Não me deixaram filmar nem tirar fotografias. Havia para lá umas agentes das SS munidas de ponteiro luminoso para identificar prevaricadores. Mas veio o autógrafo, pronto! E em português, o que adorei. Perdoo o acento no "Sofia" e tudo, que teve o cuidado de perguntar se era com ou sem ph.
2013-05-26
2013-05-25
Ferreira Fernandes
«Cavaco Silva e o insulto do cronista
Quem não se sente não é filho de boa gente. Cavaco Silva tem razão em indignar-se por aquilo que um cronista fez publicar ontem num jornal. Uma coisa é criticar, e todos somos passíveis de que não gostem de nós, mesmo injustamente. Mas há palavras e palavras. Pode dizer-se que Cavaco Silva não é brilhante a falar e que se engasga em público mais do que seria de esperar num político. Mas não se pode dizer aquilo. Quer dizer, poder dizer, pode-se: em matéria de opinião, pode dizer-se tudo. Mas isso em conversa de tribunal, onde a liberdade de opinião (e felizmente) está defendida. Dito isto, não se diz aquilo que foi dito e publicado, ontem, sobre Cavaco Silva. Uma coisa é chamar-lhe "burlesco" ou "cómico" ou qualquer outra palavra similar, tanto essas palavras estão - infelizmente, mas é assim - conotadas com os políticos. Mas o que o cronista disse ontem fere o homem público no âmago do que ele faz, desqualifica-o na sua função: "Sozinho, completamente sozinho, o dr. Cavaco Silva conseguiu arruinar a Presidência da República. A Presidência da República não tem hoje autoridade, influência ou prestígio", foi dito por Vasco Pulido Valente, ontem, e publicado no Público. É opinião e eu já disse aqui várias vezes que processar uma opinião é como tentar caçar o vento. Só enobrece Cavaco não ter perguntado ao Ministério Público se há ou não matéria para processo no maior insulto que lhe fizeram esta semana.»
hoje
2013-05-24
Será que vou de cana?
"Cavaco não gostou de ser chamado de «palhaço»"
TVI24
Acho que já lhe chamei pior:
- «a ser verdade que o Presidente da República autorizou que fossem feitos dossiers stasistas e lançou, via Público, um tiro ao porta aviões em início de campanha eleitoral que, qual bomba velha, acabou a rebentar-lhe nas fuças semanas depois, então este PR é incompetente até nas artes de Maquiavel e, acima de tudo, demasiado nefasto para tentar sequer armar-se em garante da democracia.»
- «Cavaco Silva está podre de velho.(...)E ao deparar-me com o discurso poucochinho do presidente minguado, tirei o som à televisão e fiquei a olhar-lhe para a cara franzida de amarguras e fel e a pensar que era velho, velho, caduco em tanta coisa, cavernoso nos ângulos da cara que sempre teve mas que agora se aguçam, já que a velhice não lhe adoçou nem o feitio, nem os humores, muito menos a canície latente que talvez traga nos ossos desde novo, desde o carro a fazer rodagem, desde antes disso, nas finanças a pôr a coisa a jeito para o FMI ou na Universidade a ser velho, mais velho do que qualquer trapo, para os alunos que por certo bocejavam a ouvir-lhe a oratória do jeitinho ou da doutrina também ela velha. E é um espelho de uma certa classe que as pessoas já não suportam, pelo menos aquelas que querem só um amanhã novo, sem o ranço e o bolor destes políticos que não morrem nem saem de cima.»
- «"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". E os amigos deste senhor - até e especialmente os seus conselheiros -, cada vez que olho, são mais um tumor numa democracia cada vez mais gangrenada pelo tipo de cacique que a abusa, abusando-nos.»
- «Nas últimas eleições para a Presidência da República tivemos a candidatura de uma convenção geriátrica, de corpo e mente e forma de fazer política, todos tomando a polis para seu interesse e nunca pelo interesse da polis. E ganhou a fava. Ou saiu-nos a fava: um Presidente abestido, de discurso azedo e ressabiado mesmo quando quer ser inócuo; um PR que foge do povo para o cu de Judas do 5 de Outubro para não enfrentar quem devia representar; um velhote que como político nunca valeu um vintém e fecha sempre a boca quando deve falar, só a abrindo para deixar cair migalhas de bolo-rei ou resíduos que fazem notícia nos jornais espanhóis. E o pior é que já sabíamos o que aí vinha, mas ainda demos a esta nódoa alojada em Belém segunda hipótese de (não) brilhar.»
- «E cuidado com o que ai vem: é que a verdade é que este nunca foi nem soube ser o presidente de todos os portugueses. Agora menos que nunca. Agora vai começar o bailinho da vingança. E o País que se foda, que o velho está zangado.»
2013-05-23
Andrea Gallo - buon viaggio, partigiano
«Sacerdote italiano comunista, defensor dos homossexuais, dos pobres, dos presos, das prostitutas e da liberalização das drogas leves, faleceu ontem em Génova, aos 85 anos.»
Expresso 23/05/2013
Expresso 23/05/2013
Quantos acompanham este blogue sabem bem que raramente reservo boas palavras para a ICAR. Mas, como todas as instituições, esta é constituída por pessoas e, para essas, a minha (má) opinião generalizadora terá de ser omitida em função do caso concreto.
Exemplo disso mesmo era Don Gallo, padre salesiano que defendia um Concílio Vaticano III onde, finalmente, a ICAR enfrentasse questões essenciais como a pobreza da Igreja, a abolição do celibato e a ordenação de mulheres.
Andrea Gallo faleceu ontem e duvido que tão cedo apareça um padre disposto a fumar erva no meio da rua para defender o fim da criminalização dos utilizadores italianos de drogas leves, ou aceitar ser personalidade gay do ano, ou até mesmo afirmar que o que falta à ICAR é um Papa Gay.
Para mim, que o descobri há muito pouco tempo quando o fui procurar depois de ver um comentário italiano num dos muitos vídeos sobre a interrupção de Passos Coelho no Parlamento pelo "Grândola Vila Morena", fica a pena de nunca ter estado numa missa rezada por este padre, uma missa que, certamente, terminaria com Don Gallo de lenço vermelho na mão a cantar o "Bella Ciao" em plena igreja, com um coro animado de paroquianos que bem sabiam em que contexto este homem invocava hoje o hino anti-fascista italiano.
Talvez um dia destes o "Grândola" chegue ao fim das missas portuguesas.
2013-05-21
Fobias
fonte
Tendo sido abençoada com uma saudável confiança na minha heterossexualidade, nunca me senti ameaçada pela sexualidade alheia. Deve ser por isso que nunca vou conseguir perceber o grau fóbico com que alguns reagem perante a homossexualidade. Eu não tenho medo que alguma coisa me pegue e nunca precisei fechar à chave a porta do armário para não ter que enfrentar o monstro. Mas, na verdade, tudo se resume ao facto de já me bastarem as minhas manias. Dispenso, por isso, as patologias alheias.
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