2018-09-08

Irritações

Às tantas vou ficar igual, mas enquanto não fico, rais'parta os velhos ao volante! Tão depressa vão a 20km/hora, como de repente viram bichos arraçados de chita. Especialmente se vêem una rotunda ou, pior!, uma mulher a ultrapassa-los.

2018-09-04

Dos conflitos internacionais

Enrezina-me por dentro esta ideia de que todas as guerras e todas as intervenções internacionais são um nadinha diferentes em função não das vítimas mas dos seus supostos salvadores. E que o sol não vai nascer para os corpos que ninguém quer contabilizar hoje na Síria como antes não foram realmente contados no Sudão, ou em Beirute, ou em Timor, ou em Burma, ou no Kosovo, ou na Tchetchenia, ou no Ruanda ou na Ex-Jusgoslávia ou... E que, quando mais estes passarem e mais uns poucos encherem os bolsos e muitos encherem as covas escavadas a sete palmos, então, mais uma vez, ninguém recordará como foi e tudo voltará a ser o que cedo foi esquecido pelos caminhos mal trilhados da história que só se ri para os vencedores.

2018-08-25

Anónimos

Quando morre alguém que respeitamos, ou cujos familiares nos merecem respeito, cumprimos uma série de ritos próprios à ocasião, guardamos o luto, cumprimos os rigores do nojo. Depois, a vida segue, como segue sempre, mesmo quando uma qualquer partida, extemporânea ou não, nos leva um pedaço junto. Nas redes sociais, na net em geral, não há ritos nem respeito: esquarteja-se o cadáver até lhe mordiscar os ossos, especialmente se o morto nunca fez parte dos nossos seis graus de proximidade com o resto da (des)humanidade.

2018-08-24

Ponto da situação

Um dia cheguei a casa e criei um blogue. Ou melhor, comecei a criar um blogue...

Foi em 2004 e hoje faz anos. Ou melhor, hoje ainda não morreu.

2018-08-18

Recordando Barcelona

Cara a cara, as pessoas são boas ou más, gostas ou não delas, não importa nem cor nem religião nem ideologia. É a estranheza e a distância que trazem a desconfiança e o medo. Extremismos e fundamentalismos já nada têm a ver quer com credo, quer com cor, quer com política. Viraram cultos irracionais presos com cuspe às suas desculpas e argumentos fabricados. Só resultam pela desumanização do indivíduo, transformando o outro em arquétipo sem rosto, sem família, sem sangue.

Recuso-me a meter tudo no mesmo saco. Recuso-me à lavagem cerebral de qualquer culto. Recuso-me a não ver cada pessoa que se me apresenta como indivíduo. Porque há o cara a cara, porque se gosto de uma pessoa não importa cor ou religião ou ideologia; porque se ela gosta de mim, também não é pela minha cor ou a minha falta de religião ou ideologia.

Passou o primeiro aniversário do 17A. E houve demasiado ruído sobre cor, sobre credo, sobre ideologia. Foi um mau serviço prestado à História. E à memória das vítimas. ☹

2018-08-10

Sombras

Tenho andado com sérias dificuldades em entender o sucesso do Sr. Grey e todas as declinações do tema que vão enxameando os escaparates como se fossem grande novidade. Mas talvez eu esteja velha demais e o meu Mr Grey ideal chamou-se John e teve a cara do Mickey Rourke antes dele a destruir à porrada. Em 1992 ainda tinha apelo e era subversivo e proibido e não me deixava apenas com vontade de fugir a sete pés de todas as relações com sabor doentio. Acho que já dei para esse peditório. Agora é decididamente baunilha. Com twists light, que estou de dieta.

2018-07-12

Autodeterminação de Identidade de género

Mesmo quando só me apetece insultá-los na maioria dos dias, mesmo que os insulte de facto, sabendo que é sempre um passo para a frente e dois para trás, rais'parta os políticos portugueses e as suas decisões. Cá está mais uma. Mais uma conquista sacada a ferros, quando ainda há bem pouco tempo Cavaco Silva queria proibir que quem já tinha mudado de sexo conseguisse mudar de nome. E nem sequer me choca a proposta chumbada do PSD. Também se tinha vivido bem com ela, não tão bem, mas muito melhor do que até agora. Bolas! Nasci durante uma ditadura durante a qual ninguém tinha direitos. No espaço da minha vida que não chega a ser ainda uma geração, o meu País e a minha sociedade, legislou e aceitou tantas liberdades que às vezes até acho que não sabem bem o que fazer com elas. Faltam as touradas? Faltam. A morte assistida? Também. Mas alguém duvida que, mais um passo para a frente e dois para trás e também chegamos lá?
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/parlamento-aprova-lei-da-autodeterminacao-da-identidade-de-genero

2018-05-31

Eutanásia

Vou descobrindo que, quando se trata dos modelos com que a sociedade se escolhe regular, em Portugal nada se decide à primeira. Talvez seja característica da sociedade. Mas, depois, olho para a sociedade que temos, para os modelos que já se conseguiram alterar com e apesar a inépcia dos políticos portugueses e confronto-os com os modelos que fomos derrotando pelo caminho. Não estou mal nesta sociedade e com estes políticos que (ainda) não legislaram a eutanásia. Tantos outros modelos que pareciam impossíveis e fazem hoje parte das nossas liberdades (IVG, direitos LGBTQ, despenalização do consumo de drogas, até os direitos dos animais). Olhando para o mundo, olhando até só para a Europa, foram muitas mudanças em muito pouco tempo. Ao contrário de muitos, não tenho vontade de dizer mal deste Portugal. Tenho até bastante orgulho nele.