Preparem o vosso melhor champanhe — ou uma infusão de bílis, se preferirem algo mais temático — porque o universo resolveu oferecer-nos uma comédia de costumes tecnológica que nem o melhor guionista de sátira conseguiria engendrar. Refiro-me, claro, à nossa nova santa padroeira do hacktivismo: Martha Root. Não a missionária do século passado, mas a hacker alemã que decidiu que o palco da 39C3 (o Chaos Communication Congress), em Hamburgo, era o local perfeito para praticar o descarte ecológico de lixo tóxico digital.
O plano destes nazizecos era digno de uma distopia de quinta categoria: criar um reduto para a "preservação da raça" (o site WhiteDate) onde esperavam encontrar hordas de mulheres submissas — as tais "parideiras" ideológicas — prontas para abdicar da própria existência em prol do homeschooling de uma prole ariana. Imaginavam-se como patriarcas de um novo mundo, enquanto na realidade mal conseguiam sair do quarto dos pais.
Mas a auditoria da Martha Root foi implacável. Ao analisar os dados, provou-se o que todos já suspeitávamos: o site era uma imensa sala de espera para o mundo Incel. A demografia era tão esmagadoramente masculina que a probabilidade de encontrar uma "parideira" real era inferior à de encontrar um pingo de lógica num discurso de supremacia branca.
A parte mais deliciosa desta "Máquina do Coração Partido" foi a infiltração. Enquanto os nossos "varões" achavam que estavam a seduzir a futura mãe dos seus herdeiros, estavam apenas a derreter o coração a chatbots de IA treinados pela Martha.
Sim, leram bem. Se não fossem os bots da nossa Ranger Rosa, estes senhores teriam passado meses a falar uns com os outros num gigantesco e involuntário círculo de lamentações masculinas. Foi a IA da Martha que manteve a ilusão viva; sem ela, o site teria sido apenas um eco de homens a tentar convencer outros homens de que são o pináculo da evolução. Entregaram localizações GPS, fotos comprometedoras e fantasias tristes a algoritmos, provando que a "raça superior" se apaixona por uma qualquer linha de código que lhes dê um bocadinho de atenção.
O desfecho foi de uma higiene mental admirável. Ao vivo no palco, vestida de Pink Power Ranger para ridicularizar a hiper-masculinidade tóxica, Martha executou o comando divinal que mandou os sites e os backups para o éter. Puff. Desapareceram.
Para garantir que a humilhação fosse eterna, ela criou o monumento definitivo à sua burrice: o site okstupid.lol. E ao organizar os dados no projeto WhiteLeaks, Martha garantiu que este cadáver nazi fosse exposto e estudado por jornalistas e investigadores. O "guerreiro ariano do teclado" já não é um titã da civilização; é apenas um ponto a piscar num mapa, algures entre a carência afetiva e a total incapacidade de distinguir uma mulher real de um script de automação.
Martha Root demonstrou que, perante a arrogância de quem se julga superior, a arma mais eficaz é uma mistura de inteligência técnica, um fato cor-de-rosa choque e o espelho da realidade.
Querido patriarcado supremacista: se não conseguem distinguir um chatbot de uma "parideira", como é que esperam educar uma geração?
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