O céu de verão é um bicho inquieto. Acorda cedo, já azul e espalhado, como se tivesse pressa de existir. Às vezes vem limpo, outras riscado por nuvens errantes, como frases abandonadas a meio. O sol, senhor absoluto, escorre dourado nas esquinas, nas peles, nos silêncios abafados da tarde.
Há dias em que inventa tempestades do nada, só para lembrar que manda. E quando escurece, não cessa — vira palco de estrelas que piscam sem ordem, desavergonhadas.
O céu de verão não pede licença. Chega, ocupa, e deixa-nos a sós com tudo o que não sabemos nomear.
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