2026-07-21
O buço como bandeira
2026-07-20
O Meu Ódio de Estimação
2026-07-19
Ventilação
2026-07-18
2026-07-17
O Peso Exacto
Não sei que sentido têm em nós as glândulas do medo, mas as gatas sabem. Vieram uma a uma, sem consulta prévia entre si, sem reunião de emergência felina — vieram porque o corpo, quando espera um veredicto, exala qualquer coisa que os humanos deixaram de saber ler.
A primeira instalou-se à cabeça, ali onde a cabeça continuava a fazer contas que não davam. A segunda aos pés, como quem guarda a saída, ou talvez a fuga. A terceira ao lado, no espaço exacto onde cabe um corpo que treme sem ainda saber que treme.
Formaram um triângulo. Não vieram pedir comida, nem festas, nem a atenção distraída que costumam mendigar a meio da tarde. Vieram fazer guarda.
As gatas não sabem ler exames nem percebem português, mas impõem-se com o peso exacto de quem entendeu que não era preciso perguntar.
2026-07-12
O inventário das minhas guerras
Memória
2026-07-08
Espera
2026-07-05
Boletim de combustão
2026-07-04
Como Perder Como um Herói
2026-07-02
Caos
2026-07-01
Saldo
2026-06-30
O apocalipse tem má gestão de agenda
2026-06-24
Nas Portas da Pérsia: Paint it Black
2026-06-23
O tempo nunca está bem
2026-06-21
Humanidade
2026-06-20
Pontes
2026-06-19
Antes de ver o mar
2026-06-18
Céu de verão
O céu de verão é um bicho inquieto. Acorda cedo, já azul e espalhado, como se tivesse pressa de existir. Às vezes vem limpo, outras riscado por nuvens errantes, como frases abandonadas a meio. O sol, senhor absoluto, escorre dourado nas esquinas, nas peles, nos silêncios abafados da tarde.
Há dias em que inventa tempestades do nada, só para lembrar que manda. E quando escurece, não cessa — vira palco de estrelas que piscam sem ordem, desavergonhadas.
O céu de verão não pede licença. Chega, ocupa, e deixa-nos a sós com tudo o que não sabemos nomear.
