2008-10-15

Milos Forman no Salão Ritz


© Nellie Vin


O local? algures entre a Praça da Alegria e o Parque Mayer. Recordo-me da larga escadaria frontal com os degraus forrados num tapete vermelho gasto por gerações de avós a netos de pé leve e corações ardentes, muitas madeiras em talha dourada e os inevitáveis espelhos com as manchas de patina reflectindo o último passar de mão pelos cabelos antes da cortina se abrir e penetrar no semi escuro que aconchega nas mesas espumante barato e whisky rasca. Ao fundo e como cenário, o palco onde a orquestra hesita nota a nota entre morrerem no seu posto e de instrumento em riste ou, se já mortos como os alvos casacos encimados por lacinhos dez centímetros abaixo de rostos dum século indiciam, apenas repetem os acordes em lentos movimentos para contrariarem o rictus mortis que aparentam e assim enganarem algum médico-legista que tenha lá caído para dar um pé de dança.

Soam slows continuamente. As Damas, que em fugazes momentos duma luz indiscreta dum isqueiro fazem suspeitar serem irmãs, filhas mais velhas e uma ou outra até mães da esforçada orquestra que simula em arremedos de acordes que ainda vive e não morreu, elas, as Belas, antecedem em maquilhagem e profundidade de olhar escolas de cinema neo-realistas que Cannes ainda não sonhava premiar, e enquanto sinto o osso da perna da que o destino me sentara ao lado cravar-se na minha, a mão gélida torneando-me o pescoço e a voz que se quereria ciciante murmurar-me ao ouvido em pigarros de catarro de Três-Vintes: "filho, mandas vir outro 'Magos' e depois dançamos?", eu sinto-me não filho mas neto daquele olhar 'femme fatale' de décadas de avanço, que me leva, um, a duma golada beber a minha zurrapa e pedir outra, dois, a pedir ao solícito outra bebida para "a menina" e anuir-lhe que sim, a cabeça para cima e para baixo para se libertar do toque da pele fria que lhe cobre os ossos - sentia-os da falange à falangeta. Se ela e a sua insistente perna me permitissem evadir-me sentir-me-ia outro Milos Forman a filmar o baile dos bombeiros da associação do bairro.

Mas não. É um salão de baile feito casa de alterne, se o alemão ainda não me engana é o velho Salão Ritz e falo do início da década de oitenta do finado. Contar como lá caí era ignorar a música que soava, lenta repetitiva, esforçada, e seria um desrespeito à estória. Por isso nada de miudezas. Com as goelas e o estômago a arder pela mistela de Sacavém deixei-me conduzir pela mão para a pista onde as luzes baças deixavam ver outros figurantes do sketch surrealista. Bailavam, a ideia era essa e a orquestra sobrevivia para isso e cria em mim que os outros, como eu, sentíamos o dever instintivo de bailar, bailar sempre, porque se a pista se esvaziasse um a um os casacos brancos com lacinhos pretos caíam como folhas fora de prazo tantos os Outonos que já deviam à tumba: sobreviviam porque tocavam, e tocavam para que se bailasse. Ela, a Bela? algo cruzado e esforçado entre a avó anoréxica dum futuro 'Família Adams' e uma vamp fora d'época - havia fascínio no momento que sentia-o como único: desde que subira a escadaria iluminada pelo vetusto lustre e pelo vermelho e ouro da decoração que os gastos espelhos me diziam, mesmo antes da cortina se abrir e penetrar em cena, sabia que vivia um momento que já não existia, não era nem da minha época nem da cidade que lá fora existia, finda a escadaria: uma máquina do tempo teleportara-me para um pedaço de celulóide de cinemateca e bebia-o e inalava-o sequioso, bem ciente do privilégio histórico de ser-me propiciado vivê-lo. Se entre mesas divisasse caras conhecidas por fotos de álbum de família, o meu tio Olívio que nos finais de cinquenta's emigrara para o Brasil ou até o meu pai que, rezam os anais da família, fora galã marialva na sua época lisboeta, não me surpreenderia por aí além. Pensava-o para mim enquanto a mão lhe torneava a cintura de vespa reformada e aspirava o cheiro da laca e de decilitros de perfume que me envolviam na névoa onde bailava um, dois slows. Noblesse obligue, ousei teclar solidariamente aos colegas de palco um tímido piano nas costas desnudadas, e hérnia discal a hérnia discal acompanhava o ritmo que o palco de mortos-vivos debitava: não havia ritmo para subir uma oitava nem desci qualquer nota de levantar a plateia muito embora o primeiro balcão se esforçasse e se colasse ao meu peito. A Dama, a pista, o décor, as luzes e a orquestra em nada ajudavam a um lá bemol maior que soltasse vidas, baladas e ritmos à partenaire ou à assistência. Bailasse, eis o guião da noite no Salão Lisboa, e o escritor não tivera um momento esfuziante quando mo escrevera - pensava.

A orquestra, coitada, faz uma pausa que eu entendi como a sua deixa para oxigenarem a existência. Foi o meu erro pois não a aproveitei e recolhi à mesa, outro 'Magos' e meio copo de tintura de iodo afogado em gelo e fim de tournée...! O Maestro ressuscita e arrasta no seu milagre colegas, instrumentos, imagine-se que até o som: soa um Tango! Esclareçamo-nos desde já: rock é rock e basta abanar o capacete e fazer olhinhos à garina; slow é slow e não fosse a Dama uma madame que me merecia provecto respeito e sabia como me desenrascar. Um e outro são como andar de bicicleta. Mas um tango... isso já é brevet ou carta de patrão da costa! Um Tango, senhores! Não, não estava no guião. Nunca estivera! Mais e para completar: das profundezas avoengas do olhar da Dama emergiu um brilho que em princípio não cataloguei como perigoso mas que o súbito estremeção do até então plácido esqueleto disse-me que para brincadeira já chegava e agora é que se começava a tratar de coisas sérias. Tão sérias foram que nas suas mãos rodopiei como nunca julguei possível, levei baile, bailarico e, acredito, momentos houve em que até dancei o tango guiado pista afora por uma cicerone mista de alucinada rejuvenescida e indefectível à arte. Nos seus braços e em volta do seu corpo fiz de mim o que não sabia estar ao meu alcance, o seu olhar profundo e magnético cravado em mim, ordenando e descodificando o que as suas mãos mimavam às minhas em gestos, puxões e impulsos decididos. No palco os mortos ressuscitavam tal como eu. E as cordas trinavam, os metais assopravam, o piano desenfiavasse e desenrascavasse de teias d'aranha. Foi o momento alto da rodagem e o meu excelsus como bailarino e actor.

Quando o realizador disse "corta!" e tive autorização para voltar à mesa, obviamente bebi um duplo. Depois osculei a minha Dama na mão que não segurava a taça e sem mais palavras que as que os meus olhos diziam, e desci a escadaria do tapete vermelho sem olhar para os espelhos: neles, só podia mesmo era estar reflectido Gene Kelly saltitando os degraus como se chovesse. E chovera... por isso eu cantava!.




A resposta ao desafio segundo Carlos Gil.

15/10




aqui


2008-10-14

A dança


(algures da net, disse o autor)


Sempre que a música tocava lá vinhas tu preparada a desafiar para mais um pé de dança, sabendo bem que eu detestava, pois tinha os pés tortos para tal proeza, então desistias de mim facilmente e afastavas tudo do teu caminho, e eu, como de costume, ficava deitado no nosso sofá, a ver-te pela sala, descalça a dançar ao som das batidas. Nasceste com ritmo, conhecias todos os passos de todos os géneros musicais, nunca chegaste a saber o quanto me sentia infeliz por não te poder acompanhar nessa alegria da dança. Ver-te dançar é uma das mais belas memórias que tenho de ti que me faz sempre sorrir. Acho que nunca te disse o quanto gostava de te ver assim, feliz!




A resposta ao desafio segundo o Tozé.

Crise


©Francesco Clementei, House of Cards


Lembro sempre, da minha adolescência, os "filhos família" a quem os papás deram tudo o que não tinham tido na própria adolescência: as motas, as férias da Páscoa no Algarve, as roupas de marca, os óculos, as botas, os estudos em qualquer externato bem pago, depois a carta, o carro, o curso superior, o estatuto, sei lá! Miúdos mimados com tempo e dinheiro a mais entre mãos. E uma ânsia de experimentar tudo, viver tudo demasiado depressa e com excessivas facilidades. E resultou nesta geração a quem deram agora as rédeas do Mundo de bandeja, fácil e a crédito, sem grandes metas, ou grandes sonhos, ou sequer uma pequena utopia, para além de qualquer desejo material.

A minha geração não se lembra realmente de tempos difíceis. As dificuldades reais são sempre culpa dos outros, os tais que não lhe dão o que merece. Mas vai buscar com à vontade o subsídio de desemprego ou rendimento de inserção. É a geração que nem pensou em poupar para comprar casa e pôs os pais a pedir por ela o crédito bonificado da casinha que foi trocada por uma casinha melhor cinco anos depois. Ou o carro de gama alta, houvesse ou não dinheiro para o pagar. Ou as férias a crédito. Ou o crédito a la minute à distância de um telefonema.

É a geração que faz compras por enfado, não por necessidade. Que quer estar na moda, mesmo que nem a moda entenda ou sequer se sinta coagida pela força do marketing a ter o que não precisa. A geração que culpa sempre todos, menos a ela própria, pelos desvarios.

A minha geração estava nos cueiros quando foi o choque petrolífero nos anos 70; estava na escola a viver à conta dos papás quando o FMI veio meter o dedo nas aselhices de uma economia que ainda não sabia se queria virar à direita ou à esquerda e só se enterrava cada vez mais. É a geração que estava a acabar o secundário ou no início do curso na universidade quando a bolsa crashou em finais de 80. É a geração do dinheiro a rodos a entrar pelos fundos comunitários, da democratização do acesso ao ensino superior e do início das reformas acéfalas e sucessivas de todos os graus do ensino. É a geração que viu a falência do socialismo de estado e viu cair as diferentes fachadas do comunismo e por isso santificou o mercado. É a geração que se convenceu que é livre e não entende que a liberdade também implica compromissos e sacrifícios. É a geração que acha que a cidadania é palavrão e a entregou a uns quantos para que a exerçam a mandato e esquece que a cidadania é feita por todos nós. É a geração que enche a boca para falar de democracia e, no entanto, se recusa a ir votar ou sequer entende realmente o que é o pluralismo e direitos iguais para quem é diferente. É a geração que desbaratou as ideologias, que não as quer, não as entende. É a geração sem compromissos, tirando a dívida que tem de ser paga ao dia certo. É a geração que tem tudo, menos norte. E nunca viveu realmente a crise. Por isso, a crise caiu-lhe em cima da cabeça e desta vez não vai sobreviver nadando de costas.

O paradigma está a mudar. A mudança não é brusca, mas feita de duros golpes. E a minha geração está à toa. Deram-lhe o Mundo e meia dúzia de regras, desde a mão invisível ao Estado Providência. Não lhe disseram que ia ter de se esforçar. À minha geração nunca foi pedido qualquer esforço. A minha geração nunca quis ter o encargo de ser uma geração. E nunca lhe disseram que ia ser difícil e que, um dia, a normalidade ficaria virada do avesso. E que fosse, finalmente, da responsabilidade desta geração ausente criar as regras novas do Mundo que vai continuar a ser. Para alem do dólar, da Europa, da globalização. Para além de qualquer abstracto. Mas com um qualquer abstracto que esta geração perdeu, tirando a forma abstracta como culpa tudo, menos a ela mesma, desde o preço da gasolina ao sacana do banco que lhe emprestou o dinheiro para a casa e o carro acima do que podia, ou para as férias na neve, mais as férias em Natal, ou o plasma, ou tudo o mais que tem de ter, mesmo que não precise.

E quando já não há os pais para lhe avalisar os créditos bonificados que também já não há, ou que nem entende a taxa de juro que não pára de aumentar, então a geração trauliteira e esbanjadora chora-se e lamenta-se e estica daqui e estica dali e vai levando à espera de melhores dias, culpando tudo e todos, menos a sua falta de juízo e a sua ganância e os restos da abundância empacotada na arrecadação.

2008-10-13

Mesmo sem convite




Nã sê dançar, nã sê cantar e canto, por vezes danço levado a reboque desta ou daquela.
...

Recolhi-me naquela sala vermelha fugindo de um luar que me sufocava, que roubava o brilho às estrelas para o entregar, cúmplice da humidade fria da noite, à pedra da calçadas. Aqui prevalece a penumbra, as palavras ciciadas não adquirem significado, os gestos são lentos, aparentemente calmos; as mesas abandonadas fazem companhia aos instrumentos lá no canto, aquele cigarro esquecido, esvaindo-se liberta o fumo que desaparece no ar mas dele fica o doce cheiro.
Vou sorvendo a bebida que me aquece a alma fria à medida que me afasto no tempo resistindo ao regresso do vermelho desta sala turbulenta aquecida no embalado movimento de corpos e olhos colados, na cadencia sincopada das notas libertadas de um piano e do acordeão que abraças em meneio do corpo e à perseguição do teu olhar vergando o meu. Não é verdade que estejas diante de mim, que me tomes e me arrastes, me domes a compasso de um piano tocando só, como marioneta presa dos teus dedos, suspensa nos teus braços e do calor da tua respiração. Quero esquecer, o que mudo me disseste com o arquear de sobrancelhas, para, rodopiando me apartares do teu copo, quero esquecer as promessas que fizeste com os lábios fechados, ao tomares-me de novo, quero esquecer o teu rosto sobre mim debruçado com a última nota do piano pairando no ar.
Soam acordes, para me despertarem numa sala vermelha, quase cheia, o piano ataca seguido de um violino, um par entrelaça-se por um momento quietos desafiam-se num olhar e partem sem o acordeão.
Quase tudo te perdoo, mas o teres levado outra na tua última viagem de mota, não. Um dia esquecerei o teu rosto, até o teu cheiro, talvez.




A resposta ao desafio segundo Erecteu.

2008-10-12

Ufa!


Jörg Haider


Não é ficar contente com uma morte, é só esperar que, neste caso, a terra lhe seja bem pesada.

A prima da obra (*)

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«Enquanto o PS casa com o PSD no altar da banca, Cavaco casa com Sócrates e a Manuela casa com o Santana os gays continuam sem se poder casar, isso do casamento é só para quem procria, nem que procriem dinheiro, poder ou alianças políticas duvidosas.»

in, O Jumento


Não esqueço que a maioria para o PS veio menos da competência e das promessas apregoadas do que do fartos e enojados que todos andávamos com os desvarios da coligação PSD-CDS. Custa? Ah pois custa! Tem custado a todos. E ainda deve custar mais o medo com que se fica por José Sócrates e o seu PS de voto condicionado poderem permanecer no poleiro. Mais uma vez, não tanto pela competência, muito mais pelo desnorte e inépcia das alternativas. No rescaldo, os pobres continuarão pobres, os ricos safam-se sempre e nós, que pagamos a factura, ficaremos cada vez mais remediados. E como os únicos desempregados que contam realmente são os amigos dos amigos, é preciso voltar a arranjar-lhes tacho, esperando que uma legislatura chegue para que o povinho esqueça o nojo. E a minha dúvida é: se Santana vai para a CM de Lisboa, onde vão meter o Portas?


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(*) título roubado descaradamente ao "Pela Boca Morre o Peixe" de João Pombeiro.

2008-10-11

Os cavalos também se abatem (*)




Em épocas de crise, apenas uma verdade resiste: sobreviver. E sobreviver não é bonito, nem tem de ser bonito. Pode ser degradante, malcheiroso, indigno. E pode também ser um espectáculo. Nos jornais e telejornais, a desgraça já é parangona há demasiado tempo. Tanto tempo que as pessoas já começaram a desenvolver anticorpos a essa desgraça demasiado evidente. Sobra continuarmos a ver o espectáculo degradante dos programas onde se vendem as verdades íntimas para deleite do voyeurismo alheio, num excesso de "survivors" e "big brthers" agora exponenciados à crise. E, se isto continua a piorar, não será só o euromilhões que vê o número de jogadores a triplicar entre os portugueses. A televisão tratará de fornecer o circo e o pão de alguma maneira, sabendo que o espectáculo iníquo da sobrevivência alheia tem sempre público fiel. E que haja piedade para as nossas almas.



(*) Título português de They Shoot Horses, Don’t They?, de Horace McCoy e, sim, lembrei-me disto à conta de andar a falar de Tango enquanto tudo à nossa volta fica cada vez mais de tanga e muitos parecem apenas estar na tanga connosco. Talvez até já façam apostas em quem sobrevive e quem não; talvez se limitem a ser espectadores. Mas mais certo ainda é que deve andar por ai muito boa gente que vai sobreviver à crise bem melhor do que estava antes, enquanto todos os outros – a grande maioria – tentará sobreviver sem meter uma bala nos cornos.



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A imagem é parte do cartaz do filme de Sidney Pollack que podem encontrar aqui.

Dançar


© Anemarie Heinrich


Dançar nunca fora o seu forte, embora a música marcasse presença assídua nos seus dias.Tango, então, nem pensar. Já de Tang não poderia dizer o mesmo, ainda que noutros tempos o houvesse apenas com sabor a laranja. Beber Tang é o gesto mais prosaico que se pode ter. Não é preciso sentir sede, nem ser Verão, nem ter visitas em casa. Basta uma dose de gulodice e ter um pacotinho na despensa. Depois, é só deitar o pó num jarro e juntar água – se esta é fresca ou natural, depende do gosto de cada um. Dizem que é melhor com água fresca.

Para se dançar tango também não é necessário ter-se nascido ou estado na Argentina, nem sequer calçar saltos altos ou vestir uma saia com uma racha até ao pescoço. Para se dançar tango, confidenciou-me um apreciador do Piazzola com quem entabulei conversa na sala de estar de um aeroporto, é imprescindível ter-se alma de poeta, uma boa dose de emoção, o mesmo de sensualidade, os gestos suaves de uma ave. A tudo, deve acrescentar-se um olhar de matadora. Cheguei a perguntar ao meu interlocutor se é de todo necessário ter um par, mas já ele respondia apressado à última chamada para o embarque.




A resposta ao desafio segundo Deep.

O último tango em Paris


Maria Schneider e Marlon Brando

Hipatia, atendendo à minha presente e notória falta de criatividade, encara este apontamento como homenagem a um filme que fez furor há 35 anos - e sobretudo ao poderoso e muito à flor da pele Marlon Brando; ainda hoje, repara como se me distende o olhar na visão destes abençoados cinquenta anos.



A resposta ao desafio segundo Vague.

2008-10-10

Tango


© F. Castelo


A resposta ao desafio segundo efe.

A vida é uma tanga


© Catarina Paramos


A racha da saia preta a descobrir-me a perna artilhada de liga e o pedaço de carne branca que justificava o que a meia encobria quando dobrava um joelho para encostar um pé à parede e dar início ao espectáculo em que rodopiávamos pela sala de braços em riste e carnes atracadas pela linha de junção do meio das ancas. Mimando a puta e o chulo faiscávamos olhares de matador um de encontro ao outro e repentes convulsivos do corpo para abanar as mamas e me dobrar pela metade com o seu corpo a resfolegar sobre o meu num frémito de sedução que arrancava aplausos da plateia.
Para no final desembocarmos no camarim, cu contra cu, a despirmos o espectáculo cuidadosamente dobrado para um malote e a vestirmos os nossos corpos há tanto apartados esticando a largura que a nossa cama permitia sem um pingo transpirado de paixão.
Não fosse o foco de luz providencial desviar para a flor berrante do cabelo ou o contorno das pernas e por vezes seria evidente o molhado dos meus olhos que na penumbra envolvente descortinaram os dele atento a todos os mecanismos luminotécnicos e me apontaram a porta da casa de banho onde em ganas desenfreadas atirámos com as roupas e sobre o tampo da sanita nos cavalgámos em abraços ao som de uma dança de beijos carpinteiros como se a tanga da vida fosse acabar amanhã.







A resposta ao desafio segundo a Maria Árvore.

2008-10-09

Eu não danço o tango


© Fabian Perez



Eu não danço o tango
É ele que me dança
Enquanto o teu corpo, o meu roçando
Vai afastando o véu
Que entre nós balança
Quando em voos flanando
Suspensos num céu
Se buscam as mãos, se encontram as bocas
Se gritam os gestos
Em manobras loucas
Rodopios lestos
Quando a perna avança
E a cintura no vórtice se quebra
És tu a dança, toda a pujança
Que o tango celebra





A resposta ao desafio segundo Bartolomeu.
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Tango


© Maria Amaral



O acordeão do Pablo dá o mote
Olho para ti em silêncio
Antecipando o momento em que
os nossos corpos vão sincronizar
rodopiando em avanços enleados
certos e cadênciados
Em cada momento sinto o teu corpo
parar no meu
A vertigem do teu rosto é percorrida
pelo ritmo das minhas mãos
que te seguram quando mais uma vez
reclinada te seguro
Tango
é paixão, é movimento ardente de duas almas
que voam sobre nuvens projectadas
em céus infinitos





A resposta ao desafio segundo Luis_Duverge.

2008-10-08

It takes two



Apetecia-me dançar nos teus braços, embrulhar o meu reflexo no teu, trepar-te lentamente como se me fizesse hera verde, ou então um maracujeiro perfumado.

Apetecia-me dançar bem devagar e ficar ali enrolada, a fazer o corpo nosso no que antes tinha sido apenas teu, apenas meu…

E de seguida aumentar o ritmo, convulsa, tresloucada, ciumenta desta distância que nos envenena a dança.

Mostrar-te depois que ainda trago a faca na liga e as unhas afiadas, prontas a escorrerem pelo teu peito como carreiros rubros. Ou a saliva morna traçando os mesmos rastos.

Roçar-me em ti até que já nem saibas como me queres, querendo-me; até já nem saber como te quero, querendo-te.

E a fome depois finalmente saciada, até que esta distância me lembre outra vez como se pode transformar a nossa paixão em tango.

Corpos desaguados de tempo e de ritmo e deste estar para aqui longe e sozinha e cansada e com tanta vontade de dançar, dançar-nos, dançar-te.

2008-10-07

Desafio Libertango



Hoje vou ver tango. E promete!

Já agora, quem é que me quer escrever um post sobre tango, nos moldes dos desafios do costume aqui da Voz?

Já há muito que não desafio ninguém e sei bem como, às vezes, um mote dado pode ser inspirador.

Vá! Surpreendam-me como de costume.


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2008-10-06

Polly Jean


at bee mp3 search engine

Coisas que não entendo


aqui


Em casa de uma amiga, o título de um livro chama-me a atenção: "mulher procura homem impotente para relacionamento sério". Como? Que andas tu a ler? Mas que raio de absurdo é este? Para que quer uma mulher um gajo que não funcione? E nem é o não funcionar a cabeça lá de baixo. É o tanto que não deve funcionar a cabeça de cima num gajo com o Zéquinha comatoso.

Digamos que nenhuma de nós gosta de ter um tipo completamente "caralhocêntrico". Mas queremos um gajo inteiro e sem traumas, certo? E se os gajos já são um ser complicado q.b., com umas debilidades egocêntricas que nem chegamos bem a entender, um gajo que não possa medir e exprimir o que vale também pela força que ainda tem, deve ser um espécime a evitar a todo o custo.

É que mesmo quando não queremos um gajo para ir para a cama com ele, se escolhemos a companhia de um gajo não é bem por ser eunuco.

Acabar a gostar de alguém e ter de lidar com doenças e/ou deficiências é algo a que nos sujeitamos. Não é – não pode ser – algo que se procura deliberadamente. É quase como comer chocolate dietético e fingir que sabe ao mesmo. Não fosse o fígado ou o peso, estaríamos era a empanturrar-nos do mais calórico possível.

Mas pior é uma
alminha ter pensado na hipótese e até ter escrito um livro. E ainda pior é eu ter trazido o livro para ver como é a história. Há coisas que não entendo…

2008-10-05

Starfuckers, inc.


Starfuckers, Inc. - Nine Inch Nails -


Há anos, vi um texto censurado no sítio que frequentava na altura, porque o título era o que está agora neste post, remetendo para os NIN. Obviamente que não era bem sobre música que eu queria falar; e obviamente que acabei a falar à mesma do que me apetecia. A censura, por mais eficaz, nunca é infalível. Só não consegui pôr o título e, por isso, hoje vem para aqui. O vídeo também.

Recado


aqui


Não sei que coisa fizeste ao coiso, mas é só para avisar que agora o teu coiso não actualiza no meu coiso de leituras.

eheh


aqui


Tens razão! Parece que já não ponho cá um Josh há muito tempo. Até me faz melhorar logo os humores :)

2008-10-04

Mal-humorada

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Mantém-se o mau humor como previsto. E, apesar do sol que continua a fazer ali fora e para onde penso fugir de seguida, acordei tão bem disposta como tenho andado nos últimos dias. Estou mesmo numa fase do “saiam-me da frente ou dou cabo desta merda toda”. Acho que já deu para notar, não é? E, sim Maria Árvore, talvez não seja má ideia trazer o comentário para aqui. Talvez evite assim palavrinhas raivosas sobre outro assunto qualquer, que ultimamente o que menos falta são tretas para me mandarem aos arames. Cá está ele, quase tal e qual como o deixei na caixa de comentários do Apenas + 1. Mas a um Sábado que é, normalmente, dia de poucas leituras. Não quero contaminar ninguém.


hipatia said, on Outubro 2nd, 2008 at


Foda-se para o peditório do código de conduta dos blogues! Estou farta da conversa e das entrelinhas que lhe apanho. Essa não é a minha blogosfera. Como não era a minha blogosfera aquela enxovalhada na TV há uns tempos. Cada um que enfie a carapuça que quer. Mas não me venham com merdas: o facto de me recusar a ser parte do gangue deles é a única desculpa que antevejo para me tentarem obrigar a vestir uma camisinha de varas fascizóide. Com um bocado de sorte, talvez se esqueçam de mim. Sempre fiz por isso, aliás: no 5º ano de blogue vivo e a publicar regularmente, nunca me cheguei a links daninhos de uma mainstream que a todos parece apetecer, mas de onde me mantenho convenientemente afastada. E não os tenho na lista de bloggers que linko nem nunca vão estar. E nem os cito sequer, que na maior parte dos dias pura e simplesmente me recuso a reconhecer que existem e, nos outros, faço de conta que pertencem a raça diferente. E, sim, eu penso pela minha cabeça e não deixo que pseudo-jornalistas ou alguns à espera do lugar se transformem em fazedores da minha opinião. Por deformação profissional – e nessa minha “deformação” as regras com que se cose um texto são bem mais estritas do que os copy-pastes que os jornais fazem da “Lusa” ou os comentadores fazem uns dos outros ou de bloggers estrangeiros que pensam que ninguém lê – sempre tive o cuidado de respeitar o trabalho alheio, mesmo se não há um único post meu que não comece com uma epígrafe e essa nunca é da minha grafia. Sei que, no que toca especialmente às imagens, as fontes devem estar há muito esquecidas. Mas na minha deformação profissional o c.f. e o apud continuam a ter valia. E não me fodam o juízo com essas tretas peganhentas. Sim, a protecção contra as violações dos direitos dos outros está mais do que consagrada na lei e só ninguém exerce os seus direitos porque, infelizmente, dá demasiado trabalho e demasiadas chatices e ainda há a filha-da-putice da Justiça à moda portuguesa que só avança para o lado que lhe dá jeito. Mas uma “ordem do bloggers”? é isso? E com um mono, tipo os gajos que estão à frente da Ordem dos Médicos ou da Ordem dos Advogados ou até da Ordem dos Arquitectos, que já foi condenada em Tribunal por achar que manda mais do que a Lei do Estado e achava que tinha direito a reconhecer mais e para além desse mesmo Estado quem é ou não arquitecto depois de terminar um curso “licenciado” – e por isso mesmo válido – pelo tal Estado que somos todos nós? Ou a treta do PM ser ou não Engenheiro, porque a Ordem só o aceita se pagar a conta? Tenham dó! Não há nada mais corporativista e mais jurássico do que isso. E não terá boas consequências, tirando para os tais mainstream que, finalmente, ficarão com o espaço só para eles, para continuarem apenas a falar entre eles e, no fim, só ficarem bem satisfeitos com o punhetório mental que conseguem com essas coisas pequeninas onde esgotam toda a tusa. Os outros, como eu, que sabem que se andarem perto da merda acabam mal-cheirosos, limitar-se-ão a fechar as portas do blogue e a arranjarem outras coisas. Como quando trocaram as newsgroups pelos chats e depois pelos fóruns e depois pela blogocoisa. Há sempre algo que vem depois. E, sozinhos, os que restarão serão uns infelizes, como aqueles que continuam a frequentar os espaços que eram antes o mainstream e de onde, entretanto, toda a gente debandou.


E tu, Eufigénio, que até já me viste a cara e até me sabes provavelmente o nome, desculpa o lençol e a irritação (e os palavões também). Mas isto tira-me mesmo do sério e estou farta. Para os outros, continuo a ser a anónima Hipátia e não peço desculpa a ninguém por ter opinião e a exercer no meu blogue.

2008-10-03

Heil!


aqui

Depois de ouvir o discurso abjecto para os microfones indigentes de quem o deixou palrar absurdos em lugar de se submeter ao óbvio (ie, foi condenado por violar várias leis ao cometer diversos crimes), só me apraz dizer uma coisa:


que seja bem empalado na prisão!


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2008-10-02

As empatas


aqui

Há um certo tipo de fêmea que, chegada a certa idade – normalmente os 40 ou lá perto – aloira. Na verdade, continuam a ser as mulheres de sempre, mas agora conseguem parecer mais parvas e histéricas do que a pior das miúdas com demasiada liberdade e ainda menos juízo. E, tal como as miúdas que quando começam a sair à noite exageram na maquilhagem para disfarçarem na idade, também este tipo de mulher se esforça demasiado para parecer o que já não é.

Por isso digo que aloiram. Como se, chegadas a essa tal idade – provavelmente já descasadas várias vezes e a começarem a sentir um certo peso de alguma coisa que as faz temerem a falta de outro peso –, se dirigissem aos magotes aos mesmos cabeleireiros e às mesmas lojas e, depois, aos mesmos restaurantes e aos mesmos bares, ficando todas pavorosamente parecidas: um borrão de gajedo à caça.

Histriónicas e barulhentas (sempre muito barulhentas, com muito gritinho e beijinho e abracinho e o caralhinho), falam demasiado alto, ocupam toda a casa de banho e, coisa estranha, fazem-se de burras. Não chego a entender porque quer alguém parecer assim burra, mas talvez seja para não fazerem fugir a caça que sobra; ou então para poderem, umas perante as outras, manterem-se inofensivamente parecidas e de unhas bem escondidas, que as mulheres de que falo têm sempre muitas amigas com exactamente as mesmas preocupações, esgares e maleitas e até a mesma hora para mijarem.

E é vê-las a (des)conversarem sobre carteiras e sobre sapatos e sobre gajos (enquanto empatam na casa de banho do restaurante) para ficarem sempre num determinado patamar de conforto onde a conversa precisa ser inócua e não potenciadora de conflitos. Depois, muitas delas talvez temam estar a perder a vez para as pitinhas da nova geração com tudo ainda no sítio e desatam a procurar uma certa visibilidade que lhes permita manterem alguma ilusão do holofote.

E estaria tudo bem, não fosse estas cabras encafuarem-se todas ao mesmo tempo nas casas de banho, a enconarem a vida de quem tem mais o que fazer.

2008-10-01

Rede


aqui

Uma miúda que conheço escapou por pouco às garras da anorexia. Perdeu os dentes todos, mas conseguiu não perder a vida. E, hoje, agarrada ao seu portátil, prende-se às conversas on-line com o grupo de entreajuda.

É sempre bom saber que este vício que é a net também pode servir para mais do que trocas de alfinetadas, negociação de favores, engates ou púlpitos palavrosos. E às vezes esqueço-me disso.

E já nem há mil reis


aqui

A crise segundo a Catarina.

2008-09-30

(...)



But if you're gonna dine with the cannibals
Sooner or later, darling, you're gonna get eaten

É música, é

.

«Depois do sucesso "Arranja-me um emprego"*, a tocar há largos anos neste país, agora o hit que promete não deixar ninguém sentado: "Orienta aí uma casinha". A sacudir os esqueletos em Lisboa desde quando, é o que falta apurar.»

I.


E, aqui no Porto, Rui Rio perdeu por agora a negociata "Bolhão". Mas não quer dizer que não arranje outra cantiga rapidamente.

2008-09-29

No escurinho do cinema


Acho que não era bem isto que querias que eu contasse sobre as minhas aventuras no escurinho do cinema. Mas, de certo modo, estes motes servem também para enfrentarmos as nossas vergonhas íntimas. E esta, minha amiga, tem dimensões perversas, tendo-me inclusive feito questionar qualquer sentimento que me prendia ao gajo sentado mesmo ali à minha beira.

É que nem bem tinham passado cinco minutinhos de filme, a cabeça resvalou-lhe para trás – e lembras-te como eram antigamente as cadeiras dos cinemas? – e a boca abriu-se. A partir dai, por entre as cenas do filme, mais do que a banda sonora, começou a ouvir-se um monumental e altivo ronco.

No escurinho do cinema, fingi que estava sozinha e à saída tentei tornar-me invisível.

É que do escurinho do cinema não sobram só histórias lindas :)

Crappy day



... segundas-feiras.





(até logo!)

2008-09-28

E já bebi vinho doce!


aqui

No Algarve chove torrencialmente. Levanto-me e vou confirmar à janela: é! ainda vejo o sol. O clima está doido ou somos nós, aqui no Norte, que estamos mal habituados?

Será isto?

.

(leiam nas não vomitem)

.

«Não, com panelairagem indecente tipo sócrates, não quero nada. Esteja, portanto, descansando. E, da minha parte não necessita de acirrar o seu ciúme – eu só de ver algumas paneleirices, já vomito!... Fico off!Portanto. Se ficou com ciúmes, esteja descansado!

Ouviu o sr. o dito guru satâncio a desmentir tal facto? Quando!?

Pois se você nem sabe o que é a coerência e a civilização, como pode perceber o que é a coerência sociológica e civilizacional? Teorias? A civilização e a civilidade, não são teóricas, são práticas. Práticas e indispensáveis: ou se conhecem ou não – cada vez menos, infelizmente, vemos que não: dos gangs, aos assaltos; dos burlões às “paradas” da paneleiragem… cada vez vemos menos civilização na prática social!Se o sr. é um simples leitor de retrete publica… que quer que lhe faça!?

Pois, se um paneleiro vive de comportamentos anormais, mas eu não me relaciono em tais meios, como quer que lhe mostre, a não ser pelas figures indecentes que fazem na rua.Desde quando é aceitável que um individuo venha para a rua, fazer da sua privacidade um espectáculos indecente? Como explica que, algumas entidades ligadas á educação tenham informado alguns estabelecimentos de ensino de que o conteúdo dum site de paneleirice (ilga, salvo erro), “não contém material com relevante valor pedagógico”, mas sim um conteúdo não recomendável a crianças, pelo que se “desaconselha” a sua consulta em trabalhos de âmbito pedagógico, no ramo da sexualidade!? Como explica isto!? Nem um professor me soube explicar!!!!

Paradas e badalhoquice? … Sim , uma parada é um espectáculo indecente de frustrados que não são capazes de se conter… logo perigosos!!! Não são práticas de paneleirice indecente todos os actos pedófilos que estão em julgamento?

A liberdade exige responsabilidade. Onde está ela?O que é isso de opção sexual? Nem duvide que é a natureza que está em cheque! Alias, são sempre os comportamentos irracionais de alguns homens que colocam a natureza em cheque. Como vê, a natureza é anti paneleirice… leve-a a tribuna! Insulte-a! Meta-a na cadeia! Na verdade, a antropologia, só trata do Homem civilizado e não do bicho-homem. Ora, na antropologia, não cabe a paneleirice. Resta o bicho–homem: na biologia, na zoologia! Na biologia, não, porque os indivíduos têm funções próprias consoante a sua espécie, grupo e ordem…

Resta a zoologia!!!

Ou seja, regredir por via da anormalidade(segundo uns é de origem genética, segundo outros é consequência da prática social) comportamental (já que não quer sociológica e civilizacional), à floresta original! Mas, se tem dificuldades em compreender as razões da anormalidade na junção de dois machos, tente calçar dois sapatos do pé direito… depois, perceberá! Não confunda liberdade com libertinagem, porque esta última pode ser criminosa, ou pelo menos um atalho para a estupidez!

No entando, nada tenho contra os comportamentos particulares exercidos em privado. Cada qual é livre de gerir os seus comportamentos, desde que o faça em privado e não venha tentar cuspir odio sobre a estrutura sociocultural de uma sociedade!»

comentário neste post



Cada vez que vejo este grau de discurso obtuso e fechado nas tais verdades que todos dizem conhecer mas ninguém parece ser capaz de demonstrar, tenho tendência a achar que é gente com questões relacionadas com a própria sexualidade mal resolvidas. Só assim consigo entender o grau de fobia; só assim se torna compreensível o medo do diferente que tresanda.

Este senhor afirma com todas as teclas que José Sócrates é gay. Não tem qualquer prova, mas também acha que não precisa. Ouviu dizer e como não gosta de Sócrates nem de gays, obviamente que Sócrates é gay. Também não tem qualquer teoria que sustente que a homossexualidade é contra-natura. E não parece precisar, já que acha que tem o monopólio das verdades sociológicas e civilizacionais. E também não consegue sequer perceber que possa haver um heterossexual – e mulher – que defende algo diferente. Dai que a Hipátia deste blogue tenha sido transformada em homem no seu discurso. Suponho que também pense que sou gay. Confunde opção sexual com anormalidade, toda a comunidade gay vira pedófila e, para culminar, obviamente que são todos, cientificamente, badalhocos e indecentes. É que este senhor sabe – não precisa fundamentar, porque sabe de verdade sabidinha –, que todos os gays são assim. E ponto final, que nem precisa confirmar qualquer das bojardas em que acredita. Contra este grau de certeza, como argumentar? Nunca vai entender. Nem quer. E depois diz que defende a liberdade mas, obviamente, se a liberdade do outro é diferente da sua, então já só é libertinagem. Como se não fosse previsível em qualquer discurso fóbico e preconceituoso que o outro, o diferente, fique sempre aquém do mesmo quinhão de direitos.

É isto que teme o PS? É esta gentalha cheia de verdades não comprovadas e medos previsíveis que impede que questões de igualdade e liberdade sejam debatidas e consagradas na letra da lei? É por isso que, mais uma vez, a legislação que acabe com a discriminação sexual de gays no acesso ao contrato civil que legitima e legisla a vida em comum, com todos os seus direitos e deveres inerentes, é corrida para debaixo do tapete das prioridades?

Que o PS não queira ficar refém das manobras políticas do BE e dos Verdes até entendo. Que o Governo imponha o voto à bancada socialista na AR já não. E muito menos que não se faça o debate alargado sobre este assunto, para que as tais verdades dogmáticas de uns não se imponham sem respeito a todos os outros.

2008-09-27

RIP




Get yourself a Sweet Madonna,
Dressed in rhinestones sitting on a
Pedestal of abalone shell,
Goin' ninety, I ain’t scary
'Cause I've got my Virgin Mary,
Assuring me that I won't go to Hell.

"Plastic Jesus", in "Cool Hand Luke" st

2008-09-26

(Des)encanto



É certo que as ambições que qualquer português possa eventualmente ter sobre este pobre cantinho nunca o remetem para uma desilusão tão grande quando se enfrenta com a realidade que o rodeia. Questões de hábitos e de feitios. Mas lá que mói… E há dias em que podia dizer exactamente isto sobre Portugal. Só que nunca seria capaz de o dizer tão bem. Ou pelo menos sem demonstrar um qualquer enfado de quem já estava à espera, carcomendo a fado a desilusão.



Por vários motivos, hoje apeteceu-me repostar isto. O estado do Mundo e o tratar os cerca de 10% de homossexuais (*) da população portuguesa como cidadãos de segunda das prioridades eleitorais não serão os menores de entre esses tais motivos, obviamente.
____
(*)não sei se esta percentagem confere, já que a ouvi na TV e na TV há muito que não se pode confiar

2008-09-25

Visto no JPT

MyHeritage: Árvore genealógica - Genealogia - Celebridade - Collage - Morph



E lá ia eu meter a colherado nos posts do casamento homossexual quando fui desviada do bom caminho...



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(obviamente que escolhi a fotografia que mais mente em relação ao meu aspecto, que naquela idade todos somos bonitos)

2008-09-24

hmm...



(acho que esta agora fica aqui bem)

Slow



Ao ler isto lembrei-me que as discotecas costumavam abrir ao som de Should I Stay Or Should I Go mas que, pouco depois, começava uma verdadeira maratona de slows. Era nessa altura que se via quem eram as miúdas concorridas, cheias de pretendentes; e viam-se também todas as outras, à espera que alguém se lembrasse delas. Eu, que por essa altura tinha uma auto-estima de cão, fazia de conta que não me importava, dizia que não sabia dançar, aproveitava para ver como faziam os outros e nem dava conta de mais nada. Quando pensamos que não valemos muito, nem supomos que nos olhem com mais do que comiseração, não é?

Hoje, passados muitos anos e após estranhas conversas (ou nem por isso) com os homens de agora, rapazolas então, sei que muitos tinham receio de se abeirar de mim, da mesma forma que eu tinha medo de me chegar a eles. Estava a ser penoso aquele início da adolescência: os velhos tempos da maria-rapaz com lugar cativo nos jogos de futebol e palmadas nas costas tinham passado ao mesmo tempo que as mamas cresciam. E eu já não sabia onde era o meu lugar.

Aliás, eu nem sabia direito o que fazer comigo, quanto mais compreender aqueles outros que há bem pouco tempo eram os meus melhores amigos e que agora escapavam a qualquer tentativa de entendimento. E também não pertencia ao grupo das miúdas muito pretendidas ou ao grupo das meninas boazinhas, lindinhas, bem arranjadinhas, que gostavam muito do Simon Le Bon e tinham imensos auto-colantes dos Duran Duran em tudo quanto era sítio e imensos folhos e dourados em todas as peças de roupa. Eu tinha crescido com rapazes, não tinha uma única saia, sabia falar de futebol, gostava antes dos The Clash ou dos The Mission e não tinha auto-colantes de ninguém. Não sabia ser feminina; não sabia dançar aquelas coisas; sabia menos ainda quando descortinar nos olhares que me deitavam do outro lado da sala escura mais do que indiferença ou, pior ainda, repulsa.

Mas houve um dia em que foi diferente. Não sei quantos anos tinha, que esses anos aparecem-me hoje bastante embrulhados na memória, excepto por uns quantos momentos excepcionais que não há forma de se deixarem embrulhar. E, nesse dia diferente, o Rui dos olhos azuis-fosfato (nunca mais vi uns olhos assim!) veio lá do outro lado, como se não houvesse lado algum, e levou-me pela mão para o meio da sala. Tocava o Save a Prayer dos tais dos Duran Duran que eu me recusava a gostar. E foi com essa prece que dancei um slow que não esqueço e, depois, num dos cantos mais obscuros, aprendi que também eu tinha artes de mulher, enquanto a língua do Rui desbravava os caminhos do meu primeiro beijo sem que houvesse um jogo do poço à mistura.

Talvez também tivesse para ai uns treze anos, mas acho que deviam ser mais. Não muitos, mas treze parece-me demasiado cedo. E talvez também houvesse outras músicas e, quase de certeza, terei dançado de outras vezes. Às tantas, talvez tenha até dançado antes de haver Rui. Mas, depois daquele dia, eu estava diferente e tinha para guardar um dos tais momentos excepcionais que a memória, por mais que embrulhe e esfume tudo, se recusa a fazer desaparecer.

2008-09-22

Max Payne


aqui

Não sou fã de jogos de vídeo. Nunca fui. Mas depois há assim umas coisas que me atraíram por motivos oblíquos. No caso de Max Payne, foi a música. Não sei se vou gostar do filme. Mas, se mantiverem uma banda sonora obsessiva e fantasmagórica, até sou capaz de dar um desconto ao Marky Mark.


Mamma mia!


aqui

Se os meus "fantasmas do Natal passado" fossem assim, acho que nunca mais comprava um pinheirinho…

2008-09-19

O TAS não tem secretaria?

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«No acórdão da sentença que determinou a participação do FC Porto na edição da Liga dos Campeões que hoje se inicia, o Tribunal Arbitral do Desporto destroça a UEFA e põe em cheque tanto a Comissão Disciplinar da Liga como o Conselho de Justiça da FPF. O documento, que demorou todo este tempo a redigir - a decisão foi anunciada a 15 de Julho - chegou ontem aos clubes envolvidos, mas só trouxe motivos para ser bem recebido pelos dragões. No mínimo, a norma que o excluía da Champions vai a enterrar. »

in O Jogo



Não sou mulher de torcer contra um clube português quando joga no estrangeiro, não importa se nem gosto desse clube quando joga por cá, nem dos seus dirigentes, muito menos dos seus adeptos ou dos jornais que manipulam. E, desta vez, também não torci contra nenhum dos nossos clubes. Mas, ao contrário do costume, não fiquei triste com a derrota nem do Benfica nem do Guimarães.

Depois do jogo do FC Porto na Liga dos Campeões (especialmente do seu resultado final) e dos jogos dos dois clubes que resolveram ir para a UEFA fazer queixinhas a ver se ganhavam na secretaria o que tinham perdido dentro do campo, pergunto-me para que queríamos aqueles dois na Liga dos Campeões. Só se fosse para perderem ainda por mais golos.

E, não, não sou adepta do FC Porto, nem gosto do Pinto da Costa. Mas vejo jogos e, convenhamos, o FC Porto tem resultados. Há anos que tem resultados. E, em muitos – quase todos – desses resultados, ninguém poderá apontar um único "caso". Obviamente que há "casos" no futebol português, como há "casos" em quase todo o sítio cá no portugalinho. Mas depois há quem tenha mais do que "casos" e há os outros, que são só casos para esquecer.

Can I play?



Eu voto nessa ideia do teu mate.

2008-09-18

Paneleiros!

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«A direcção do Grupo Parlamentar do PS prepara-se para propor amanhã (quinta-feira) aos seus deputados que votem contra os projectos a apresentar pelo Bloco de Esquerda e Os Verdes de alteração ao Código Civil, com vista a permitir a celebração de casamentos homossexuais.»

in, Correio da Manhã


A homofobia não é mais do que medo. E este recuo do PS na legislação – mais do que necessária – sobre os casamentos dos homossexuais só me faz pensar que, mais uma vez, o PS prova que perdeu algures os tomates. E não gosto de me saber gerida enquanto cidadã eleitora por um Governalho capado!

Eu não chego a entender porque precisa alguém, em plena lucidez, de contratar a sua relação íntima. Mas isso sou eu que não estou proibida de o fazer. Agora, não é por eu ver no casamento nada de sagrado e muito menos absolutamente necessário que vou alguma vez aceitar que, quando se trata da realização de contratos entre pessoas, entre cidadãos maiores e vacinados, quase sempre com direito a voto, o sexo seja utilizado como factor discriminatório.

E, se nada vejo de mal na homossexualidade, aproprio-me dos insultos e do chavão. Mas estes vão direitinhos para aqueles que, de cu sentado na AR ou em qualquer outra forma de representatividade dos cidadãos, preferem capar-se em lugar de defender a igualdade de direitos e deveres.

Deixem o dogma para as igrejas! Que eu saiba, um contrato civil não deveria estar sujeito a esses absurdos jurássicos. E nem venham com a treta da família nem com a necessidade de fazer portuguesinhos! De cada vez que olho, uma coisa tenho certeza: se um dia tiver um filho, que seja antes homossexual do que político. Assim ainda posso confiar que a minha prole, quando se provar necessário, saberá demonstrar que os tem e no sítio!

Hum...


aqui

Que tipo de vitória na secretaria tentarão desencantar certos clubes cá da parvónia se o FC Porto continuar a dar 3-1 de cada vez (três para o Porto, um para o outro lado; não confundir com outros resultados) sempre que for jogar lá para os lados das europas? Não me digam que ainda arranjam maneira de irem lá (involuntariamente, claro!) fazer umas visitas aos balneários dos árbitros...

2008-09-16

À espera da chuva




Este blogue está em decadência! Não tenho tido tempo para ele e nem sei se, nos próximos tempos, essa situação vai melhorar. Tenho pensado até em fechar as caixas de comentários: pois se eu não comento ninguém, este monólogo em que transformei a Voz não merece o vosso cuidado de por cá deixarem um comentário. Só não o fiz ainda porque sempre achei que um blogue precisa de caixa de comentários e que essa é a única forma de o distinguir em alguma medida de outras formas de diário.

Depois, estranhamente, quanto mais calada fico, quanto mais quedo e silencioso fica o blogue, mais visitas parecem aqui arribar: um blogue sem posts e uma blogger que não exerce, têm uma média de 130 visitas diárias. Coisa estranha! Será por (ver imagem), lá por terras de Vera Cruz, a Voz ser tão popular? Outra coisa estranha!

E, daí, talvez não seja assim tão estranho: eu publiquei uma entrada com
o título "the best sex scene ever made" e, depois disso, o sitemeter permanece num eterno estado de excitação. Ao fim de quatro anos (aproveito para agradecer à Maria Árvore não se ter esquecido do aniversário da Voz) já devia saber que o sexo, por este como em todos os lados, rende sempre.

O pior é que eu não tenho tempo ultimamente e, convenhamos, nem sei se me apetece reservar a Voz para rapidinhas ou, pior ainda se a tendência de ausências se mantiver, para uma pouco saudável masturbação entre mim e o meu umbigo com letras. A ver se com as chuvas de Outono mudo isto…

O melhor do Mundo...

aqui


... e dos arredores também!


Votar aqui!

2008-09-12

MFL


(recebida por mail)


Depois do sortido variado e da escandaleira e dos abusos e dos egos e dos dislates diários, chega a ser um alívio o actual silêncio que vem dos lados do partido gémeo do partido que nos (des)governa.

Na verdade suspeito que, caso a actual presidente do PSD abrisse a boca, seria para dizer e defender algo muito semelhante ao que tem sido feito e dito pelo executivo Socialista, quer para o bem – que alguma coisa se tem aproveitado, sejamos justos –, quer para o mal, já que entre os dois partidos e as suas esferas de influência e tentáculos e jobs e interesses e negociatas pouco os distingue.

E uma coisa é certa: nestas circunstâncias, mais do que nunca, a estratégia do silêncio de ouro e da palavra de prata parece até ir dando frutos. Assim como assim, pode manter-se com estatuto de alternativa para, depois – e caso consiga por um qualquer lampejo que não descortino ganhar as eleições –, fazer mais do mesmo, senão pior, do que tem feito Sócrates.

Mas esta estratégia precisa ser rapidamente melhorada: e que tal se MFL se lembrasse de, abruptamente, meter uma rolha a quem a rodeia e aconselha?

2008-09-11

Promessas


aqui

Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas... (*)


Há dias em que mesmo promessas não cumpridas nos deixam um sorriso nos lábios. Porque sabemos que, em breve, a desforra trará consigo um doce sabor de mel, ou outras coisas plenas de meiguices...


__________
(*) Rainer Maria Rilke - Primeira Elegia


2008-09-09

Como?


aqui

Fannie Mae e o Freddie Mac parecem nomes de eleitores republicanos e, afinal, são tão-somente as instituições de crédito que os ultra-liberais fanáticos resolveram agora nacionalizar.

C’um caraças! Esta treta está a ficar quase tão de pernas para o ar como as leituras do burgesso do Bush!

2008-09-08

Ursos


aqui

De há vários anos para cá, a minha opinião sobre os americanos desviou-se dos poucos que conheço – brilhantes, quase todos – para uma amálgama de gente de uma “América profunda”, cheia de teias de aranha no sótão, mania que são importantes e imprescindíveis e a raiarem o analfabetismo funcional, quando não o analfabetismo total.

Temo que essa minha análise esteja profundamente contaminada pelo nojo que me provocam os dois mandatos republicanos de George Bush – homem de capacidades intelectuais naturais minguadas e depois ainda carcomidas a wiskey e coca – e dos seus apaniguados dos lobbies do petróleo, das armas e do fundamentalismo evangélico.

Mas também por uma prosápia corrente de que são os melhores do Mundo quando não conhecem nada além do próprio umbigo e nada me parece mais certo que o maior idiota é o que abusa da falácia e do sofisma para se julgar maior e melhor.

E é por tudo isso que temo que, passando Novembro, fiquemos sujeitos a mais do mesmo, sendo que as probabilidades do velhadas de 70 anos cair para o lado terão que fazer qualquer um temer por um Mundo onde uma cadela raivosa – mas de batom – acha que Deus (e uma arma grande o suficiente para matar ursos polares) são o suficiente para que os EUA se posicionem no espaço global. E mais perigoso do que ver os EUA transformados em anedota, é vê-los convertidos na principal ameaça da Política Internacional.

2008-09-04

Fedelhos





Durante uma semana, optei por igualar os meus horários aos dos alemães e austríacos que partilhavam comigo os diferentes restaurantes. Da única vez que fiz o horário típico de um português em férias, ia-me dando uma coisinha má: se podia estar a partilhar um restaurante com 200 fedelhos teutónicos sem nunca dar por eles, mal me aventurei num grupo com 3 "piquenos" dos nossos, a gritaria, a má-educação e os ataques de rabugice audíveis a dez quilómetros fizeram-me logo convencer nas vantagens de me levantar e tomar o pequeno-almoço com as galinhas.

E já nem sequer tentei jantar em horário diferente do dos loirinhos simpáticos, sorridentes e, sobretudo, auto-suficientes. Tem-me bastado ver por cá crianças birrentas a espernear. Não era em férias que as queria aturar também, especialmente uma alienada de quatro anos que foi toda a viagem de avião de ida a passar-me por cima com a complacência da mãezinha e um pai ainda mais distraído e que sempre que me aparecia à frente estava aos berros de goela bem aberta, com gritos piores do que um porco durante a matança.

Não tenho grande hábito em dizer mal do povinho português, nem em armar-me aos cucos sobre as vantagens de se ser expatriado. Gosto do meu País e escolhi ficar a viver cá, de todas as vezes que a vida me ofereceu hipóteses de partir para longe. Mas as crianças portuguesas, extra-mimadas e malcriadas, começam a bulir-me com os nervos. E, quando as comparamos com outras, então ainda fica pior.

Note-se, no entanto, que nesta pequena ausência não tive de gramar nem com fedelhos italianos, nem com fedelhos espanhóis e, desta forma, os portuguesinhos saíram penalizados. Mas, porra!, de que forma se notava a diferença nas educações!

2008-09-03

A pôr leituras em dia

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«Se não me engano, aquilo a que o fabricante chama de compartimento secreto na versão masculina é, na versão feminina, um compartimento para comprimidos. De repente, e através duma simples análise a uns canivetes, percebi uma diferença fundamental entre os géneros: eles têm mais segredos, elas têm mais enxaquecas...»

Bagaço Amarelo



«Ela passa a bola e ele domina o terreno de jogo. Vamos embora. Vai que não é para ganhar na secretaria. Só falta marcar. A bola começa a subir. Encosta à zona de penalty. Pontapé vai ser levantado e sai uma paradinha. Aguentar a pedalada. Vai lá uma trivela ou um efeitozinho para suar a camisola. Coração da área...e é golo, golo, golo, golo, golooooooooooooooo.»

Maria Árvore



«A ausência escassez de medalhas olímpicas deve-se à conjuntura internacional. A culpa é dos outros países que ocupam sempre os três primeiros lugares.A culpa nunca é nossa!»

Cap



«esquecendo o timbre diferente da voz, o melhor dos Pink Floyd (singles e álbuns iniciais) estava ali condensado a preceito, pronto para embalar memórias remotas e decepcioná-las logo após com o balde gelado da confirmação da paternidade.»

José Quintas



«Dos 40 ou 50 minutos que vi.....pá, gostei da cena do gajo com cornos a apertar o pescoço ao árbitro....... pronto, tamém não vamos dramatizar....ninguém me tira da cabeça que aquilo não foi um crime passional e um homem não é de ferro....só não entendo porque é que o SLB foi pedir desculpas ao "outro". Já nem a honra de um benfiquista se defende pa...»

Cristina



«Foi nos blogs que soube da morte do Joaquim. Para aqueles que, como eu, eram viciados nas noites de poesia do Pinguim, o Castro Caldas era o jovem que nos lia poesia, aquele que os lia de forma violenta e crua, delicada e humurada. O Pinguim da época do Castro Caldas era um local único que fez parte da vida de muitos jovens como eu. O minimo que se pode dizer é que parte daquilo que hoje sou, o devo um pouco ao Joaquim, por tudo aquilo que me deu a conhecer.»

Patologista



«Não sei quanto custa uma cirurgia plástica facial. Não sei se 100.000 euros chegam para uma remodelação geral profunda. Espero que cheguem. Assim, ao menos, os contribuintes portugueses, por via da prodigalidade benemérita dos tribunais, não se terão sacrificado em vão. E o Dr. Paulo Pedroso poderá, finalmente, apagar a principal e a mais encarniçada das testemunhas de acusação que traz contra si... A mesma que o persegue e denuncia para onde quer que vá: a sua própria cara.»

Dragão



«Não é normal as filhas da Sarah Palin engravidarem. Muito menos aos 17 anos. A lei estipula que, nas mulheres, os órgãos reprodutivos só entram em função aos 18. E a lei é a lei. É sagrada, como as escrituras. Mas os americanos – o povo americano, diga-se – levam estas coisas da vida privada das pessoas muito a sério. Tão a sério como nós, europeus, levamos o futebol. Ainda não há muito tempo escarafuncharam a boca da Mónica, como se fossem dentistas.»

Tomás Vasques



«Cinco anos depois de ter sido abalroado Paulo Pedroso vê reconhecida a indecência de que foi alvo. Cruzando blogs entende-se que a mancha não desaparece por uma sentença, as invectivas continuam. Significando a desconfiança popular face às suas instâncias jurídicas, ecoando a desconfiança popular (quase-repúdio?) face às suas instâncias políticas - que clamoroso erro aquela saída da prisão para a Assembleia da República … dando azo aos vitupérios contras esse “eles”.»

JPT



«Eu, até com o nome embirro!

Claro que sei que se chama «doméstica» por se praticar no ‘domus’, em casa, não ser um acto público mas, para ser sincera, esse adjectivo não me agrada nada porque numa certa medida a suaviza, como se se dissesse que é violência sim, mas enfim, caseira... não é nada do outro mundo.E afinal é realmente mesmo do outro mundo, um mundo mais escondido e por isso mesmo mais perverso e grave. Grave por isso mesmo, não por se passar entre quatro paredes mas porque quem agride e quem é agredido é obrigado a viver junto – e, isso sim, é uma violência terrível.»

Emiele



«A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo e a pintora Claire Fressynet têm o prazer de lhe enviar este convite para a inauguração da exposição "Respirações".a realisar no dia 13 de setembro de 2008, pelas 18h30na Galeria Municipal de Montemor-o-Novo.»

Claire



«E perante a crescente violência da criminalidade (que já existia antes do Verão), quase ninguém hoje em dia teria grande prurido em proferir um – “Ó xô guarda, dê-lhe mais umas arrochadas que o tipo usa fato de treino azul-petroleo…”. Mas é assim que se começa por justificar o cercear das liberdades em nome da segurança, e se acaba num estado policial, em que até para falar de certos assuntos em casa se tem que pôr a tocar um CD dos Iron Maiden. Não vá a vizinha do lado estar a ouvir tudo, com um copo encostado no outro lado da parede.»

The Old Man



«Se os caminhos me levam aos cimo das montanhas, fico. As pedras falam, juro que sim! Ali, mesmo ao lado da minha mão, houve uma que me segredou. Parece que ontem choveu aqui, mas, hoje, só há sol.»

Vanus




(agora só falta pôr as notícias em dia; mas suspeito que serão bem menos interessantes)

Pssiuuu...




Здравей!