2010-11-14

Media

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Nunca nenhuma vida tem valor realmente idêntico a outra quando vista pelo prisma de valores que vai enformando estas notícias que nos sobram. E é que já nem é o cão a morder o homem ou o homem a morder o cão; é mais do que isso: é quase como se fossem homens transformados em matilhas. Havendo sangue, ou tragédia, ou uma hecatombe, tanto melhor, mas também basta conspurcar a vida privada de qualquer um. E a sociedade que tudo vai engolindo, cada vez mais anestesiada, mais comatosa, tanto que lhe tentam dar cada vez mais pão e circo, a ver se ainda reage, a ver se ainda há reacção possível. E as tragédias são só fait-divers; só a notícia bombástica vende. E vamos ficando calejados contra a tragédia e os factóides, servidos a qualquer hora de maneira a que a indiferença vá alastrando, até que já quase nada pareça indigno. É um mal generalizado e um tique do jornalismo que temos: explorar à exaustão o fácil, o sentimentalóide, o grotesco, as opiniões dementes de alguém, em lugar de expor factos sem julgamentos morais. A isenção nunca existiu afinal e a ingerência é arma nas lutas diárias pelas audiências e nos agrados necessários aos patrões.

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