2009-12-15

Apre!


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A pouco e pouco, é mais um pedaço que é posto em causa. E nem sei bem se é só ignorância de prováveis consequências ou esta forma inconsequente e demagógica de se fazer política, agora com insultos e um dia destes cabeçada pelo meio, que até corninhos já houve. Como se já não bastasse este Estado dominado pelos arranjinhos e os fulanismos, esbanjador e cada vez mais paternalista a querer impor por força de lei os cigarros que fumamos ou o sal que ingerimos; ou os chips electrónicos ou qualquer outra forma de controlo sobre os corpos para que se estenda em pouco tempo à mente também, controlando e encaminhando todo o gado para um redil padronizado, vídeo-vigiado, escutado e, acima de tudo, demitido; ou a lista on-line de quem deve e como deve ou os apelos ao fim do sigilo bancário (agora que o segredo de justiça já virou piada) como se isso bastasse para descobrir o tal do enriquecimento ilícito e a forma apressada e imbecil como vendem a ideia a um povinho invejoso que, certamente, não demorará a virar bufo à moda de antigamente, a troco da cunha ou da nota de mil réis. E nem sequer parecem atentar na caixa de Pandora que são estes apelos cada vez mais estupidamente visíveis e audíveis para que passemos todos a ser criminosos à partida, obrigados a provar inocência como quem prova que afinal já pagou a multa às finanças há dez anos e, ainda assim, acaba só com frigorífico e o fogão e o colchão em casa, que até os pratos foram arrestados. E depois podemos até dizer que as finanças incorreram em erro grosseiro. Mas até o erro grosseiro está desculpado se der jeito à cor política que, noutras alturas e com outros figurões, ai aqui d’el rei deposto que a república é uma treta e vamos é mudar as bandeiras como se isso bastasse e servisse realmente para alguma coisa. E ainda há todos os julgamentos em praça pública incendiados pelos patrões dos media e por peões sem vontade a recibo verde prontos a baixarem a calcinha e a fazerem o jeitinho ao chefe. Para já não falar do regresso do jargão das forças do bloqueio. E é que eu cresci a ouvir a expressão força de bloqueio e tenho uma memória tramada. Era quase anedota, mas depois veio a moção de censura e o cavaquistinho transformou-se no cavaquistão. Ainda anda por ai, já jarreta. Pode um dia destes, caduco e podre que está, acabar a transformar o socratinho no socratão. Que a merda, se formos a ver bem, é cíclica enquanto os mesmo cagalhões tiverem a alternância e os que estão mais de ladecos se servirem em igual medida da casa de alterne no pardieiro de interesses e negociatas onde todos se arranjam, menos o povinho. Esse continua a ir alegremente e demitido da sua cidadania a caminho do redil quase na insolvência, mas enquanto as ATM cagarem notas as filas nas caixas das lojas da moda continuarão alegremente a crescer, com um sistema de vigilância estrategicamente atestado sobre os trocos que ainda sobram em cada porta-moedas, não vá estar ali uma nota de 500 aéreos, prova provada de enriquecimento ilícito, que as notas que realmente contam continuarão escondidas em robalos ou em malas de gajos de braço engessado ao peito.

4 comentários:

Paulo Abreu e Lima disse...

Belo desabafo; belo texto que fala de mer... escatologia.

Desabafo meu: penhoram-me uma conta bancária (este ano tem sido assim, de merda!), por erro manifesto das finanças porque afinal tinha pago. Disseram-me há um mês que a iam desbloquear. Pois, sim, mas não sem antes retirarem em cash o valor da penhora, ou seja, fizeram-se pagar duas vezes. Emitir cheque de reembolso? Só lá para Janeiro, afinal serve bem para as contas do orçamento... Nojo!

Hipatia disse...

É! Cada vez que me mando à política sinto-me profundamente escatológica :S

E isso das contas arrestadas é mesmo uma filhadaputice, que querem lá bem saber e, se levam muitos justos na rede, pouco nos há-de agradar que apanhem um (pequeno, reles, que se fosse grande era político) pecador.

I. disse...

Olha, muit'óbrigadinha, que hoje já acordei em dia não e vou passá-lo a aturar malucos e tenho que ter uma cena fodida (derivada da incompetência de uns que saiu cara a outros) pronta às duas, e a cafeína ainda não fez efeito. E levo logo com este banho de realidade. Sim senhora. Porque é que não mudas o fundo para cor de rosinha e postas aqui umas fotos de modelas e fadinhas, hã, porque é que tens que pensar e coiso e dizer as cenas e ainda por cima bem?
E porque é que eu concordo e ainda por cima tenho pena de não ter sido eu a escrever isto, hã?
Rásteparta e a mim também.

(quando for crescida quero ser uma força de bloqueio)

Hipatia disse...

Cor-de-rosa? Faz-me icterícia :D Mas às tantas ando a precisar pôr por aqui umas imagens de uns modelOs como deve ser. Assim tipo aquele brasileiro que a Madona catrafilou (já viste?) ou coisa parecida. Mal não fará ao escuro do Voz e as minhas irritações talvez acabem moderadas :D