2008-10-31

Como?


aqui


«Um dos mais fervorosos adeptos da extrema-direita em Portugal foi detido por auxílio à imigração ilegal e lenocínio, uma vez que possuía quatro bordéis, onde trabalhavam cerca de 30 prostitutas.»




Com esta mania de importarem as taras, já nem me espanta que o nazizeco afinal seja chulo de imigrantes. Talvez ainda se descubra que virou viúva chorosa, se o outro, no entretanto, bater a caçoleta na prisão.

Para a I


aqui


Bolo de chocolate que faz pouca loiça suja e demora ainda menos tempo a fazer do que descer à confeitaria:

1 chávena de açúcar
1 chávena de chocolate em pó (daquele do leite, serve)
2 chávenas de farinha (com fermento, obviamente)
1 chávena de óleo
1 chávena de leite
2 ovos inteiros

Atira tudo para dentro do mesmo recipiente e bate tudo junto. Mete ao forno que, no entretanto, ligaste (aponta para os 200ºC), em forma untada e enfarinhada.

Espera 20 minutos, mais coisa menos coisa.

2008-10-30

2008-10-29

Parabéns, PreDatado!


5 Anos!

Oh lata!

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«O presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas (ANPMES) afirmou esta quarta-feira que se o primeiro-ministro "insistir" no aumento do salário mínimo, a associação determinará junto dos seus associados a não renovação dos contratos a termo.»

in, Correio da Manhã


Lembram-se daquele empresário italiano que, durante 3 meses, tentou viver com o ordenado médio que pagava aos seus funcionários (cerca de € 1 000 e outro tanto para a mulher)?

E se propuséssemos ao presidente da ANPMES para fazer uma experiência semelhante e viver durante 3 meses com € 450 (ou o dobro, caso seja casado)?

E que tal se, quando o excelentíssimo senhor dissesse que não podia ou conseguia, o mandássemos ir apanhar no cu?

2008-10-28

Coisas que me irritam


aqui

Sou uma gaja independente. Há anos que tomo conta de mim e não peço licença para ter, pôr, dispor ou fazer. Mas, depois, preciso sempre baixar a crista e admitir que ter um gajo por perto pode dar jeito em variadíssimas situações. A saber:


  • quando tenho um furo e, depois de esforçadamente levantar o carro com o macaco e tirar o tampão da roda, me sinto uma incompetente por não ter força para rodar as putas das porcas

  • quando não como pickles porque não consigo abrir o frasco

  • quando tenho de ir para o carro sozinha num parque de estacionamento mal iluminado

  • quando é preciso tirar as cortinas para irem lavar

  • quando o carro precisa de limpeza geral

  • quando é preciso ir à farmácia de serviço às 4 da manhã

  • quando é preciso meter o IRS

  • quando Testemunhas de Jeová tocam à porta

  • quando tenho de carregar as compras do mês até ao 7º andar

  • quando preciso de ir à rua depois de já estar em pantufas

  • quando é preciso ir pôr o lixo (sugestão da Noite)

  • (coisas semelhantes)


e muito especialmente quando muda a hora e nunca sei como alterar o cabrão do relógio do carro.

2008-10-27

hmm...


aqui


Eu a pensar que o lápis azul era avermelhado e, vai-se a ver, saiu mais para o cor-de-rosa.


(à parte a brincadeira, se alguém algum dia provar que existe violação de sigilo profissional, não importa em que ponto da hierarquia, acho bem que sejam tomadas as medidas necessárias; e quem não quer assuntos privados em e-mails profissionais, não usa o tempo nem a banda larga do empregador para essas gracinhas)

Chuva


aqui


Tenho neste tempo de transição entre um Inverno que se aproxima e um Verão que não vai embora uma tendência recorrente para a melancolia.

Enquanto os dias se tornam mais breves, a minha alegria estival esvai-se à velocidade dos pingos gelados das primeiras chuvas.

A minha cidade fica triste também, cada vez mais cinzenta nos seus cinzentos, as neblinas transformam-se em nevoeiro, o cheiro das castanhas envolve-nos e os guarda-chuvas tropeçam-se.

Vejo o rio e está cinzento também, pesado, triste, cheio de águas novas e lamacentas e corre furioso a atirar-se nos braços do mar revolto, espumoso e atrevido.

Não há muitos sorrisos por entre os ruídos das gentes que passam. Só pressa em chegar a qualquer destino, afã de fuga para os interiores aquecidos de uma cidade que gela lentamente, vestindo-se das humidades e dos frios outonais.

Sinto-me a encolher com os dias, a encolher para o quente aconchego de uma manta sempre a postos, um casaco de lã tão velho que já não lhe sei os anos, as pantufas quentinhas que trouxe da Estrela.

Encolho-me no sofá, a TV pronta a suspirar sozinha num último ai com hora pré-programada. Encolho-me no sofá como encolhem os dias. Enovelo-me no calor da minha casa e durmo as sestas do frio.

Cheira já a Inverno. Os dias encolhem. Eu encolho com os dias e acerto o passo com esta melancolia que me percorre.

2008-10-26

Bill Maher



Perguntas parvas de uma manhã de Domingo


aqui



Se as mulheres têm direito a um "monte de Vénus", porque é que os gajos não têm direito a qualquer coisa mais poética, tipo uma "erupção de Apolo"?

Hooverville (*)


Herbert Hoover


Hoover perdeu as eleições para Roosevelt e ficou para a história como um dos piores Presidentes Americanos (Bush já lhe está a fazer companhia), depois de se provar incapaz de dar uma resposta à crise que rebentou em 1929. O seu pior crime? Achar que o Estado não devia intervir para regular a economia. A resposta de Roosevelt, que lhe sucedeu, chamava-se New Deal e, simplificando bem as coisas para até o maior idiota de direita perceber, apostava no Estado como alavanca da economia, quer pela regulação que impunha, quer pelos projectos de obras públicas com que respondia ao desemprego galopante.


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(*) Nome pelo qual ficaram conhecidos os bairros de lata que se multiplicavam ao tempo da Grande Depressão

2008-10-24

Engonhices


(recebida por mail)


Quem me conhece sabe bem que não minto quando afirmo que não sou propriamente um mono. Num grupo de gajedo, não serei por certo a mais vistosa, nem a mais enfeitada, muito menos a mais activa a mandar sinais de galanço a tudo o que mexa do sexo oposto, mas mono não sou (e como até já deixei o trombil na Voz para quem o souber encontrar, estou perfeitamente à vontade para o afirmar, em lugar de apenas querer parecer uma coisa semelhante, como é habitual pela net).

Sei também que, se me mantiver quietinha e caladinha, posso passar um belo ar seráfico e que, estivessem os caracóis pintados de loiro em vez de ruivo (e não abrisse a boca), podia perfeitamente candidatar-me a modelo de arte sacra, na versão santinha da renascença.

Mas obviamente que o facto de eu abrir a boca, ter sotaque do Porto, dizer umas caralhadas e ter muito pouca paciência para engonhas e conices semelhantes, acabam rapidamente com quaisquer resquícios de santidade. Mas isso já é da personalidade e, essa, veio retorcida de nascença.

Depois, tenho assim uma meia dúzia de valores e uma meia dúzia de princípios e, para embrulhar ainda mais a coisa, um sentido de humor a bater ao lado do conveniente. Além de que tenho a mania que mando e a mania que sei e a mania da independência e a mania de ser (em vez de parecer, claro). Acrescentando o estrugido, está visto que o caldo fica facilmente entornado.

Ora, isto da personalidade pode compor ou descompor o boneco e eu que, como disse no início, sei bem que não sou um mono, tenho destas manias muito particulares quando o aspecto é tido como preponderante, especialmente quando isto vem de gajas lustrosas de tanto creme ou gajos de cabelo à escovinha para disfarçar a careca. E deve ser por isso que hoje mandei dois foder – um de cada espécie – só porque resolveram comentar a despropósito as minhas pernas no dia em que saí à rua de minissaia para mostrar as botas novas.

Lá se foi o ar seráfico!

E as botas são muito giras!

2008-10-23

Como?

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«Stefan Petzner, que foi ontem empossado como o novo líder da Aliança para o Futuro da Áustria (BZOe), depois da morte de Joerg Haider, confirmou à rádio austríaca ORF que mantinha com o falecido líder uma relação que ia "muito para além da amizade" e que ambos estavam ligados "por algo muito especial", confirmando os rumores há muito ventilados de que os dois homens poderiam ser amantes.»

in, Público


O nazizão era gay? E o nazizinho também? Será que se esquecerem de ler a parte da doutrina sobre o "comportamento degenerado"?

2008-10-22

Breve nota


aqui

Recuso-me a enumerar os meus ódios de estimação blogosféricos. Mais ainda, recuso-me a fazer um link para cada um desses sítios, aqueles onde só vou quando me engano e tropeço numa qualquer referência num blogue amigo. São sítios de onde saio de corrida e mal disposta e que não estão sequer em qualquer das minhas listas de leituras. E, por isso, a corrente dos alvos encalha aqui.

Quanto aos dardos, fui atrás dos vários links para descobrir de que se tratava no original. E parece-me que a versão resumida da Cat é bem menos pomposa (e a essa podia até responder). Só que eu não leio ninguém, muito menos comento, por esse alguém querer "acrescentar valor à Web". Eu leio e gosto de ler quem escreve essencialmente por carolice. Quem fica acrescentada sou eu, por ter o prazer de ler essas pessoas e elas sabem bem quem são. E é também por isso que a corrente dos dardos encalha aqui.

Mas agradeço à
Catarina o prémio e, muito especialmente, as palavras que me dedica. Soube muito bem, à conta desta corrente, receber tamanho mimo.



Adenda:

Aproveito para agradecer à Maria Árvore, à Emiele, à Deep e à Rosarinho terem-me também "dardeado". Mas os motivos para encalhar a corrente permanecem os mesmos.

Novo livro do Gaivina


(clicar para ver melhor)


Está a chegar o Natal e não sabem o que dar aos miúdos? E que tal oferecerem o novo livro do Miguel Horta (que dá também pelo nick Gaivina aqui na Voz em Fuga)?



Podem ver aqui como encomendar.

2008-10-21

Distopia

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«As pessoas do nosso atemorável mundo novo, bem aconchegadas nos seus blocos de apartamentos neo-georgianos, olharão com temor reverencial para o século que agora acabou (…) sem a menor tentação de emularem a ousadia daqueles que aboliram todas as regras e tentaram principiar do zero. Ao contrário, enterrar-se-ão ainda mais fundo nas suas poltronas neo-Luís-Qualquer-Coisa, fazendo rodopiar ociosamente a informação pela Internet, matando o tempo como as matronas vitorianas com o seu croché, o tricô, a espiguilha, a renda e os bordados, satisfeitos por viverem naquilo que ficará conhecido como o Século Sonolento ou a Ressaca do Século XX.»

Tom Wolfe, Hooking Up – Um Mundo Americano



Ora cá vamos nós! O que espero do futuro? Quase nada. Acho que o futuro terá um tom tipo "Stange Days", que até se passava na viragem do século passado para este (de que já se esgotou quase uma década) e, como se provou, não foi data que fizesse acabar o Mundo, nem os vírus informáticos fizeram parar a bolsa, nem os elevadores ou os nossos computadores pessoais, nem caíram aviões, nem nada de extraordinário aconteceu. Bateu a meia-noite e foram para casa. Bem, quase que foram para casa, que ainda tiveram tempo para o beijinho, remendar os arranhões e prestar declarações à polícia.

Suponho que espero um pouco mais do mesmo, num século que me parece ter nascido cansado dos exageros do século XX e em tom estafado tentará seguir em frente. Para já, prevejo que seja um século chato, em tom de retrocesso. Desde que Nietzche decretou que Deus estava morto, mais nenhuma verdade insofismável fez sentido. E agora todas as outras verdades tornam-se também questionáveis, desde as doutrinas políticas e económicas moribundas ou já enterradas, passando pelos grandes paradigmas que agora se questionam também, com a própria lógica da evolução darwiniana e as suas subdoutrinas em confronto com retrocessos medrosos em relação a releituras de uma suposta palavra divina que afinal também já não existe, ou não faz sentido que exista, tirando para quem quer continuar a controlar o mundo, controlando as pessoas e os seus valores. E a esperança vai-se com o dízimo para o pastor e prega-se o sermão como se se vendessem livros porta a porta.

Depois também não espero milagres contra os grandes males. Já não. O tempo em que tinha um cartaz pendurado na parede do quarto adolescente com a imagem do cogumelo atómico e a frase "will they ever learn?" ou o tempo em que achava que a Humanidade era capaz de deixar de se auto-destruir, passou com as probabilidades cada vez mais óbvias de um dia destes ter o mar debaixo da janela e só porque estou no 7º andar. Ou o tempo em que até acreditava que, se todos quiséssemos, se todos fizéssemos um esforço, então na Europa deixaria de se destruir comida e em África mais ninguém passaria forme. Ou que as focas bebés deixariam de ser mortas à paulada. Ou que as baleias iam ser salvas.

Não, o meu futuro está tingido de sem-esperança, tirando aquela mais evidente que me lembra diariamente que o Homem se habitua a tudo; ou que até o retrocesso para padrões que seriam bastardos de qualquer resquício de civilidade nem é sequer questionável, está já ai e, pior, já nos estamos a habituar a ele.

No séc. XXI – ou pelo menos nas décadas deste século em que terei possibilidades de viver - o Futuro já não será algo de excitante e o Progresso já não estará garantido. Já ninguém tentará correr rapidamente em direcção ao Mundo de Amanhã, porque o dia seguinte, se não for apenas mais do mesmo, estará antes vestido de medo e de frustração. E as guerras aparentemente enormes do passado serão travestidas cada vez mais de guerrilhas indistintas, criminosas e sujas, como se o cogumelo atómico só tivesse dado lugar às bombas sujas fabricadas com o refugo do século que acabou. E um dia destes, quando já estivermos todos bem enfiados na web, sempre em rede e cada vez mais sozinhos, talvez já seja obrigatório ter implantado o chip que permita a um qualquer Grande Ditador que prometeu a Salvação Eterna controlar as mentes e as vontades.

E ainda poderão vir as neurociências decretar o fim da fé do Homem, roubando-o por fim da alma ao substitui-la por uma qualquer versão de computador com pouco espaço disponível no disco e os programas desactualizados. Bless the mink for they will inherit the world passará a ser chavão. E suponho que em inglês, para que os "mink" sejam também "lazy" e, além do mais, possam acreditar que não têm culpa nenhuma. Não seremos mais como uma folha em branco à nascença. Nada disso! Dentro de nós tudo será mensurável por quem nos escarafuncha a mente e esmiúça os genes. E se está nos genes não temos culpa. E se não tivermos culpa, também não teremos a responsabilidade de fazer diferente. E ficaremos quietinhos, rebanhos a pastar atrás de um qualquer ecrã, com um chip bem implantado por baixo do couro cabeludo, à espera que alguém nos diga o que fazer e não fazer, o que é proibido ou permitido, o que é aceitável e o que não é, o que comer e onde comer, onde e quando foder, desde que um foder asséptico e que não seja subversivo, nem dê demasiado prazer, nem permita que as DST transtornem o orçamento dos serviços nacionais de saúde, se ainda continuar a haver disso.

Tom Wolfe disse um dia que este seria um Século Sonolento de ressaca do século XX. Lamento não concordar. Este parece prometer ser um século caótico, de medos e de retrocessos. E as pessoas não andarão sonolentas; andarão apenas comatosas. Só que até os rebanhos um dia se assustam e desatam a correr todos na mesma direcção alucinada. E, no rescaldo da passagem, não sobra normalmente mais do que destruição e pó revolvido.

E o meu futuro será também um pouco disso tudo, tirando que sou bem capaz de acabar viciada em "trips" de filmes feitos com a vida dos outros e enfiadas por uma qualquer engenhoca electrónica directamente no meu córtex cerebral. E talvez vire cada novo ano desse futuro a dar um beijinho, remendar as feridas e a prestar declarações à ASAE. Habituada ao dia à dia, sem esperança para além do minuto seguinte, sonhando ainda com os tempos que já passaram há muito em que acreditava que a minha geração ia mudar o Mundo e seria capaz da prometaica empresa de o fazer melhor. E o dia seguirá, mesmo que o mar me venha lamber a janela. E talvez compre um barquinho e vá passear para longe, se ainda houver um pôr-do-sol decente do outro lado de uma gigantesca nuvem de poluição ou se o buraco do ozono não nos tiver já roubado até esse pequeno prazer. E o rebanho irá comigo, ou eu com ele. Ou então apenas veremos todos essas cenas idílicas on-line ou mesmo "uploadadas" para dentro da nossa cabeça.





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Quando a Maria Árvore me pediu para escrever este texto, não encontrei o livro onde estava a citação e optei por outra. Hoje dei com ela, obviamente à procura de algo que não tinha nada a ver. Mas aproveito para republicar o texto com a citação que, desde sempre, me apeteceu deixar-lhe e à qual me refiro no corpo do texto.

E talvez porque um lençol depois do lençol abaixo fosse mesmo o que este blogue estava a precisar para afugentar um qualquer leitor tresmalhado da Catarina. Nunca vão acreditar que estavas certa ao meter-me na listinha dos dardos, lol! (obrigado, Cat!)

2008-10-20

Numb




Este post está atrasado uns dias. Era para ter sido publicado a 17, a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Mas não tive tempo o que, às tantas, é sintomático do que quero dizer: vamos ficando sem tempo para as causas, enquanto olhamos mais para o nosso umbigo, o nosso bem-estar. Não posso falar por todos, mas eu fui perdendo com os anos a capacidade para a utopia. E isso dói-me e agride-me. Faz-me mal esta desesperança. Mas a realidade não se compadece dos sonhos em muitos dias.

Todos temos dificuldades em lidar com grandes números, não é? O nosso cérebro parece estar mais preparado para a dor particularizada, ou algo assim. Eu não consigo imaginar quantos são "milhões de mortos". Mas, se falar de cento e poucos, consigo imaginá-los em filinha e, às tantas, até inventar uma cara para cada um.

Corpos sem rosto são demasiado anónimos. Demasiado mesmo. São números, claro. E calamidades também. Mas um rosto dá sempre origem a uma identificação. Uma identificação entre o nós e o outro, tanta vez já só cadáver, ou já só fotografia.

É óbvio que haver uma câmara apontada pode dar ainda mais força a qualquer maluco, como o terrorismo organizado já sobejamente nos provou. Mas a falta dessa câmara faz muitas vezes com que as coisas aconteçam à mesma, só que sem ninguém saber. Por outro lado, a profusão de tragédias nos noticiários fazem já com que apenas mudemos de canal: depois de um dia de cão, só queremos lamber as próprias feridas. E haja ou não câmara, as tragédias passam a ser esquecidas, até que aparece uma qualquer que, pela sua enormidade, nos faz questionar a nossa indiferença. Depois, passamos à frente e seguimos entorpecidos. Até à próxima. Tudo o que de permeio pensamos em fazer ou dizer, fica mais uma vez de lado quando toca o despertador na manhã seguinte.

No fundo, acho que é tudo uma questão da forma como algumas coisas ainda nos atingem; da forma como outras nos deixam demasiado embrutecidos. E, a muitos níveis, a idade e os desenganos fizeram-me perder ingenuidade e capacidade de reacção, até mesmo empatia.

As tragédias que todos os dias acontecem no mundo são imensas, horrorosas, inimagináveis. Mas apenas algumas delas conseguem impregnar-se na nossa pele e causam ainda uma vontade de reacção. Com a actual crise e o esforço que todos fazemos para sobreviver no nosso Mundo de abundância, essa reacção será ainda mais ténue. E os pobres entre os pobres ficarão mais esfaimados ainda se tivermos que escolher entre o pão deles ou biocombustível que nos faça andar o carro. Em alturas de crise generalizada, até para se ser pobre é preciso sorte.

Prognósticos só no fim do jogo

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«Pronto, agora sim, voltou tudo ao normal. A Selecção é, de novo, o espelho da Nação. Ou é de novo ou é de velho, à vossa escolha. Se formos justos, sabemos bem que a Selecção é, ‘de velho’, o espelho da Nação.»

Leonor Pinhão



E, quando estávamos a contar com ela, vai que a selecção desata a armar-se em cagona outra vez. Os anos do brasileiro e das bandeirinhas já lá eram. E o campeonato é o que se sabe: sobra para o FCP, não importa quantas voltas e pinotes sejam dados pelos outros.

Ora isto não está bem! É que a selecção é de todos nós e o FCP é só de quem gosta de ganhar. O povinho, farto que anda de tudo o resto, esperava um pouco mais de alegrias lá para os lados da bola. E afinal só há empates e derrotas e jogadores que se arrastam e um treinador que se armou aos cucos mas ainda não provou pevas.

Obviamente, não deu sequer para ganhar à Albânia e os outros foram o que se sabe. Mas ainda havemos de ver jogo. Infelizmente, dos lados da política e da economia, vemos jogo a mais. A derrota para os lados das Quinas é que parece ser o resultado final dos "prognósticos só no fim do jogo
(*)".

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(*) João Pinto, antigo defesa lateral e capitão do FCP