Existe um medo antigo, profundamente feminino, que nenhuma terapia consegue erradicar: chegar a um sítio e encontrar outra mulher vestida exatamente igual.
É o horror doméstico por excelência. Um atentado à individualidade. Uma afronta cósmica.
A mulher da fotografia foi mais longe.
Não encontrou outra mulher vestida igual. Encontrou a mesa.
E agora está ali, perfeitamente integrada na decoração, num grau de fusão com o ambiente que a maioria de nós jamais alcançará. Não é uma convidada. É parte do serviço. Uma extensão da toalha. O xadrez vermelho transformado em gente.
Preside ao almoço com uma dignidade que, convenhamos, dificilmente fazia parte do plano.
Há quem passe uma vida inteira à procura de um lugar onde se sinta em casa.
Ela conseguiu.
Acidentalmente.
Num churrasco.
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