Há uma arte em virar as costas.
Não a das fugas — essa é ruidosa, cheia de bagagem e justificações. Esta é mais silenciosa: a de se sentar de frente para o horizonte e deixar o mundo acontecer sem plateia.
A cadeira é branca. O café, quente. O mar não precisa de explicação.
Fora do enquadramento, pressupõe-se tudo: o telefone, a lista, as respostas por dar. Aqui dentro — neste retângulo de areia e céu — existe apenas o gesto de segurar a chávena com as duas mãos. Como quem segura algo frágil. E sabe que o é.
As flores ao lado são hortênsias. Ninguém as pediu; aparecem como a graça — sem aviso e sem motivo aparente.
Não são férias. É outra coisa.
É o intervalo exato antes de voltar a ser responsável pelo mundo.
Vale o que vale — e vale tudo.
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