2008-11-29

Vozinhas interiores

Às vezes pergunto-me se a minha vida seria muito diferente se eu tivesse umas mamas pequenas...
(É que eu só oiço falar em aumentar, aumentar, e para estes lados gostava era de diminuir, diminuir!)

2008-11-28

Inquéritos parlamentares?


aqui

Alguém acredita realmente que os marmelos que sentam ali o traseiro são capazes de investigar e apurar seja o que for sobre outros marmelos que sentam ou já sentaram ali o cu?

Mais do mesmo


aqui

(...) entrevemos a probabilidade de uma idade média planetária.(...) Em vez de uma síntese fecunda entre a ordem e a desordem, que deveria ser o progresso, vemos desenhar-se a justaposição de uma ordem rígida (garantida por aparelhos implacáveis) e de uma desordem não criadora (onde se dissolverão as regras "civilizadas")

Edgar Morin, Sociologia - A Sociologio do Microssocial ao Macroplanetário


Este século parece fadado à guerrilha suja. E assusta-me esta barbárie mascarada.

2008-11-26

Eu explico!


aqui

Não era nessa!

O Natal é Christmas

Este não é mais um daqueles posts anti-consumismo. Que o Natal já não é o que era já todos sabemos. Também sabemos que a maneira como o festejamos é cada vez mais extravagante. Nada tem a ver com o tempo dos nossos pais ou dos nossos avós, bastante mais despojado.

As nossas tradições vão sendo misturadas com outras, de outros países. O que é normal, é da globalização! Até as músicas, nas lojas, são maioritariamente cantadas noutras línguas (I wish you a Merry Christmas, I wish you...). Creio que o mesmo deva acontecer nesses outros países... talvez... (será?)
Depois, quando vamos comprar postais, encontramos tantos a dizer “Merry Christmas” quantos os que dizem “Feliz Natal” (nalgumas lojas mais até dos primeiros). E damos por nós a ficar indecisos na escolha.

Antigamente era o Menino Jesus a distribuir as prendinhas. Veio a publicidade e impôs a figura do Pai Natal, aquele velho de barbas que se veste de vermelho e tem uma pança sem ar nenhum de caber numa chaminé. Agora, até já ouvi umas crianças chamar-lhe Santa Claus. Santa Claus?! Mas o que é isto?! Podem até já não acreditar, mas sabem falar português, certo?

Ah! Falta falar da competição de luzes. Coisa muito pouco ecológica, diga-se de passagem. Antes, o elemento que tinha luzes a piscar era a singela árvore de Natal na sala. Nos dias de hoje, além do interior, é o exterior do lar, ou home sweet home, a estar enfeitado e com luzes a piscar. Nem quero imaginar as contas de luz do mês de Dezembro!

Por tudo isto, e mais algumas coisas deixadas de fora para não tornar o post ainda mais longo, o Natal de hoje é Christmas!

Pronto. Fico-me por aqui. Se me esquecer de vos desejar um Feliz Natal, sempre vos posso gritar Merry Christmas! Posso?

2008-11-25

Dia internacional da eliminação da violência contra a mulher



Diariamente são mortas mulheres em vários Países. Morrem por questões que se prendem com conceitos arcaicos de honra, porque não tiveram filhos, porque são consideradas objectos, para lhes ficarem com o dote, porque ousaram um qualquer indício de revolta, porque o dia correu mal ao cabrão com quem decidiram partilhar a vida. Milhares de mortes silenciosas, que todos sabem que existem e ninguém faz nada para evitar.

Em Portugal, país supostamente evoluído da tal Europa Ocidental que desenhou a carta dos direitos humanos, os crimes que se acolitam no regaço dos lares são considerados públicos. Isto quer essencialmente dizer que podem ser denunciados por qualquer um que presencie a violência ou, mesmo não a presenciando, tenha conhecimento da mesma, nomeadamente pelos traumatismos mais ou menos disfarçados dos corpos torturados ou pelas reacções disfuncionais, ainda que demasiadas vezes camufladas, que as vítimas apresentam.

É-me profundamente difícil lidar com a necessidade de um dia para dizer que não deveriam ser necessários dias assim. Qualquer meu conceito de igualdade esbarra nessa necessidade de discriminação positiva. E, no entanto, tal como em cada 8 de Março, cá estou hoje a escrever sobre o assunto. Com a noção que, para além das parangonas e dos abaixo assinado e das notícias que amanhã já não valerão nada, em Portugal morrem mulheres a um ritmo alucinante, enquanto outras se escondem aterrorizadas, estrangeiras na própria vida, náufragas de direitos, exiladas e párias na sociedade que continua a fechar os olhos.

E será que queríamos ter?

.

(Ai, Mouraria, poizé, que bós num tendes fado, ora toma e embrulha.)

I.


Estiveste aqui e não percebeste que nesta terra não há nem piegas, nem choramingas, nem melancólicos depressivos a precisarem de uma estadia no sofá do teu doutor? Isto aqui é bola para à frente ao som da chula, do vira e do malhão, carago!

Toma, que faz melhor que qualquer faduncho:


Só uma coisinha


Evelyn Waugh

Na era do Google é inadmissível que troquem o sexo a autores supostamente consagrados.

2008-11-24

Azo


aqui

Achei que Cavaco Silva deveria ter dito qualquer coisa mal o BPN foi notícia. Nessa altura teria feito sentido. Agora parece apenas tarde demais e a despropósito. Ou seja, a clarificação do PR, ou era no imediato e cirúrgica, ou então estava visto que já não fazia sentido que viesse. Mas ao vir em tom de insinuação contra a insinuação e alegando que o querem envolver nas negociatas do BPN, esquece o mais evidente: quem anda perto da merda acaba a precisar de banho, mesmo que nem o mereça. E, convenhamos, que o PR não tenha nada a ver com o BPN não é a questão. O verdadeiro mal é tantos dos que lhe estão ou estiveram próximos terem chafurdado no esterqueiro.

Cegueira

Pois é, na sexta lá fui eu ver o filme "Ensaio sobre a Cegueira". Já tinha lido o livro do Saramago e não fiquei desapontada. Gostei imenso. Dou os parabéns ao realizador, Meirelles, por me ter presenteado com uma bela sessão de cinema. Em muitos pormenores as coisas são como as imaginei quando lia a história.
É um filme forte, crú, para fazer pensar, mas o livro também o era. Observei o desapontamento de algumas pessoas, cujos comentários deixavam transparecer várias coisas: ou não o estavam a compreender (é sobre tudo menos cegueira); alguns estavam à espera de outra coisa (não cheguei a perceber bem o quê); ou, ainda, que não leram a obra do Saramago (nitidamente). - Nos intervalos ouve-se de tudo...
Numa última nota, junto a minha voz à daqueles que elogiaram a representação de Julianne Moore, ela está mesmo fenomenal!

2008-11-23

Coisas que não entendo


aqui


Não entendo. É que não chego mesmo a entender o raio dos motivos por trás do nome de baptismo dos dedos das mãos. Um teve direito a ser polegar, nome pomposo e enrolado; outro, curioso, apontador de tudo e todos, apelidado de indicador; outro ainda, simbolizando submissões várias nas tradições mais díspares, calhou ser chamado de anelar; e há também o mindinho, nome tão estranho que nem me atrevo a pensar nas suas origens.

Agora o que não percebo mesmo é como um dedo tão jeitoso, que nos facilita tanto a convivência social quando nos passamos dos carretos e avançamos para bem longe do recato da civilidade, tem um nome tão pouco interessante como médio. Ora! Quando o uso ou tenho vontade de usar, há muito pouco de médio nas intenções. Aliás, há tudo menos intenções medianas. É de uma clareza absoluta. Erguido, qual torre, é explícito na vontade e no propósito.


Big brotherzinho


aqui

Vendo como todos os partidos da oposição se dedicam a apoiar a lógica irredutível e estapafúrdia da Fenprof, que tanto assina acordos como, logo de seguida, faz tábua rasa de todo e qualquer acordo firmado, ouço da voz de um senhor de quarenta e muitos, dois filhos na escola pública e nono ano inacabado, uma proposta para uma avaliação dos professores. A tal avaliação que todos dizem necessária, mas os professores não querem e os sindicatos não querem que eles tenham e que aos partidos na oposição não dá agora jeito nenhum que haja.

Segundo esse senhor – que podemos considerar como um belo exemplar do tal povinho que ainda vota e que irá votar – a coisa ficava resolvida se fossemos buscar em segunda mão a Inglaterra aquelas câmaras de filmar que estão nas ruas (que custaram um balúrdio mas que agora se descobriu que ninguém usa de verdade), as trouxéssemos para cá, as instalássemos em todas as salas de aula e as deixássemos a filmar.

Depois, de forma aleatória e sem ninguém saber quando, como e onde, seriam seleccionadas 5 ou 6 aulas de cada professor. Essas cassetes seriam então enviadas para outra escola, escolhida também de forma aleatória, para que um grupo composto por um professor, um psicólogo, um representante dos pais, um representante do pessoal administrativo e um representante dos alunos, se encarregasse de avaliar o professor que tinha tido as suas aulas gravadas.

É, era um big brother dentro de cada sala de aula. E era avaliação feita por quem nada teria de amiguismos com o professor a avaliar. E era ver se num instante não tínhamos todos os professores nos eixos. Viessem depois dizer que essa avaliação não valia. Ou viessem depois dizer que preferiam antes esta que agora dizem que não pode ser.

E, vejam só, isto vem de um pai de alunos, trabalhador e pagador de impostos. O tal que às tantas pensam que cativam mostrando na rua 120 000 cantores da revolução de versos mancos. E, convenhamos, cada vez me parece mais que a tal "sinistra ministra" vai conquistando apoios e não é só entre os membros do governo.

Se os professores se atrevem a mais umas manipulações de alunos com ovos à mistura ou mais umas passeatas em época de aulas ou se chegam mesmo a beliscar nem que seja ligeiramente o ano escolar dos alunos, cheira-me que vão aparecer muitos mais pais na rua do que todos os professores no activo que, de facto, saíram na manifestação e todos os outros que vão de costume com eles para ajudar a fazer número.

2008-11-20

Outras vozes.
Em fuga, ou não...

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Quando Alexandre o Grande passou por Corinto, visitou o filósofo Diógenes e encontrou-o sentado à sombra de uma árvore, com as vestes esfarrapadas, sem um tostão furado. Alexandre, o homem mais poderoso do mundo, perguntou-lhe se podia fazer alguma coisa para o ajudar. «Sim», retrucou o filósofo, «podias sair da frente. Estás a tapar-me o sol». Os soldados de Alexandre ficaram horrorizados, esperando uma das célebres explosões de raiva do seu comandante. Mas Alexandre limitou-se a rir e a observar que, se não fosse Alexandre, sem dúvida que gostaria de ser Diógenes.
Status Ansiedade, Alain de Botton

Este post é dedicado a todos aqueles que já alguma vez na vida pediram a alguém que não lhes tapasse o sol.
A sério!
;)

2008-11-19

Nem às paredes confesso



Respondo desta forma ao desafio que a I. nos lançou. Obviamente que é por causa da magnífica cinematografia de Emmanuel Lubezki e do fantástico que está o… Anthony Quinn :)))

Vozinhas interiores

Estou farta de ouvir falar em crise e em crises. O que eu gostava mesmo, nos próximos tempos, era de ouvir falar da crise da crise, ou de crise das crises,
ou que as crises estão em crise!
(Valerá a pena sonhar?)

2008-11-18

Lá se vai um belo insulto!

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«O presidente da Câmara de Ponte de Lima confirmou ao JN que a entrega foi uma "experiência" para os jovens "se familiarizarem com os computadores" e que os alunos estavam devidamente avisados que não iriam ficar com eles para já. Segundo Daniel Campelo, os 259 computadores estão nas instalações das escolas à espera das necessárias formalidades e do pagamento para serem entregues.»

in, Jornal de Notícias


Farta de ouvir José Sócrates falar sobre o Magalhães – e farta de José Sócrates tout court – vinha hoje (depois de tanto ouvir falar da história dos computadores entregues para a fotografia em Ponte de Lima e de seguida recolhidos a criancinhas chorosas) escrever o meu belo post de indignação onde mandava o PM meter o Magalhães pelo cu acima.

Mas não é que o raio da notícia afinal tem mais uns parágrafos?

OK, OK, há vários motivos legítimos para mandarmos o actual PM ir apanhar florzinhas, especialmente quando ele apenas parece querer fazer florzinhas para as câmaras de tv e fotógrafos, de peito feito e arrogância pendurada na fronha.

Mas tenham dó! Escolham uma a sério. Ele há tantas!


___

E rais'parta a mulher que não acerta uma!

Toma Zé!

Swans - You Know Nothing
Found at bee mp3 search engine


And nothing is written in the book, reality is made by you
(...)
Your shadows swallow everything it feels. You punish us with bliss



E nem te atrevas a fechar o tasco!

2008-11-17

Interpretação dos sonhos


aqui

Tenho uma colega que canta no coro da Igreja. Hoje sonhei que a senhora tinha emigrado para a Escócia depois de pedir a reforma antecipada. Sem saber muito bem o que fazer com tanto tempo livre, resolveu inscrever-se nos "ranchos" escoceses e assim continuar a cantar.

E, no meu sonho, a minha colega de metro e meio cantava lindos cânticos ao Senhor ladeada por dois latagões de gaita-de-foles e kilt.

Obviamente que, como eram ranchos, os latagões escoceses rodavam de kilt esvoaçante – enquanto tocavam gaita, claro – pelo meio das voltas de um vira bem minhoto que, não sei por qual razão esquisita, tinha passado a ser tocado com nova melodia e versos bem estranhos (Hossana, Hossana!).

Mas desusado mesmo é que, em homenagem à minha colega que continuava a cantar hinos de louvor ao Senhor, os escoceses da gaita tinham por baixo do kilt umas belíssimas cuecas de renda branca.

Hmm…

Hoje é dia do Dia do Não Fumador...

... mas do Não Fumador de quê?

Confesso-vos que sempre me intrigou este dia, apesar de ele me ser dedicado como boa Não Fumadora que sou. E sempre me intrigou por um motivo muito simples: nunca se especificou que diabo de coisas não se deve fumar. Nesta data as mensagens (e reportagens e imagens) alertam para os malefícios do tabaco, motivando aqueles que o fumam a deixar o vício. Então e os viciados noutro tipo de coisas?
Se eu não fumar tabaco hoje é o meu dia, mas se me agarrar à erva ‘tá-se bem?!


Pssiuuu...



Leva também um beijo, mesmo achando que talvez prefiras a prenda aqui em cima :)

2008-11-16

Já está!


aqui


E pronto! Já aí têm a novidade.

O Voz em Fuga começou por ser o blogue da Hipátia. Em Janeiro de 2006, passou a ser o blogue da Hipátia e do Gaivina. Hoje, é também o blogue da Fabulosa. E, sim, a porta estava entreaberta e eu estava à espera do primeiro texto e a aguardar para ver que tal ficava o lilás combinado por e-mail contra o fundo escuro. Ficou bonito!

Sei que vão correr bem estes novos arranjos no arrendamento. Cada um tem a sua cor – pareceu-me uma boa forma para cada um manter o seu espaço – e a casa sempre foi grande demais só para mim. Já pensei fechá-la muitas vezes, já tentei pô-la em leilão outras tantas, já a deixei ao abandono por não saber onde mais me sentar, onde arrumar a tralha, como lhe dar um arranjo geral. Agora passamos a ser três e sei que os textos a lilás que vão passar a enfeitar a Voz darão prazer a todos os que se habituaram a vir por aqui. E talvez tragam novos amigos, originem novas tertúlias nas caixas de comentários, favoreçam este gosto que ninguém nos tira de partilhar em palavras o prazer que temos em escrever.

Depois, sempre tive medo que me acontecesse alguma coisa e não houvesse alguém para fechar as luzes e bater com a porta. E nunca tive muito tempo para gerir um blogue. O Gaivina, vai mês vem mês, perde a password. Agora estou mais sossegada: a Fabulosa vai tomar conta desta casa que, a partir de hoje, é também dela.

Bem-vinda, Fabulosa!

Centralismo


aqui

Oh meu caro Tomás Vasques, deixe o homem estar sossegadinho cá por cima. Há por ai muito treinador desempregado :)


A chegada
ou First things first


É curioso, ela deu-me a chave mas quando me encontro frente à porta de entrada vejo que está entreaberta. Entro no apartamento e chamo bem alto. Não há voz que me responda.
Coloco as malas no hall de entrada e desço para ir buscar o resto. Quando finalmente está tudo em casa, dou uma volta pelas divisões, abro a janela da sala e fico a apreciar as vistas. Inspiro fundo. Inspiro fundo uma e outra vez para absorver a essência do sítio. Acho que vai ser bom estar por aqui durante uns tempos... em fuga.

Na cozinha, um chá verde está quentinho dentro dum bule simpático. Ela preparou mesmo a minha vinda! Abro duas portas dos armários antes de conseguir encontrar as chávenas, agarro numa e sirvo-me. Ao lado do fogão um pote de mel chama por mim e procuro nas gavetas uma colher para me servir. Como é que ela adivinhou que eu só gosto do chá assim, com uma colherzinha de mel? Na mesa da cozinha um toalhete e um bolo convidam-me a sentar ali.
O acolhimento é óptimo, só falta mesmo a minha anfitriã.
Coloco a loiça na máquina e dirijo-me às minhas coisas no hall de entrada. Sei que tenho de as arrumar, mas não há pressa. Procuro o portátil e sento-me na sala: Ora bem, deixa cá ver como é que vai ser o meu primeiro post!


2008-11-15

(...)


.


You'd say, 'how are you, baby'
I'd say, 'it's raining in athens'

Aviso

.
.
Vai haver mudanças no Voz em Fuga
(espero)

.

Uma perguntinha


aqui

Se qualquer um de nós continuasse a ganhar o mesmo e se fosse promovido sem prestar qualquer prova e chegasse ao topo da carreira fosse bom ou uma besta, porque iria aceitar calmamente que as coisas mudassem?

2008-11-14

E eu também!

.

One sunny day in 2009 an old man approached the White House from across Pennsylvania Avenue, where he'd been sitting on a park bench.

He spoke to the U.S. Marine standing guard and said, 'I would like to go in and meet with President Bush'.

The Marine looked at the man and said, 'Sir, Mr. Bush is no longer president and no longer resides here'.

The old man said, 'Okay' and walked away.

The following day, the same man approached the White House and said to the same Marine 'I would like to go in and meet with President Bush'. The Marine again told the man, 'Sir, as I said yesterday, Mr. Bush is no longer president and no longer resides here'.

The man thanked him and, again, just walked away.

The third day, the same man approached the White House and spoke to the very same U. S. Marine, saying 'I would like to go in and meet with President Bush'.

The Marine, understandably agitated at this point, looked at the man and said, 'Sir, this is the third day in a row you have been here asking to speak to Mr. Bush. I've told you already that Mr. Bush is no longer the president and no longer resides here. Don't you understand?'

The old man looked at the Marine and said, 'Oh, I understand. I just love hearing it.'

The Marine snapped to attention, saluted, and said, 'See you tomorrow.'



(recebida por mail, graças a uma menina que tem andado muito (demasiado!) desaparecida).

Sem pio


aqui

5 cl de Whiskey Irlandês
1 colher a chá de Açúcar Mascavado
Café bem quente
Natas

Aquecer previamente o copo com whiskey, deitar o açúcar e o café. Mexer bem.
Em seguida verter as natas, suavemente, no topo, sem deixar misturar.
Polvilhar com canela (opção)


Mais uma faringite e lá me fugiu outra vez a voz. Bom prenúncio de fim-de-semana bem sofanado, que também é preciso alimentar a modorra enquanto se vê lá fora o dia a gelar.

Aproveito e apresento-vos a receita que hoje à noite me vai fazer companhia. Se não matar o bichedo, mal não deve fazer e, pela certa, vou quente para a cama.

2008-11-13

La luna llena sobre Porto

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Desculpem que o telemóvel não dá para mais. Mas a Lua está um espanto!

(Patologista, vai à janela, por favor!!!!)
- - -
Found at bee mp3 search engine

PWDs to the White House!


aqui

«PWDs have a single-layered coat that does not shed, and therefore their presence is tolerated extremely well among many people who suffer from dog allergies. Some call PWDs hypoallergenic dogs»

in, wikipedia


Caro Presidente-eleito Obama, faça as delícias do orgulho luso, sempre tão pronto a maravilhar-se com ninharias. Escolha o cão de água português!

2008-11-12

Hora da carta





Querido Pai Natal,

Já sei que este ano estou atrasada. Podia dizer qualquer coisa tipo "é a crise, estúpido", mas como já fazes greve todos os anos aos meus pedidos, tenho medo que, desta vez, te chateies a sério e nem um par de peúgas encontre no sapatinho.

Eu continuo a ser – juro! – uma menina bem comportada. Eu como a sopa, eu não minto (muito), eu porto-me bem e respeito os mais velhos, eu só insulto taxistas e outros cromos de toda a espécie atrás do volante, mais os árbitros e os futebolistas, bem como, ocasionalmente, os jornalistas e pouco (raramente!) imbecis que têm um blogue e restantes políticos com e sem poleiro. Mas tenho a certeza que se vivesses cá também insultavas!

Ah! E dou sempre um cigarro ao arrumador de carros e digo bom dia e boa tarde e, porque sou pelintra e nem quero pensar em parecer-me com aquela senhora com ar de fedelha que diz que escreve livros, digo sempre "bom-apetite" aos que comigo ainda partilham a hora da refeição.

Já tentei pedir-te gajos de sonho. Não resultou! Este ano, mudei de estratégia e porque a minha mãe é minha e muito minha e gosta da filha, desta vez o pedido do gajo foi logo para ela. Às tantas, tenho o gajo mais garantido do que o par de peúgas, mas como há a tal da crise, não sei que faça com a conta das viagens. Assim como assim, talvez as peúgas façam jeito, que sempre poupo no aquecimento.

O ano passado não quis complicar. Viste como fui linda, Pai Natal? E pedi paciência. Só paciência, Pai Natal! Onde foi que a meteste que não chegou à minha chaminé? Ainda está no cu de Ju… (quer dizer) no nariz do Rudolf?

Este ano, Pai Natal, nem brinques! A crise vai preta! Negríssima! Por isso, Pai Natal, fica lá com os gajos e a paciência e traz-me só uma coisinha: o poder de compra que tinha há dez anos atrás. Vale?

Beijinhos, Pai Natal

Maria Hipátia Ludovina da Silva, uma menina sempre bem comportada.

LOL

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Temos de ser todos católicos, beatos, betinhos, cócós, cónós, conas, vegetarianos, atletas, ex-fumadores e futuros militantes do PS, do PSD e da Opus-Dei?

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O abstido


aqui

Ele abstém-se no assunto da Ministra; ele abstém-se no assunto da Madeira; ele abstém-se sobre o BPN; ele abstém-se de levar cravo nas comemorações do 25 de Abril; ele abstém-se em tudo e mais alguma coisa. Por que razão foi mesmo eleito? O estatuto dos Açores? Mais alguma coisinha?

2008-11-11

Magusto




As castanhas estavam excelentes e o vinho e a jeropiga também eram (demasiado) bons. Amanhã falamos, que agora o meu teclado e o meu ecrã estão desfocados. Um problema técnico qualquer…

2008-11-10

Rolling home

Grunft!


aqui

Mas desde quando é que uma gaja tem culpa de viver num País em que a norma é o cu grande? E quem foi o abençoado que achou que bastava fazer calças só para cus de pêra? E qual foi a alminha que achou que não é preciso fazer vestidos de lã ou camisolões compridos para gajas que têm mamas?

Foda-se! Entre o não gostar de chocolate e não poder ir às compras sem ficar deprimida, gaja que é gaja faz o quê quando lhe apetece espairecer depois de um dia de cão?

2008-11-09

O Muro da Vergonha



Foi a 9 de Novembro de 1989 que o Muro caiu. Terá a minha geração outro dia assim, em que tudo era possível, em que a derrocada de uma parede simbolizava a esperança?

Eu, ingénua, pensei nesse dia que o Futuro tinha mesmo de ser melhor. Não pensei que outros muros eram possíveis, não pensei ver gente esfaimada a praticar o canibalismo para conseguir chegar a esta Europa apenas aparentemente sem muros e a ser de novo recambiada. Não pensei que um dia ia haver um cartão azul que aprisionasse esta Europa dentro das suas paredes. Não pensei que o medo se instalasse ainda.

Naquele dia foi a esperança. Depois veio a realidade. E sei hoje que nunca mais na minha vida vou sentir o mesmo, aquela felicidade sem nexo de quem vive para ver a História acontecer.

Kristallnacht


© Aaron Morgan

Foi há 70 anos.

k7


aqui

Quando os professores se livrarem do gajo do bigodinho e da sua cassete riscada, eu talvez lhes volte a prestar atenção. E a dar alguma credibilidade às suas reivindicações.

2008-11-08

Shylock


aqui

«I am a Jew. Hath not a Jew eyes? Hath not a Jew hands, organs, dimensions, senses, affections, passions; fed with the same food, hurt with the same weapons, subject to the same diseases, heal'd by the same means, warm'd and cool'd by the same winter and summer, as a Christian is? If you prick us, do we not bleed? If you tickle us, do we not laugh? If you poison us, do we not die? And if you wrong us, do we not revenge? If we are like you in the rest, we will resemble you in that.»

William Shakespeare, The Merchant Of Venice, Act 3, scene 1, 58–68


Aqui há uns tempos, o Frogas interrogava-se numa das caixas de comentários da Voz sobre a ausência maioritária de outros que não homens brancos na política portuguesa. Ontem, ao assistir ao discurso de Shylock na versão de Ricardo Pais de "O Mercador de Veneza" (Teatro Nacional S. João), foi disso que me lembrei: de tal povo de brandos costumes que nunca fomos, que dizimou, ostracizou e se impôs a todos os que lhe eram diferentes: judeus, negros, ciganos, índios, asiáticos… E como no País cada vez mais multicultural, o "outro" é cada vez mais "outro". Agora, pode até ser um caucasiano, loiro e de olho azul, mas como é ucraniano só serve para trabalhar nas obras, num certo discurso melífluo e aparentemente inócuo. E eu aqui do meu Norte, tão longe da sociedade bem mais colorida da capital onde todas as cores e sotaques se vêem na rua a qualquer momento, penso como o Frogas talvez esteja certo e como estamos ainda longe de dar espaço representativo a todos. Como se sangrássemos de maneira diferente. Como se odiássemos de maneira diferente. Como se até a vingança procurássemos de maneira diferente.

História

«O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.»

Willian George Ward


Ainda não tinha falado das eleições ganhas por Obama. Neste momento, já não há nada a dizer que outros não tenham dito e bem melhor; mas quero deixar ficar aqui na Voz este discurso.

2008-11-05

Grunft!


aqui


A imagem que tinha a enfeitar o blogue desapareceu. Já procurei por todo o lado e a bichinha foi-se de vez, substituída - como é comum acontecer - por uma página parasita que não tem nada a ver com o que estava lá antes.

Daí que a Voz esteja em obras. Para já, fica assim tristinha e escura, que foi o melhor que se arranjou. E quem perceber mais disto que eu e tenha uma imagem bonita com qualquer coisa a ver com "uma voz na fuga cósmica" - que foi onde me inspirei para o nome do blogue e é o título de um dos capítulos do "Cosmos" de Carl Sagan - que seja simpático e a faça chegar à caixa de correio ali ao lado.

No entretanto, estou amuada. E triste. E até o blogue parece estar de luto. Snif!

2008-11-04

01


aqui


Já uma vez escrevi – acho que só uma, pelo menos – sobre o que penso destes arremedos de paixão baseados na linguagem binária, neste tipo de romance com um ecrã de permeio e talvez um telecomando para fazer on e off ao sabor das conveniências, nesta forma aparentemente fácil com que se constroem e desconstroem paixões em caixas de comentários, em textos a chamar ao pulo da cueca, em e-mails cheios de ilusórias boas intenções e ainda mais belos sentimentos, nos telefonemas sussurrados em jeito de segredo e, provavelmente, em segredo demasiadas vezes. E eu, que já ando por aqui há demasiado tempo, que já me cruzei com a minha quota-parte de dogs disfarçados, mantenho um cinismo militante e uma descrença conservadora.

Depois, encontro um nome de um
blogue e acho a possibilidade fascinante. Será realmente possível fazer um tratado, ou sequer escrever um relato tão feiticeiro como o do livro onde o autor obviamente se inspirou?

Talvez eu esteja já demasiado cansada, ou demasiado velha, ou demasiado descrente para achar que o amor é fácil, tão fácil como abrir um blogue e povoa-lo de palavras e links. Talvez eu não acredite que bastam cliques ou pageviews, ou demasiadas palavras. Ou talvez me seja já só possível querer e compreender o amor naquele lugar distante onde se dilui a completude da palavra, povoado apenas pelos silêncios cúmplices. E esse lugar mágico nunca o encontro – nem quero encontrar – num recanto da net cheio de 0 e de 1 e de vazio.

Ora batatas!

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«Na reunião com os deputados do PSD, Maria José Nogueira Pinto manifestou-se contra o complemento solidário para os idosos. "Dar aos idosos 80 euros é um ultraje e um insulto porque eles, diabéticos, vão beber cerveja e comer doces e serão roubados pelos filhos", afirmou»

in, Jornal de Notícias


Sugiro a Maria José Nogueira Pinto o mesmo remédio que recomendei ao Presidente da ANPMES, mas fazendo as contas a 80 euros por mês. A ver se ainda lhe sobrava corpinho…



_______________
(Haja paciência! Entre a Palin lá nos States, a MFL e agora esta, será que as gajas tiraram o mês para envergonharem o género à conta de ditos parvos?)

Adeusóvaiteembora!




(é velhinha, mas eu ainda rio às gragalhadas)

2008-11-03

Delicadinhos

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«A líder do PSD considerou que os grandes investimentos do Estado só ajudam a reduzir o desemprego para os trabalhadores de países como Cabo Verde e a Ucrânia.»

in, TSF



O que me assusta nesta afirmação de Manuela Ferreira Leite não é sequer a componente de racismo implícita. É, especialmente, a noção de que vivemos num País em que a população activa passou a achar-se boa demais para certos trabalhos, preferindo ir chupar as tetas dos subsídios sociais a sujar as mãozinhas delicadas.

2008-11-02

BPN nacionalizado

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«o BPN está centrado na figura de Oliveira e Costa, que se articula com um grupo preciso, sustentado em relações pessoais (tendo inclusive levado o filho, José Augusto, para a gestão). (...) o BPN tem uma base política clara, tendo ido buscar pessoas ligadas ao PSD. Para além de Oliveira e Costa, o CEO, e do líder do Conselho Superior, Rui Machete, também Dias Loureiro, Amílcar Theias, Daniel Sanches e Arlindo de Carvalho, todos ex-ministros sociais-democratas, estiveram sentados em órgãos sociais do grupo. Oliveira e Costa é ainda uma figura controversa, tendo estado associado a uma polémica de perdão de juros fiscais a empresários de Aveiro.»

in, Público (15/02/2008)



Há tempos que se sabia que havia problemas graves para os lados do BPN e, com a chegada de Cadilhe, as denúncias, as auditorias e as várias negociações entre o Banco, a CGD e o BdP, seria de esperar que as coisas estivessem mesmo tremidas.

Agora pergunto-me é se o PSD precisava de mais esta. Ou mesmo Manuela Ferreira Leite. Porque, mais do que um Banco que acaba nacionalizado à conta dos resultados de uma gestão danosa e da incúria de quem se serviu da Instituição para apenas enriquecer à grande, há as consequências para o maior partido da oposição.

E se a oposição já andava em frangalhos, agora pior pode ficar. E eu temo que seja desta que a maioria absoluta do Governo PS se aproveite do caos alheio para destrambelhar de vez.

Depois, não vale confundir o que aconteceu a este Banco com a crise financeira generalizada que se tem vivido nos últimos tempos. Se a crise tem culpa de alguma coisa, é de ter impedido que se continuassem a esconder as maroscas. É que o que aconteceu ao BPN resulta de forma directa de má gestão, gestão danosa e, pior, gestão criminosa. Foram apanhados! Não tenho pena e só espero que, por uma vez, sofram as consequências dos seus actos.

2008-11-01