2009-01-31

Vozes de outros blogues

Um problema de auto-estima muito, mesmo muito, bem caracterizado. Para ler, rir, e pensar.

Why can't we look the other way?


- Todos temos de ter uma boa auto-estima!
- Boa ideia. E onde é que se arranja uma boa auto-estima?
- Isso não é uma coisa que se arranje na loja dos chineses!
- Pois, não se arranja na loja dos chineses....

Querido Diário:
Estou à duas horas perdido no Amoreiras entre lojas finas mas até agora nada. Sempre que pergunto se tem uma boa auto-estima em saldo ou a preço aceitável, tudo o que recebo em troca é um redondo "NÃO" e um olhar de desprezo. A excepção foi uma menina simpática, que me confessou ser o seu primeiro dia, que ainda tentou ir ver "lá atrás", na colecção do ano passado, mas sem sucesso. Devo estar demodê...

Banda Sonora
Dr Blind, Emily Haines

2009-01-30

O X ainda marca o lugar


aqui

Dou de barato que os gajos são melhores do que as gajas nas tretas espaciais. Da mesma maneira que acredito piamente que não são melhores do que as mulheres em muito mais. Mas, pronto, quando mete mapas – e eu nem tenho mau sentido de orientação, sendo até bem melhor do que o de muitos gajos que conheço – um gajo que é gajo sabe os quelhos e as mulheres conhecem as avenidas.

Dito isto, tenho também a informar que acho a sinalética nas estradas no que diz respeito a Lisboa do mais pífia que há: foi feita para quem já conhece e está-se a cagar para quem chega de fora. Ora, ao contrário do que muito alfacinha – de gema ou aculturado – possa supor, há gente neste País que está muito pouco interessada em conhecer Lisboa. Aterra por lá de pára-quedas de quando em vez, ou por afazeres profissionais a que não se consegue baldar, ou porque caiu na asneira de gostar e ter a mania de visitar uns quantos amigos que não tiveram o bom gosto de fazerem vida a norte do Mondego.

Ora, uma mulher do Norte, se não se precavesse, ao ter de ir para o meio de Alcântara – ou lá perto – só a fiar-se nas placas de trânsito, o mais certo era acabar em Almada, que assim como assim também começa por "a" e pelo menos faz mais sentido do que saber que por aquelas bandas há uma pontinha que não há maneira de se abeirar à buraca.

No entretanto, já se pôs a irmã mais velha a tentar conseguir indicações mais ou menos precisas de como chegar ao tal sítio buscado. E a irmã, como se pode calcular, faz como todas as irmãs mais velhas e tenta salvar a "baby sister" do terror, da ignomínia, do martírio, de se ver perdida entre cril, crel, eixo para cima e para baixo, sul, norte, leste, oeste, ponte (mas só ponte para baralhar, que mesmo que sejam uns tristes em termos de pontes, que eu saiba há mais do que uma e ninguém devia ser obrigado a adivinhar) e mais a Buraca e a Pontinha e o caralhinho que não está no mapa mas deve estar na cabeça de quem pensou as placas.

Telefonei primeiro a uma miúda, aquela que eu achei que se situava normalmente o mais perto de Alcântara, ainda que pudesse estar enganada, que eu nessa terra só mesmo pela beira rio e, mesmo assim, mal me entendo. Pois não correu bem! De Google Maps e Michelin ainda podia ser que fosse, mas já não dava era tempo, que a cria já estava a caminho. Em desespero de causa pensa-se: telefone-se a um homem. E telefonei. Seguiram as indicações à confiança – que eu confio nos amigos – e fiquei descansada.

Soube agora que tal tinha corrido a viagem: pois que comprou um TomTom antes de sair do Porto porque podia não conseguir seguir as indicações; e que o TomTom é uma maravilha, que chegou lá sem problemas. Já agora, que eu podia dizer ao amigo que ele é tão bom como o TomTom, que para a próxima nem era preciso GPS. Tão bom como o GPS? Ena! É o que é: gajos e mapas. E nós e eles. É que uma gaja acaba obrigada a reconhecer-lhes valia, mas à confiança compra um TomTom.

A carta anónima

«Zeferino Boal, militante do CDS/PP e candidato à presidência da Câmara de Alcochete nas últimas eleições autárquicas, é o autor da denúncia anónima que originou a investigação da Polícia Judiciária (PJ) em volta do caso Freeport, em 2004. José Sócrates é apontado neste processo como estando envolvido na alteração, em 2002, da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPE), enquanto ministro do Ambiente, permitindo a construção daquele empreendimento de Alcochete. Em troca, o PS teria recebido dinheiro para subsidiar a campanha eleitoral para as legislativas daquele ano.»

DN, 25-04-2007


«Os alegados factos que a Polícia inglesa utiliza para colocar sob investigação cidadãos portugueses são aqueles que lhe foram transmitidos em 2005 com base numa denúncia anónima, numa fase embrionária da investigação, contendo hipóteses que até hoje não foi possível confirmar, pelo que não há suspeitas fundadas.»

PGR, 29-01-2009



Devo ser eu, que venho de uma família que se deu muito mal com o hábito de antigamente de bufar à boca pequena – em troca de uns cobres ou uns favorzinhos – verdades e mentiras que faziam e desfaziam vidas, com visitas às celas da polícia política à mistura e demasiadas dores de cabeça pelo meio. Ganhei aversão a bufos. E aprendi que a memória não pode ser pequena.

Em relação a este caso concreto, devo estar muito confundida; ou dou-me mesmo muito mal com esta mania de ter memória, ou então devo ser muito burra. É que não chego a entender porque continuam a chamar anónima à carta quando já se provou quem a escreveu.(*)

É que estamos a falar da mesma carta, certo? Ou nas vésperas das anteriores eleições houve não um, mas dois bufos, a contarem a mesma história? É que Boal até foi ilibado de tentar incriminar José Sócrates, pelo que deve haver ali mais qualquer coisa na tal "campanhazinha negra" que agora já se admite.




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(*)Admito que já não me lembrava do nome do homem, mas uma pequena busca no Google resolveu a coisa. Este Google é mesmo um excelente auxiliar de memória para quem o quer usar!

2009-01-29

Fedor


aqui


A política há muito que passou de ser praticada (não digo feita, apesar de tudo...) por um punhado de gentalha cheia de técnica e manhas. Já não é vocação; é um trabalho bem pago, com muitos trabalhinhos por fora. Talvez devido à alternância, isso é especialmente evidente entre os actuais tecnocratas prontos para o poleiro dos dois maiores partidos. Mas para os lados nada me parece muito melhor. E irrita-me profundamente o cheiro a putas velhas que tudo lança, das madamas escondidas nas sombras a contar as notas e a puxar os cordelinhos. Ou o cheiro que vem do caldeirão decrépito e enfezado, onde uns fósseis com gravata (se mais à direita) ou sem gravata (se mais à esquerda) dizem que zelam pelos interesses dos trabalhadores, quando não sabem o que é picar o ponto há décadas. Ou o excesso de zelo em fazer o jeito ao patrãozinho dos fabricadores de notícia (não lhes chamo jornalistas, claro, porque duvido que a maioria tenha competência para tanto e também ali já quase não há vocação). Como nauseia o bedum que se desprende da manhosice de uma certa oligarquia do pilim ou do tijolo, de bolsos fartos para promover campanhas e mão aberta para cobrar favores. Ou a pestilência organizada de jogos semi-secretos, em opus daqui e dali e todas as outras tramas emaranhas com origem num trono onde ultimamente se senta um calhau, contra (quando interessa) os interesses dos que um dia se disseram livres para esculpir a pedra bruta. Como depois há os caciquismos vários, com a dimensão e cheiro equivalente ao tamanho do bolso que os comanda, metendo o dedo onde podem arrancar tostão, cobrando bem caro qualquer assinatura que desate os laços que enlaçam o povinho. Ou as negociatas regadas a álcool, drogas e sexo. E alombam sempre em cima do povinho e o povinho paga. São uma praga imunda, que alastra. Rodam votos, rodam cabeças, fica sempre o mesmo fedor. E não há maneira do País (e do povinho acossado e espoliado) conseguir livrar-se dos chulos, até porque chulos há muitos e, como sempre, há os que se ficam pelas ruas bem visíveis e os que se escondem nos gabinetes. E a verdade é que isto tresanda. Tudo tresanda. E não é fado nem resignação. É poeira, cortina de fumo. O que importa jamais será revelado: queimaria como incêndio de verão, sem poupar nada que lhe aparecesse pela frente. E por isso mesmo não arde: são todos bombeiros em casa alheia, sempre que lhes cheira que podem ficar sem parte da ração, mesmo que se armem em pirómanos em ano de eleições.

Chuva ainda





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Chuva


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Em (mais) um dia de chuva, acordei a cantarolar. Cheguei ao fim do dia com poucas notas a sobrarem, mas isso já é outra história. Amanhã é sexta e, só isso, já nos faz apetecer música. Antiga, de preferência. Ando muito bota-de-elástico.




(não penses que és só tu que tens uma musiquinha contra a crise, Fabulosa)

2009-01-27

Faça da sua mente uma eterna Primavera!

Bem sei que hoje já é terça e já está toda a gente na semana como carros numa auto-estrada, mas apeteceu-me partilhar esta recente descoberta. Bem sei que têm coisas importantes em que pensar, a crise, como é que o Obama nos vai safar desta, quando é que vamos ter um Governo honesto, sei lá, quando é que este país anda para a frente! E também sei que é final do mês e há sempre aquelas preocupações com o empréstimo, o carro, as contas..... STOP!
Vá, parem só um bocadinho. Isso. Agora inspirem fundo e pensem que tudo se vai resolver... Isso...

Faça da sua mente uma eterna Primavera
Deixe florir sempre sua mente de Primavera
Faça da sua mente uma eterna Primavera
Faça da vida uma Primavera iluminada

- Adriana Mezzadri -

2009-01-26

Que grande bota!



Estou aqui há tempos à espera de ver quem iria ser o 150 000º visitante do Voz em Fuga e ao que vinha. Entretida numa conversa com bolinha ali em baixo com o João G. esperava que fosse alguém perdido atrás do "sexo explícito" ou do "clitóris grande", como de costume. Afinal, saiu-me algum brasileiro atrás do Gato das Botas. Esta não pensei eu que fosse ter de descalçar, lol!

Post com bolinha


aqui

Um homem diz de uma mulher que a come, ou que a comia. E deixamos que digam assim. No entanto, há no gesto masculino apenas a investida. Chegando a mulher a recebê-lo, não é a vulva uma boca de lábios grossos, gulosos, que engole carne dura para depois deitar fora os restos?

2009-01-25

Quinze


aqui


A Maria Árvore desafia o Voz (como sou a fundadora, vão os meus, lol, mas há lugar para mais posts, Fabulosa) a pôr aqui 15 blogues de que gosto mesmo, em mais uma corrente que parece que teve início aqui.

É sempre bom sabermos que somos gostáveis e que alguém se lembra de nós. No entanto, esta treta de ter limite é sempre injusta, por isso e sem ordem cá vão quinze, com a ressalva que, mesmo sem tempo, há sempre pelo menos outros tantos de que não prescindo:

De blogue, 5 anos


Ao Sonho e às curvas da vida onde nos haveremos de encontrar...

27-12-2001



A minha amiga Vanus despediu-se assim de mim há já muito tempo atrás, quando parecia que estávamos a pôr um fim em qualquer coisa muito especial. Provou-se que, afinal, não era fim algum e que havia ainda muitas curvas mesmo, tantas que nos trouxeram até aqui hoje, o dia em que festejo com ela cinco anos de blogue.


(Uns tempos depois, sai de casa dela a jurar que nunca abriria um blogue e, nem umas horas depois, havia o Voz em Fuga. Já vos tinha dito que a culpa é dela? Deve ser das curvas...)

2009-01-23

(...)



Aqui entre nós, não seria melhor o Paulo Portas optar logo pelo capachinho ou, quem sabe, por uma mudança rápida de barbeiro? É que aquele cabelo com que se apresentou à Judite de Sousa não lembra mesmo a ninguém, pá!


(e, sim, neste momento apenas comento o cabelo do Portas; o homem e as suas ideias não me merecem qualquer atenção e nem entendo porque insiste que tem direito a atenção alguma)

2009-01-21

People Are Strange



(Há dias em que isso me sabe bem)




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Pronto, eu explico: para além das conversas óbvias, dou uma volta e descubro a Rosarinho às voltas com a loucura, o Ivar a falar das Brancas de Neve de hoje, o Tozé de castanhas, o Miguel prefere fazer referência a vacas açorianas, ao deu-lhe para a política, a I exaspera com a religião e os améns, o Espumante perde um guarda-chuva a que chama chapéu, a Emiele descobre que no Japão se alugam gatos para afagar o bicho (e parece que não há chulos à mistura), o Dragão receita merda, a Maria Árvore inspecciona a distribuição da melanina e o Patologista fotografa mel e pensa em surrealismo.

E ainda nem acabei de dar a volta, lol.

Vozes de outros blogues

Afinal os brasileiros estão tão aflitos quanto nós... Ehehehe!

2009-01-20

1/20


aqui

Nem de propósito



Vejo anunciado para amanhã na RTP o Taking Lives. Digam-me: isto é ou não cena pensada por um gajo? Lá vão eles por ali fora - ela de maminha bem à mostra, claro - e ele nem sequer tira o casaco, quanto mais as calças!

Viva o banhito do Jackman no Austrália!

2009-01-19

Austrália


aqui

Ia preparada para o pior, admito. Até tomei café antes e tudo, que uma estucha de três horas era bem capaz de dar cabo do resto da noite e, depois do ronco, podia já não dar vontade de ir a outro lado. Não que depois tivesse corrido bem, mas nessa altura não sabia e como tinha enchido bem a barriga de rodízio à brasileira, o café – também era só o que ainda cabia – foi à guisa de prevenção, que à noite e com já uns 5 ou 6 cimbalinos no bucho, sou mocinha para se dedicar ao horrível descafeinado só para não ficar com o gosto da comida na boca.

Mas como estava a dizer, fui prevenida e preparei-me para o pior. O pior, comparativamente, seria o pavoroso, indecentemente mau The Day the Earth Stood Still. Ai sim, tinha-me parado tudo e ainda choro o dinheiro do bilhete. De qualquer forma, o Jackman é mais papável do que o Reeves e ainda não lhe passou mais do que um corta-relva pelo peito o que, convenhamos, começa a ser caso raro lá para as bandas de Hollywood. As modas, afinal, não chegam ao mesmo tempo a todo o lado e, no outback e com um look à Terence Hill também não me parecia lá muito bem se o homem surgisse completamente depenado. Benza-os-deuses que aparece muito compostinho. Muito, muito compostinho. A cena do banhito, então, é do melhor, não num sentido de grande cena de cinema, mas pelo menos no sentido de grande cena de agora-comia-te-todo-e-ainda-lambia-os-beiços. Sim, que pelo menos nestas coisas as gajas andam agora muito mais bem servidas de cena erótica que lhes agrada realmente e onde o gajo não tem apenas que montar a gaja ainda vestido enquanto ela geme e mostra bem as mamas.

Pois foi assim que não adormeci. E também não tive vontade. E mais verdade é que o filme tem uma historinha que benza-os-deuses não lembra a ninguém. E também não chego a entender porque não acabaram a coisa quando o puto meteu a última vaca no navio. Estava ali um rico filme pipoca, se se tivesse quedado por lá, sem grandes pretensões mas com acção q.b. e o Jackman já tinha tomado banho. O problema é que o filme não acaba nas vacas e resolve inventar mais um bocadinho. E espalha-se ao comprido, mas ainda assim não é para dormir. Com tanta crítica a dar em cima, temi mesmo pelo pior. É mauzito, sim senhores. Mas há por ai coisas bem piores.

Ainda não foi desta que bati o ronco que tirei no Broken Arrow.

A morte faz-nos pensar

Bem sei que hoje é segunda e o assunto do momento é o Obama. Não quero estragar a onda, nem a vossa segunda, ainda assim o tema que me impulsionou a escrever é o do título.

Sempre que algum familiar ou alguém que conhecemos morre, não podemos deixar de questionar a existência, nossa, dos outros, do que nos rodeia.
Há não muitas semanas atrás faleceu um familiar meu e durante uns dias não pensava noutra coisa senão nisto: estarei a aproveitar bem a vida? Isso aconteceu porque achei que a pessoa em questão, mesmo dentro das dificuldades que passou, poderia ter tido uma vida melhor em vários aspectos. E para isso bastava ter sido mais... “flexível”.

Crenças religiosas e outras que tais à parte, só temos a certeza duma coisa, isto: há Aqui e Agora, há aquilo que vemos e conhecemos. Se é só isto, então há que aproveitar o melhor cada minutinho que passa. Infelizmente nem sempre é possível. Perdemo-nos muitas vezes em coisas e situações sem importância. Complicamos. E perdemos tempo. Tempo precioso de vida.

A morte faz-nos pensar, pois sabemos que se há coisa que nos está destinada é esse fim. Não sabemos como, nem quando, só sabemos que um dia deixaremos de existir.
Para onde vamos? Não sei... No meu caso, não acreditando em Deus, não acreditando em Céu ou Inferno, penso que aquilo que nos anima o corpo talvez seja energia. Sim, talvez... Talvez essa coisa chamada alma não seja mais do que uma energia que se dilui no Universo quando partimos... Talvez todos nós sejamos um pedacinho de energia universal, uma dádiva... Ou, talvez o melhor seja nem pensar muito nisso!

2009-01-18

Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes
que me acontecia
eu esperava por ti, tu não vinhas
tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
tardando-lhe o beijo, mordia
quando à boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhamos tardamos no beijo
que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz
que morria
em nós dois nessa tarde em que tanto
tardaste o sol amanhecia
era tarde de mais para haver outra noite
para haver outro dia.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silencios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa
De fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram.

Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto.


Estrela da Tarde, cantada por Liana


(José Carlos Ary dos Santos morreu em Lisboa, a 18 de Janeiro de 1984)