Se alguma vez precisaram de uma prova de que a humanidade é um erro biológico com fetiche por fatos de três peças, o Caso Epstein é o vosso Evangelho. Esqueçam a justiça; aquilo a que assistimos foi apenas a gestão de inventário de um talho de luxo onde a mercadoria tinha idade escolar e os clientes tinham o destino do mundo nas mãos.
Jeffrey Epstein não era um financeiro; era o porteiro do esgoto da elite. O seu "modelo de negócio" era simples: recrutar o trauma de miúdas descartáveis para comprar o silêncio de homens que o resto de nós trata por "Excelência". Entre a mansão em Manhattan e a ilha privada — aquele pequeno Éden de depravação onde o sol nunca se punha sobre a infâmia — montou-se um carrossel de carne humana lubrificado por fundos de investimento e imunidade diplomática.
O que realmente nos faz querer lavar a alma com ácido não é apenas o crime, mas a impunidade coreografada. Em 2008, o sistema deu-lhe uma palmadinha na mão; em 2019, o sistema deu-lhe uma corda (ou alguém a segurou por ele, tanto faz). As câmaras falharam, os guardas dormiram o sono dos justos e o segredo de quem realmente subiu a escadaria do "Lolita Express" ficou selado num pacto de sangue e caviar.
Agora, em 2026, as listas continuam a cair como migalhas de um banquete podre. Olhamos para os nomes — filantropos, príncipes, génios de Silicon Valley — e percebemos que o mundo não é governado por ideias, mas por chantagem mútua. No fim, Epstein morreu, Maxwell apodrece na cela com direito a canito, mas o mecanismo continua intacto. A única diferença é que agora sabemos que o abismo não só nos fita de volta, como tem conta na Suíça e uma fundação com o seu nome.
Nada muda. O sol nasce para todos, mas brilha mais forte para quem sabe onde enterrar os corpos.
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