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Dou de barato que os gajos são melhores do que as gajas nas tretas espaciais. Da mesma maneira que acredito piamente que não são melhores do que as mulheres em muito mais. Mas, pronto, quando mete mapas – e eu nem tenho mau sentido de orientação, sendo até bem melhor do que o de muitos gajos que conheço – um gajo que é gajo sabe os quelhos e as mulheres conhecem as avenidas.
Dito isto, tenho também a informar que acho a sinalética nas estradas no que diz respeito a Lisboa do mais pífia que há: foi feita para quem já conhece e está-se a cagar para quem chega de fora. Ora, ao contrário do que muito alfacinha – de gema ou aculturado – possa supor, há gente neste País que está muito pouco interessada em conhecer Lisboa. Aterra por lá de pára-quedas de quando em vez, ou por afazeres profissionais a que não se consegue baldar, ou porque caiu na asneira de gostar e ter a mania de visitar uns quantos amigos que não tiveram o bom gosto de fazerem vida a norte do Mondego.
Ora, uma mulher do Norte, se não se precavesse, ao ter de ir para o meio de Alcântara – ou lá perto – só a fiar-se nas placas de trânsito, o mais certo era acabar em Almada, que assim como assim também começa por "a" e pelo menos faz mais sentido do que saber que por aquelas bandas há uma pontinha que não há maneira de se abeirar à buraca.
No entretanto, já se pôs a irmã mais velha a tentar conseguir indicações mais ou menos precisas de como chegar ao tal sítio buscado. E a irmã, como se pode calcular, faz como todas as irmãs mais velhas e tenta salvar a "baby sister" do terror, da ignomínia, do martírio, de se ver perdida entre cril, crel, eixo para cima e para baixo, sul, norte, leste, oeste, ponte (mas só ponte para baralhar, que mesmo que sejam uns tristes em termos de pontes, que eu saiba há mais do que uma e ninguém devia ser obrigado a adivinhar) e mais a Buraca e a Pontinha e o caralhinho que não está no mapa mas deve estar na cabeça de quem pensou as placas.
Telefonei primeiro a uma miúda, aquela que eu achei que se situava normalmente o mais perto de Alcântara, ainda que pudesse estar enganada, que eu nessa terra só mesmo pela beira rio e, mesmo assim, mal me entendo. Pois não correu bem! De Google Maps e Michelin ainda podia ser que fosse, mas já não dava era tempo, que a cria já estava a caminho. Em desespero de causa pensa-se: telefone-se a um homem. E telefonei. Seguiram as indicações à confiança – que eu confio nos amigos – e fiquei descansada.
Soube agora que tal tinha corrido a viagem: pois que comprou um TomTom antes de sair do Porto porque podia não conseguir seguir as indicações; e que o TomTom é uma maravilha, que chegou lá sem problemas. Já agora, que eu podia dizer ao amigo que ele é tão bom como o TomTom, que para a próxima nem era preciso GPS. Tão bom como o GPS? Ena! É o que é: gajos e mapas. E nós e eles. É que uma gaja acaba obrigada a reconhecer-lhes valia, mas à confiança compra um TomTom.