2026-09-01

Não se interrompe quem está a fazer

Há uma regra básica da humanidade que continua inexplicavelmente por escrever nos manuais: se uma mulher está a fazer uma coisa que um homem disse que não podia ser feita, não a interrompas.

Não perguntes como está a fazer.
Não expliques como tu farias.
Não digas «isso não vai resultar».

E, sobretudo, não apareças cinco minutos depois com a frase:
— Estás a precisar de ajuda?

Não.
Neste momento, ela não precisa de ajuda. Precisa que te afastes lentamente, sem movimentos bruscos, como quem se aproxima de um animal selvagem.

Porque ela já passou pela fase da dúvida.
Já passou pela fase da irritação.
Está agora naquela zona luminosa em que uma pessoa deixa de querer provar que consegue e passa simplesmente a querer ver a cara de quem disse que não conseguia.

E há uma satisfação muito particular em terminar uma coisa que nos disseram ser impossível.
Não é vingança.
É serviço público.

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