2026-05-31

Silêncio operacional


Nunca fui de cliques nem de claques. A minha agenda tem espaço para respirar — deliberadamente, sem culpa, e com algum esforço para não ceder às pressões do tens de sair mais, tens de socializar, não podes ficar em casa outra vez.

Posso, sim.

Estar sozinha e estar só nunca foram a mesma coisa no meu dicionário. Uma é escolha; a outra é circunstância. Confundem-se muito, lá fora — especialmente por quem não consegue estar cinco minutos sem companhia e acha que isso é virtude.

O problema não é a festa. É o botão.

Há dias em que o ligo com prazer, entro na corrente, faço parte do ruído. Tem apenas a ver com quando, quanto e onde estou disposta a fazê-lo. Nem sempre me apetece estar no meio das ondas; muitas vezes basta-me sentir a corrente.

Mas há cada vez mais dias em que o simples pensamento de ter de ser simpática, presente e ligada me cansa antes de sair de casa. Nesses dias, o melhor de mim fica no sofá.

Não sei se isto é introversão, sabedoria ou apenas uma capacidade cada vez menor para fingir entusiasmo quando ele não existe. O que sei é que o off deixou de ser fuga e passou a ser higiene.

E que há poluição sonora que não precisa de decibéis.

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