Há quem trate a melancolia como doença. Eu trato-a como mobília.
Está sempre ali, encostada ao canto, sem cobrar renda, mas a dar ao espaço aquele ar de quem já viveu.
Não é tristeza — a tristeza tem pressa, quer atenção, manda mensagens às 3 da manhã.
A melancolia é mais discreta. Senta-se contigo ao fim do dia, partilha o silêncio e não pede nada em troca. Às vezes desconfio que é ela quem paga as contas da luz.
Mas se a confundes com depressão e vais ao médico porque gostas de chuva, o problema não é a melancolia. É a literalidade. E essa, ao que consta, continua sem cura.
Sem comentários:
Enviar um comentário