Se tens metro e meio, uma barriga da perna com duas vezes a circunferência da própria cabeça, por favor mantém-te longe das botinhas. Vale? A minha sanidade e algum, pouco, sobejante, sentido de estética agradecem.
Comecei hoje a fisioterapia. Foda-se para o cabrão do fisioterapeuta, que deve ter torniquetes por mãos! E eu a contar com uma massagenzinha... Nah! Começou logo com choques eléctricos, que era para ficar bem preparada para o que vinha a seguir. E amanhã há mais. E depois de amanhã. E mais dezoito vezes ainda. Ai!!!
Eu do branco da paz quero lá saber, do azul da sorte espero que se resuma à sorte que fazemos (assim como assim, passei a jogar um euro no milhões "em sociedade" com outros crentes que por acaso trabalham comigo) e o vermelho da paixão dispenso que, por agora, foder ainda é de graça. Vai daí, resolvi dar uma ajudinha ao meu ano novo e vestir uma cuequinha amarela. Afinal, é de dinheiros que andamos todos menos fartos. Agora, alguém imagina a trabalheira que me deu arranjar a dita cueca? Era com cada trambolho laçaroco ou rendinha coçada que nem dava para acreditar! Mas arranjei. Oh se não arranjei! Afinal, a barriga manda a perna e em tempos de crise cada um pede o que mais precisa.
Há na minha memória beijos embrulhados em abraços, que são os mais vivos que encontro nos meus arquivos de carinho. Beijos especiais que, assim enovelados no amplexo de braços queridos, plantaram sempre aconchego e calor de ninho. Foram sempre beijos de "chegada a casa". Beijos completos pela proximidade de corpos prontos para se darem por inteiro. Beijos que ainda sinto, com a saudade com que recordamos a completude. E é em alturas como estas do ano, com o frio a fazer-me eremita no calor da casa e por entre as luzes, os cheiros e os sons que nos anunciam o Natal, que mais saudades tenho de alguns abraços, alguns beijos, algumas distantes e perdidas "chegadas a casa". Vou então aos arquivos da memória, sabendo-os lá, porque meus, porque nunca esquecidos; e fico mais quente assim, eu aqui, a olhar a chuva, a enroscar-me no meu ninho com os meus fantasmas por companhia.