2009-12-30

Parabéns, Misty!


aqui


Desde que passou a haver agendamento de posts, posso sempre dar-te os parabéns (mesmo que não saiba bem para onde os mandar)

Ah pois continua


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(A Maria Hipatia Ludovina da Silva - uma menina sempre bem comportada - recebeu do Pai Natal o Orphans e agora está com vontade de ir ao circo.)

Um mar dele


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Só uma pequena gota


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Balanço


aqui

O ano foi uma merda. Ponto! Que venha o próximo. Siga!

(E, no entanto, suspeito que 2010 ainda é capaz de nos fazer suspirar pelo bem que estávamos em 2009. Mas isso agora não interessa nada, que todos precisamos, em alguma medida, da esperança na renovação.)


E quanto às resoluções de ano novo, tirando a parte do chocolate e substituindo por frutos secos, já houve quem dissesse melhor do que eu.

Contra a corrente


aqui

Digo-vos quais são os meus blogues do ano: todos os que não sucumbiram ao politiquês e às lutas intestinas, que continuam sem fazer do insulto arma, que não transpiram ódio em cada pixel, que são mantidos por gente que não tem de dar o cuzinho e três tostões para ser alguém na tugolândia, que não se venderam ao pilim e colunita de pasquim barato, que continuam por cá na carolice. O resto, é mais do mesmo e já se estava à espera.

2009-12-29

Parabéns, Vanus!



Tenho saudades de te ler. A nossa amizade passou sempre muito pelas palavras e, de certa forma, sempre foi um conforto para mim saber onde encontrar-te e ler cada texto, interpretando os sinais, sabendo-te melhor ou pior, mais ou menos cansada, de quando estavas divertida ou quando a pequenez dos outros te afectava. Nunca cheguei a perceber bem porque és repetidamente alvo da insensatez alheia. Mas sempre me deu umas ganas (a precisarem ser controladas com mão firme ou ardia de vez o circo) de sair em tua defesa, mesmo que não precises de cavaleiros andantes ou amigas intrometidas. E até suspeito de cada motivo – os que calas e os que não – para agora não te ler no poiso onde me habituei a procurar-te. E tenho mesmo saudades de te ler. E tenho saudades tuas, como de costume. E tenho os parabéns a dar-te por aqui, mesmo que não sejam só por aqui. Aqui também, por escrito, a marcar mais um ano. Parabéns, miga!

2009-12-27

Ágora



O que Cirilo começou, levou séculos a redimir e, até hoje, não sei se foi completamente redimido.

No século IV, uma mulher podia ser directora da Biblioteca mais grandiosa de que há memória, o seu conselho era procurado pelos maiores intelectuais do seu tempo, a sua palavra respeitada e ouvida, o seu trabalho científico tido como de primeira água e os seus ensinamentos debatidos.

Mas os tempos estavam a mudar. Tinham já descartado o Evangelho de Maria Madalena, o seu papel de apóstola mais querida transformado no de primeira prostituta, todas as mulheres eram a encarnação do mal de uma Eva pecadora que come e dá a comer o fruto da perdição e os homens da Igreja relegavam a palavra e o saber das mulheres para as catacumbas da valia. Nesse mundo misógino, uma mulher do calibre de Hipátia não tinha lugar. No mundo que se construía, o seu papel de farol do conhecimento e de primazia sobre os homens que a ouviam e respeitavam, era um anacronismo.

Com a destruição da Biblioteca de Alexandria e o incêndio que queimou quase todos os livros que aí se reuniam, tirando um pequeno grupo menor que se guardava num anexo secundário, perdeu-se uma fatia de conhecimento inestimável. Até hoje, não se sabe o que se perdeu e o tanto de séculos necessários para outros serem retomados. A perda desse conhecimento andou a par da subalternização do papel feminino, pouco mais do que escravas dai em diante, sem direito a aprenderem a ler e a escrever, impedidas de pensarem.

Do fim da Biblioteca de Alexandria e da morte de Hipátia, nasce o período das Trevas, dos livros fechados em conventos, dos homens analfabetos educados apenas no manejo das armas e da morte, dos factos adaptados ao mito, das ideias adaptadas à verdade única teologal decretada em Concílios, da escuridão da prisão de não poder pensar.

O que Cirilo começou foi um mundo de retrocesso sob o punho de uma religião que se estendia e levava os seus valores e os seus dogmas, bem como os medos de homens menores que não queriam perder o domínio sobre as mentes e sobre o saber para assim melhor controlarem os seus rebanhos. O que Cirilo começou não acabou sequer para as mulheres no século das Luzes e nem aí o pensamento de metade da população do mundo encontrou lugar e direito. Até hoje, por esse mundo fora, há Hipátias silenciadas, escondidas sob véus, fechadas em casas, sem direito a opinião ou pensamento livre, sem poderem dispor de si mesmas e do seu direito a pensarem. O que Cirilo começou fez com que, mesmo no mundo ocidental do feminismo finalmente assumido e sutiãs queimados e quotas pro-igualdade, continue a ser uma batalha diária ver o saber feminino tido em conta sem um olhar condescendente. O que Cirilo começou, faz com que até hoje – e talvez o filme de Amenabar finalmente o corrija – o nome de Hipátia seja desconhecido.

Quando, em 2004, escolhi o nick Hipátia para assinar as minhas opiniões no mundo dos blogues, pensei que seria reconhecido como aquilo que representava: o nome de uma mulher pagã, uma das maiores cientistas de que há memória. Pensei que na blogosfera, um sítio que era então dominado por um punhado de gente relativamente privilegiada, com acesso rápido ao google e com vontade de escrever o que, quase sempre, indica pessoas que gostam de ler e de saber mais e mais coisas, o nome da Hipátia não fosse nem novidade nem sem significado para a maioria. Estava enganada. Enganada ao ponto de descobrir com espanto que nem a pronúncia correcta de Hipátia era sabida, que tinha de explicar que não rimava nem com simpatia nem com mania, que não era óbvio nem quem tinha sido nem o que representava.

Foi isso que Cirilo começou antes de ser canonizado. Foi isso que prevaleceu até hoje: mesmo quando os nomes da antiguidade clássica se tornaram referência e debatidos e estudados pelo mundo que queria voltar ao conhecimento perdido e retomar a Luz após a Idade das Trevas, ainda assim Hipátia ficou esquecida. Será que a esqueceram porque o seu conhecimento era menor do que o dos homens que ensinou ou dos que lhe pediram opinião e conselhos? Ou terá ficado esquecida por ser mulher?

2009-12-25

Bowlling?

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«Uma mulher conseguiu ontem saltar as barreiras de segurança colocadas na Basílica de São Pedro antes da Missa do Galo, tendo derrubado o Papa Bento XVI, que não ficou ferido no incidente. Menos sorte teve o cardeal francês Roger Etchegaray, de 87 anos, que estava junto ao Sumo Pontífice e que também caiu, tendo fracturado o osso do fémur.»

in O Público



A mulher foi internada, suspeitando-se de distúrbios mentais, que me parecem mais do que óbvios, já que tentou saltar ao pescoço de Bento XVI em lugar de um daqueles padres de calendário.

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(...)



(Mesmo no meio da fartura e da alegria, há fantasmas que voltam todos os Natais. Os meus fantasmas queridos e o tanto que lhes sinto a falta em cada mesa de consoada).

2009-12-22

Tive uma prenda!


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Se era para esperar pela noite da tradição, já estraguei tudo. Abri, adorei e já pus a uso, que o penduricalho que herdei com as chaves do estaminé, além de ser de um muito pouco condizente com a minha pessoa cor-de-rosa cueca com lacinhos, já estava tão encardido que só ainda não tinha ido para o lixo porque, infelizmente, o estaminé faz-me falta para aquilo com que se compram melões e não me parece que a desculpa do "ups! perdi a chaves" desse muito jeito.

Ah se eu fosse prendada como tu! E achei que a letrinha só inclinava para o mesmo lado, ainda para mais para o lado de cima. Não me parece mau de todo.

Obrigada!

Perfume? Qual perfume?



De cada vez que o fulano se estica no sofá e fica a cores eu tenho é vontade de lhe saltar para o colo.

2009-12-21

Pagã



Na pele da pele da ruga do arrepio do frio do tempo do solstício do vento uivante da chuva da neve da geada molhada que treme no bafo do suspiro quente da lareira acesa e do carinho sentado à mesa e da vela e do vinho na noite aconchegada de ficar no quente a ouvir a música da trovoada deste Inverno que chega ululante e do dia escuro que crescerá em luz para além do frio da chuva da neve do vento e da geada na celebração antiga do sol invencível que renasce.

2009-12-19

Do género


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Há tantas vezes em que parece que as mulheres não passam do degrau da equivalência. E há tantas outras em que parece que, para atingirem o topo, tiveram que adoptar comportamentos estereotipados do sexo oposto. E há ainda tantos anúncios da menina da bilha… E até sabemos que podemos e devemos dizer tudo, fazer tudo, sem cobranças, para além das tantas que já fazemos diariamente a nós mesmas. De saltos altos, na maioria dos dias, para que ninguém esqueça que há nisto tudo uma certa dose de masoquismo. Com horário completo para além da hora e sem nunca um nove às cinco, que ainda há a casa, o supermercado, o jantar e os filhos. Uma geração de super-mulheres de quem se espera que façam tudo e tudo bem. Mas o pior, o pior mesmo, é quando – depois de longas e estudadas análises racionais a todos os conceitos, todos os deveres e todos os direitos – acabamos a sentir que não nos livramos do preconceito. Trazemos ainda o gajo tatuado em nós, é marca de fogo, letra escarlate. Em nome dele, julgamo-nos e ainda somos capazes de, no fim, julgar a outra. Talvez seja tudo uma questão de falta de hábito no jogo em equipa, dessa inconcebível capacidade do bicho macho para se proteger e ressalvar a gregaridade do género. Nós vamos logo de faca na mão e língua afiada e a vizinha tem sempre qualquer coisinha de que podemos dizer mal com inusitado fulgor. Depois, como somos nós que acabamos a parir a todos, géneros à parte, passamos no leite o que somos e o que ainda não conseguimos chegar a ser. E é por isso que, mesmo esperando pelo dia milagroso em que o Mundo seria, finalmente, governado pelo desgoverno feminino, feito de palavras e conversas, em lugar de murros e bombas, temo-o com igual desgarre: que faremos umas às outras nesse dia, se não gostarmos dos sapatos, ou invejarmos o vestido? E que reservaremos para as putas, aquelas que, sendo-o ou não, caíram para o lado debaixo da forma viciosa como ainda olhamos para o nosso género?

2009-12-18

Pa rum pum pum pum


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A ver se sou finalmente atingida pelo espírito da quadra, que isto para já está mais para solstício ao borralho que festas e cantigas.

Interne-se!


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Um esquizofrénico que resolve deixar de tomar a medicação e, alegando que uma voz dentro da cabeça lhe diz para o fazer, resolve invadir a casa do vizinho, que é cego, atacando-o furiosamente ao ponto de o mandar para o hospital. A polícia toma conta da ocorrência e só. A situação repete-se e, mais uma vez, há uma participação à polícia e ninguém faz mais nada. Que será preciso? Que a voz na cabeça lhe diga para usar um cutelo e, depois do crime consumado, prendem o gajo? E se os amigos e familiares do cego - que vive neste momento aterrorizado dentro de casa, aquele que, para todos nós, deveria ser um sítio de paz e refúgio - resolverem partir os dois bracinhos ao maluco? Ou as duas perninhas? Pois! Já sabemos para quem sobrava e, nesse caso, como a polícia e a justiça em geral andariam da perna. Acho que o melhor é usar a velha técnica portuguesa e falar ao Sr. Cunha. E nem me venham com a treta da corrupção ou dos amiguismos, que há coisas em que, agora como sempre, só quem tem amigos não morre à míngua.

2009-12-17

...

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(Ou estava a ter um sonho muito estranho, ou senti um tremor de terra: a cama abanou e a televisão tremelicou contra a parede. Mas deve ter sido sonho... eu estou no Porto, carago! Isto aqui é granito, porra! E como não encontro nenhuma notícia sobre o assunto, vou regressar aos sonhos, a ver se mais nada abana.)

2009-12-16

E depois há este

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"Matrimonium inter duas personas, quarum altera sit baptizata in Ecclesia catholica vel in eandem recepta, et altera non baptizata, invalidum est".



Cheira-me que o calhau que agora senta o cu na cadeira daquele a quem um dia chamaram pedra se arrisca a ficar sem fregueses tolerantes, remetendo a passo e passo a beleza do religare para a máfia do culto.

2009-12-15

Apre!


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A pouco e pouco, é mais um pedaço que é posto em causa. E nem sei bem se é só ignorância de prováveis consequências ou esta forma inconsequente e demagógica de se fazer política, agora com insultos e um dia destes cabeçada pelo meio, que até corninhos já houve. Como se já não bastasse este Estado dominado pelos arranjinhos e os fulanismos, esbanjador e cada vez mais paternalista a querer impor por força de lei os cigarros que fumamos ou o sal que ingerimos; ou os chips electrónicos ou qualquer outra forma de controlo sobre os corpos para que se estenda em pouco tempo à mente também, controlando e encaminhando todo o gado para um redil padronizado, vídeo-vigiado, escutado e, acima de tudo, demitido; ou a lista on-line de quem deve e como deve ou os apelos ao fim do sigilo bancário (agora que o segredo de justiça já virou piada) como se isso bastasse para descobrir o tal do enriquecimento ilícito e a forma apressada e imbecil como vendem a ideia a um povinho invejoso que, certamente, não demorará a virar bufo à moda de antigamente, a troco da cunha ou da nota de mil réis. E nem sequer parecem atentar na caixa de Pandora que são estes apelos cada vez mais estupidamente visíveis e audíveis para que passemos todos a ser criminosos à partida, obrigados a provar inocência como quem prova que afinal já pagou a multa às finanças há dez anos e, ainda assim, acaba só com frigorífico e o fogão e o colchão em casa, que até os pratos foram arrestados. E depois podemos até dizer que as finanças incorreram em erro grosseiro. Mas até o erro grosseiro está desculpado se der jeito à cor política que, noutras alturas e com outros figurões, ai aqui d’el rei deposto que a república é uma treta e vamos é mudar as bandeiras como se isso bastasse e servisse realmente para alguma coisa. E ainda há todos os julgamentos em praça pública incendiados pelos patrões dos media e por peões sem vontade a recibo verde prontos a baixarem a calcinha e a fazerem o jeitinho ao chefe. Para já não falar do regresso do jargão das forças do bloqueio. E é que eu cresci a ouvir a expressão força de bloqueio e tenho uma memória tramada. Era quase anedota, mas depois veio a moção de censura e o cavaquistinho transformou-se no cavaquistão. Ainda anda por ai, já jarreta. Pode um dia destes, caduco e podre que está, acabar a transformar o socratinho no socratão. Que a merda, se formos a ver bem, é cíclica enquanto os mesmo cagalhões tiverem a alternância e os que estão mais de ladecos se servirem em igual medida da casa de alterne no pardieiro de interesses e negociatas onde todos se arranjam, menos o povinho. Esse continua a ir alegremente e demitido da sua cidadania a caminho do redil quase na insolvência, mas enquanto as ATM cagarem notas as filas nas caixas das lojas da moda continuarão alegremente a crescer, com um sistema de vigilância estrategicamente atestado sobre os trocos que ainda sobram em cada porta-moedas, não vá estar ali uma nota de 500 aéreos, prova provada de enriquecimento ilícito, que as notas que realmente contam continuarão escondidas em robalos ou em malas de gajos de braço engessado ao peito.

Estava a precisar



E pensar que ainda há gente que me imagina risonha, pronta a transformar-me em optimista, quase chega a bastar-me para estes tempos de míngua que, ultimamente, me atingem a voz.

Dance, Monkeys Dance!

2009-12-14

Da vaidade


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Cabelo às três pancadas, roupa vestida sem pensar, correr porta fora à espera de alcançar o dia antes que o dia se abata sobre mim. Sapato raso, cara lavada, a revolta do costume contra a Segunda-feira e a falta do café que esqueci comprar. Nada de jóias nem simulacros, o perfume fez-se dos restos da amostra perdida no carro. Nada de vaidades, nem cigarros, nem comida. E o trânsito e os putos postos à porta das escolas em intermináveis segundas, terceiras filas e a vontade da buzina e dos insultos e esta porra de estar sem café e sem cigarros e ainda por cima ser Segunda-feira. E é então que o passo de corrida é interrompido por um "bom dia, menina". E a menina esquece o fio, os fios, que o tempo nevou sobre os cabelos, o pasto para arado do tempo em que a cara ameaça transformar-se, a gravidade que pesa por entre as pregas da roupa desengonçada, mal amanhada, escolhida sem vontade e a cara lavada e a falta de café e os cigarros que não existem e o sapato raso e a vaidade que ficou perdida talvez na noite de Sexta, ou no Domingo de manhã...

2009-12-10

hmm...



Se desta vez também tivesse levado nas trombas, como era o espectáculo?

Dos retalhos

Foi-se tudo
como areia fina escoada pelos dedos.
Mãe! aqui me tens,
metade de mim,
sem saber que metade me pertence.
Aqui me tens,
de gestos saqueados,
onde resta a saudade de ti
e do teu mundo de medos.
Meus braços, vê-os, estão gastos
de pedir luz
e de roubar distâncias.
Meus braços
cruzados
em cruz de calvário dos meus degredos.
Ai que isto de correr pela vida,
dissipando a riqueza que me deste,
de levar em cada beijo
a pureza que pariste e embalaste,
ai, mãe, só um louco ou um Messias
estendendo a face de justo

para os homens cuspirem o fel das veias,
só um louco, ou um poeta ou um Cristo
poderá beijar as rosas que os espinhos sangram
e, embora rasgado, beber o perfume
e continuar cantando.
Mãe! tu nunca previste
as geadas e os bichos
roendo os campos adubados
e o vizinho largando a fúria dos rebanhos
pela flor menina dos meus prados.
E assim, geraste-me despido
como as ervas,
e não olhaste os pegos nem as cobras,
verdes, viscosas, espreitando dos nichos.
De mão nua, entregaste-me ao destino.
Os anjos ficaram lá em cima, cobardes, ansiosos.
E sem elmos ou gibões,
nem lutei nem vivi:
fiquei quieto, absorto, em lágrimas
— e lá ao fundo esperavam-me valados
e chacais rancorosos.

Mãe! aqui me tens,
restos de mim.
Guarda-me contigo agora,
que és tu a minha justiça e o exílio
do perdido e do achado.
Guarda-me contigo agora
e adormece-me as feridas
com as guitarras do fado.

Mas caberá no teu regaço
o fantasma do perdido?


Poema Cansado de Certos Momentos, Fernando Namora




aqui

Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão

As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste

E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura


Retalhos da Vida de Um Médico, José Carlos Ary dos Santos


2009-12-09

Se estivesse em Lanzarote, estaria contigo(*)



_________
(*) José Saramago

A carta


aqui

Querido Pai Natal

O ano foi quase todo mais do mesmo, como de costume. E, como de costume, fui uma menina bem comportada.

Já sei que este ano estou outra vez atrasada, Pai Natal e a carta, assim em cima da hora, é capaz de tornar difícil a prenda no sapatinho. Mas é que, como todos os anos, Novembro só me tem trazido as más notícias e os sopapos e até parece que, mesmo sendo eu uma menina tão bem comportada, o destino vai dando uma folga durante o resto do ano para depois melhor me apanhar de surpresa.

Deve ser por isso que este ano não me apetece nem um Ralph, nem um Gerard, nem sequer paciência. Assim, Pai Natal, este ano só te peço uma coisa: podes apagar Novembro do calendário?

Maria Hipatia Ludovina da Silva, uma menina bem comportada

2009-12-08

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