Sou viciada em café e cigarros. É isto. Não é charmoso, não é estética de Instagram. É vício velho, de gente ansiosa. Acordo e o corpo pede logo as duas coisas.
“Podia ser pior”, dizem. Pois podia. Podia estar agarrada a pó, a apostas, a comprar merda que não preciso, a foder com desconhecidos só para não ficar sozinha, a viver nos comentários dos outros. Podia ser viciada em ser boa pessoa na internet. Isso é capaz de ser pior.
Não sou. Fiquei-me por isto. Café que me lixa o estômago e tabaco que me lixa o resto. Veneno com horário fixo.
Tenho uma clarabóia no telhado. Não vejo o mundo dali. Vejo um quadrado de céu sujo, a antena ferrugenta do prédio e, de vez em quando, uma gaivota que também não sabe bem onde está. Quando chove, embacia. Quando está sol, queima. Não me ilude.
Por isso não me meto muito na vida dos outros. Tenho telhados de vidro. Posso ver a rua, posso comentar para dentro. Agora, atirar pedras? Não.
Cada um que carregue a merda do seu calhau. O meu já me pesa que chegue. O dos outros só me interessa quando me cai em cima do pé.
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