2015-03-29
2015-03-19
Da responsabilidade
«Responsabilidade política
do Governo
Perante a Assembleia da República
-O Governo é responsável políticamente perante a AR, pela sua actividade e pela actividade da administração dele hierárquicamente dependente.
Perante o Presidente da República
-Existe uma responsabilidade política do Governo perante o PR e existe uma responsabilidade política do PM perante o PR»
Professor Dr. J. J. Gomes Canotilho
E depois há os irresponsáveis...
2015-02-23
Ai o absurdo!
E como sempre sinto-me a viver num mundo à parte! Um mundo que não percebe o sucesso de obras de qualidade mediana nem a histeria que as rodeia. Sendo que todas as gerações têm as suas pancas quanto à sexualidade, desde os gregos e os seus meninos passando pela cegueira à conta da masturbação ou da negação do prazer feminino delegado para crises nervosas, até percebo que uma sociedade que não se importa de ver cabeças a serem decepadas em prime-time mas não pode ver maminhas no Super Bowl se passe por completo com umas algemas ou umas chibatas. Mas na Europa? Poupem-me!
2015-02-04
2015-01-27
2015-01-07
2014-12-30
Bom Ano!
É que parece que este, de tão má memória, não quer partir.
Eu ainda fui a tempo de me partir toda antes de brindar a 2015 :(
2014-12-23
2014-12-22
A minha avó morreu há um mês
(Este repost é para ela)
E, sim, era como um suspiro esta coisa de lhe bordejar a porta pela noitinha e tentar ainda sentir o cheiro a leite-creme queimado com um velho ferro de passar a ferro. Como no tempo em que nos abria a porta de mansinho, puxando o nagalho ao cimo da escada que destrancava a velha fechadura enferrujada. Ou de quando lhe saltávamos ao quintal atrás dos magnórios e das peras e ela fazia de conta que não sabia que estávamos lá. Ou de quando nos contava histórias do fantasma que habitava a casa, morava lá no sótão e só descia pelas vésperas para ajudar a pôr a prece em dia. Ou então de como tinha sido o tempo em que ali havia uma família e gente que se beijava e abraçava pelo correr das horas, enquanto pelos velhos corredores ainda havia passos pequeninos a dizer que a vida havia de continuar para além das vidas que partiam. Ou de quando enfim deixou de poder estar sozinha e afinal parecia que já ninguém tinha espaço para ela e como foi mirrando ao cimo das escadas, à espera que pela noitinha alguém viesse espreitar-lhe as cores e o estado e as maleitas. E depois, quando partimos a estudar longe e já ninguém lhe bordejava a porta, deixou-se ficar cada vez mais sozinha e já nem o velho fantasma lhe fazia companhia nas ladainhas. Morreu sozinha ao cimo das escadas, amparando a solidão de tia velha. E foi quando ela nos faltou que a casa pareceu pesar-nos uma tonelada de mágoas e já pouco importa que seja nossa. Era nossa antes, quando ela lá estava, com os seus fantasmas e as suas histórias. Agora é uma casa que nos tem, mas onde não pertencemos. A casa que herdamos, mas não merecemos. E mesmo quando puxamos o nagalho ao cimo da velha escada rangente para deixar que a porta se abra, ainda assim a escada queixa-se como se nos dissesse que não somos de lá. E é por isso que voltamos a fazer leite-creme queimado – que nunca vai saber ao mesmo – e replantamos a nespereira e a pereira do jardim. Mas até os frutos sabem diferente. E não há vésperas, claro: nenhum de nós aprendeu a rezar de forma a que até os fantasmas nos seguissem as preces. E a tia-avó partiu e não deixou fantasma. E mesmo que haja gente pela casa, no 52 já ninguém mora.
2014-11-09
Três tempos da memória
25 anos!
A História - a verdadeira - é feita de gente anónima, gente vulgar, gente capaz de pequenos gestos de heroísmo, gente que vira as costas, gente apanhada num turbilhão que não entende, gente que sobrevive, gente que morre, gente que mata, gente que faz a festa.
No tempo de uma geração, podemos ser tudo. Num Outubro de há 25 anos fomos gente anónima na rua a fazer a festa por entre os escombros de um muro que ruía.
Será que ainda nos lembramos o que era viver naquele mundo em que uma parede era mais uma ferida aberta do que uma cicatriz? O que foi viver aqueles tempos de euforia e como tão rapidamente toda a esperança foi comida pela realidade?
O Muro de Berlim tem três tempos na minha memória: um tempo em que existia e dividia; um segundo momento, muito breve, de fé e exuberância quando foi derrubado e me fez acreditar num futuro brilhante em que tudo seria possível; e este momento de agora, onde já fica resumido a mais um velho símbolo de uma fé ingénua que só fui capaz de ter brevemente, muito brevemente, na minha pequena história de vida cheia de ruínas e símbolos soçobrados.
2014-10-31
2014-10-28
Prioridades
Ontem, entre várias opções para reportar, havia eleições na Tunísia, Uruguai, Ucrânia e Brasil, testes de stress dos bancos europeus e outras notícias de economia com impacto no nosso bolso, política interna portuguesa, crimes vários. Mas, para a RTP e a TVI, a notícia que mereceu o destaque de abrir o noticiário das 08:00h foi... a derrota do Benfica frente ao Braga. Estamos conversados quanto a prioridades. Pão e circo!
2014-10-15
2014-09-23
2014-09-02
Terror
Si pour le bestial tu chasses l’animal.
Vitor Hugo - Bêtise de la Guerre
Há coisas que não deviam ser para consumo massificado. A morte, certamente, merecia maior pudor. E pergunto-me onde dizemos isto é notícia e assim a aceitamos e onde percebemos que há um tipo de terrorismo perpetrado por alucinados que só existe porque tem tempo de antena.
2014-08-28
Está de chuva...
Tenho andado para aqui a queixar-me, muito ou pouco, não importa agora. Mas a queixar-me, ainda assim. Há também um ar de desmaio em quase tudo o que escrevo e, quando sinto assim as palavras queixosas, melancólicas e abatidas, tendo a encolhê-las, desarmando a exposição prolongada ao seu feitiço.
É que estas coisas das palavras apenas, especialmente por esta altura, deixam-me um travo tristonho nos sorrisos. Como sempre, sinto tudo demasiado pouco, sôfrega que sou de pedir o sol para ver se me calha a lua. Não queria só palavras. Queria quem as diz e as escreve, mas foi tudo a banhos. E queria que o Porto não me parecesse tão longe de sítio nenhum, tão longe dos meus sítios, que são, essencialmente, os meus afectos.
E, sim, eu acredito mesmo que nenhum de nós é uma ilha e, hoje, sinto como se eu fosse só o farol perdido na extremidade mais distante da ilha mais longínqua do arquipélago mais remoto. Tão longe, mas tão longe, que nem cá chega o sol deste Agosto enevoado.
2014-08-25
2014-08-03
Dos silêncios
Hoje não me apetece escrever. Tenho uma música a tocar
baixinho, um cigarro entre os dedos e mil e umas futilidades a bailarem-me no
pensamento. Não é que não me apeteça escrever, no sentido de dar respostas.
Isso já fiz hoje. Muito. Quantas vezes me interpelaram. Tanto que talvez tenha
esgotado as palavras por hoje. Ou, se calhar, só não me apetece escrever sobre
futilidades enquanto, baixinho, toca esta música. Mas também não é bem só dar
respostas. Porque também não me apetece fazer perguntas. Talvez seja mesmo da
música que, aqui ao lado, vai tocando baixinho. Enche-me de paz, de espaço.
Leva-me em ondas, faz-me beijar praias de silêncios e harmonia. Toca baixinho
uma música, sem futilidades. Baixinho, baixinho. Quase em silêncio. No silêncio
onde, depois disto, vou depor por hoje as palavras.
Escrevi (publiquei, pelo menos) este texto às 19:59h do dia
16 de Setembro de 2004, quando chegava a casa e escrever era um refúgio, antes
de perder realmente a vontade de escrever e depor por dias as fio as palavras.
A que vem agora a isto? A um artigo que li. Deixo o link. E pergunto-me quantos deram conta como, ao
fim de anos e anos sem resistir a uma página branca, as palavras me são tão
escassas ultimamente. Afinal, estou aqui como sempre estive, não desapareci com
as tais palavras que me comandavam as rotinas. Anos de palavras, tantas:
primeiro em chats, depois em fóruns, o blogue ainda meio vivo que teimo em não
alimentar e que faz este mês mais um ano, agora o FB e talvez um dia destes
outra coisa qualquer quando o FB me irritar definitivamente com a forma intrusiva
como quer comandar as minhas palavras, apropriar-se delas e, junto, levar de
vez a reserva com vivo a minha vida.
Reserva? Reserva, sim. Por mais que durante tanto tempo
tenha exposto se calhar demais em textos e textos que continuam online para
quem os souber encontrar. Reserva no FB mais ainda, por me ser desconfortável a rotina bigbrotheriana do que estás a fazer, em que estás a pensar, os
gatinhos são lindos e os memes para partilhar.
Talvez a maioria das pessoas que me conhece não tenha
dúvidas em classificar-me como extrovertida. Afinal, não tenho quaisquer
problemas aparentes em conhecer pessoas novas, entabular conversas, conseguir
algumas gargalhadas e, deixar, no fim, o outro perfeitamente à vontade comigo e
com a situação. E não sou tímida, nunca fui. Nem tenho papas na língua e posso,
quando quero, possuir uma candura e uma franqueza desarmantes, por vezes
brutais.
Mas talvez vista demasiado bem cada um dos pontos do tal
artigo de que deixo o link; talvez por isso tenha a certeza que conheço muita
gente, mas muito pouca gente me conhece verdadeiramente. E também por esse
motivo dar aulas me exauria tão completamente ou todos os dias parece que só ao
fim do segundo café consigo ligar o botão do “on” e encarar o dia de trabalho e
de sociabilização forçada como mais uma maratona que se escoa até a um
entardecer de silêncios e de carregar baterias a sós. Ou tão simplesmente
porque não telefono, não gosto de falar ao telefone, estou meses sem pôr
conversas em dia e porque sou aparentemente tão desligada das anedotas da vida
de pessoas que não sei bem quem são, quem foram, quanto tempo moraram na minha
rua e quantos dias partilhei de aulas na escola primária, que esqueci completamente.
Ou porque nunca gostei de cliques, claques e tribos, nem tenho uma agenda a
rebentar pelas costuras com planos para todos os dias da semana, ou
simplesmente porque estar sozinha ou estar só nunca foram a mesma coisa no meu dicionário
e a sociabilização forçada, tantas vezes gratuita, tantas vezes sem sentido – a
meus olhos, claro! – tem a ver apenas com quando e onde estou disposta a ligar
o botão do “on” e fazer parte da festa ou, pelo contrário, ficar um pouco de
lado a medir o que se passa, deixando-me levar pela corrente em lugar de
precisar estar no meio das ondas, a fazer as ondas, todos os segundos.
2014-07-20
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