2009-10-30

Diários


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Sempre mantive diários. Sempre tive o hábito de escrever, mesmo que agora quase não use papel e esferográfica. Mas guardo em casa dos meus pais, ainda fechados com umas chaves que nunca guardaram realmente segredo algum, uma série de pequenos livros pintalgados com o que já fui. Hoje desfolhei um com saudade e quase vergonha, como se estivesse a violar realmente o segredo de alguém tão diferente do que sou agora. Mas foi giro pegar no diário, ler o que escrevia então, surpreender-me com o que escrevia então e, até, estranhar a minha letra. Há muito tempo que tenho uma caligrafia bem diferente, não necessariamente mais bonita, mas mais firme. Na realidade, acho que até a minha caligrafia perdeu candura.

2009-10-27

Sonhar o dia


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«"Todos os dias são importantes para a conservação da natureza, mas o de hoje é histórico", afirmou o presidente do ICNB, lembrando que a chegada de Azahar a Silves é a concretização de um projecto que conta quase com uma década. »

in Expresso



Quando estava na escola primária (e sim, já lá vai mais de uma década), uma das paredes da sala de aula estava enfeitada com um enorme cartaz que apelava ao salvamento do Lince da Malcata. A campanha não teve então grande sucesso, infelizmente. Até aos anos sessenta do século passado, haveria uma população de vários milhares de linces ibéricos, partilhada por Espanha e Portugal mas, gradualmente, a mesma foi-se reduzindo até permanecerem apenas cerca de cem exemplares em liberdade e, segundo a Quercus, nenhum no nosso País. Agora, Portugal vai voltar a ter uma população de linces ibéricos (ao todo, dezasseis) numa tentativa meritória de salvar esta bela espécie – o felino mais ameaçado de extinção – ensaiando níveis de reprodução em cativeiro que permitam sonhar com o dia em que teremos novamente o belo lince a deambular pelos matos ibéricos, salvo finalmente, tantos e tantos anos depois de eu me habituar a ver um velho cartaz numa velha parede da minha velhinha escola primária a apelar ao seu resgate do desaparecimento definitivo.

2009-10-26

Andamos atrasadas, moça :)



Oh I, já devias saber que o "Bela Lugosi's dead".


(procura e ouve as músicas compostas pelo vampiro para a OST do filminho)

QED




«Na pequena aldeia de Covas de Barroso, a notícia da detenção não surpreendeu ninguém. Padre na freguesia há mais de 30 anos, Fernando Guerra é conhecido pela sua agressividade. “É um homem bastante agressivo, quer sempre resolver os problemas à pancada. Por isso não ficámos surpreendidos quando vimos a polícia. Sempre soubemos que se passava algo de estranho ”, contou um morador.»

in, Correio da Manhã



Cada vez que pondero – muito pouco e ainda bem! – quaisquer virtudes da religião organizada e dos pastores de rebanho delegados, aparece logo um para dar cabo da fotografia, desde o Padre Frederico que até se pôs na alheta, aos que ameaçam com excomunhão por dá cá aquela palha (alguém se lembra da campanha do referendo da IVG?), chegando a este último suspeito cowboy das berças.

2009-10-24

Mais uma horita para dormir....

Este fim-de-semana não se esqueçam de acertar os relógios... Muda a hora. Tic tac... tic tac...
Relógio do Musée d'Orsay
Foto de AM

(des)culpa



we're in this together, like sons of Cain
now tell me which way's best left not left for the blame

2009-10-23

Comer com os olhos


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Às vezes é quase como olhar uma montra cheia de sapatos: sei bem que nem sempre os mais bonitos são os que dão melhor andar mas, de qualquer forma, todas as mulheres acabam por ter uns sapatos horrivelmente inconfortáveis para usarem durante umas poucas horas de longe a longe, numa espécie de masoquismo estético. Depois volta-se às chanatas do costume.

2009-10-22

Que assim seja!

Ícones

Da fé


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Cada vez me assusta mais que as ideias deixem de ser questionadas ou debatidas, que se aposte no preceito dogmático e imposto, ou que os valores da igualdade e liberdade sejam pura e simplesmente descartados, por subversivos. No fundo, assusta-me sempre quando alguém, por questões de fé, só aceita a ideia de liberdade e igualdade desde que seja a mesma igualdade e liberdade que assume como sua. Esta é que tem de ser imposta. A liberdade dos outros, em matéria de fé ou de recusa da mesma, será sempre vista como uma agressão. E ai o debate deixa de ser possível. E a questão é que nem sempre a fé e a crendice vêm do lado da religião organizada. Podem vir em igual medida, fardadas de iguais espartilhos, do lado da fé que diz renegar a fé. E esquecem que os dogmas, se bem que maioritariamente religiosos e sem carecerem de prova, podem ser construídos com igual impacto e semelhante perniciosidade do lado de quem apregoa o ateísmo como se este fosse uma religião igual. Ficam todos os debates inquinados, sobrando uma polémica estéril, fundamentada em silogismos, longe da liberdade de opção e sem resolução previsível: onde não são precisos factos demonstráveis, que adianta tentar provar seja o que for?

2009-10-21

Como?


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«A segunda nota é uma adenda ao parágrafo no qual Payne diz que Sócrates “é considerado um dos pilares do Governo PS e é tido como a integridade em pessoa”. »

in DN



Então bastaram as eleições para que o fax passasse a rezar assim?

2009-10-20

...


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Found at bee mp3 search engine

Espartilhos


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O problema quando estamos a lidar com doenças como a anorexia e a bulimia é que elas só até certo ponto estão relacionadas com a beleza. A compulsão vai muito além disso, mesmo que tenha começado por um desagrado com o corpo por comparação imposta, aprendida ou bebida de qualquer forma dos padrões da sociedade. Aquela gente prefere morrer a comer; chegam a um ponto em que até sabem que estão a morrer, que estão demasiado magras, mas há ali um nojo da comida e delas próprias que as impedem de ter força para ultrapassar a doença.

Depois há o lado oposto, de gente tão gorda, mas tão gorda, que nem de banda gástrica lá vai. Gente que sabe que está gorda, demasiado gorda e, ainda assim, continua a comer, a não fazer exercício. E continuam a comer muitas vezes porque é na comida – especialmente nos açúcares – que encontram o estímulo que as leva, o refúgio que lhes apazigua a alma quando chegam a já nem se poder mexer e a auto-estima há muito que partiu de abalada. E, mais uma vez, entramos em casos patológicos.

No meio-termo, vivem todos os outros. E, se é certo que em terra de gordos, quem for magro é rei, também é certo que há um bombardear constante de mensagens e de imagens que nos tentam enfiar num qualquer rebanho. Hoje em dia, o rebanho dos magros por lipoaspiração ou redesenhados nos spas da moda.

Sabermo-nos diferentes e especiais dentro da nossa normalidade, sem necessidade de nos mascararmos ou escondermos atrás dos objectos que a publicidade sempre presente nos quer impor como ideal de vida, torna-nos subversivos: o rebanho é sempre bem mais fácil de conter dentro do redil.

2009-10-19

Infalível

.«Uma igreja baptista de Canton, na Carolina do Norte, está a planear queimar livros e música que considera satânicos, por ocasião do Dia das Bruxas. Além de livros da saga Harry Potter e obras como "A Origem das Espécies", de Charles Darwin, também cópias da Bíblia serão queimadas – excepto a versão "King James", a única tomada em conta pela igreja baptista e considerada "infalível".»
in Público


Deixai-os só ler o último do José Saramago!…

É "Caim" ou "Caín"?

Ena, tanta polémica! Pronto, lá vou ter de comprar o novo livro do Saramago...

O melhor peixe

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«Com crise ou sem crise, política, social ou económica, os chefes de Estado estiveram sempre acima dos humores dos portugueses. Aníbal Cavaco Silva acaba de abrir um precedente: é possível um presidente sair mal na fotografia. (...)

Apenas 35,5% do universo de respostas considera que o Presidente esteve bem, contra ainda 15,9% que diz assim-assim. Esta avaliação é ainda mais relevante quando se pediu aos portugueses que dessem uma nota de 0 a 20 de avaliação da actuação de Cavaco Silva em Outubro. O presidente recebeu um chumbo: 9,6! Nunca Cavaco Silva tinha descido do bom (14,5 foi a sua nota mais baixa, em Outubro de há um ano).»

in Jornal de Negócios



Isto de o jornalismo se travestir de peixeirada tem de dar resultados estranhos. Tão estranhos que uma notícia que não é bem uma notícia e fala de suspeitas sem factos (como se fosse a primeira!) acaba transformada numa outra notícia que também não é bem notícia, mas que levou a violação de fonte como se fosse uma qualquer violação de segredo de justiça (é abrir os jornais, senhores!). Temos, portanto, um pregão para durar e durar e fazer corar as peixeiras verdadeiras. Se ainda houver dúvidas, podemos ir à lota convidar umas quantas senhoras para o próximo Prós & Contras para aferir de como fazer uma peixeirada a sério e lançar pregão com dignidade. No entretanto, até o PR leva uma nega. Está bem! Cá para mim – que não votei nele – só peca mesmo é por tardia. Mas, já agora, não se pode também dar negativa a estes arremedos de jornalistas e directores de informação (quanta pompa, que até já viraram todos colegas quando antes colegas eram só as putas!) para ver se isto ao menos ganha juízo pelo lado do contra-poder? Ah?! Já não há disso? Pois! Estava a esquecer-me que há sempre um bolso que paga o frete.