2026-05-03

O eco


Dantes, jurava que seria diferente. Outro passo. Outra voz. Nenhum rasto.

Não fui. Não sou.

O tempo não corrige. Insiste.
Agora, no meio de um desabafo ou de uma ordem atirada à pressa, ouço-me. E não sou só eu. É ela. Na inclinação da frase. No olhar que cai direto no erro. No “estás a ver?” que nem precisa ser dito.

Abro a boca. E a minha mãe aparece.

No início, estranhei. Soou a falha. A cópia.

Hoje, não.

A menina que pisa o dia cresceu. E percebe: isto não é desvio. É estrutura.

Quando tudo baralha — a pressa, o ruído, a segunda-feira — não estou sozinha. Nunca estive.

Há uma linha firme. Um lastro.

Não é feitio.

É herança.

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