2026-01-20
Branco
2026-01-18
Eleições
Em Portugal, a eleição presidencial é o nosso desporto nacional de autoajuda coletiva. Não se elege um gestor ou um legislador; procura-se, com uma carência quase infantil, alguém que nos saiba ouvir as queixas enquanto o país continua a ser gerido algures entre o Terreiro do Paço e Bruxelas.
2026-01-17
Refletindo
2026-01-16
Economia de Subsistência
Hoje, o dia amanheceu em regime de serviços mínimos. Não há greve, mas falta o combustível da intenção. Movimento-me por coreografias gastas: o café que arrefece na chávena, o olhar fixo num ponto qualquer da parede, o cumprimento protocolar a quem passa. Existe uma harmonia cinzenta em fazer apenas o estritamente necessário para não levantar suspeitas de ausência.
Evito grandes pensamentos, como quem evita degraus altos com os joelhos cansados. A alma está em manutenção, ou talvez apenas a poupar energia para uma estação que nunca chega. Não é tristeza, é um deserto plano onde o vento não sopra. Sobrevivo à rotina com a precisão de um relógio que ninguém consulta, esperando que o tempo passe sem me pedir contas, nem explicações, nem entusiasmo. Amanhã, talvez, eu regresse ao mundo. Hoje, apenas ocupo o meu lugar.
2026-01-15
Io, Epona!
2026-01-14
Bigodes
2026-01-12
O Irão em chamas (outra vez)
2026-01-11
Adolescência
E há dias em que olho para ele e pergunto-me quando é que aquilo aconteceu, quando é que o miúdo deixou de usar calças normais e passou a andar com aquelas calças cargo cheias de bolsos vazios – porque porra nenhuma lá cabe a não ser ar e ilusões de utilidade – e quando é que decidiu que aquele kispo três tamanhos acima, esse que mais parece um saco do lixo com fecho e capuz, era o auge da moda e do bom gosto. E tudo o que digo é cringe, mas ele ali a querer andar embrulhado naquele plástico a que chama casaco, isso é que é estilo, isso é que é estar na onda. Pergunto "Como foi a escola?" e ele murmura qualquer coisa monossilábica tipo "bem" ou "fixe", mas ouse pedir-lhe para largar o telemóvel, só por cinco minutos, e prepare-se para um discurso inflamado sobre direitos humanos e a injustiça que é ter nascido nesta família. E as mudanças de humor, meu deus, as mudanças de humor. Num minuto ri-se desalmadamente de um meme que eu não percebo, no seguinte está dramaticamente afundado no sofá a suspirar como se carregasse o peso do mundo inteiro nos ombros estreitos, ou mais provável ainda escondido no escritório atrás do computador a partir a mesa porque perdeu um jogo. Bem-vindos à adolescência. Onde a lógica foi de férias e ainda não marcou data de regresso.