Reparem, ninguém está bem com o tempo. Se chove, é porque chove. Se faz sol, é porque queima. Se está nublado, é aquela luz de sala de espera que nos tira a vontade de viver.
Andamos nisto há séculos e ainda não aprendemos a lição: o tempo não serve para ser bom. Serve para dar conversa. Serve para termos uma desgraça pequena, portátil, que caiba no elevador com o vizinho.
Eu só me sinto em paz quando posso dizer, com toda a propriedade filosófica: «Está um calor que não se pode». Ou então: «Esta humidade prende-me os ossos». Aí sim, encontro o meu lugar no mundo. Porque reclamar do tempo é o último consenso nacional. É democracia direta: todos temos opinião, todos sofremos, ninguém resolve.
Suspeito que se um dia o tempo estiver perfeito — vinte e três graus, brisa q.b., céu de aguarela — entraremos em pânico. Sem o desconforto para apontar, teremos de olhar para dentro. E aí, meus amigos, o tempo fecha mesmo.
Por isso, deixem estar. Prefiro o meu Verão que me derrete e o meu Inverno que me encharca. Ao menos com eles sei quem sou. E se houver trovoada, já tenho planos.
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