2005-03-31

Afagando o ego





You Are a Pundit Blogger!



Your blog is smart, insightful, and always a quality read.
Truly appreciated by many, surpassed by only a few
.





Talvez isto me ponha de melhor humor :)

(Juro que me limitei a responder com sinceridade às perguntinhas!)

Primavera


Primavera


For The Love Of Life
For The Love Of Life
In The Light Of Life
In The Love Of Light
And The Strong Survive
For The Love Of Life
And The Strong Will Rise
In The Endless Light
For The Blood Of Life
For The Love Of Life
In The Bloodless Light
For The Love Of Light
In The Blood Is Light
In The Light Is Life
For The Love Of Life
For The Love Of Life

In The Endless Light
In The Blood Of Life
Now The Strong Will Rise
For The Love Of Light
In The Bloodless Light
Now The Strong Survive
For The Love Of Life
For The Blood Of Life
And The Heavens Come
For The Strongest Ones
In A Universe
Made Of Blood And Love
In The Blood Is Light
In The Light Is Life
For The Love Of Life
For The Love Of Life

Swans - Love of Life



Pelo que disse ali na caixa de comentários abaixo, penso que todos saberão que hoje ainda não me apetece responder-vos. Ou melhor, apetecia-me ter vontade de vos responder, mas, na realidade, só me apetece ir dormir.

Quem me conhece, sabe bem que não gosto de sobrecarregar os outros com os meus problemas. E talvez não tenha sido boa ideia fazer da Voz um "saco de boxe" (desculpa o roubo, Azulinha). Mas precisava escrever. Escrever muito mais para mim do que para os outros. Para alinhavar ideias.

Estou por aqui e tenho lido tudo. Só não me apetece o diálogo. Bem sei que é egoísmo e, por isso, peço desculpas.

Vou virar-me do avesso, como faço sempre. Interiorizar, pesar, retemperar. Depois volto aos diálogos. Para já estou a precisar deste silêncio. Não me levem a mal a falta de cortesia de tanto comentário simpático que deixei sem resposta.

Soube-me bem ler-vos. Obrigada!

Até amanhã.

(a ver se é só mais este até amanhã...)

2005-03-30

Culto dos Mortos

Às vezes penso nos suicidas e em como, algures antes de todo o tempo, antes de toda a história, antes mesmo de ser eu, também desejei ter uma lápide nesse céu, mas não tinha arma, nem engenho, nem a vontade certa.

No céu dos suicidas


Hoje vi a primeira andorinha. Fez um voo rasante sobre o vidro da frente do carro e seguiu. Ainda lhe estou a ver o veludo negro das asas e o eterno peitilho branco. E lembrei-me, por vários motivos, da voz do Carlos do Carmo a cantar que, por morrer uma andorinha, não acaba a Primavera.

Mas, pelo menos no que toca a mim, este início de Primavera parece ter sido escolhido para várias partidas. Como se, depois de resistirem a este Inverno tão gelado e seco, se lembrassem de partir com as primeiras chuvas. Já conto três... E quase me sinto vestida de branco e negro, como se fossem essas as cores que esta Primavera me calhou trazer. E Maio ainda nem chegou...

Depois, venho até aqui... E eu, que não acredito no além, em vida depois da morte, em encarnações ou reencarnações, ainda encontrei a Duende ali em baixo a questionar o culto dos mortos.

Concordando com ela em parte, porque os ritos são para os vivos e não para os que partem, como são as flores e são as preces, como as lágrimas servem para lavar apenas o nó que nos amordaça a dor e a consome em traqueias atrofiadas, penso que discordo num sentido mais geral.

É que, para mim, a eternidade possível passa exactamente por esse pequeno culto dos mortos que, cada um de nós, pode fazer à sua maneira: lembrando.

O meu culto dos mortos é exactamente esse: preservar na memória cada momento, cada instante precioso, de todos os que amei e já não tenho. Agarro-me firmemente, teimosamente, à ideia de que, enquanto formos vivos na memória de alguém, então não morremos de facto. Porque ainda não nos deixaram partir. Porque eu não sei deixar partir essas memórias.

Um dia cobraram-me uma vida. A minha vida. Fizeram-me prometer que iria sempre tentar viver com todas as minhas forças. Por mim e por quem me cobrava tal promessa. E eu prometi e tenho essa dívida para carregar, qual espada sobre a minha cabeça, até hoje, provavelmente até ao fim dos meus dias. E, se não tenho grande empenho em pagar a maior parte das dívidas que a vida me vai apresentando, esta assumo como uma dívida de honra. E vivo. Melhor ou pior, mas vivo.

Mesmo tendo sentido já tanta vez a vida como um fardo, porque há memórias preciosas e porque há promessas que têm mesmo de ser cumpridas, não me resta senão viver. Viver e lembrar. Para afugentar todos as finitudes e qualquer degredo do esquecimento. Para ver chegar a primeira andorinha, mesmo que a veja sempre trajada de luto.

E hoje fico por aqui, que não estou boa companhia para ninguém, nem sequer para mim. Amanhã respondo a todos. Já vos li. Só não tenho em mim capacidade para escrever mais do que isto hoje.

Até amanhã.

Sem desculpas



Não lhe falava desde o Natal de 2003. Uma vergonha!

E também por vergonha não lhe falava. Porque não há razão que desculpe a sem razão de algumas palavras engatilhadas em fúria, disparadas sem dó.

Agora não sei o que dizer...

Talvez dizer apenas que, por vezes, não basta só pedir desculpas. Porque essas até podem ter sido pedidas. Nem basta sermos desculpados. Como não basta sequer o afastamento, o deixar que a vida siga o seu curso, que cada um siga o seu caminho.

A mim não basta. Não basta esta certeza que já não há mais tempo para dizer um simples olá; não basta aquietar a consciência pelas soluções encontradas; não basta fingir que não me atingiu.

A morte fez-me voltar para dentro de mim mais uma vez, para pesar o bom e o mau, para me deixar como um céu coberto de nuvens cinzentas que ameaçam o aguaceiro que nunca mais virá.

Sabia que estava doente. Sabia o seu e-mail. Deixei o tempo passar, achando que haveria sempre tempo. E nunca há...




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2005-03-29


Aguaceiro Posted by Hello

Anjos Caídos

(...)
Têm todos os anjos

o vício:

da queda?



Maria Teresa Horta – Os Anjos I



Irrita-me a perfeição. Deve ser por isso que gosto da ideia de anjos caídos, anjos falíveis, anjos enxovalhados pelos vícios do prazer.

Mas gosto tanto de anjos...


...

E, se ofereci um anjo à minha irmã, este é para mim...


2005-03-28

Parabéns, mana!


Estrelas Posted by Hello


Fossemos infinitos
Tudo mudaria
Como somos finitos
Muito permanece.


Bertold Brecht - Se Fossemos Infinitos


Uma das coisas que mais me assusta, é a forma como te tomo por garantida – e garantia – na minha vida...

E se me faltas?

Iupi!!!!!!





Não podia deixar de me juntar à festa...



Parabéns, Zu!

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2005-03-27

Banho (ou o novo desafio)

Lembrei-me do conselho da minha tia Clara, "atende sempre a porta com a carteira pendurada no braço: se for algum chato, dizes olha que pena, vou já sair!; se for algum amigo, largas a carteira e dizes: olha que bom, cheguei agora mesmo!"

Alice Vieira – Bica Escaldada


Ela andava para trás e para a frente a preparar as coisas para o banho mais do que merecido no final de mais um dia de trabalho. Abria gavetas, fechava gavetas, punha tudo à mão enquanto a banheira ia enchendo de água bem quente.

Estava cansada. Tensa. Os dias às vezes podem ser muito complicados. Sozinha em casa, sabia que só aquele banho poderia fazer o milagre de a deixar relaxada o suficiente para descansar umas horas. Depois, logo se via o que lhe apetecia fazer...

Desligou o telemóvel. Não havia nada que a irritasse mais do que ser interrompida durante o seu ritual do banho. E parecia que todos tinham a pontaria para telefonar exactamente no momento em que o corpo dela acabava de mergulhar na água. Dessa vez, estava prevenida, obrigando o aparelho ao silêncio que se impunha.

Mas, nesse dia, já com um pé dentro da banheira, não foi o telemóvel que tocou. Foi a porta. Ainda pensou recusar a resposta, mas a curiosidade, a preocupação também, não lhe permitiriam deixar de espreitar para ver quem desta forma interrompia o seu retiro.

Vestiu um robe às três pancadas sobre o corpo já despido e foi à porta ver quem seria. Uma porta como deve ser, claro, blindada, que permite abrir apenas uma nesga atrás da qual o corpo se esconde e apenas um par de olhos se torna perceptível.

Do lado de fora, estava a visita inesperada, ainda que esperada tanta vez. Vinha ainda mais charmoso do que ela o recordava, mais sorridente e bem disposto, mais perfumado. E ela ficou ali, pasmada, sem saber o que dizer. O conselho da Alice Vieira parecia-lhe inapropriado, mas um "lavas-me as costas" também estava muito fora de contexto.

Ficou para ali sem saber o que dizer, para além do breve olá. E agora? Por momentos, voltou a ser adolescente, as frases e as palavras todas enroladas, não saia nada de congruente, nem decente, muito menos indecente o suficiente para pôr logo ali os argumentos às claras.

Então, abriu a porta, o robe ligeiramente descaído, e deixou que ele inventasse o que dizer...



banho



E cá está! Este é o novo desafio. Contem-me o que vem a seguir.

Afinal, que vai ele dizer?




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(a data do post foi mesmo aldrabada, mas amanhã não vai dar tempo para postar)




2005-03-26

Baptismos



Tenho um casamento amanhã. Um casamento religioso, que também será dia de baptismo de duas crianças. E sentimentos contraditórios sobre o assunto. Porque são as primeiras duas crianças da minha família a serem baptizadas em três gerações. Porque, se morassem na cidade grande, passavam despercebidas. Porque ainda há terras neste Portugal que discriminam crianças a propósito da religião...

Sei bem que um bocado de água na cabeça não lhes fará nunca qualquer mal. Mas não gosto da imposição que leio no acto. E agora eu vou para o cabeleireiro – coisa que odeio, já que não suporto que me mexam na cabeça – tentar pôr um ar menos despenteado e esperar que toda a água que, no entretanto, vai caindo do céu, não estrague as possibilidades de chegar com um ar composto ao Ribatejo...

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imagem aqui

2005-03-25

Páscoa II

Descending then ascending, the fall then the call
Climb ever upward to join the world once more
See the serpents rising, angels on a chain
Come to meet together, come to make their claim
Black Easter

Hear the chants of old powers, the weak fall on their swords
Nature is above all morals, destiny a shameless whore
Fallen angels, like black flowers, bloom and are ripe
Gather round the lords and princes, bringer of a promised light
Black Easter...


Sol Invictus – Black Easter



Tanta gente já me desejou boa Páscoa e já desejei boa Páscoa a tanta gente que até de mim mesma omito o sem significado que encontro na expressão. Talvez por não ser Católica, por não ter interiorizado nada do catecismo.

Antes de continuar, talvez seja melhor explicar que sou agnóstica. E nem o sou apenas por escolha livre, pensada, interiorizada. Sou uma agnóstica plena, sem direito ao quinhão de Paraíso prometido, já que os meus pais não me baptizaram. Decidiram – e estou-lhes agradecida por isso – que seria uma decisão minha, quando tivesse entendimento suficiente para fazer a minha escolha.

Num País que não questiona o baptismo na infância, imposição paternal e social, isso fez, muitas vezes, toda a diferença para mim. Mas, admito, outros tantos poderão ter uma formação católica e crenças católicas enraizadas e, a esses, desaconselho a continuação da leitura deste post. É que, mesmo não sendo um post anti-crença, é, sem dúvida, um post anti-crença empacotada. Mas esta é, tão só, a minha opinião.

Admito que "catecismo" é uma das palavras onde encontro um tom mais pejorativo. Sinto-lhe sempre os contornos de uma qualquer cartilha formatadora de pensamentos, como se Torquemada nunca tivesse morrido, como se Florença nunca tivesse ardido face à inclemência obtusa que lançou as vaidades para a fogueira.

Confunde-me até hoje esta necessidade da Igreja reservar para si o património absoluto das verdades, como se Deus não passasse de um mero pretexto nos jogos de poder bem terrenos.

A minha ideia do Divino é tão pouco regulamentadora, emboca de uma forma tão entranhada em noções de liberdade que, de forma alguma, se poderia traduzir em meia dúzia de patacoadas ensinadas de forma igual, compulsiva, sistematizada, a fedelhos que preferiam (sempre achei que preferiam) estar em casa a ver os Desenhos Animados.

Não questiono a Fé. Isso nunca! Todos têm direito a acreditar no que querem, como querem. Mas questiono as religiões. Ou, às tantas, nem sequer são as religiões, que me agrada até a velhinha ideia de "re-ligar" onde a palavra religião se consubstancia. Talvez questione apenas esta necessidade tão pragmática e tão pouco espiritual de transformar a Fé dos Homens em espectáculo mediático, cheio de tectos com anjinhos com pilinhas minúsculas, ou com tribunais persecutórios, ou com a sede de poder e a necessária prostituição a que isso obriga com os interesses materializados até hoje no Estado mais rico do Mundo e as suas políticas terrenas, ou ainda a congeminações degradantes, como o horrível "A Paixão de Cristo".

E nem é só a Igreja Católica, como é óbvio. Mesmo que essa não se possa eximir de nenhum dos flagrantes atentados à liberdade espelhados nos compêndios da História. Liberdade física, de pensamento, de Fé.

Olhamos ali para o lado, para o Médio Oriente, por exemplo, e temos mais demonstrações de como o catecismo de uns leva à morte de mais uns poucos. E nem importa bem que o Divino seja Uno, seja o mesmo com outro nome, que a Fé seja bebida com igual sofreguidão.

Não há nada como um Papão para meter medo aos Homens. Odeio, detesto, abomino, a forma como todas as religiões monoteístas organizadas transformaram o Divino em Papão. Um Papão que não pode ser desobedecido, contestado, questionado, ou a punição deixa de ser acaso, passa a sina, pena perpétua, sem expiação.

2005-03-24

Esperança de Vida

E para que não veja-te na vida
Raiando tantas vezes,
De hoje em diante comporei meus anos
De vinte e quatro meses.


Bernardo Guimarães – Ao Meu Aniversário


Andei pelos blogues a cirandar e, confesso, não me apetecia escrever muita coisa. Talvez já estivesse em estágio para o dia 24 e as emoções conflitantes que sempre me desperta.

Não gosto da ideia de ficar um ano mais velha e, ao olhar para trás, ver tudo o que desperdicei. Não gosto de olhar para a frente, para os anos que hão de vir, com a certeza que são ainda menos.


Não gosto particularmente de balanços, nem de balanças, nem de rugas. Queria ter a energia de há dez anos e as certezas de agora. Queria temer menos o desconhecido, voltar a ser inconsequente, como se não houvesse contas para pagar. Queria apreciar todos os momentos com a ingenuidade de umas lentes cor de rosa e infantis, ver o mundo sempre belo, sempre grande, possível, passível, de salvação.


Pesam-me os anos que se transformaram, de alguma forma, em embrutecimento, secura. Sobram-me alguns anos de esperança. E a eles me agarro com todos os cordéis da utopia.

Esperança de vida... gosto da expressão, por bem mais do que a duração em que a encerram. Porque não quero chegar aos setenta e tais das estatísticas sem esperança. Porque não quero chegar ao fim da vida já sem saber viver.

Há dias em que me apetecia parar o relógio até conquistar um qualquer objectivo. Um daqueles nossos objectivos secretos que, com os anos, nos habituamos a deixar no cantinho dos sonhos ainda não realizados.

Há outros dias em que me sinto em plena forma, mais forte e mais sã do que alguma vez na vida. Sou mais feliz hoje. Estou mais madura. Soubesse eu ontem o que sei hoje e havia muitos trilhos diferentes, caminhos a que voltaria as costas, encruzilhadas em que viraria na outra direcção.

E, no entanto, sei que só me é possível apreciar o passado pelas escolhas que me construíram, fossem em prazer, fossem em dor. Dizem que não adianta chorar sobre o leite derramado... Não adianta, não! Adianta aprender onde colher ainda os frutos da vida, especialmente aqueles que nos surpreendem pelo seu gosto doce e inesperado.

Em todos os aniversários, fico num estado de espírito periclitante entre a alegria esfuziante e a melancolia castradora. Este é apenas mais um. É um marco como outro qualquer, mais uma marca no meu calendário, mais uma cã.





O meu desafio para hoje:

Sobreviver a mais um aniversário.

O meu desafio para vós:

Encherem-me de mimos, estragarem-me de mimos, que adoro ser mimada.


2005-03-23

Seca

O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejectos.

Cacique Seattle, da tribo Suquamish (1855)



Hoje o dia voltou a acordar com prenúncios de chuva e abriu depois um sorriso solarengo da Primavera inaugurada. Ainda não foi desta que a chuva veio para ficar. Temo, cada vez mais, que já nem fique. À nossa volta, os campos ressequidos esperam lágrimas nutritivas que não são choradas por um céu cada vez mais revoltado com os Homens.

Tudo o que fazemos à Terra, fazemos aos filhos da Terra. E a nossa velhinha casa, o nosso pião azul e branco a rodar tranquilo e tão confortavelmente contra o breu do cosmos, às vezes revolta-se. Só que já nem chora...

Páscoa




- Pai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é ...... bem... é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?


- É, ressurreição. Marta, vem cá!

- Sim?

- Explica a esta criança o que é ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

- Mais ou menos........ Mamã, Jesus era um coelho?

- Que é isso menino? Não me diga uma coisa destas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que este menino foi baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular este fedelho no catecismo!

- Mamã, mas o Pai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Fátima?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mamã entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntar à catecista ela explica muito bem!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- (gritando) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

- O coelho põe ovos?

- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!

- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então peru.

- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Que dia que ele morreu?

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois portanto!

- (gritando) Não, filho - três dias!

- Então morreu na quarta-feira.

- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, já me confundiste! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como!?!? Como!?!? Pergunte à sua professora de catecismo!

- Pai, então por que amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!

- Então por que eles não lhe batem no dia certo?

- É, boa pergunta.

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!!!


(recebida por mail, desconheço o autor, mas está genial!)


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a imagem aqui


2005-03-22

Glory Box

I'm so tired of playing,
Playing with this bow and arrow,
Gonna give my heart away,
Leave it to the other girls to play,
For I've been a temptress too long.
Hmm just,

Give me a reason to love you,
Give me a reason to be,
A woman,
I just wanna be a woman.
From this time, unchained,

We’re all looking at a different picture,
Through this new frame of mind,
A thousand flowers could bloom,
Move over, and give us some room.

Yeah,
Give me a reason to love you,
Give me a reason to be,
A woman,
I just want to be a woman.
So don't you stop, being a man,

Just take a little look from our side when you can,
Sow a little tenderness,
No matter if you cry.

Give me a reason to love you,
Give me a reason to be,
A woman,
It's all I wanna be is all woman.
For this is the beginning of forever and ever,

It's time to move over,
So I want to be.

I'm so tired of playing,
Playing with this bow and arrow,
Gonna give my heart away,
Leave it to the other girls to play.
For I've been a temptress too long.

Hmm just,
Give me a reason to love you.


Portishead – Glory Box (Dummy)



Há dias assim. Em que o prenúncio de chuva se ausenta e vem outra vez o sol. E em que o cheiro da Primavera agora se instala, ainda coalhado pelos cheiros da terra molhada de ontem.

Há dias em que acordamos com um sorriso nos lábios e quase nos sentimos idiotas por uma parcela de felicidade roubada na ocasião.

Há dias que compensam outros tantos dias. Dias em que não pedimos licença para a alegria, da mesma forma que os dias tristes se instalam sem pedir perdão.

Há dias em que quase apostamos, caso fossemos capazes de recordar os sonhos, que andamos a dançar no Paraíso toda a madrugada.

Há dias (quase) perfeitos. Dias em que o meio da semana não nos pesa. Dias em que estamos de bem com a vida.

Há dias em que me sinto feminina e isso me vai muito bem...

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2005-03-21

O meu problema tabagista


imagem aqui


Tenho uma notória incapacidade para manusear um certo tipo de papel, nunca tendo sido capaz de fazer um rolinho que não se desfizesse, especialmente se fosse preciso lambuzar o dito.

Sendo fumadora assumida de uma marca esquisita, constatei este fim de semana que fumo muito mais pregos já feitos do que se me desse ao trabalho de enrolar a coisa.

Estou pronta para virar mais uma convertida ao self-made cigarrinho. O pior é que o dito precisa ser enrolado. E eu enrolo-me toda. Será que alguém me explica de forma clara qual é o truque? Já vi que até pode ser alvo de equação. Agora só preciso é de aprender a técnica...

2005-03-20

Não vi papoilas





Não, não as vi! Nem uma, para contar depois. Não vi os campos tingidos de rubro, nem o céu azul seco de nuvens. Não vi girassóis bailadores, nem vi sequer o ondular da erva que se faz pão. Não vi das rolhas, nem da cortiça, nem as garças, nem as rapinas esvoaçantes.

Não vi papoilas, não.

Mas vi sorrisos. Sorrisos abertos em lábios rubros, vi alegrias bailadas em olhos claros. Vi da gente, com palavras e mais com gestos. Corpórea mensagem agora identificável.

Não vi papoilas, não.

Mas vi das mãos e vi dos corpos. Vi de como a presença ganha espaço, cria espaço, cria laço. Vi da labareda acesa e vi do calor. Vi das gargalhadas tintas de tinto.

Não foram papoilas, não.


Foi reunião.


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imagem aqui

2005-03-18

Eu um dia ia perceber...

.

... porque tenho dois sistemas de comentários :)))

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(serve de teste ao "Outras Vozes")

O "caso" Joana

A palavra "vítima" é exacta, dura, inequívoca, e não precisa de adornos para exaltar a sua razão. Mas a banalidade, a versão unilateral de um grupo, acrescenta-lhe hoje a designação de "danos colaterais" e, por artes de berliques e berloques, as vítimas transformam-se em algo de indecifrável, a dor é minimizada e, com isso, o vitimador exime-se de qualquer responsabilidade.

Luís Sepúlveda - Uma História Suja



Tenho este "caso", entre tantos outros, atracado na garganta. É uma revolta, um nojo, uma impotência. Recordo ainda como me senti, há seis meses atrás, ao ouvir o primeiro comunicado da PJ: "morta por motivos fúteis". Motivos fúteis? Como pode uma criança ser assassinada por motivos fúteis?

Já ouvi várias versões para esses tais motivos fúteis, desde os € 15 euros à forma como encontrou a mãe e o tio quando regressou a casa. Mas o segredo de justiça, com que até concordo em teoria, impede-nos de saber mais do que boatos. No entretanto, a presumida assassina tem tempo para acusar a polícia de espancamento...

E o que me irrita mais é que nem sei bem se não concordo com uns bons tabefes na tromba desta hipócrita que, há seis meses atrás, estava a dar entrevistas chorosas para os jornais.

Deixo-vos a seguir o que escrevi há seis meses. A muitos níveis, o sentimento continua exactamente o mesmo. Nem sei como chamar a esta fulana. Não tenho sequer como a nomear. Puta não chega mesmo!

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Desde o início que assumi que este blog seria sobre banalidades, as minhas banalidades. Mas não no sentido de "banalidades", tal como as encara Luís Sepúlveda. Antes no seu sentido etimológico mais profundo, o do "ban", da circunscrição feudal, sendo que eu sou aqui o feudo, o espaço é meu, as minhas palavras são o meu território.

São banalidade com berliques e berloques e, no entanto, por mais ridículo e sem consequências que o possa ser, são banalidades comprometidas. São banalidades com grau de exactidão. As vítimas, para mim, não serão nunca danos colaterais. Os palhaços vitimadores não serão nunca eufemismo.

As palavras estão banalizadas, apupadas nos seus sentidos. As palavras estão escravas de interesses e são armas com gatilhos encravados. As palavras já não explodem, implodem na mentira. As palavras - e os discursos - ganham naftalina, quando se exaurem os seus significados, se enfeitam textos que nada dizem.

Olho os discursos políticos e pergunto-me onde estão as palavras. Vejo lá as letras e os ditongos a formá-las, as sílabas, os sons representados. Mas sinto as palavras sem sentidos exactos, sem contornos de verdade. E são tantas as palavras, tantas, tantas... Em toda e qualquer entrevista, todo e qualquer comunicado à imprensa, nos debates "políticos" que já não querem saber da "polis". E o sem sentido das palavras gastas, que correm o risco de já não dizerem rigorosamente nada, que perdem exactidão, são contaminadas pelas tricas de gente que faz da palavra a arma do interesse mesquinho, comprometido, prostituído.

As minhas palavras são banais. Mas quero-as ainda exactas. Armas puras nos sentidos, capazes de dizer as coisas banais de forma inequívoca, sem vítimas e sem vitimadores. Palavras-armas sem lobbies, contra a indiferença; contra o embrutecimento. Palavras-armas contra a minha voz em fuga e o meu alheamento das causas que as vão motivando ainda...

Mas há dias em que fico sem palavras, porque as histórias são demasiado sujas. Não encontro uma sequer que consiga precisar o que sinto. Que dizer de uma mãe que mata uma filha e desata a dar entrevistas chorosas para os jornais e televisão? Não tenho mesmo palavras. Chamar-lhe "puta" - palavra mais que banalizada - não chega sequer próximo do que sinto.


(neste blogue, aqui)

Publicidade (não) Enganosa

Exposição aberta ao público...




(...ou da facilidade como podemos todos ser artistas.)