2026-07-02

Caos

A doença, quando chega, não pede licença nem consulta a agenda. Chega e desarruma tudo o que uma pessoa emocionalmente organizada passou uma vida a pôr em gavetas etiquetadas. Porque há quem se sinta mais seguro a prever do que a viver e a doença não reconhece esse acordo. É, decerto, uma das experiências mais desorganizadoras que há, precisamente por confrontar aquilo que julgávamos controlar. E agora, num mundo em que toda a informação está à distância de um dedo sobre o ecrã, esse excesso não tranquiliza — alarma, confunde, acelera o descontrolo que já lá estava, só que agora com dados. Entra-se em piloto automático de gestão de crise, competente e frio e, no fim, descobre-se que o mais difícil não é resolver nada. É deixar, nalgum momento, espaço para sentir, sentar no chão e berrar.

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