Fast-News
.
«A TV prefere a repetição à análise e o mito ao facto. Estampa os seus ícones na nossa psique tão bem como nas paredes das nossas cidades. A homogeneidade espalha-se como um fogo florestal através da TV, já que ninguém quer ser apanhado fora de moda. Qualquer centro comercial é TV "de passagem". Sons, cores e formas de TV que são as expressões sensoriais da nossa sensibilidade colectiva. Mas a arregimentação televisiva da nossa sensibilidade assume outras formas, como os risos e aplausos enlatados ou, num nível mais subtil, as votações electrónicas. A maior parte do que aparece nos noticiários ou documentários é pré-digerido e apresentado num formato estereotipado para uma dentada rápida, como fast food. Não terá a TV criado uma cultura de massas, fazendo desaparecer o espaço da reflexão privada e autonomia de escolha? (...) a TV pode muito bem estar a pensar por nós...»
Derrick de Kerckhove – A Pele da Cultura
__
«O esquecimento é sempre uma espécie de morte antecipada e, por isso, quanto matamos ou diminuímos a memória, estamos de certo modo a considerar-nos mortos. Os profissionais de informação e os meios de comunicação social têm, ou deviam ter, responsabilidades éticas nesta matéria. Mas aquilo a que assistimos, todos os dias, é à ocultação de homens e acontecimentos, ou ao seu desfiguramento, por desfastio ou mera conveniência política. Às vezes, apetece perguntar se os jornalistas já a perderam de todo – à memória –, navegando como sonâmbulos sem referências pela espuma dos dias.»
Rui Herbon - A erosão da memória





0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home