2014-07-20
2014-07-13
2014-07-09
Telhados de vidro
Ouvi demasiadas piadas de brasileiros a propósito da Selecção. Comi e calei. Depois de ontem, não chego a ter coragem para fazer piadas com a selecção brasileira e não vou bater mais no ceguinho. Mas não consigo deixar de lembrar a quem tão rápido andou de piada em riste que não se deve cuspir para o ar e num instante a piada do 4 se tranforma na vergonha de um 7. Em casa.
2014-06-10
Horta à janela
fonte
Ah, meu Portugal!
Ele há dias em que só tenho vontade de atirar tudo para trás das costas, largar a cidade já demasiado grande e partir para uma vida nova, lá onde ainda as águas se abrem em piscinas no meio do rio ou onde um engarrafamento se mede pelos dois carros que resolveram sair à rua à mesma hora.
Fugir para onde as pessoas ainda vivem em casas e têm quintais e roseiras a colorir a ombreira da porta. Estacionar a minha vida lá de onde toda a gente fugiu e onde eu jurei que saberia ser feliz, houvesse investimento e emprego e mais do que a paisagem.
Viver no meio da lonjura e ter uma casa branca, com roseiras por baixo das janelas e com ombreiras das portas coloridas e um jardim com uma macieira perfumada e um banco debaixo de um caramanchão florido e uma noite que ainda deixa ver estrelas e onde o barulho é feito apenas de cigarras e grilos, pássaros e árvores balançadas pelo vento, ou algum riacho mais caudaloso.
Mas os sonhos não enchem barrigas nestes pedaços do País cada vez mais despidos de gente, onde já quase só sobram os velhos e não há esperança na raia fronteiriça do esquecimento. E não posso ir!
2014-06-06
2014-06-04
We were watching T.V.
Pergunto-me se Tiananmen é ainda espinho encravado na realidade da propaganda e na realidade que, afinal, veio depois. E penso que talvez os rostos e corpos já tão distantes no tempo e na geografia nunca puderam ser apenas números. Aquela realidade televisionada para que todos vissem nunca deixou que a barbárie fosse apenas um roda-pé na história.
2014-06-03
2014-06-02
2014-05-26
2014-05-25
Voto
Nos tantos anos em que voto, nunca vi as mesas de voto tão vazias. O problema é que quando os moderados acham que já não têm lugar na democracia e que não serve para nada exercer o seu direito e dever cívico, então a democracia acaba refém dos extremistas, os únicos que parecem ainda ter capacidade mobilizadora. E talvez um dia destes acabemos com um Le Pen à frente da Comissão Europeia e um Parlamento Europeu dominado por neo-nazis, deitando enfim por terra o sonho de Schuman e Monnet.
2014-05-24
Amanhã
«to make all men work together, to show them that beyond their divergences or over and above frontiers, they have a common interest.»
Jean Monnet
Que fazer se, apesar de tudo e especialmente apesar do agora, eu ainda acredito?
2014-05-20
She lives in a world she didn't choose
There is a woman in Sudan...
Assustam-me os diferentes relatos que vão chegando de sociedades fundamentalistas e o desrespeito crescente pela figura feminina. É um regresso à barbárie com base numa estrutura obstinadamente patriarcal, dogmática e neurótica. Pergunto-me se as mulheres assim acabrunhadas reconhecem ainda que o domínio imposto advém vezes demais do medo e que, necessariamente, tem de haver um reconhecimento de que o sexo da força bruta é, a muitos - demasiados! - níveis o sexo menos evoluído. E, no entanto, até as bestas tiveram mães...
2014-05-08
Há barbaridades e depois há coisas para as quais nem tenho nome!
«Recentemente, mais de 200 raparigas estudantes foram raptadas por um grupo armado na Nigéria para serem vendidas como escravas sexuais, ou a fim de serem forçadas a casar.»
«As autoridades nigerianas precisam de saber que o mundo está solidário com as alunas raptadas e as suas famílias. Juntem-se a nós e exijam a libertação imediata destas crianças e adolescentes.»
Assinar a petição aqui.
2014-05-05
Apre!
A história, para ser dos vencedores, não pode ser contada e alterada por nódoas destas. E a história está sempre, agora que a internet nos domina os dias e nos leva rapidamente a reler o que muitos gostavam de ver esquecido, à distância de um clique:
2014-05-04
2014-05-01
Primeiro de Maio
Hoje, quando parece que o povo de um Maio de há 40 anos está vencido e achincalhado, ponho maias à porta contra o carrapato e outras bestas.
2014-04-30
2014-04-28
2014-04-25
As portas que Abril abriu
fonte
Talvez os símbolos não sejam pertença nem da direita nem da esquerda e enfeuda-los a este ou aquele pequeno grupo seja apenas mais uma forma de alienar todos quantos não assentaram arraiais partidários. É que os cravos (ainda) são nossos: pela liberdade e democracia que, naquele dia, renasceu; pela liberdade e pela democracia que, depois, sobreviveu ao verão; e, muito especialmente, porque é simplesmente belo imaginar um golpe de estado, depois revolução, em que do lado da revolta o único vermelho era o dos cravos nas espingardas e, não fosse o Carmo, a revolução tinha-se cumprido sem sangue. Depois o sangue acabou por correr, como corre sempre quando há interesses em conflito e o País precisou dizer não à ditadura que se anunciava para substituir a ditadura que partia. Mas em Abril foram cravos rubros de sangue. Afinal, o imaginário é assim que se constrói e hoje é também pelo futuro mirrado, pelo futuro do meu sobrinho que há-de saber como realmente reza a história porque, felizmente, ao contrário da tia, dos pais e dos avós, nasceu em liberdade, uma liberdade que chegou num cravo vermelho-sangue a enfeitar um fuzile.
Qual é a cor da liberdade?
Às Forças Armadas e ao povo de Portugal
«Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade»
J. de S.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos
reinaram neste pais,
e conta de tantos danos,
de tantos crimes e enganos,
chegava até à raiz.
reinaram neste pais,
e conta de tantos danos,
de tantos crimes e enganos,
chegava até à raiz.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
É verde, verde e vermelha.
Tantos morreram sem ver
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
É verde, verde e vermelha.
Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura,
e o poder feito galdério.
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.
toda prisão ou censura,
e o poder feito galdério.
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
É verde, verde e vermelha.
Esses ricos sem vergonha,
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.
Qual a cor da liberdade?
É verde. verde e vermelha.
É verde. verde e vermelha.
Essas guerras de além-mar
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar
sem sinal de se acabar
por politica demente.
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar
sem sinal de se acabar
por politica demente.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
É verde, verde e vermelha.
Esse perder-se no mundo
o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo,
só miséria sem segundo,
só desespero fatal.
o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo,
só miséria sem segundo,
só desespero fatal.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos
durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos
e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.
durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos
e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.
Qual a cor da liberdade?
E verde, verde e vermelha.
E verde, verde e vermelha.
Saem tanques para a rua,
sai o povo logo atrás:
estala enfim altiva e nua,
com força que não recua,
a verdade mais veraz.
sai o povo logo atrás:
estala enfim altiva e nua,
com força que não recua,
a verdade mais veraz.
Qual a cor da liberdade?
Jorge de Sena - Cntiga de Abril
Jorge de Sena - Cntiga de Abril
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