panóplia de direitos e deveres sob uma qualquer forma de contrato, mas intolerantemente se espera que se brinque com conceitos, arranjando novas denominações para uma realidade que, se a tolerância o permitir e os interesses instalados autorizaram, passará a ser exactamente a mesma coisa? Não chego a perceber como casamento passou, de conceito que casa, a conceito que separa, por mais fundamentação aparentemente racional e tolerante que aceita que se chame união, mas não permite que se chame casamento.
Teoria dos jogos
2010-01-05
Para o ano, não há!
aqui
Uma miúda é simpática e coisa e tal e manda mensagens de Feliz 2010 para os números dos amigos que guarda religiosamente e transporta de telemóvel em telemóvel ainda mais religiosamente, para descobrir que a) o nosso número foi apagado; b) que telefonar também não é boa ideia, que ao fim de 10 minutos de conversa ainda não identificaram a miúda simpática, que manda mensagens e coisa assim.
O rochedo ainda rola
.
«Deixo Sísifo no sopé da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Esse universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si só um mundo. A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.»
Albert Camus, O Mito de Sísifo
2010-01-04
2010-01-03
2010-01-02
Luz
aqui
Gosto de olhar o céu ponteado de luz. Sabê-la distante. Sonhar um dia em que as distâncias sejam transponíveis num suave piscar, em que o tempo e o espaço se curvem a nosso favor. Imaginar que há mundos paralelos. Pensar em buracos negros como caminhos, em lugar de sorvedouros sem fim. Pensar a hipótese de outras rotas, descobrimentos sem encobrimentos das verdades, viagens ancoradas em astróides, encontrar a medida certa para um espaço sem fim, ou curvo, ou em expansão, ou em regressão. Imaginar o estrondo silencioso de todos os big bangs iniciais e a velhice brilhante de luzes que, às tantas, já se extinguiram. E gosto de imaginar que, lá longe, há uma hipótese de vida.
2010-01-01
... do resto da tua vida
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
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