Dormente, vejo os dias passarem rápidos e iguais, numa calma de cal. Sou a passagem nevada de Tang-e Meyran, ou um edifício em queda lenta, pintado a cimento alvo. Blocos brancos para doutrinas brancas; traços de tinta da china branca sobre teorias e milagres brandos. Guerras brancas, onde o sangue é alvo e o derrame imaculado. A notícia pinta-se de branco para falar dos mesmos brancos do costume e das suas contabilidades alvas, perdoadas no centro de uma crise pálida. Só vejo branco. Um excesso de branco. Sempre o mesmo branco. Há tanto branco que já não sei se me cobre ou se me cega. Uma mortalha por véu.
E a vida segue negra, distraída por uma guerra nova.
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