2026-05-21

Tudo começa com café


Há quem diga que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia. Eu digo que é a mais traidora. Começas o dia com a ilusão de que um café e uma torrada são capazes de te transformar num ser funcional, quando, na verdade, são apenas o preâmbulo de uma série de más decisões. O açúcar do pão com manteiga é o primeiro passo para a rendição à mediocridade; o café, esse, é a desculpa líquida para não matares ninguém antes das nove da manhã.

E depois há os health freaks, esses mártires do iogurte grego e das sementes de chia, que olham para o meu pão com manteiga como se fosse um crime contra a humanidade e mastigam alpista logo às oito da manhã, como se o trânsito e as reuniões de Teams fossem doer menos porque comeram antioxidantes. Ou como se a virtude se medisse em gramas de fibra. Eu prefiro o meu pecado matinal, assumido, sem hipocrisias. Afinal, se a vida já é uma merda, pelo menos que o pequeno-almoço seja bom.

E a solidão do pequeno-almoço? Nada revela mais a condição humana do que uma pessoa sozinha à mesa, a olhar para o telemóvel como se este fosse capaz de lhe dar um sentido para o dia. Ou pior: um casal em silêncio, mastigando em uníssono. O amor, no fim, também tem ritmo.

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