Hoje vale a pena pôr maquilhagem?
A resposta não está no espelho, mas na agenda.
Maquilhagem é gastar recursos limitados de paciência e pigmento para apresentar uma versão civilizada ao mundo. Mas a civilização tem custos de manutenção.
Pôr rímel? Só se houver alguém que mereça o esforço de não esfregar os olhos quando a conversa ficar aborrecida. O rímel exige uma disciplina diplomática que nem todos os interlocutores justificam.
Batom vermelho? É uma declaração de guerra. Ou de intenções. Se o dia for passado a negociar com o nada, é um desperdício de artilharia.
Base e corretor? Para esconder as olheiras de quem leu até às três da manhã? Não. A olheira é o meu único sinal honesto de que o mundo exterior está a ser cansativo.
Se o raio de ação não ultrapassar o comprimento do meu braço, a pele respira. Se o protocolo exigir presença física num andar sem elevador, a cara lavada é a minha política de austeridade.
Veredito: Hoje? Hoje fico-me pelo hidratante. O mundo não fez por merecer o meu melhor corretor de olheiras.
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