2007-06-26

A Nina


aqui

A Nina fugiu de casa com medo dos foguetes de S. João. Nunca tinha ouvido foguetes antes. Aliás, a Nina havia visto ou vivido ainda pouca coisa antes.

A Nina vinha de volta a casa quando um qualquer filho da puta a atropelou e a atirou, para morrer em lenta agonia, para dentro de um caixote do lixo.

A Nina era a cadela que a minha irmã, há apenas alguns dias, tinha conseguido salvar de uma morte certa.

Não era destino da Nina sobreviver. Mas não merecia acabar num caixote do lixo, em agonia, em dia de festa de S. João.

5 comentários:

I. disse...

:(

(um beijinho à tua mana, e um bem haja por ter dado à Nina, nos seus últimos dias, uma casa e uma família)

Hipatia disse...

A cadela era um doce. Andei horas dentro do carro à procura dela. E agora só penso que talvez devesse ter procurado um bocadinho mais. E penso no sacana que a atropelou e a deixou para morrer... será que a bebedeira era tão grande que um ser vivo não merecia um bocadinho mais?

Emiele disse...

A história que o Frogas contou ali nos «outros comentários» é de nos tirar o sono. Como há bestas dessas?! No caso que contas ainda admito também que a bebedeira nem o deixasse ver a estrada, e terá sido outra pessoa que a encontrou já morta e a «atirou» para o lixo.
Quem gosta de animais, sente um arrepio.
Já me tem acontecido travar quando um palerma de um pombo não quer levantar voo, quanto mais um cão ou um gato. É a insensibilidade total.

Hipatia disse...

Nem sei como nos espantamos ainda, Emiele. A verdade é que já devíamos saber que a bestialidade da espécie de prova de várias formas. E que atrás de um volante quase todos viram idiotas. E que a única verdade que nos atinge sem surpresas é que o Homem consegue fazer sempre pior do que seria inicialmente previsto :((

Anónimo disse...

Mais Vozes

As pessoashoje em dia nao dao valor a vida... Nao sentem... Estao mortas... Felizmente a minha cadelinha, que morreu ha uns meses teve um fim bem mais digno... Cremamo-la e espalhamos as cinzas no seu parque preferido..
QueenPoker | | 06.26.07 - 7:19 pm | #

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Já passaram uns meses mas a cena continua bem presente desta minha cabecinha . Vinha eu de uma noite de copos quando em frente ao portão da marinha em VFX se passeava um canito alegremente no meio da estrada . Pelo que me recordo deveriam ser umas 5 ou 6 da manhã ,não havia um único carro na estrada mas qualquer coisa fez com que parasse o carro para observar o bicho . Subitamente e com uma velocidade muito reduzida vejo aproximarem-se umas luzes e, desde logo pressenti que algo de mau se iria passar. Parado no meio da estrada decidi fazer repetidos sinais de luzes para alertar quem vinha no sentido oposto de que algo se estava a passar. Depois como se de um filme em câmara lenta se tratasse, vi um grandíssimo filho da puta a desviar-se lentamente de modo a passar por cima do animal .
Quando peguei no canito este ainda se encontrava com vida ,retirei-o da estrada , e sentia-lhe durante um tempo que não sei definir o olhar a desprender-se lentamente do meu . O que a seguir se passou são coisas que não sei meter em palavras
frogas | | 06.26.07 - 10:40 pm | #

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Estou muito revoltada com o que aconteceu. E muito triste. Mas, acima de tudo, cheia de raiva!
Hipatia | | Email | Homepage | 06.26.07 - 11:26 pm | #

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Frogas, não sei o que dizer... de propósito? Atropelado de propósito?
Hipatia | | Email | Homepage | 06.26.07 - 11:27 pm | #

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Será que as pessoas se estão a transformar em animais acossados que apenas fogem do que se passa à sua volta?
maria árvore | | Email | Homepage | 06.27.07 - 11:32 pm | #

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Alguns parecem até fugir da própria humanidade, pelo menos daquele quinhão que supostamente nos distingue das bestas
Hipatia | | Email | Homepage | 06.28.07 - 2:02 pm | #