Dantes, jurava que seria diferente. Outro passo. Outra voz. Nenhum rasto.
Não fui. Não sou.
O tempo não corrige. Insiste.
Agora, no meio de um desabafo ou de uma ordem atirada à pressa, ouço-me. E não sou só eu. É ela. Na inclinação da frase. No olhar que cai direto no erro. No “estás a ver?” que nem precisa ser dito.
Abro a boca. E a minha mãe aparece.
No início, estranhei. Soou a falha. A cópia.
Hoje, não.
A menina que pisa o dia cresceu. E percebe: isto não é desvio. É estrutura.
Quando tudo baralha — a pressa, o ruído, a segunda-feira — não estou sozinha. Nunca estive.
Há uma linha firme. Um lastro.
Não é feitio.
É herança.
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