2006-10-31

Até já


aqui

Este ano cheira a quente no tempo das castanhas assadas e a chuva foi embora. Vou, por isso, aproveitar o desnorte do tempo e pôr-me ao sul.

Até Domingo.

2006-10-30

(pequeno) ataque de mau humor




Volta e meia, o meu avatar precisa avançar para a primeira página. É que, volta e meia, sou atacada de espilralhada convulsiva, nariz entupido e uma fraqueza no corpo que quase me faz suspeitar que noutra qualquer encarnação fui gajo, porque não há maneira de dar conta de tamanha paridice de outra forma. Os 39º que o termómetro marcava hoje às 7h da matina, avançaram - assim como quem não quer a coisa - para os 39,5º ao fim da tarde, após um dia de trabalho. Como fui trabalhar nestas condições, fica obviamente comprovada a minha feminilidade: qualquer gajo estaria a chamar pela mãezinha e enfiado na cama com a botija de água quente, o chá, o gato e o termómetro. Aliás, até estava a pensar ir ao ginásio, mas como não respiro pelo nariz e pela boca quase nada, achei que era capaz de não ser boa ideia. Vim, por isso, até ao computador contar das minhas desgraças. Mas juro! Se hoje ele também me manda apanhar florzinhas e não me deixa entrar no meu blog e nos blogs amigos... ai vai pela janela fora, vai! Pelo sim e pelo não, vou fazer um chá de camomila para ver se me muno de paciência. Se não funcionar... bem, saiam-me da frente que é melhor!

Parabéns, Pre!


aqui

Resolvi aproveitar os parabéns pelos três aninhos para ilustrar as tuas soluções para sair da crise...

2006-10-29

Eu, anónima!

O que já sabia dos blogues confirmei: em grande parte, este é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desenvergonhada, da desforra dos medíocres e dessa tão velha e tão trágica doença portuguesa que é a inveja. Mas fiquei a saber, e não sabia, que os blogues, mesmo anónimos, são uma fonte de informação privilegiada e credível para o nosso jornalismo.

Miguel Sousa Tavares, citado
aqui



Já ninguém estranha que a caça à notícia fácil passe a servir de mote a textos de vulgaridade atroz; a não-verdade passou há muito a ser a estopa onde um fogo de um qualquer "ismo" se acende... e clama-se por cabeças e por sangue e esvaem-se de significados todos os palavrões do mundo, usados e abusados com gratuitidade, sugerindo mais do que afirmando qualquer novo epíteto em busca da nova acha de uma fogueira, sem vaidades por tão vulgar, que se tenta manter em combustão permanente. Que Fama tão reles nos dão tantos a ler!

Oh paisinho este, onde a notícia já não se fundamenta em factos, onde qualquer comadre mentirosa se intitula jornalista, onde qualquer guerra inventada serve de pretexto à venda de mais um jornal ou revista e onde o respeito se finda nas parangonas fantásticas!

E que não me venham os culpados alegar falta de culpa - que toca a todos já que visa a todos - e o respeito consegue-se respeitando. Bitolas diferentes não me servem, nem sequer a desculpa infantil do “ele é que começou primeiro”.


E tantos que antes tinham tanto orgulho na carteira profissional, são hoje a minoria. Sobra a precariedade e o facilitismo. Sobra quem tenha ainda púlpito e se queixe. Sobra quem perde toda a razão por não ser razoável nos seus ataques.


____
Nota: o título do post é uma adaptação do título I, Claudius, do Robert Graves, caso não tenham reparado...

2006-10-27

Recriando

A inspiração...


Elogiar é uma arte. Recriar inspiradamente, também.

...o resultado


Estas são duas das cenas mais deliciosas de filmes que não me canso de ver. E Depp conseguiu o que parecia impossível: lembra-nos Chaplin, copia-lhe os movimentos. E, no entanto, há algo de novo ali. Talvez o suficiente para ninguém questionar a inspiração, desmerecendo-a como simples cópia ou, pior, um reles plágio.

Mas a distância entre a inspiração e a cópia pode ser sempre demasiado curta. Tão curta como os motivos, ou os interesses, que movem quem se dispõe a apreciar.

Quando a voz...



A minha mãe fala. Tem uma voz de veludo, macia.
O meu pai, fala lá do fundo com o som das coisas sérias.
Quando a minha mãe ri, parece que no quintal esvoaçam mil pombas.
Quando o meu pai se ri, acorda o mais profundo, que está para acontecer..
Quando a minha mãe chora, fico com medo e agarro-me a ela com braços de vida.
Quando o meu pai chora, faço-lhe festas nos cabelos e vejo nele um homem único.
Quando a minha mãe conta histórias, na noite, saem-lhe flores pela boca e durmo agarrada ao seu perfume.
Quando o meu pai me conta histórias, elas tornam-se reais e as suas invenções ficam a viver, para sempre, no meu quarto, ao lado dos brinquedos.
Quando me acorda, a voz dele é doce e sem tempo.
Quando ela me acorda, traz palavras apressadas anunciando o primeiro beijo do dia.
Mas as suas vozes pela manhã sabem sempre a café com leite.
Quando a minha mãe sussurra, os segredos ficam guardados para sempre.
Quando ele me diz alguma coisa ao ouvido, toda a gente de lá de casa fica a saber.
Quando a minha mãe espirra, parece um passarinho a piar.
Quando o meu pai espirra, acorda todos os pássaros do bairro.
Quando eles dizem que sou bonita
, o som é igual mas com sabores diferentes.
Como gosto das diferenças.
E eu? Qual será a minha voz?


(Miguel Horta)

2006-10-26

Pois é!


aqui

Tenho andado a ler os teus 'posts' sobre esta questão do referendo sobre a IVG e chego à conclusão que tu não existes. É que não faz sentido nenhum andar a falar destas coisas com seriedade e argumentação racional! Não consegues perceber isso? Não faz sentido. Quem é que iria agora estar a perder tempo a pensar, se pode com facilidade votar por catálogo e permanecer imune à realidade?!


(
Ikivuku sobre os fabulosos textos da Diva Rosarinho acerca da IVG)

2006-10-25

Quero um copo meio vazio!


Ancião, não podes tu
Arranjar-me um remédio para a vida?
Quero vivê-la sem saber que a vivo
Como tu vives.

Fernando Pessoa


Gosto de falar com gente velha. Não toda. Mas há algumas pessoas, com corpos profundamente martelados pela vida, que me despertam uma profunda admiração. Têm uma genica e uma vontade irresistíveis, contam piadas, fazem coisas... As maleitas não os derrotam, cada novo dia é um privilégio que aproveitam até ao tutano. E contam histórias hilariantes, do tempo em que comer uma sardinha era um banquete e se andava descalço e só os fortes ou os sortudos não viravam anjinhos antes de completarem um ano de vida.

Às vezes esquecemos como Portugal progrediu em termos de esperança de vida e de taxa de sobrevivência infantil. No tempo da minha avó, nenhuma mãe esperava ou contava que todos os filhos sobrevivessem. As pessoas encaravam então a morte como algo bem mais pertença da vida. Talvez não assumissem o direito à vida de uma forma sequer tão absoluta. Morreu, enterre-se. Paz à sua alma. E vamos lá para os campos ou para os barcos, que o pão de amanhã não está garantido pelo fundo de desemprego e licença por nojo é coisa que nem sei o que seja.

De qualquer forma, há sempre quem veja um copo meio cheio onde outros o vêem apenas meio vazio. Acredito que a tristeza e a incapacidade para o contentamento sejam das maiores falhas de carácter: infernizam a vida de quem não sabe ser feliz; infernizam a vida de quem partilha o tempo com gente sempre amargurada; impedem que se aprecie o momento e se acredite que há esperança, até contra a doença, até contra a ampulheta inclemente do tempo que passa.

Há muitos jovens demasiado encanecidos. É que também se pode ficar gasto bem jovem. Como estar em perfeito estado no fim da vida. Talvez seja tudo uma coisa de disposição para envelhecer bem, viver bem, não desistir.

Pouco há-de importar-me se levo um cadáver bonito para a sepultura. Mas espero chegar às vésperas das descidas aos tais sete palmos garantidos com uns neurónios ainda ginasticados.

E que seja um baile de despedida. Como se o pudesse escolher por medida, ou às tantas porque talvez chegue a um momento em que decidirei que é por medida. Se já usar um tripé para me manter em pé por essa altura, que tenha pelo menos vontade de dançar. E rir-me às gargalhadas da minha figura, perna trôpega para um lado, perna trôpega para o outro, mais a muleta para dar balanço.

E que alguém jovem olhe para mim e ainda sinta vontade de ouvir as minhas histórias, rir comigo, ficar contente porque a idade não é fardo. Como eu fico às vezes a ouvir falar quem já roubou ao tempo quase um século de vida.

2006-10-24

Eu falo, falo...


aqui

Por um daqueles saltos do pensamento que nem interessa explicar, comecei a pensar no fascínio que tenho pelas diferentes extremidades dos corpos masculinos: as mãos, de dedos longos, graciosas e magras; os pés que, normalmente, têm uma similitude de ossatura com as mãos e, se aquelas são bonitas, existe uma grande probabilidade para que o sejam também; o nariz, que pode tornar uma cara mais ou menos fascinante, mas lhe dá sempre uma identidade muito própria; as orelhas, sempre tão esquecidas, até serem de dimensões semelhantes às do Luís Filipe Vieira; e o falo, sem dúvida, que – como este blogue perdeu há muito a vergonha –, posso admitir que é um dos meus deleites...

Mas, se for a pensar bem, eu nem sou nada esquisita: gosto de um belo corpo e ponto final!

Meus senhores e minhas senhoras...

.
... faltam 5 visitas para este blogue chegar às 50 000. Façam o favor de se anunciarem. A gerência agradece :)


Adenda: Afinal, o contador onde tinha visto a contagem não estava bom do juízo (agora já só diz 44 318), ou então era eu que, com a fome, já via o que não era. Apesar de não representar a verdade do blogue, vou passar a partir de hoje a contar apenas com o número que está lá no fundo da página. Sendo assim, ainda faltam muitas visitas para fazer a festa :)

Não venhas com merdas!

Tom Waits - 'Downtown Train'


Pega lá um pedregulho.

2006-10-23

Parabéns!


aqui

Disse a estes dois para aparecerem na festa. Parece que o Josh até já se decidiu pelo presente... A Scarlett, coitadinha, é que ainda vai ter de ir (urgentemente!) mudar de aparência e largar uma ou duas carteiras, ou ninguém acredita mais na imagem de sex symbol. Ele fica giro de qualquer maneira....

Eu também me perdia!


aqui (clicar para ver melhor)

Aquelas covinhas na cara deviam ser proibidas!

2006-10-22

Novo vício


aqui

Estou a ficar viciada nas pesquisas que vêm desembocar na Voz. Para além da constante Lilly do Canal Panda, todos os dias me aparecem questões que me deixam profundamente surpreendida.

Ontem, por exemplo, uma alminha procurava "como fazer massagens em mulheres deprimidas". E eu fiquei a pensar que algum santo tinha caído em algum altar, mas contente por saber que ainda há quem se interesse por boas massagens e por resolver as depressões das mulheres.

Porém, umas pesquisas depois, descobri que alguém chegou à Voz dizendo "quero ser corno". Ora bolas! Isso é lá coisa para alguém querer ser? Só espero que não seja o santo que quer fazer massagens...

2006-10-19

Opinião

Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião

Zé Kéti – Opinião

Não tenho filhos. Aliás, nunca engravidei. E, se acontecesse, mesmo que não fosse planeado, duvido que alguma vez abortasse. Até porque sempre tive o privilégio de uma família estruturada, grande, capaz de prestar qualquer apoio, todo o apoio. E que, mesmo que não a tivesse, consideraria sempre outras hipóteses, até mesmo entregar a criança para adopção. Porque o aborto me parece assustadoramente definitivo. Porque eu sou assim. Não sei mesmo se faria um aborto. Acho que não o faria. Mas deve haver níveis de desespero que não chego sequer a imaginar...

Isto para dizer que sou pró-aborto. E esta frase, assim, parece-me demasiado obtusa. O aborto existe. Não será estar a favor dele. É antes estar contra a penalização do acto. É estar contra uma lei persecutória para a mulher, que a impede de decidir sobre o próprio corpo, com dignidade, sem medos, com tempo para ponderar todas as hipóteses e sem ter de dar um salto a correr a Espanha, a olhar por cima do ombro. É estar contra a hipocrisia que acha que só por ser crime não é cometido. É estar contra uma lei que esquece o homem, mesmo que um filho precise dos dois para ser gerado. Uma lei que não tem em conta, muitas vezes, a forma como é exactamente o gajo que pressiona – e paga – o aborto em si. Mas, depois do "bem-bom", parece que retiram o macho da equação e, por conseguinte, o isentam de qualquer culpa.

É óbvio que não defendo a possibilidade de cessar uma gravidez de forma aligeirada, até ao nono mês, inclusive. Defendo uma legislação cuidada, à semelhança da existente na vizinha Espanha, com datas precisas. Defendo também um rigoroso acompanhamento de cada caso. Isto permitiria, por uma lado, um acompanhamento médico e psicológico da mulher, um apresentar de alternativas, um acompanhamento social, individualizando e integrando o indivíduo, em lugar da cegueira generalista do "é crime". O acto, não mais crime, poderia ser finalmente compreendido, talvez evitado, porque livremente debatido, sem dar aso a todo um cenário burlesco, com lavagem de podres em praça pública, na qual incluo a sanha inquiridora dos media.

Dentro desta minha lógica, defendo também qualquer coisa semelhante a um "cadastro" para mulheres que recorressem ao aborto. Para que este não virasse o anti-concepcional das idiotas ou das preguiçosas. Para essas, talvez houvesse lugar a manter alguma forma de penalização, que não aceito que o aborto se transforme num acto sistemático, sem ponderação.

Haveria, pois, que implicar acompanhamento médico, psicológico e social da mulher, da sua família, dos índices económicos e de literacia, das violências várias a que muitas estão sujeitas – e não falo apenas de violações e incestos, como é óbvio. É que abortar não deve, não pode ser, a primeira opção. Mas pode – e deve – ser uma opção que, face a uma análise abrangente de cada caso em concreto, permitisse uma validação de um acto médico. E esse acto médico e essa opção da mulher, não deveriam, portanto, ser crime em parte alguma deste País.

Mas é mesmo tudo uma questão de hipocrisias. E a maior parece ganhar sempre. Os resultados são funestos, como é óbvio. E cheira-me que todo e qualquer debate será rapidamente esquecido, mal passe esta sede de votos no preto ou no branco e sem cambiantes que tudo deixa prometer. Daí que até gostasse de saber quantas mulheres de políticos recorreram a abortos aqui ou acolá. E quantas amantes, como é óbvio. Porque isto da moralidade sempre foi uma questão de maior ou menor jeito para criar e manter fachadas e, dos podres íntimos, a hipocrisia reinante não dá acordo, desde que haja forma de os segredos continuarem a ser silenciados, ou trocados por interesses ainda mais escusos.

Tão lentinha!


aqui

Estava para aqui a pensar que já pratico essa nobre arte do engate on-line. Afinal, envolvi-me prazerosamente (muito prazerozamente!) com alguém que conheci na net. Demorei foi quatro anos a consumar a coisa… Será que perdeu a validade?

Coisas que me fazem (muita) confusão


aqui


A chuva torrencial que caiu hoje, que abrandava sempre que eu tinha um telhado por cima da cabeça e caia tipo dilúvio cada vez que eu saia à rua;

O sono que já tenho e a incapacidade (cada vez mais crónica) de adormecer sem fazer uma maratona de voltas na cama;

O sono que vou ter amanhã por não ter adormecido a horas decentes;

Ter uns sapatos novos e ter-me esquecido (outra vez) de comprar meias bonitas para os exibir;

A dor de barriga do Blogger que, de cada vez que tentava entrar na Voz ou nas caixas de comentários, me dizia que estava com um "internal error";

A mania desta gente dizer que está "ao pé" de alguma coisa, em vez do tão mais simpático "estar à beira". É que há dias em que não percebo a atracção de tanta gente por chulé;

E estes ataques de mau humor que, volta não volta, me entorpecem os sentidos e só fico com vontade de mandar tudo e todos irem apanhar... florzinhas!

2006-10-17

Habla con ella!


Se miran, se presienten, se desean,
se acarician, se besan, se desnudan,
se respiran, se acuestan, se olfatean,
se penetran, se chupan, se demudan,
se adormecen, despiertan, se iluminan,
se codician, se palpan, se fascinan,
se mastican, se gustan, se babean,
se confunden, se acoplan, se disgregan,
se aletargan, fallecen, se reintegran,
se distienden, se enarcan, se menean,
se retuercen, se tiran, se caldean,
se estrangulan, se aprietan, se estremecen,
se tantean, se juntan, desfallecen,
se repelen, se enervan, se apetecen,
se acometen, se enlazan, se entrechocan,
se agazapan, se apresan, se dislocan,
se perforan, se incrustan, se acribillan,
se remachan, se injertan, se atornillan,
se desmayan, reviven, resplandecen,
se contemplan, se inflaman, se enloquecen,
se derriten, se sueldan, se calcinan,
se desgarran, se muerden, se asesinan,
resucitan, se buscan, se refriegan,
se rehuyen, se evaden y se entregan.

Olivério Girondo


aqui


As coisas que me vêm procurar à Voz!

"numa relação sexual quantas vezes um homem de 36 anos goza?"

E dou comigo a pensar como é possível haver quem se entretenha a procurar estas coisas pela net. Como dou comigo a supor que algo está errado, muito errado, quando se limita a sexualidade a quantas vezes, como se a quantidade fosse bastante, como se um homem só provasse ser realmente homem porque capaz de uma maratona de orgasmos, questionando quantas deu em lugar de tentar saber quantas partilhou.

Meu caro pesquisador(a) das 16:51h, não seria tempo – e já que anda, suponho, pela casa dos trinta e muitos –, de deixar de se questionar com o "quanto", para se preocupar antes com o "como"?

Vá por mim: às vezes, uma basta! Precisa é ser muito bem feitinha…

A menina papa...


aqui

Dizem que a menina Scarlett gosta deles mais maduros... Nada contra papar um Benicio num elevador. É papável mesmo em qualquer sítio...


(Perante a abundância, vejo-me na necessidade de recorrer a pesos pesados...)

2006-10-16

2006-10-15

O gajo da gaja


aqui

Por cada fotografia que vir da Scarlett nos blogues, vou passar a pôr uma do Josh Hartnett. Será uma espécie de elogio ao fulano mais invejado das últimas décadas.

Além de que nós, meninas, também merecemos. Portanto, se me passar alguma Scarlett despercebida (o que será normal), façam favor de avisar.

2006-10-14

Muhammad Yunus


aqui

Não dês o peixe; ensina a pescar.


Disse Lech Walesa (também um Nobel da Paz) que Yunus merecia o Nobel da Economia pelo o impacto que teve e tem nas sociedades onde se aplica o seu modelo de micro-crédito àqueles que, antes, se diria que são pura e simplesmente insolventes e, por isso mesmo, incapazes de aceder a financiamento.

Sabemos há muito que em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Ao pôr nas mãos, especialmente de mulheres, uns poucos quebrados que permitiram lançar pequenos negócios familiares, Yunus deu de comer a milhões de pessoas. Essas pessoas, mais do que continuarem a ver-se como condenadas ao perpétuo fatalismo da fome, reconstruíram uma teia de relações sociais cheias de vontade nova num mundo melhor.

Dar dignidade, esperança e de comer a quem nada tem, não é um dos melhores caminhos para a Paz?

E quantos de nós se lembram realmente dos nomes dos diferentes Nobel da Economia? E quantos de nós não sabem encadear pelo menos quatro ou cinco nomes de Nobel da Paz? Até na nossa memória, o reconhecimento é selectivo. E eu acho que foi merecido este Nobel da Paz. Assim, ninguém se esquece!

2006-10-13

Deixa-me rir

Deixa-me rir
Essa história não é tua
Falas da festa, do sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o convite
Tens medo de te dar
E não é teu o que queres vender

Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor

Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda-feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
De que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso

Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre só por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a máscara sufocante

Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor, o que vai dizer
Segunda-feira

Jorge Palma - Deixa-me Rir


Digo-o sem vergonha ou sequer vontade de fazer qualquer postulado: mesmo quando as palavras que descrevem o desejo se pintem da cor ilusora da vergonha, ou se confundam na armadilha dos papéis, ou na terminologia dos géneros, eu gosto de textos que falam de amor, que descrevem o tesão. É apenas assim e pronto: primário e optimizado à minha maneira.

Talvez seja porque prefiro mil vezes o rubor saciado da completude, do saber que existimos em metades, que nos damos para sermos o "um" iniciático e radioso da comunhão absoluta.

E que, passado o momento, somos metade outra vez…

2006-10-12

2006-10-11

Uma vela

"As crianças vítimas de abusos através da internet não podem defender-se, mas tu podes defendê-las. Com a tua ajuda conseguiremos erradicar este flagelo. Não precisamos do teu dinheiro; somente que acendas uma vela de apoio. Estamos a enveredar esforços para que se acendam Um Milhão de Velas até 31 de Dezembro de 2006. Esta petição será usada tendo em vista encorajar governos, políticos, instituições financeiras, organizações de pagamento, servidores de internet, companhias de tecnologia e agências de investigação policial, a erradicar a viabilidade comercial do abuso infantil online. Eles têm o poder de trabalhar juntos. Tu tens o poder de os mover. Por favor acende a tua vela, ou envia um e-mail de apoio para light@lightamillioncandles.com. Juntos seremos capazes de destruir a viabilidade de sites de abuso infantil que destroem as vidas de crianças inocentes. Divulga esta informação, para que também os teus amigos, conhecidos, colegas e leitores acendam uma vela."


(via
Noite)




Porque é recorrente ter filhos da puta tarados à procura de coisas do tipo da que deixo acima aqui na Voz; e porque há bastardos ainda mais filhos da puta que põem na net imagens de crianças para satisfazer a voracidade alucinada dos tais tarados filhos da puta, junto-me à corrente e aqui deixo a minha vela:


aqui

2006-10-10

Curiosidade politicamente incorrecta


aqui


Vamos cá! Parece que são dez. Quer dizer, eu nunca fui à catequese, mas fui criada numa sociedade que se diz muito Católica. E também já vi nos filmes e houve aquele ano em que a minha mãe se esqueceu de assinar a dispensa e tive que gramar Religião e Moral até aquela santa senhora que dava as aulas me ter convidado a não pôr lá mais os pés… Por isso, são os tais dez e cá vou eu. Não vou criticar os Mandamentos. Longe de mim! Parecem-me quase todos tão bonitos (tirando a treta da castidade, mas lá iremos chegar), tão elevados, tão…

É que a questão não está nos Mandamentos, claro. Está na minha manifesta incapacidade para perceber como se pode violar praticamente todos e, depois, só porque se vai a casamentos e baptizados e se leva os filhos a terem a cabeça regada antes de poderem perceber o que se passa, ainda se achar que se milita no Catolicismo…

E este nem sequer pretende ser um post provocador. Claro que sei que o é, porque assim vai ser entendido. Mas não queria ser. Só gostava mesmo que alguém me explicasse como funciona a coisa. É assim como com as regras de trânsito, que todos as conhecemos, mas contornamos sempre que a polícia não está a ver? Mas é que neste caso, o vosso polícia não está sempre a ver? E – se há muito desistiram de ir à Igreja pedir ao padre as Ave-Marias de penitência – como convivem com a culpa de terem pecado tanto e tanto e tão repetidamente?

Gostaria muito de perceber como se faz isso de ser um Católico Não Praticante. E até onde vai e a partir de onde não pode ir mais. Dai que tenha ido buscar os Mandamentos e escalpelizá-los em função do que vejo ser feito à minha volta.

O primeiro é Amar a Deus sobre todas as coisas. Ok, este parece-me pacífico. Mas, caso o vosso coiro ou o da vossa família estivessem em causa, não era num piscar de olhos que O renegavam? Bem, pode ser que “coisas” não contemple seres vivos e talvez seja por ai que se dá a volta ao Mandamento… Alguém explica?

O segundo diz que não se deve invocar o nome de Deus em vão. Mas, mais uma vez, estou a ver o caldo entornado. Serei só eu que vê – e ouve – o nome d’Ele convertido em interjeição? E que a toda a hora O chamam pelos motivos mais comezinhos? E que até há quem, durante o orgasmo, berre bem alto por Ele?

Depois há a questão de guardar os Domingos e as Festas de Guarda. Isto não quer dizer que todo o rebanho se deveria deslocar ordeiramente até à Igreja mais próxima nesses dias? E porque fica tanta gente em casa? Ainda por cima, parece que há muito o dízimo já não é 10% do ordenado, por isso podem confiar que não vão dar mais do que o vosso tempo – e a salvação da vossa alma – cumprindo o sagrado terceiro Mandamento… E não, “a catedral” dos lampiões parece que não estava nos planos originais.

O quarto Mandamento compele a honrar pai e mãe… E, no entanto, quantos velhos não são abandonados onde quer que seja, sem merecerem mais do que uma visita anual, se tanto?

O quinto Mandamento diz para não matar… Pergunta de agnóstica convicta: os animais contam, certo? E as plantas? E nos países com pena de morte? A vida não é toda vida, ou só é toda vida quando nos interessa defender um qualquer argumento? Então que andamos todos a fazer à vida que nos rodeia e nos sustenta? E porque há ainda armas e exércitos e assassinos?

O sexto Mandamento é, então, para esquecer. Diz ele que é para não pecar contra a castidade. E gostaria mesmo de saber quem o pode realmente afirmar hoje em dia. É que nem sequer é virgindade. É castidade mesmo. Isso quer dizer que nem uma punheta, nem um vibrador, nem sequer joguinhos sem penetração. Casto é casto e não há cá nada disso, certo? (Ainda bem que não sou católica, ou então lá ia usar as palavras do poeta: “eu pecador me confesso”…) Como fica? Esquece-se este e tenta-se cumprir com todos os outros? É por isso que não praticam? Por praticarem de mais?

O sétimo Mandamento é não roubar. Ok, não precisam de dizer em voz alta ou sequer escrever a verdade… mas nem um plagiosinho quando não estava ninguém a ver? Um cinzeiro num bar? Um pacote de batatas de fritas (dos pequeninos, obviamente) na mercearia da esquina?

O oitavo Mandamento é não levantar falso testemunho. Parece-me bem! Mas também não quer dizer que temos que excomungar a maioria dos políticos, dos jornalistas e vários bloggers, bem como todos os fanáticos pelo futebol? E quantos de nós já não se saíram com uma frase do tipo “eu não tenho a certeza, mas parece que foi sicrano”?

O nono Mandamento é fixe! Deixa as mulheres puras, não é? Afinal, só manda não desejar a mulher do próximo. E, como as lésbicas não contam para o dogma, só os homens é que têm de prevenir-se. Para as mulheres hetero, é a festa. Força, meninas! O Mandamento é misógino, mas a culpa não é vossa! Não se esqueçam é da castidade...

O décimo Mandamento avisa para não cobiçar coisas alheias. É o caos! Numa sociedade como a nossa, onde objectos novos se anunciam em catadupa e o carro do vizinho parece sempre melhor do que o nosso, quantos – em consciência – nunca pecaram? E quantos não se preparam para pecar mais um bocadinho, indo empenhar a vida ao banco (a juros! Ai a usura!...) para ter um carro igualzinho ao do vizinho?

Sei que fui simplista e abusei. Mas a questão mantém-se pertinente para mim: ninguém precisa deixar de acreditar em Deus. Eu nunca deixei de acreditar no Divino… Mas precisam mesmo de normas e dogmas que não cumprem? Precisam dizer-se uma coisa que não são? O que é isso de ser um Católico Não Praticante?


___
Nota: A formulação dos Mandamentos é conforme o que consta na Wikipédia para o Catecismo Católico.

2006-10-08

O grito

As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado

António Ramos Rosa – As palavras


Quanto mais se cala o grito, tão mais alto acaba por se ouvir o desespero. Talvez por isso tento não amordaçar nada. É esta a minha maneira de combater todos os silêncios aflitos.

Nas palavras, a alma a nu.

E sei que todas as memórias boas têm ecos longos…

Massagem ao ego

You Are a Phoenix

Driven and ambitious, you tend to acquire material success easily.
You have grand schemes - both for your own life and for changing the whole world.
You are a great leader, and you have no problem taking the reigns.
However, you aren't all business. You also have great talents for performing and visual arts.


"Surripiado" na Bastet.

2006-10-02

Gostei de ver!

.
A Igreja Católica não vai fazer campanha contra a despenalização do aborto, por considerar que este «não é um assunto religioso». A posição foi assumida esta terça-feira por D. José Policarpo, o cardeal patriarca de Lisboa, garantindo que a Igreja não vai fazer do aborto uma questão eclesiástica.

«É uma questão de ética e direitos humanos fundamentais», sublinhou D. José Policarpo, que disse ser desejável que sejam «os leigos, os pais e os médicos a liderar a campanha do não».


Sempre fui um pouco afoita no que toca a rebelar-me contra as regras e os pergaminhos que nada me dizem. Confesso que cultivo desde muito nova uma costela anarquista que herdei no sangue e sou rápida a tentar subverter as regras, especialmente as que não (me) fazem sentido. Confesso ainda que sou rápida a julgar em função de expectativas e/ou de atitudes passadas de determinados grupos sociais. Mas se há coisa que acho que também sou é capaz de um elogio. E bem sei que para o senhor pouco importará que o faça, ou muito menos saberá que o fiz, mas ouvir hoje o comentário de D. José Policarpo a propósito do novo capítulo da novela A Despenalização do Aborto em Portugal (será neste que aparece o The End?), deixou-me na disposição de dizer o que pensei que nunca iria dizer na vida: Bravo, caro senhor!

Um Estado que se assume laico, não pode continuar a cobrar aos representantes da fé a formação de uma opinião para agradar a apenas alguns. A fé não deveria nunca imiscuir-se na política (ainda que, ao ouvir alguns representantes partidários - ou de doutrina - por vezes não saiba bem onde acaba a crença não fundamentada e surja a ideia concreta e concretizável).

Claro que ver um vespeiro de jornalistas à cata da notícia fácil também terá a sua quota na confusão em que se vai caindo quando se fala de qualquer assunto que acerta em cheio no único neurónio sentimental do mais racionalista dos gajos...

Mas é que a democracia e qualquer acto sufragado pelo cidadão não deveriam ser nunca - ainda que haja quem queira que sim - mais do que o direito de escolher entre uma e outra proposta (ou várias) e, no caso de dúvidas, abster-se de escolher seja o que for
(*). E foi exactamente isso que disse D. José Policarpo. Esperemos que a comandita que recolhe votos em Fátima - e já que tanto diz seguir a doutrina da Igreja - se lembre de, por uma vez, deixar de invocar a crença e a fé católicas como motivo válido - e às vezes o único - para continuar a mandar mulheres pobres, sem dinheiro para ir a Espanha, para a prisão.


(*) os nulos e os boicotes ficam para outra vez...

2006-10-01

Os canitos...


aqui

Esta coisa dos Bobbies da capital se chamarem sempre Jolly ou Joly (acho que depende do pedigree do dono) deixou-me em estado de choque: e eu a achar que era só em sentido figurado... tss tss... coisas que nem quero perceber! E pensar que no melhor pano cai uma nódoa tão jolie.

A letra escarlate


José Luís Obiratã - Ensaio em Vermelho

Ultimamente tenho falado várias vezes de cores por aqui. Penso que, a esta altura do campeonato, já todos sabem que gosto de vestir-me preferencialmente de preto e tenho um carinho especial pelo vermelho, que uso amiúde em doses suaves, para contrabalançar com o vigor luminoso da cor quente o negrume com que me pinto. Queria até - mas não consegui - um carro vermelho...

Mas confesso que ver a palavra escrita a vermelho me causa muita espécie: tenho um director que é todo sorrisinhos pela frente e - depois - desata a escrever mails com letras tamalho 16 e vermelho vivo. Ora, eu cá (nestas coisas como em muitas outras) vou sempre pela voz do povo que diz que escrever a vermelho é mandar alguém à merda. Ou então, pura e simplesmente não gosto, porque acho sempre que a utilização da cor da sinalização do perigo é o estratagema fácil para chamar à atenção para o que não tem interesse nenhum.

Claro que, nos entretantos, eu escrevo a azul-cueca, por isso nem deveria pôr-me para aqui com estas coisas... mas é que gosto bem mais do azul-cueca para que os olhos - e as meninges, os neurónios... - não se sintam agredidos.