2005-05-31

Serralves em Festa

Serão 40 horas seguidas de música, dança, teatro, cinema, debates, oficinas, visitas guiadas e muitas outras actividades que o público poderá seguir, gratuitamente, entre os dias 4 e 5 de Junho, nos diversos espaços da Fundação de Serralves. Na sua primeira edição, no ano passado, o evento levou centenas de pessoas a circular pelo museu durante toda a noite, enquanto decorria no jardim uma festa de música electrónica.O programa deste ano volta a reunir um conjunto eclético de propostas, em que se destaca a presença do compositor Craig Armstrong, que colaborou já com Madonna, Bono e Massive Attack. A sua actuação terá lugar no campo de ténis, onde será acompanhado pela alemã AGF e por Vladislav Delay. No mesmo local, actuará também a Orquestra Nacional do Porto e, no auditório, o pianista Miguel Borges Coelho, que irá interpretar obras de Jorge Peixinho. No prado de Serralves haverá concerto da Mingus Big Band, criada pela viúva do compositor Charles Mingus. E, pela noite dentro, as alquimias de Soul Jazz Sound System e Tigersushi Bass System .


Não sei porquê, mas parece-me um excelente programa de festas para o próximo fim de semana...

A ver se mais alguém está de acordo :)

mais comPILAções

Post erótico - a propósito do desafio "comPILAções"

Lembras-te daquele imenso canavial,
onde nos encontrámos,
naquela tarde cinzenta?
Lembras-te como um olhar,
um simples olhar,
bastou para nos entregarmos?
Lembras-te da chuva,
a molhar os nossos corpos nus,
entregues ao mais puro prazer?
Lembras-te do sol,
que alguma deusa do amor
enviou para nos aquecer?
Lembras-te de olhar o céu
e pensares que nada mais existia no mundo
a não ser nós os dois?
Agora olho para esse mesmo céu
e pergunto-me onde estás
e como pôde a vida separar-nos...


E cá está o contributo do Zé Canas, prometido desde ontem...

Obrigada!

2005-05-30

comPILAções

Diz-me então que nome te dar. Por onde queres que te leve neste passeio imaginário. Que ruas do teu corpo deverão ficar com as marcas que me pedes e quando, quando o teu desejo eclodir, que mulher quererás então ao teu lado. Fala-me das vestes que tiro, das páginas de poesia que rasgarei no teu sexo, para que possa tragar um poema e guardar no meu hálito a chave de um soneto. Fecho-te então os olhos à luz e os pulsos ao movimento para que a percepção das carícias e dos medos se misturem com os anseios que me descreves. Vou lembrar-te do frio, para que sintas o tremor do gelo e as gotas de suor se refresquem no teu peito. Vou apagar-te da memória quem tu és, para que possas renascer na liberdade da criança amamentada pelos meus seios e para que morra inocente essa sede de outros néctares. Olha-me então pela vez última, antes que esqueças o que sou, antes que te vista e dispa rasgadamente na descoberta do teu novo corpo. Diz-me então que nome te dar. Como chamarei a esse homem que hoje dou à luz pela fantasia, para que quando te abandonares em gritos de mel, reconheças quem já foste e nomeies sem pudor o que afinal sempre quiseste.


O Post Erótico by Bastet :)


Obrigada!

2005-05-27

Palavras-beijo

(...)
Les idées pétrifiées devant la merveilleuse indifférence
d’un monde passioné
d’un monde retrouvé
d’un monde indiscutable et inexpliqué
d’un monde sans savoir-vivre mais plein de joie de vivre
d’un monde sobre et ivre
d’un monde triste et gai
tendre et cruel
réel et surréel
terrifiant et marrant
nocturne et diurne
solite et insolite
beau comme tout.


Jacques Prévert - Lanterne Magique de Picasso



As palavras são armas e são beijos e esta melancolia outonal em dia de Primavera faz-me, mais uma vez, questionar as suas valias.

Há dias em que prefiro as minhas palavras armas, armas contra o tédio, a indiferença; há outros que as prefiro beijos, sussurradas, carinhos partilhados em tom de intimidade.

Nunca sei em que dia chego ao blogue. Depende muito de como me correu o dia, do que leio antes de ter vontade de escrever, como leio, como sinto. Nunca fui capaz de temer a intimidade para onde as palavras me transportam. Mesmo sabendo que é mais uma percepção do que uma verdade; mesmo sabendo que posso estar errada, que as minhas percepções podem ser deformadas pelo tanto de ruído que este meio de comunicação acarreta, ou que a reacção comentada é, muitas vezes, uma reacção apressada, descuidada, virulenta.

O mal - ou o bem - é que leio nos outros o espelho das minhas reacções mais naturais a toda e qualquer figura com que me cruzo na vida. E, se gosto, as palavras são beijos; se não gosto, as palavras são bombas. Nunca me caiu bem os meios tons. Por isso, tenho também mea culpas a assumir quando recordo as palavras com que povoo as respostas e até alguns posts neste meu playground palavroso. Mas não me sei suficientemente forte para ser diferente...

Há dias em que me apetece dar uma palavra-beijo a alguém. Porque nunca temi (apesar de tanto e tanto) a intimidade das palavras dos outros. Mas também há dias em que trago comigo apenas e só palavras-bomba e mino o caminho de todas as palavras que alinhavo por aqui e as intimidades possíveis das palavras dos outros. As palavras apenas e só espelham os meus humores...

Uma vez disseram-me que eu era uma "missionária" das liberdades que defendo. Não pretendiam que fosse um elogio. E, no entanto, para mim foi elogioso. Porque tenho as minhas verdades e defendo-as como posso, como sei, com todas as palavras que conheço, com raiva, com amor, com sofreguidão, com a arte possível ou a exaustão do "não sei mais". As minhas palavras sempre foram comprometidas com aquilo em que eu acredito. E talvez por isso ganhem, tanta vez, um peso desmedido.

As minhas palavras são o meu feudo e têm as matizes de humor dos meus dias. São palavras-beijo, palavras-arma, mas também palavras-lágrima, palavras-sorriso, palavras-gargalhada, palavras-intimidade. Só assim faz sentido para mim continuar a espalhar tanta palavra neste espaço.

E hoje apetece-me agradecer as tantas de palavras que, desde Agosto, tantos de vós deixaram ficar por esta Voz perdida. E mando-vos palavras-beijos, porque mais não posso fazer...

2005-05-26

comPILAções

Post Erótico

Já me esqueci...
Da dança de luz por entre os teus cabelos.
Da roupa descendo pela tua pele.
Dos caminhos do teu corpo.

Já me esqueci...
Do sabor dos nossos corpos fundidos
Dos teus seios no meu peito.
Do meu nome num doce sussurro

Já me esqueci
Do teu suspiro trémulo
Do abraço ofegante
Dos nossos contornos nos lençóis abandonados.

Porra de amnésia.


O contibuto do PN. Afinal, o desafio sempre esteve em aberto...

2005-05-25

Hardcore


aqui


You are hardcore, you make me hard.
You name the drama and I'll play the part.
It seems I saw you in some teenage wet dream.
I like your get up if you know what I mean.
I want it bad. I want it now.
Oh can't you see I'm ready now.
I've seen all the pictures,
I've studied them forever.
I wanna make a movie so let's star in it
together.
Don't make a move 'til I say, "Action."
Oh, here comes the Hardcore life.
Put your money where your mouth is tonight.
Leave your make-up on & I'll leave on the light.
Come over here babe & talk in the mic.
Oh yeah I hear you now.
It's gonna be one hell of a night.
You can't be a spectator. Oh no.
You got to take these dreams & make them whole.
Oh this is Hardcore -
there is no way back for you.
Oh this is Hardcore -
this is me on top of you
& I can't believe that it took me this long.
That it took me this long.

This is the eye of the storm.
It's what men in stained raincoats pay for
but in here it is pure.
Yeah. This is the end of the line.
I've seen the storyline played out so many times before.
Oh that goes in there.
Then that goes in there.
Then that goes in there.
Then that goes in there.
& then it's over.
Oh, what a hell of a show
but what I want to know:
what exactly do you do for an encore?
'Cos this is Hardcore.


Pulp - This is Hardcore



(Tenho um fetiche com "extremidades" bonitas.

E gosto da ideia do "encore".

E pronto!)

2005-05-24

Alegria! Breve alegria :(



Tenho o CommentThis! de volta.

Ou talvez não...

Trelas


recebida por mail Posted by Hello



De uma forma ou de outra, existe uma mentalidade peculiar que acusa qualquer acto de inspiração "feminista" de querer suplantar e dominar o macho. Acrescentam, a mais das vezes, que tal é contranatura.

Fiquem descansados, não vou discutir nada disso neste post.

Na verdade, eu não estou com grande vontade de questionar nem o patriarcado, nem o matriarcado, muito menos qualquer movimento político-sociológico.

Mas, perante a imagem supra, questiono de boa vontade a pose de qualquer gabiru armado em machão. É que, doutrinas à parte, as mulheres lá conseguem quase sempre levar os "gaijos" pela "trela"...

E, como o tema é discutível, façam o favor de mandar bitaites na caixinha de comentários abaixo.

É que, caso ainda não tenham percebido, este é o novo desafio aqui na Voz.

2005-05-23

Perdoa, Cap...


... empurrar assim a tua "festa" cada vez mais lá para baixo, mas "isto" tinha de vir para aqui.

Eufigénio: disseste tudo! "Isto não pode ser tudo a mesma coisa, não pode, não deve, não pode".


Nem tenho mais palavras!

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(...)
Fizeram-me a vistoria
levaram tudo a preceito
até me viram o peito
e um pouco mais ao fundo
cada qual na sua vez
e tal como veio ao mundo
(...)


João Monge - Fui às Sortes e Safei-me


Serve este apenas para informar que, amanhã, este blogue fica interdito a menores de 18 anos.

E só não fica hoje, porque o dia é do Cap e eu tinha que anunciar isto primeiro.

Para o Cap

Des draps blancs dans une armoire
Des draps rouges dans un lit
Un enfant dans sa mère
Sa mère dans les douleurs
Le père dans le couloir
Le couloir dans la maison
La maison dans la ville
La ville dans la nuit
La mort dans un cri
Et l'enfant dans la vie.


Jacques Prévert - Premier jour



Foto do Cap Posted by Hello



Destrui-te a beleza da foto, mas acho que foi por uma boa causa. Quem quiser, que procure o original do sótão do teu (re)prima, que é mesmo onde deve ser vista.

E a minha arte não é muita - como se comprova - a brincar com estas coisas das montagens de imagens e assim.

Mas também o mais importante é mesmo a mensagem que quero enviar hoje. E essa fica aqui, para que todos a possam ler:

- Beijo grande de Parabéns, Cap!


(As poucas palavras, são em tua homenagem, claro :))

2005-05-22

(...suspiro)


aqui


A sair a ferros, mas lá terá de ser:

Parabéns aos lampiões!


PS - E nem se atrevam a destruir-me a cidade mais linda do mundo!

Pensamento Positivo


aqui


Ali não há-de entrar bola alguma!




(Esperemos que entre pelo menos uma na baliza adversária ou lá se vão as virtudes do pensamento positivo...)




Adenda ao post:

Ora Foda-se!!!!!

2005-05-21

Random Art


Hipatia Posted by Hello


O meu nick, segundo o Random-Art (que descobri na Quinta-feira na Zu, coloquei no profile, entretanto deu erro e retirei) vem hoje - dia sem inspiração nem tempo -, aqui para a página.

Ainda estou à espera para ver no que dá "Voz em Fuga". Mas entretanto já vi que o Random-Art está a fazer sucesso.


(por acaso até acho que acertaram nas cores...)

2005-05-20

Amor à Queima Roupa

When you're tired of relationships, try a romance.

Quentin Tarantino - True Romance



Não consigo prender os meus interesses a fugazes visões de beleza. Esqueço um pôr do sol, por mais belo que seja, excepto se o engalanar de acessórios onde a memória e a beleza, já unos, se cristalizam. O mesmo para uma flor. Ou para uma obra de arte. Ou para uma figura qualquer.

E onde encontro beleza pode não ser belo para olhos alheios. É sempre um instinto, um reconhecimento íntimo. É um relembrar também. Porque podemos sempre adquirir e cultivar gostos, mas há alguns que nos são quase intrínsecos, como se apenas recordássemos o eco desde o mais longínquo de nós, como se Beethoven ainda soasse esfumado para lá das paredes do útero, ou o cérebro recordasse a cara amiga que nos embalava aos três meses de idade.

Eu gosto de olhos intensos, chamejantes. Figuras quase frágeis pejadas de força íntima. Mãos prontas a dedilhar, dedos finos, tendões e veias visíveis. É essa potência provável no corpo feito frágil que me atrai. A força íntima. O indomável. O ser para além do ser físico, torneado, musculado à pressa e em demasia. Gosto de gente onde só encontro defeitos e, no entanto, reunindo-os, encontro uma identidade própria, bela, sublime.


É que eu gosto de defeitos. Menos os olhos tortos e as unhas roídas. Mas gosto de defeitos. Especialmente se o são de forma equilibrada, como que desenhados por medida. Especialmente se a personalidade que transparece é bem mais do que o invólucro, é um todo apelativo.

Talvez por isso goste de cicatrizes. Vejo-as como marcas, mapas, história. Talvez estejam na minha história, lá atrás no tempo que conscientemente já não recordo, mas que enforma até hoje o meu gosto, o meu padrão de beleza.




Talvez por isso goste tanto do Gary Oldman no "True Romance".

____
imagem aqui

2005-05-19

What's The Fuss About?

ANNA:
What is it about men and nudity? Particularly breasts - how can you be so interested in them?

WILLIAM:
Well...

ANNA:
No seriously. I mean, they're just breasts. Every second person in the world has got them...

WILLIAM:
More than that actually, when you think about it. You know, Meatloaf has a very nice pair...

ANNA:
But... they're odd-looking. They're for milk. Your mum's got them. You must have seen a thousand of them - what's the fuss about?


Richard Curtis - Notting Hill


Sophie Marceau
(Foto: ALL OVER PRESS OCH AP)
Posted by Hello


Mas afinal qual é a razão de tamanho alarido? Serão as mamas da Sophie Marceau assim tão especiais ou é só por serem dela?

Ou será antes porque a bela se socorreu do velho artifício de mostrar um bocadinho de carne para garantir outras visibilidades?

Sim: que tem de especial esta mama? Porquê esta mama e não outra qualquer?

Cuspir para o ar


aqui


Mas que merda é esta de agora todos acharem que é fácil empatar ou ganhar no Bessa?

Só porque compraram uns bilhetinhos a mais, pensam que são favas contadas?

Cuidado com as surpresas, ora! Estão a contar com o ovo no cu da galinha e ainda vos sai galo...

2005-05-18

"Love will tear us apart"

(...)
You cry out in your sleep
All my failings exposed
And there's a taste in my mouth
As desperation takes hold
Just that something so good just can't function no more
But love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart again


Joy Division


E já passaram vinte e cinco anos... São mais do que os vinte e três que tinha no dia em que desistiu.




aqui

(mesmo em passo de corrida e sem tempo para muito mais, não podia deixar de lembrar Ian Curtis hoje...)



R.I.P.

2005-05-17

Inveja


aqui


Admito: não tenho grandes pretensões na escrita. O sonho sempre foi escrever o livro, nunca foi publicá-lo. Ter as letras por aqui (mal) ordenados sujeitas a escrutínio alheio, ainda é algo que me espanta. Quando dizem que gostam - e a verdade é que ainda sinto que posso acreditar nos comentários com que me brindam - fico surpreendida e agradada. Porque a maior parte das vezes não encontro qualquer valia no texto debitado. Os que mais gozo me deram escrever nunca foram os mais populares; aqueles para os quais desde o início olhei de lado, parecem ter caído em gotos insuspeitos. No final de cada semana, quando o "sitemeter" me devolve os resultados das visitas, espero sinceramente não ter pregado demasiadas secas e que a ortografia e a gramática não me envergonhem pelos tempos mais próximos. E isso já é uma conquista.

No fundo, ainda olho bem de lado para o que escrevo. Tento ter algum conteúdo, mas um blogue feito a olhar para o umbigo só pode ter mesmo um conteúdo desinteressante. Porque todos os umbigos perdem a piada. Porque chegará o dia em que já ninguém vai ter pachorra para me aturar as luas ou as sanhas, as inseguranças ou as manhas, as tusas ou os banhos de água fria. No fim, talvez me sobre um punhado - bem pequeno - de letras alinhavadas num dia de superior inspiração, já que todos temos 15 minutos prometidos e eu faço questão de ter o que é de meu direito.

Mas a verdade é que morro de inveja de quem escreve bem. Morro de inveja de quem tem uma perspectiva interessante, inteligente, pertinaz, sobre as questões que me interessam e nem sei bem como abordar. E, mesmo sendo a inveja um dos tais pecados capitais, não sei como contornar o bichinho de olhos verdes que me acerca os calcanhares. É admiração, como é óbvio. É reconhecer o mérito também. Mas é acima de tudo uma inveja pequenina, que amordaço para que não se transforme em mesquinhice. Estranhamente, será também uma inveja salutar, porque sempre aprendi alguma coisa com quem admiro à distância.

Aqui há uns dias, falamos os dois de asnos. Só vi depois de escrever o meu texto. E, ao fim da tarde, rabinho entre as pernas e a sentir-me pequenina, vinha para apagar a coisita que me tinha atrevido a escrever. Lá está: a banalidade do meu texto pesava-me, enquanto
outro me deixava verde. Verde de inveja por não ter sido eu a escrever assim. Mas quem nasce para peixinho nunca chega a tubarão...

E
o texto de hoje, então, deixa-me já para o verde bisga. Já não é só verde inveja. É uma cor de dor de barriga, misto de aplauso e cobiça. E o verde nem me vai bem...

Admito: tenho inveja dos textos deste meu
conterrâneo. Nada a fazer. Não é bonito, mas é verdade. E só me resta admiti-lo.