2009-05-30

Ariadna



Escrita por Carlos Iniesta, falecido no ano passado, Ariadna é a terceira parte da trilogia sobre as heroínas da tragédia grega, iniciada com Elektra e seguida de Medea, a Estrangeira.



A força de algumas fábulas parece estritamente ligada a uma absurda e aparentemente impossível capacidade para a desconstrução do grande conceito e na complexa elaboração do mito de forma simples. Mas nunca parecem precisar exagerar para transmitir a mensagem. E é por isso que sobrevivem, passam de boca em boca, instalam-se no imaginário. Se complicassem e exagerassem, perdiam-se por entre os pormenores. Simplificar é um caminho muito complicado.



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imagem aqui

2009-05-28

hmm...

aqui


«Na deliberação, o Conselho Regulador considerou "verificada, à luz da análise efectuada, a possibilidade de a TVI ter posto em causa o respeito pela presunção de inocência dos visados nas notícias (tal como resulta do artigo 14.º, n.º 2, alínea c) do Estatuto do Jornalista)"»

ERC, 28/05/2009

(...)

2009-05-27

E viva!


aqui

Até que enfim!

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«Dias Loureiro terá já pedido a renúncia do cargo de conselheiro de Estado. De acordo com a SIC Notícias, o antigo dirigente do PSD já terá também solicitado uma audiência ao procurador-geral da República.»

in, Público



A confirmar-se, já não era sem tempo. Não porque acho que Dias Loureiro mereça ser queimado em praça pública até se dar como provada qualquer acusação que caia sobre si; antes porque a Presidência da República não merecia ser arrastada para a escandaleira e os aproveitamentos políticos subsequentes, especialmente da forma como, nos últimos tempos, essas coisas se vão fazendo no Portugalinho.

A propósito das decisões

"Aliás, se persistíssemos em afirmar que as nossas decisões somos nós que as tomamos, então teríamos de principiar por dilucidar, por discernir, por distinguir, quem é, em nós, aquele que tomou a decisão e aquele que depois a irá cumprir, operações impossíveis onde as houver. Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós."

Do livrito que ando a ler, Todos os Nomes de José Saramago

2009-05-26

Parabéns, lindo!


aqui


Os meus amigos são lindos. São gente e não apenas ilusões de gente à procura de um espelho onde aparecerem como mais do que neblina. Não mendigam afectos. Não tentam aprisionar-me em grilhetas de obrigações. Não me seduzem nem se deixam seduzir com ninharias. Não me cerceiam a opinião nem deixam de me berrar as próprias convicções. E é por isso que nos zangamos e fazemos as pazes e concordamos em alguns dias e nos outros todos estamos lá, mesmo quando não estamos de facto, que a amizade tem fortes e longos braços e abraços e tentáculos e é um casulo de paz e afecto onde me enformo para continuar a ganhar os dias. E é por isso que me derreto e venho aqui dar os parabéns, mesmo sabendo que não gostas, mesmo sabendo que às tantas nem vens cá, temendo encontrar aqui este texto. Mas até por isso ele cá está: para permanecer um rasto e um farol por entre as ausências e as saudades e todo o carinho que a distância não derruba. Ou então apenas para te deixar um beijo. Ou só para dizer olá e apreciar com gratidão mais um ano em que te sei aqui comigo.

2009-05-25

Sabiam que há um Dia Europeu dos Vizinhos?

Eu não, népias, estava aqui ignorantezita.
E parece que é já amanhã, dia 26, que se comemora esta fabulosa data. Qual é o objectivo? Bem, no site http://www.vizinhos.eu/ diz que se "pretende promover a solidariedade e a coesão social entre os cidadãos". Como? Com a "Festa dos Vizinhos".
Claro que já há gente a pensar de si para consigo: "Mas eu não gosto dos cabrões dos meu vizinhos!". Ó queridos - kidos, que é como a malta jovem escreve - então não vão à festa, 'né?

C'um caraças!


aqui

Na pequena praceta, uma caixa multibanco espera os incautos que, como eu, se esquecem que ainda nem todos os parques de estacionamento têm o pagamento por via verde activo, ainda que o anunciem. De cada um dos lados da caixa multibanco, um casal de velhotes sentado em cadeiras de praia e com mantinhas nos joelhos para obviar o fresco. Quando o incauto – eu! – se aproxima do multibanco, começa a choradeira: "uma moedinha, por amor de Deus; qualquer coisinha para quem é pobrezinho, por Deus Nosso Senhor". E o incauto – eu! – já de queixo caído de espanto pelo exagero da mantinha e da cadeira, além da óbvia estratégica logística, apenas range os dentes e rosna exasperado: "Não acredito em Deus!" Então o incauto – eu! –aproveita para escapar enquanto o espanto lhes abre a boca. A do incauto – eu! – é que vai ter mais problemas em fechar-se. Cadeira e mantinha ao lado do multibanco? Fooooda-se!!!

2009-05-24

Quer poupar água? Faça xixi no banho...

Pois é, parece que uma ONG brasileira, a Fundação SOS Mata Atlântica, lançou uma campanha de poupança de água aconselhando as pessoas a urinar durante o banho. É que, segundo a notícia que li, a quantidade de água poupada em cada descarga chega a 12 litros.
Convenhamos, nos tempos que correm há que chamar atenção das pessoas para os problemas do meio ambiente de forma simples e original!

Notícia via
SIC online

2009-05-23

2009-05-21

Vozinhas interiores

A desonestidade das pessoas, a lata com que acham que vão sair sempre impunes das situações, irrita-me e dá-me nojo!

2009-05-18

A verdade da mentira

O título é um lugar comum, um cliché, bem o sei. Porém, melhor título não haverá para estas linhas.

A verdade é uma coisa engraçada. Por mais que se diga que só há uma, porque a realidade é ela também uma só, parecem haver verdades coexistentes, ambivalentes, e até contraditórias. Não que eu acredite nisso, claro. Verdade e realidade são apenas uma manifestação unívoca. Não há lugar para equívocos. Nem para jogos. A vida não é um jogo de póquer, como alguns podem pensar.

A verdade de mim é que os anos todos que carrego no corpo e na alma não têm sido suficientes para me apagar a ingenuidade do ser. Fui ingénua porque durante muito tempo não vi aquilo que tinha diante dos olhos. Interpretei determinados acontecimentos como equívocos, quando a verdade estava ali mesmo à minha frente - ou ao meu lado, neste caso.

Aprendi que a verdade pode tardar mas um dia aparece-nos diante dos olhos. E a verdade é que, por vezes, temos de nos proteger da mentira como se fechássemos a nossa caixa à chave. E é isso que faço agora, todos os dias.
A ingenuidade está-se a acabar. E a paciência também. Fora isso...
'tá-se bem!

2009-05-13

Far West


aqui


Não tenho explicações ou soluções milagrosas. Não conheço sequer os bairros de que falam ultimamente, ainda que também haja uns quantos no Grande Porto. Apenas sei que não me parece admissível que exista terra sem lei, apesar de toda a explicação sociológica que se apresente, ou do bairro cercado onde a violência foi transformada em ciclo vicioso, ou da maneira como o gueto se instalou na forma de pensar de quem o olha mas, muito especialmente, de quem o habita.

2009-05-12

Ufa!




Parece que, em parte alguma, a culinária turca inclui algo remotamente semelhante a um Bolo-Rei.

2009-05-11

Plangente

Canção com Lágrimas by Adriano Correia De Oliveira on Grooveshark

Eu canto para ti o mês das giestas
mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada.

Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem me dera em Lisboa
Quem me dera em Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve

Eu canto para ti Lisboa à tua espera...



(...o tempo escoa-se mas não se esquece.)

Escândalo




Se a morte pode ser espectáculo por tudo e por nada – e é, cada vez mais em primetime, cada vez mais destituída de qualquer sacralidade – não chego a entender o escândalo a propósito de apenas uma cena. Toda a exposição do anatomista alemão Gunther von Hagens parece-me profundamente grotesca, enquanto corpos sem vida semi-dissecados mimam a vida. Entendo a repulsa; entendo até que se condene quem faça dinheiro com a morte, expondo-a assim aos olhos curiosos e chocados do público. Só não entendo que resumam a crítica apenas à cena de sexo entre cadáveres. E que condensem novamente a náusea apenas à moralidade pequenina que continua a vestir o sexo – já não a morte – de vergonha e repugnância.

2009-05-10

De vez em quando gosto deste tipo

Um dia quase perfeito
(...) Irritam-me as mensagens tipo. As pessoas tipo. As empresas tipo. Os comportamentos tipo. Um bom tipo. Um mau tipo. O próprio Fiat tipo. Por mim, prefiro mil vezes uma mensagem que diga simplesmente "Parabéns!" a uma tipificada como: "Espero que este dia seja passado com aqueles que mais amas, na companhia dos teus verdadeiros amigos, e que este dia se repita por muitos e longos anos!". Não sei explicar-vos, mas explico. Há aqui qualquer coisa de plástico. Ou de cimento armado. Ou tijolo casquinha. É duro perceber que já teremos lido isto em alguma parte. E já lemos. Possivelmente mais do que uma vez. Possivelmente até da mesma pessoa que no ano anterior, nos terá enviado uma mensagem exactamente igual a esta. Por mim, é preferível darem-me um par de meias todos os natais. Essas sempre aquecem.
(...)

Do blogue do Fernando Alvim, o Espero bem que não

2009-05-08

O novo tribalismo


aqui

«Spontanément, tout groupe humain se définit comme l’humanité. (...)L’étranger est regardé, ressenti comme irréductiblement autre; il est l’inassimilable, le barbare, le métèque.»


Philippe Moreau Defarges



Não penso que a crise vá depurar seja o que for, mesmo que deite borda fora muita da asneira e do abuso. Pelo meio, permitirá antes o retrocesso. E o humanismo e a tolerância voltarão a bater em retirada face à barbárie latente, sobretudo se a retórica fácil continuar a ver no estrangeiro um inimigo conveniente.

6ª feira


Found at bee mp3 search engine

2009-05-07

Ruído


Umberto Boccioni

O formato post é fácil. Eu acho, pelo menos. Mas, ao mesmo tempo, nessa facilidade queremos pôr tanto que acabamos a esgotar algumas palavras. As mais complicadas, talvez, por mais usadas ou abusadas e por serem aquelas aparentemente mais simples. São essas as que mais facilmente precisam romper o silêncio e também as que ficam mais amputadas no seu sentido se não chegam a ser recebidas na melhor das condições por entre o ruído deste meio.

2009-05-06

:)

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«Worried about trampling on the rights of innocent consumers, the European Parliament rejected Wednesday attempts by EU governments to crack down on people who illegally download copyright-protected music and movies over the Internet.»



Mais uma consequência da crise

No outro dia, quando ia para o trabalho, ouvi na rádio (não sei bem qual, pois ia numa de zapping radiofónico) que os animais domésticos também sofrem com esta crise económica. É que, segundo várias instituições, o número de animais abandonados tem vindo a aumentar drasticamente. Muitas já nem têm capacidade para receber mais bichinhos.
Fiquei muito triste ao ouvir isto! É algo em que não tinha pensado ainda. As pessoas têm de abdicar de coisas, não podem fazer a mesma vida de antes, e abdicam também dos seus amigos de estimação.
Eu já não consigo imaginar o que seria isto por aqui sem os meus dois amiguitos, um gato e uma cadela, ele moreno, ela loira, os dois doidinhos. E nunca me hei-de separar deles... Só nas férias. Sou daquelas sortudas que tem quem pode ficar a tomar conta deles quando vai para fora!


Seguramente



Já lhe apreciei a segurança quando alegou objecção de consciência contra a disciplina de voto do partido a propósito do referendo ao Tratado Europeu; e acho que hoje lhe dava o meu voto por esta tomada de posição contra este cheque em branco à forma como vão passar a impor-se os interesses da mão cheia de ricos cada vez mais ricos, bem como ainda mais corrupção e prostituição entre poder político e pilim, a troco dos dinheirinhos para as campanhas.

2009-05-05

Um país de mamarrachos

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«"No caso em apreço, não há notícia de crime", refere a Procuradoria-Geral da República, concluindo que "afastada a possibilidade de investigação criminal, resta a investigação histórica ou a política, domínios que, contudo, escapam por inteiro à área de intervenção do Ministério Público".»

in, DN


aqui




Entre as casas em ruínas nos centros das grandes cidades em que ninguém mexe não se sabe bem porquê, até aos chalés "tipo la maison com janelas tipo la fenêtre" dos vilarejos onde emigrantes tentaram espelhar em casas absurdas como a vidinha lhes ia correndo bem lá pelas estranjas, a paisagem urbanizada portuguesa chega a ser tenebrosa e os culpados deviam ser punidos. Para além de restantes contornos da situação (quem desenhou? quem assinou o projecto? como foi licenciado?) há uma questão maior de bom gosto e saúde pública, que também se mede pela envolvente urbanística. Desta vez, José Sócrates escapou por prescrição. Mas espero mesmo que a história não o esqueça: um mau gosto desta magnitude, apesar de não ser crime, não merece desculpa.

R.I.P.



Morreu aos 83 anos uma das figuras da minha infância. Acho que a última vez que o "vi" foi neste programa de Herman José. Como é possível ter ficado agora com tantas saudades?

2009-05-04

humm...

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Eu entendo porque se aceita ter publicidade nos blogues. Entendo mesmo, ainda que não seja essa a escolha aqui do Voz em Fuga. Não chego é a entender porque parecem tão pouco ralados por terem uma "máquina dos peidos" a enfeitar-lhes os textos. Isso é que já me parece muito pouco claro.

Quase tetra


aqui

Hoje, as capas dos "desportivos" lá estarão pintadas de vermelho como de costume. Ou então verde, mas já em jeito de rodapé. E de certeza que alguém vai dizer que o árbitro João Ferreira andou ali a fazer o jeito ao FCP. Ou então a culpa é dos árbitros que fiscalizaram os jogos dos outros dois.

2009-05-02

'Acabámos de perder a manifestação'

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«A pequena multidão aguerrida dissipa-se. Vital Moreira segue o seu caminho e Ana Rosa afasta-se. “É isto que vai abrir os telejornais. Acabámos de perder a manifestação”. A profecia cumpriu-se. As palavras de ordem cederam lugar aos protestos contra a “intolerância”, o “sectarismo” ou a “instigação do ódio”. »

in, Público


E, sim, perderam a manifestação e perderam acima de tudo respeito, porque, para lá de qualquer rivalidade político-ideológica, as regras de civilidade têm de continuar a valer para alguma coisa. Um cabeça de lista a umas eleições não perde nem pode perder direitos cívicos, por mais que o apelidem de traidor os antigos camaradas. Depois, qualquer pulhice, com agressões e insultos à mistura, não pode passar a ser desculpável só porque o visado é político. Eu não embarco nessa lengalenga de que os direitos dos políticos passam a estar coarctados por aquilo que exercem ou pelo que defendem, tirando em casos extremos em que defendem a perda de direitos de outros. E é por isso que não entendo a facilidade com que se desculpa o que aconteceu ontem culpando antes o agredido. Pediu Vital Moreira para apanhar porrada? Faria parte do seu programa de campanha acabar insultado e agredido de filho da puta e traidor em pleno 1º de Maio?

A manifestante citada no público tem razão: a cegueira de uns poucos deu cabo de qualquer valor intrínseco que se pudesse aproveitar dos discursos da esquerda no dia que é dos trabalhadores. É que – tirando da equação Vital Moreira, que obviamente até anda à caça do voto – perderam votos (e credibilidade) por uma coisa tão simples e aparentemente evidente que é o facto de validarem e desculparem a agressão. Visto deste lado, não me parece justo ou sequer saudável – e a bem da democracia – dar votos a quem acha que a democracia é palavra vã, a campanha eleitoral anedota, o voto livre piada, só sobrando como válidos a agressão física, o insulto e a política musculada.

2009-05-01

Ah! O 1º de Maio…



Qual terá sido o escarro ganhador?

À porta do blogue


aqui


Gosto de giesta bem amarela nos campos da Primavera. Dizem que é contra o carrapato, o mau olhado e outros males que tais. E não custa nada "pendurá-las", como todos os anos, por aqui. Afinal, a primeira página do blogue também é uma porta.