2026-06-20

Pontes


Há amores que merecem palavras claras, simples, puras. Especialmente os amores grandes, os que doem com uma dignidade particular, feitos de escolhas que ninguém testemunhou e de saudades que não têm nome certo. 

Para esses, não tenho ainda as palavras certas. Talvez porque escrever sobre eles exija um reencontro que ainda não aconteceu — com a memória, com a porta, com o momento exacto em que ficámos.

Nós sabemos o que é ficar. Sabemos o sobressalto de ter a mão na maçaneta e sentir o peso do que está do outro lado — não o peso de quem parte, mas o peso do que fica se não partirmos. É sobre isso que quero falar um dia, e estas promessas que fazemos a nós próprios são as que mais custam a adiar.

Escrevo isto para recordar que a chuva cai sempre no momento errado, e que há escolhas que se fazem em silêncio, sem plateia, sem heroísmo. Só a mão. Só a porta. Só o que decidimos que somos.

Sem comentários: