2023-01-01
Bento XVI
2022-12-09
Ah! Ainda estamos aqui!
2022-09-22
De leste
"Somos a geração dos jovens iracundos,
a emergir como cactos de fúria
para mudar a face do tempo.
Antes de ferirmos a carne circundante,
comemos o pão amassado pelas botas
de muitos regimentos
e cozido ao fogo dos fornos crematórios.
Foram precisas inúmeras guerras,
para que trouxéssemos nos olhos
este anseio de feras acuadas.
Mordidos de obuses,
rasgados pelas cercas de arame farpado,
já não temos por escudo
a mentira e o medo.
Sem que os senhores do mundo suspeitassem,
cavamos galerias sob os escombros
e nos irmanamos nas catacumbas do ser.
Nossas mãos se uniram como pétalas
ao cerne da mesma angústia
e uma rosa de asfalto se ergueu
por sobre o horizonte.
E porque há entre nós
um mudo entendimento;
e porque nossos corações
transbordam como taças
nos festins da imaginação;
e porque nossa vontade de gritar é tamanha
que se nos amordaçassem a boca
nosso crânio se fenderia,
não nos deterão!
Ainda que nos ameacem com suas armas sutis,
nós os enfrentaremos,
num derradeiro esplendor.
Em breve, a nota mais aguda
quebrará o instante.
Bateremos com violência contra as portas,
até que a cidade desperte;
e com o riso mais puro,
anunciaremos o advento do Homem.
Porque nossas mãos se uniram como pétalas
ao cerne da mesma angústia,
para que uma rosa de asfalto se erguesse
por sobre o horizonte."
“A ROSA DE ASFALTO”
de Eduardo Alves da Costa
2022-09-03
Remendos
2022-08-24
2022-02-25
2022-02-23
2021-09-23
Glossário
2021-09-18
Brexit
2021-08-25
Esta voz
2021-08-24
Voz em Fuga
2021-08-19
(des)humanizar
2021-08-16
Os mortos anunciados
2021-07-25
2021-07-01
Dia
2021-06-12
Dos dias...
2021-05-19
Apre!
2021-05-05
2021-04-24
Véspera
2021-04-10
Sapos para engolir
2021-04-09
Caso Sócrates
2021-04-04
Quem
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém.
Em cada poema levanto a pedra
em cada poema pergunto quem.
2021-02-02
Tempos de pandemia
2020-11-12
US Election: A CNN pundit's emotional reaction to Joe Biden's presidenti...
2020-11-07
2020-10-14
(...)
Os gajos são uma espécie estranha! Quanto mais velhos e podres, mais potente o carro que compram. E é vê-los nos Lexus, Jaguares e Porshes... a trinta à hora. Como se, num óbvio reflexo de potências pretendidas, não sobrasse mais do que um mal empregado equipamento.
2020-08-17
2020-08-14
Kamala Harris
«And I could cry power
Power has been cried by those stronger than me
Straight into the face that tells you to rattle your chains
If you love bein' free»
2020-08-06
2020-05-20
(des)Ventura
2020-05-14
2020-04-20
Palavras
“Words are things. You must be careful, careful about calling people out of their names, using racial pejoratives and sexual pejoratives and all that ignorance. Don’t do that. Some day we’ll be able to measure the power of words. I think they are things. They get on the walls. They get in your wallpaper. They get in your rugs, in your upholstery, and your clothes, and finally in to you.”
― Maya Angelou
2020-04-16
RIP Luís Sepúlveda
2020-04-07
Vai ficar tudo bem?
2020-03-27
2020-03-08
2020-02-29
Branco
2020-02-23
2020-02-19
(...)
2019-12-19
2019-11-12
2019-09-25
2019-09-24
A flor e a náusea
a emergir como cactos de fúria
para mudar a face do tempo.
comemos o pão amassado pelas botas
de muitos regimentos
e cozido ao fogo dos fornos crematórios.
para que trouxéssemos nos olhos
este anseio de feras acuadas.
Mordidos de obuses,
rasgados pelas cercas de arame farpado,
já não temos por escudo
a mentira e o medo.
Sem que os senhores do mundo suspeitassem,
cavamos galerias sob os escombros
e nos irmanamos nas catacumbas do ser.
Nossas mãos se uniram como pétalas
ao cerne da mesma angústia
e uma rosa de asfalto se ergueu
por sobre o horizonte.
um mudo entendimento;
e porque nossos corações
transbordam como taças
nos festins da imaginação;
e porque nossa vontade de gritar é tamanha
que se nos amordaçassem a boca
nosso crânio se fenderia,
não nos deterão!
Ainda que nos ameacem com suas armas sutis,
nós os enfrentaremos,
num derradeiro esplendor.
quebrará o instante.
Bateremos com violência contra as portas,
até que a cidade desperte;
e com o riso mais puro,
anunciaremos o advento do Homem.
Porque nossas mãos se uniram como pétalas
ao cerne da mesma angústia,
para que uma rosa de asfalto se erguesse
por sobre o horizonte."
de Eduardo Alves da Costa
2019-09-08
Apre!
2019-09-03
Remendos
2019-08-30
Dos telhados de vidro
2019-08-27
2019-08-21
Histerismo nacional
2019-08-14
Branco sujo
2019-08-03
2019-07-12
Indiferença
2019-06-22
Dever de Auxilio
Morto per la libertà"
2019-06-20
2019-06-12
Do tempo
2019-06-04
Tiananmen
2019-05-26
¡No pasarán!
2019-05-25
2019-05-22
2019-05-20
Alabama
2019-05-15
Dos absurdos em véspera de Europeias
2019-05-04
Meu menino!
2019-04-20
Palavras
2019-04-16
Dia da voz
2019-03-07
Violência contra as mulheres
Das virgens ofendidas
2019-02-23
2019-02-21
Boatos
2019-02-05
Equilíbrio
2019-02-02
Bestas
2019-01-27
Subsino
2019-01-26
Marcelo Rebelo de Sousa
2019-01-09
4 anos depois...
2018-12-24
Boas Festas!
2018-12-23
2018-12-20
Nevoeiro e outros fumos
2018-11-25
2018-11-09
2018-10-08
Gajos
2018-10-07
Valores
2018-09-23
Glossário
Ramos Rosa
que os cardeais
não se masturbam,
que não vêem
as telenovelas,
que vêem, quando muito, os filmes de Bergman
e o Evangelho segundo São Mateus de Pasolini.
Não, eles nunca lêem os livros pornográficos
e nunca pensaram em ter amantes.
Eles não conhecem o turbilhão das visões
das figuras eróticas,
eles lêem os exercícios espirituais
de Santo Inácio
e têm o odor da santidade
e irão para o céu porque nunca pecaram,
nunca acariciaram um pénis,
nunca o desejaram túmido e ardente
na sua boca casta.
mesmo quando os espelhos os perseguem
com os membros e órgãos de mulheres
na fulguração da nudez liquida e candente!
do desejo,
a sua glauca ondulação,
os seus olhos deslumbrados pela oceânica
vertigem
de um corpo embriagado pela sua simetria
e pela volúvel coerência
dos seus astros dispersos.
dos solenes cardeais.
Eu sei que a sua carne é a mesma argila
incandescente e turva
de que o meu corpo frágil é composto.
Eles conhecem o sofrimento de ser duplos,
o vazio do desejo,
a violência nua das imagens monstruosas,
a adolescência do fogo nos labirintos negros.
nem levantam a voz,
nem atravessam a fronteira do pudor
e adormecem ao rumor das orações.
É esta imagem que eu quero conservar
na religiosa monotonia do meu sono.»
2018-09-08
Irritações
2018-09-04
Dos conflitos internacionais
2018-08-25
Anónimos
2018-08-24
Ponto da situação
Um dia cheguei a casa e criei um blogue. Ou melhor, comecei a criar um blogue...
Foi em 2004 e hoje faz anos. Ou melhor, hoje ainda não morreu.
2018-08-18
Recordando Barcelona
2018-08-10
Sombras
2018-07-12
Autodeterminação de Identidade de género
2018-05-31
Eutanásia
2018-04-25
2018-04-24
Poemarma
que seja máquina espectáculo cinema.
Que diga à estátua: sai do caminho que atravancas.
Que seja um autocarro em forma de poema.
que se levante e faça o pino em cada praça
que diga quem eu sou e quem tu és
que não seja só mais um que passa.
e seja apenas um teorema com dois braços.
Que o poema invente um novo estratagema
para escapar a quem lhe segue os passos.
que seja pulga e faça cócegas ao burguês
que o poema se vista subversivo de ganga azul
e vá explicar numa parede alguns porquês.
que seja seta sinalização radar
que o poema cante em todas as idades
(que lindo!) no presente e no futuro o verbo amar.
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.
Que participe. Comunique. E destrua
para sempre a distância entre a arte e a vida.
Que salte do papel para a página da rua.
que tenha ideias sim mas também pernas.
E até se partir uma não faz mal:
que chegue ao banco e grite: abaixo a pança!
Que faça ginástica militar aplicada
e não vá como vão todos para França.
a não criar barriga a não usar chinelos.
Que o poema seja um novo Infante Henrique
voltado para dentro. E sem castelos.
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo, o desejo de achar.
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
Ah que o poema chegue ao pé de ti
e te diga ao ouvido o que é preciso.
nem que por vezes seja só o poeta em movimento.
Ah que o poema para ser original
e seja mais que rosa flor de cacto.
Que o poema saiba ver dentro das coisas
a mão do homem feita poema em acto.
e me transforme na sua própria acção.
Nem quero outra glória nem quero outra festa:
morrer como Guevara na Bolívia da canção.
poderás dar-me a glória ou recusar-ma.
Aí vai o meu poema a minha taça do rei de tule
aí vai para ser arma!"































